O SER
RELIGIOSO
“Podereis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edifícios,
sem ginásios, sem leis, sem uso de moedas como dinheiro, sem
cultura, sem
letras, mas um povo sem Deus, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem
sacrifícios, tal nunca se viu”, afirma o escritor e
filósofo grego Plutarco
(50-120 d. C.).
O egrégio
escritor Ivar Lissner, em sua obra ‘Man, God and Magic’ (O
homem, Deus e
a magia), escreveu: “Não deixa de causar admiração
a perseverança com que o
homem se tem esforçado, no decorrer de sua história, de
ir além dos limites de
si mesmo. Suas energias jamais foram orientadas unicamente na
direção das
necessidades da vida. Sempre procurando, tateando adiante em seu
caminho, aspirando
ao inatingível. Este anseio estranho e inerente no ser humano
é sua
espiritualidade. Ninguém que pesquisou entre os mais antigos
povos primitivos
pode deixar de ver que todos eles concebiam a existência de deus
que tinha uma
vívida percepção da existência de um ser
supremo”.
A
religião está presente na vida de milhões de seres
humanos. Não é isso uma
forte evidência de que o ser humano tem um desejo abissal pelas
coisas
espirituais? O renomado psiquiatra e psicólogo
suíço Carl Gustav Jung
(1875-1961), se referiu a esse desejo profundo de buscar e adorar uma
força e
um poder superior quando escreveu em seu livro ‘The Undiscovered Self’
(O Eu e o Inconsciente), que “essa manifestação pode ser
observada em toda a
história da humanidade”.
A
religião está impregnada na natureza humana e revela-se
em todos os contextos:
social, político, econômico e cultural. Isso sintetiza na
brilhante pesquisa
que o insigne professor americano Alister Hardy apresenta em ‘The
Spiritual
Nature of Man’ (A Natureza Espiritual do homem). A pesquisa
confirma o que
muitos outros estudos já estabeleceram: crer em Deus é
próprio do homem. Embora
indivíduos possam ser ateus, nações inteiras
não são.
O desejo
ardente, a necessidade pela religião que o ser humano busca para
dar sentido à
vida, é a experiência comum em toda cultura e toda era
desde o surgimento da
raça humana.
O famoso
político e escritor irlandês Edmund Burke (1729-1797),
disse: “O homem em sua
constituição, é um animal essencialmente
religioso”.
O
renomado biólogo americano Edward Wilson, em seu livro ‘Natureza
humana’, afirma
que “a predisposição à crença religiosa
é a mais complexa e poderosa força,
provavelmente irremovível, da natureza humana. Traço
universal em todas as
sociedades”.
POR QUE O HOMEM
É RELIGIOSO?
As
pesquisas religiosas provam que a busca realizada pelas pessoas,
têm como
primordial importância encontrar na religião: paz,
saúde e salvação.
As
pessoas querem viver a dignidade humana em sua profunda
espiritualidade. O
sagrado tem como fundamento, os mais altos valores da vida humana. O
anseio é
encontrar a paz de espírito e a riqueza da felicidade.
Ninguém
procura o seu objetivo com tanto ardor, quando o faz pela
religião. A convicção
religiosa é a mais poderosa atitude do ser humano na face da
terra.
O senso
religioso está profundamente arraigado na espécie humana.
Como funciona esse
senso? Responde o Papa Bento XVI: “Este sensor interno não
funciona, no
entanto, como o automatismo de uma máquina, mas é algo de
vivo que pode crescer
com o homem ou ser anestesiado e apagado quase que completamente. Ainda
assim,
mesmo em quem não crê, persiste a
interrogação sobre a presença de algo que
está além da nossa existência”.
Sem este
órgão interior, a história da humanidade
não seria compreensível”. (1)
O homem é
um ser religioso porque Deus colocou no seu coração a
eternidade (cf.
Eclesiastes 3,10.11).
O homem
foi criado a imagem e semelhança do seu Criador (Gênesis
1,26).
Qual é o
objetivo da religião para esse ser criado?
Quem
responde é o erudito filósofo e historiador
britânico Arnold Toynbee (1889-1975):
“O verdadeiro objetivo de uma religião superior é
irradiar os conselhos e as
verdades espirituais, que são a sua essência, ao maior
número possível de almas
que possa alcançar, a fim de que cada uma dessas almas possa
assim cumprir a
verdadeira missão do homem”.
A
verdadeira missão do homem é glorificar a Deus e
usufruí-Lo para sempre”.
“O homem
é um ser religioso que tem dentro de si uma força que o
impele para Deus” disse
Carl Gustav Jung.
RELIGIÃO E
VIOLÊNCIA
O grande líder pacifista da
Índia Mahatma
Gandhi (1869 – 1948), disse em 23 de Março de 1922: “A
não violência é o
primeiro artigo da minha fé. É também o
último artigo do meu credo”.
O famoso professor indiano Dr. M. P.
Reger esclarece o pensamento de Gandhi: “Ele proclamou o ainsa
(não –
violência) como valor moral fundamental, que interpretava como
preocupação pela
dignidade e bem – estar – de toda pessoa”.
A democracia é literalmente uma
palavra sagrada na Índia. Com seus 1,1 bilhão de
habitantes, o país cresce mais
de 8% ao ano, menos do que o rival e gigantesco dragão
chinês. Mas a Índia tem
pelo menos duas grandes vantagens em relação à
China: a liberdade na política e
na religião.
Esse país milenar e berço de quatro
religiões: hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo.
Além disso, recebeu há
séculos o cristianismo e o islamismo. A generosa Índia
também deu abrigo a mais
duas religiões: zoroatrismo e o judaísmo.
O Estado indiano é secular e a
Constituição protege as minorias religiosas. Há
casos na sua história de
choques violentos entre comunidades religiosas. Essa violência
é provocada por
políticos inescrupulosos, diz Aspi Mistry, estudioso de
crenças e diretor da
Dharma Rain Foundation, uma associação budista, (2).
Malek Chebel é o maior especialista
em Islã da França. Na Europa conturbada por crises com
islamitas, tornaram
solicitado por todos os lados – governos, teólogos,
universidades. Chebel é
argelino, doutor em psicanálise, antropologia, história
das religiões e
ciências políticas é autor de 20 livros. Afirma: “A
violência não está ligada á
religião, mas a um contexto”, (3).
Não podemos condenar a religião por
causa de líderes, farsistas, nazistas, comunistas, capitalistas
e liberais, que
usaram e usam os sentimentos religiosos da massa, para interesses
egoístas e
macabros.
Respeitoso pensamento do Papa João
Paulo II: “Não se deve permitir que a guerra provoque a
desunião entre as
religiões. Não podemos deixar que uma tragédia
humana se transforme em
catástrofe religiosa”, (4).
“Deus não é um Deus de guerra e de
conflitos, mas um Deus de paz”, afirmou o Patriarca Ortodoxo
Ecumênico
Bartolomeu I, em Assis, Itália, em 24 de Janeiro de 2002.
O MOVIMENTO DA
RELIGIÃO
A obra monumental da religião é o
amor, paz, justiça, felicidade, solidariedade, caridade,
gratidão e respeito.
O cerne da religião está no amor a
Deus e ao próximo. (Mateus 22,34-40).
O sagrado que está no interior de
cada pessoa é o patrimônio da humanidade. Aqui desabrocha
a fé e a sede pela
espiritualidade. Como disse São Bernardo de Claraval
(1090-1153): “Deus fez de
ti um ser de desejo e o teu desejo é o próprio Deus”.
Os falsos profetas que vaticinaram o
fim da religião se enganaram redondamente. Seus sistemas
políticos, econômicos,
sociais e suas ideologias foram derrotados.
Os líderes políticos devem usar de
muita sabedoria para lidar com o sistema religioso. Precisam colaborar
com esse
poder, para colocar na sociedade uma cultura de paz.
A religião é um forte aliado do
poder público, para coibir a indústria da violência.
O renomado cientista francês, prêmio
Nobel de medicina em 1912, Aléxis Carrel (1873-1944) declarou
magistralmente:
“só a religião propõe solução
completa do problema humano”. “É a religião (não
a crendice nem a superstição) bem entendida que refreia
as paixões desordenadas
de seus seguidores. A crendice, porém, deturpa o conceito de
religião”.
Não poucos governantes se aproveitam
do fraco senso religioso de muitos crentes para os dominar em nome da
própria
religião. A autêntica religião é inspirada
por um ato da inteligência que
reconhece o transcendental e o proclama. Muitos homens e mulheres de
alto valor
cultural aderiram e aderem à
genuína
religião, exercendo crítica construtiva onde seja
pertinente; entre eles
assinalaram-se cientistas de renome internacional. Quem condena a
Religião por
causa das distorções que os homens lhe infligiram,
condenará também a ciência,
pois ela ocasionou a fabricação da bomba atômica e
de armas poderosas que
ameaçam a humanidade”, afirma com categoria Dom Estevão
Bettencourt, OSB (5).
A cientista política da Universidade
de Bombaim, Navmiit Gandhi diz que a proibição da
comercialização de armas e a
forte religiosidade do povo indiano ajudam a explicar o fato de as
favelas da
Índia não serem tomadas pela violência, como
acontece em outros países (6).
CONCLUSÃO
A religião não só faz bem ao
coletivo, como também ao individual. A religião
alcança com grande poder o
cerne da alma. O ser humano carrega em si a crença inata.
É da natureza humana
acreditar em algo, que vai além de si mesmo. O ser humano sente
necessidade
abissal no seu interior.
A busca profunda pela satisfação
plena, vai além da máquina cerebral e da alma. O erudito
físico e filósofo
francês Blaise Pascal (1623-1662) disse: “o homem foi feito para
ultrapassar
infinitamente a si mesmo”.
Nada, absolutamente nada, pode
satisfazer plenamente o coração do homem, a não
ser o Senhor Deus. Disse o Papa
João Paulo II: “O homem só se compreende a si mesmo em
relação a Deus, que é
plenitude de verdade, de beleza e de bondade...” (7).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
(1)
Veja, 27/04/2005. p. 72.
(2)
O Globo,
17/12/2006.
p. 43.
(3)
O Globo,
08/10/2006. p. 49
(4)
Veja,
Edição
Especial, abril de 2005.p.10.
(5)
Pergunte
e
Responderemos, fevereiro de 2007. pp. 52,58.
(6)
O Globo,
18/02/2007. p. 27.
(7)
Ave
Maria, Junho
de 2003. p. 6.
BASTIDE,
Rager. As Religiões no Brasil:
Uma Contribuição a uma Sociologia da
Interpenetração de Civilizações.
São Paulo: Pioneira, 1989.
MIRCEA, Eliade. Lo Sagrado y lo Profano, Madrid: Ed.
Guadarrama, 1967.
GUTIÉRREZ, Gustavo. A
Força Histórica dos
Pobres. Petrópolis: Vozes, 1994.
DESROCHE,
Henri. Sociologia da Esperança. São
Paulo: Paulinas, 1985.
SUNG. Jung
Mo. Desejo,
Mercado e Religião. Petrópolis: Vozes, 1998.
----------------------------------------------------------------
O
SOFRIMENTO
A grande mística e a primeira
Doutora da Igreja Santa Teresa de Ávila dizia: “Quando penso nos
sofrimentos
que o Senhor suportou sendo inteiramente inocente, não sei onde
vem à cabeça
lamentar-se dos meus sofrimentos. O mérito consiste no sofrer e
amar”.
É do sofrimento que nasce a
sabedoria e o heroísmo. Os gregos já diziam que
“sofrimento é escola”. E o
ínclito sábio Santo Agostinho afirmava: “A cruz é
uma escola”.
O sofrimento é uma experiência
bastante dolorosa é inesquecível e deixa profundas marcas
na alma. Não importa
que seja curto ou prolixo.
Muitas
das vezes o sofrimento é causado pela doença,
enfermidade, falta de caridade de
certas pessoas, ingratidão, injustiça, abandono,
rompimento de uma paixão,
saudade, solidão, tristeza, desemprego, miséria, fome,
separação conjugal,
angústia profunda, envelhecimento e a perda de um ente querido.
O pensador latino Publílio Siro
disse: “A dor da alma é muito mais penosa que a do corpo”. Aqui
entra o
contexto psicológico do sofrimento na alma, causado pela
depressão, traumas,
recalque, melancolia, fobias, frustrações e vários
tipos de complexos.
Muita gente não agüenta a dura
realidade da vida. Não suporta viver gemendo e chorando neste
vale de lágrimas.
Brandam contra este desterro de dor e infortúnio.
O vale de lágrimas, vale tenebroso
ou vale da sombra da morte, contém as mazelas da vida:
traição, covardia,
calúnia, difamação, cobiça, soberba,
avareza, luxúria, ira, gula, inveja,
preguiça e boçalidade.
Como viver com tudo isso? De maneira
aguerrida. “Nenhum mal temerei, pois Deus está junto a mim”
(Salmo 23,4).
Do Calvário ao Paraíso, resta a fé,
a paciência e a esperança.
Enquanto isso, diz a sentença
latina: “Opus divinum est sedáre dolórem –
É obra divina aliviar a dor
alheia”.
Muitos líderes religiosos
fraudulentos e charlatões usam o sofrimento do povo para
construir seus
impérios financeiros. Outros pela ignorância
teológica dão explicações erradas
sobre o sofrimento. Respostas sem exegese bíblica que vão
desde um ‘Deus
catastrófico’ ao pensamento deísta.
Os lideres religiosos, em vez de
fornecer respostas satisfatórias sobre esse assunto, muitas
vezes aumentam
ainda mais a confusão. Vamos concentrar-nos agora em apenas
três das suas
respostas mais comuns.
Primeiro: muitos líderes religiosos
ensinam que Deus provoca catástrofes para punir pessoas
más. Por exemplo, nos
Estados Unidos, depois de a cidade de Nova Orleans, Louisiana, ter sido
devastada pelo furacão Katrina, alguns ministros religiosos
afirmaram que Deus
havia castigado a cidade. Eles se referiram à prevalecente
corrupção, jogatina
e imoralidade como motivos para isso. Alguns até mesmo citaram a
Bíblia como
prova disso, lembrando ocasiões em que Deus destruiu os maus por
meio de
dilúvio ou fogo. Essas afirmações, porém
não refletem o que a Bíblia ensina.
(Gálatas 6,7-9).
Segundo: alguns clérigos afirmam que
Deus tem suas razões para fazer com que calamidades sobrevenham
à humanidade,
mas que essas razões estão além da nossa
compreensão. Muitas pessoas ficam
insatisfeitas com essa explicação. Elas se perguntam:
“Será que um Deus amoroso
faria tais maldades, recusando-se depois a explicar seus motivos aos
que
anseiam receber consolo e clamam: ‘Por quê’?” Essa é uma
boa pergunta, pois a
Bíblia diz que “Deus é amor”. (1 João 4,8).
Terceiro: outros líderes religiosos
talvez concluam que, afinal, Deus não é nem todo poderoso
nem amoroso. Essa
idéia também levanta perguntas sérias. Será
que Aquele que ‘criou todas as
coisas’ – incluindo o magnífico e insondável Universo -
é incapaz de evitar o
sofrimento neste planeta, a Terra? (Apocalipse 4,11). Como é
possível que
Aquele que nos deu a capacidade de amar, e cuja Palavra, a Sagrada
Escritura, o
descreve como sendo a própria personificação do
amor sem limite, seja
indiferente ao sofrimento das pessoas? (Gênesis 1,27; 2,1-3;
Isaías 49,15; João
3,16).
A
PERMISSÃO DO SOFRIMENTO
Diante do sofrimento e da dor, muita
gente pergunta “por quê isso acontece comigo?” “Por quê eu
tenho que sofrer?”.
“Por quê Deus não me livrou dessa desgraça, da
miséria e da tormenta?” “Por quê
os bons sofrem tanto e os maus não?”.
É normal a nossa revolta e
indignação no confronto com os problemas e as
dificuldades. O bom Deus não leva
em conta a nossa raiva diante das adversidades.
Como José do Egito, nós não
entendemos o mal que está acontecendo em nosso redor – em parte
sim, em parte
não – mas, com o passar do tempo, as coisas vão se
revelando e nós começamos
entender o porquê do fato ter acontecido (Gênesis
50,18-21). É claro! Nem tudo
podemos entender os mistérios desta vida. Aguardemos a
eternidade.
O ilustre rabino Henry Sobel disse:
“A fé não é a ausência da dúvida. Eu
como rabino tenho muitos problemas com
Deus, como Deus deve também ter problemas comigo. Mas nem por
isso desisto.
Faço da minha dúvida a vontade de conhecer melhor”. O
rabino diz que, quando
perdeu a mãe, questionou a justiça de Deus: “Por
quê?”. Depois, entendeu que a
pergunta não era “por quê?”, mas “para que?”
“Aprendi que a dor deve servir a uma
finalidade maior. Existe uma missão na vida, e essa
missão é enriquecida pela
dor”. Afirma Sobel: “A fé é a coragem de continuar”.
Ás vezes quando uma pessoa pergunta
“por que?”, ela não está somente em busca de respostas,
mas também de consolo,
pois talvez tenha sofrido uma grande perda. A Sagrada Escritura fornece
esse
consolo? Considere três importantes verdades bíblicas
relacionadas a esse
assunto.
Primeiro:
não é errado perguntar por que Deus permite o sofrimento.
Alguns têm receio
de fazer uma pergunta dessas porque acham que isso significa falta de
fé em
Deus ou falta de respeito por ele. Isso não é verdade. Se
você faz essa
pergunta com sinceridade, não é o único.
O santo profeta Habacuque perguntou a Deus: “Por que me
fazes ver tanta
maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de
destruição e violência;
há brigas e lutas por toda parte.” (Habacuque 1,3- Bíblia
na Linguagem de
Hoje). Deus não repreendeu Habacuque por ter dito essas
palavras. Em vez disso,
fez com que as perguntas desse homem fiel fossem registradas para que
todos nós
as lêssemos. (Romanos 15,4).
Segundo: é importante saber que
Deus sente compaixão quando você passa por uma
situação difícil. Ele
não é indiferente e misterioso; ele “ama a
justiça” e detesta a maldade e o sofrimento
que essa causa. (Salmo 37,28; Provérbios 6,16-19). Nos dias de
Noé, Deus
sentiu-se “magoado no coração” porque a violência
se espalhava pela Terra
(Gênesis 6,5,6). Deus não mudou; seus sentimentos em
relação ao que acontece
atualmente são os mesmos. (Malaquias 3,6). Os homens mudam e
não deveriam mudar
para pior.
Terceiro: Deus não é a causa do
sofrimento. A Sagrada Escritura deixa muito claro isso. Devido a
desobediência do primeiro casal no Jardim do Édem, surgiu
os desabores da vida
(Gênesis 3,1-24). Aqueles que atribuem ao Senhor Deus a culpa por
coisas
catastróficas e a maldade no mundo estão difamando o
Criador, ou seja,
blasfemando Aquele que é o “Sumo Bem”. “Todas as obras de Deus
procedem de sua
bondade para felicidade dos bem-aventurados”, afirma Santo Tomás
de Aquino.
Escreve Jó: “Escutai-me, homens
sensatos. Longe de Deus o mal, e do Todo Poderoso, a iniqüidade!”
Corrobora com
este pensamento São Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, deve
dizer: “É Deus que me
está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e
a ninguém tenta.
Antes, cada qual é tentado péla própria
concupiscência, que o arrasta e seduz.
Meus amados irmãos, não vos enganeis: todo dom precioso e
toda dádiva perfeita
vêm do alto e desce do Pai das Luzes, no qual não
há nenhuma mudança nem sombra
de variação” (Tiago 1.13-17).
Quando você estiver passando pelo
sofrimento e terríveis provações, tenha certeza
que o bom Deus não é a causa de
tais tentações.
Porém, tenhamos ciência que Deus
permite tais provações para elevar a alma ao patamar da
maturidade espiritual.
“E nós sabemos que Deus coopera em
tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados
segundo o seu
desígnio” (Romanos 8,28).
CONCLUSÃO
Ninguém
está livre dos sofrimentos e das incompatibilidades da vida.
Surpresas
incômodas e indesejadas sempre irão acontecer.
Ninguém pede os tsunamis e os
katrinas e as tribulações, mas, infelizmente, eles chegam
sem a nossa vontade.
“Precisamos aprender a confrontar
realidades desagradáveis e entender que o mundo é
imperfeito”, diz o mega
investidor George Soros.
As vitórias pedem esforço dobrado,
suor e sangue, persistência, atitude aguerrida,
motivação incessante e
centralidade no alvo.
Valentia, coragem e inteligência são
atributos dos heróis.
Nesta vida há necessidade de algo a
mais para vencer os titãs do sofrimento.
Disse o pai da psicanálise Sigmund
Freud: “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se
fôssemos de ferro”.
O ex-ateu, renomado escritor
cristão, o irlandês Clive Staples Lewis, escreveu que: “o
sofrimento oferece
uma oportunidade para o heroísmo” e
acrescenta que “essa oportunidade é aceita com surpreendente
freqüência”.
Este autor do sucesso mundial ‘As
Crônicas de Nárnia’, explica que “o problema de conciliar
o sofrimento humano
com a existência de um Deus só é insolúvel
enquanto associamos um significado
trivial à palavra ‘amor’ e considerarmos
as coisas como se o homem fosse o centro delas”.
Os que sofrem como verdadeiros
cristãos têm consciência que o padecimento tem como
objetivo purgar as
imperfeições e aumentar a fé, o estado de
graça e acender a chama ardente da
comunhão com o bondoso Deus.
“Penso, com efeito, que os
sofrimentos do tempo presente não têm
proporção com a glória que deverá
revelar-se em nós” (Romanos 8,18).
-----------------------------------------------------------------
CATÁSTROFE
MORAL
As trincheiras da primeira guerra
Mundial dizimaram a mocidade européia. Ao mesmo tempo, a
influência
avassaladora da Way of – life americana, isto é, o modo
de vida adotado
nos Estados Unidos consagrada pela vitória militar dos aliados e
tomada
especialmente em seus aspectos hollywoodianos, a saber,
inspirados nos
estilos difundidos pelos filmes de Hollywood, operava uma
espécie de Revolução
Cultural, abalando a civilização tradicional do Velho
Mundo.
As promessas no início do século foram
afogadas em um banho de sangue, e simultaneamente – perdoem os leitores
a
trivialidade da expressão – em um “banho de coca-cola”, ou seja,
na força
dissolvente dos novos costumes (1).
Estudiosos afirmam que a Primeira
Guerra Mundial que começou em 1914, introduziu uma era de
decadência moral sem
precedentes. No seu livro The Generation of 1914 (A
Geração de 1914), o
ilustre professor de história Robert Wohl escreveu: “os que
sobreviveram à
guerra jamais poderiam desfazer-se da idéia de que um mundo
acabara e outro
começara em agosto de 1914”.
No fim dos anos 20, surgem nessa
época os primeiros sintomas do
fenômeno
“geração nova”, também conhecido em alguns
ambientes como “geração coca-cola”.
Notam-se, no tipo humano que vinha desapontando, certas fragilidades,
os quais
provocam estranheza nas gerações anteriores.
Aqui começa o processo à
restrição
moral e os velhos costumes começam a serem rejeitados dentro do
contexto
liberal, que serão substituídos pelo conceito
“vale-tudo”, nada de autocensura.
O historiador Frederck Lewis Allen comenta: Os dez anos que se seguiram
à
guerra podem ser bem chamados de década das Más
Maneiras... com a velha ordem
de coisas deixaram de existir valores que davam riqueza e significado
à vida, e
não foi fácil encontrar valores substitutos”.
A Grande Depressão, que afetou o
mundo todo na década de 30, lançou as pessoas na extrema
miséria, fazendo com
que levassem as coisas mais a sério. No fim dessa década,
porém, o mundo entrou
numa guerra ainda mais devastadora – a Segunda Guerra Mundial.
Não demorou
muito para que as nações começassem a fabricar
temíveis armas de destruição.
Assim, o mundo saiu bruscamente da Depressão, mas mergulhou em
sofrimento e
horror além da imaginação humana. Quando a guerra
acabou, centenas de cidades
estavam em ruínas; duas no Japão, Nagasaki e Hiroshima,
foram arrasadas, cada
uma delas por uma única bomba atômica. Milhões de
pessoas morreram em horríveis
campos de concentração. Ao todo, o conflito tirou a vida
de cerca de 60 milhões
de homens, mulheres e crianças. 6 milhões de judeus e
quase outro tanto de
“indesejáveis”, religiosos, ciganos, homossexuais, esquerdistas,
eslavos, foram
sistematicamente trucidados.
Durante as condições horríveis da
Segunda Guerra Mundial, em vez de aderirem aos antigos padrões
tradicionais de
decência, as pessoas adotaram os seus próprios
códigos de comportamento. O
livro Love, Sex and War – Changing Values, 1939-45 (Amor, Sexo
e Guerra
– Mudança de Valores, 1939-45) observou: “Parecia que as
restrições sexuais haviam
ficado suspensas durante a guerra, e a licenciosidade típica dos
campos de
batalha estava entrando nos lares... A urgência e a
agitação da época de guerra
logo corromperam as restrições morais, tornando a vida
fora dos campos de
batalha tão insignificante e curta como a vida dentro deles”.
Após a Segunda Guerra Mundial, foram
publicados estudos sobre o comportamento sexual humano. Um desses
estudos,
realizados nos Estados Unidos nos anos 40, foi o ‘Relatório’ do
zoólogo e
pesquisador americano em sexualidade Dr. Alfredo Charles Kinsey
(1894-1956),
com mais de 800 páginas, mais conhecido como ‘Relatório
Kinsey”. O resultado
foi que muitas pessoas começaram a falar abertamente sobre sexo,
o que antes
era um assunto tabu. Embora as estatísticas apresentadas nesse
relatório a
respeito de pessoas que se envolviam em homossexualismo e em outros
comportamentos sexuais pervertidos fossem mais tarde encaradas como
exageradas,
o estudo expôs o repentino declínio moral após a
guerra.
Nos anos 50, ocorre a grande revolução
do lazer e do cotidiano, provocado pelo movimento sexo, drogas e rock-and
roll, a beat-generation, seus anexos e conexos. Como explica
o
egrégio professor Plínio Corrêa de Oliveira, surgiu
então “um feito de espírito
que se caracteriza pela espontaneidade das reações
primárias, sem o controle da
inteligência nem a participação efetiva da vontade;
pelo predomínio da fantasia
e das ‘vivências sobre a análise metódica da
realidade”.
Na década de 60, o movimento hippies
libera geral a depravação junto com a galera de
Woodstock. Woodstock parecia um
acampamento de refugiados das Nações Unidas, onde em vez
de comida, trocavam-se
maconha e cogumelos alucinógenos por alguns dólares.
Preservativos usados
boiavam nas poças de água, ao lado de sapatos velhos. Em
maio de 1968 estoura a
revolução estudantil da Sorbonne. Com o dístico
“é proibido proibir”.
Por algum tempo, foi feito um esforço para preservar uma
aparência de decência. Por exemplo, matéria imoral
era censurada no rádio, no
cinema e na televisão. Mas isso não durou muito. William
Bennett, ex-secretário
da Educação, dos EUA, explicou: “Nos anos 60,
porém, a América iniciou uma
queda vertiginosa e incessante para o que pode ser chamado de
descivilização.”
E isso se refletiu em muitos outros países. Por que o
declínio moral se
intensificou nos anos 60?
Foi nessa
década que ocorreram quase simultaneamente o
movimento de libertação das mulheres e a
revolução sexual com a sua chamada
nova moralidade. Também foram desenvolvidas eficientes
pílulas anticoncepcionais.
Quando deixou de haver receio de concepção nas
relações sexuais, o “amor livre”
ou as “relações sexuais sem compromisso de ambas as
partes” tornaram-se comuns.
Ao mesmo tempo, os
códigos de moral da imprensa dos filmes
e da televisão afrouxaram. Mais tarde, Zbigniew Brzezinski,
ex-chefe do
Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse o seguinte sobre
os valores
apresentados na TV: “Eles exaltam claramente a
auto-gratificação, fazem com que
a violência intensa e a brutalidade parecem normais e incentivam
a
promiscuidade sexual”.
Já nos anos 70, os
videocassetes tornaram-se populares. Na privacidade de seus lares, as
pessoas
podiam ver agora matéria imoral sexualmente explícita,
que nunca assistiram em
público numa sala de cinema por medo de serem vistas. Em tempos
mais recentes,
a internet tornou possível que em todo o mundo, qualquer pessoa
com um
computador tenha acesso à espécie mais repugnante de
pornografia.
Joseph Gasper,
professor de sociologia da Universidade
Johns Hopkins, diz que “a cultura americana relaciona violência e
masculinidade. Isto está numa infinidade de filmes, videogames e
séries de TV.
E se está na produção cultural é porque se
encontra na sociedade”.
O
cientista político David Callahan, autor do livro The
Cheating Culture (A Cultura da Trapaça). Em seu livro
Callahan mostra que a
grande discrepância que há entre as superestrelas e as
pessoas comuns leva todo
mundo a fazer “o que for preciso, até trapacear, para chegar ao
topo”. Entre
outras coisas que acontecem nos Estados Unidos, ele menciona
“estudantes do
ensino médio e da faculdade que trapaceiam”, “pirataria” de
música e filmes,
“roubo no trabalho”, “fraude em larga escala na área de
saúde” e uso de
esteróides nos esportes. Ele conclui: “somando a isso todas as
diversas formas
de infração ética e legal, chegamos a uma crise
moral de grandes proporções. A
trapaça está em todo lugar”.
O jornal The New York Times disse que o
furacão Katrina, que assolou os Estados Unidos no fim de 2005,
“deu origem a uma
das mais surpreendentes ondas de fraudes, tramas e espantosos erros
burocráticos na história moderna”. Uma senadora dos EUA
relatou: “A fraude
descarada, a audácia das tramas, a magnitude do
desperdício – são simplesmente
chocantes”.
O jornal África News de 22 de junho de 2006,
numa reportagem a respeito de um “seminário sobre abuso sexual e
pornografia”
em bairros pobres de uma região de Uganda, disse que é
por causa da
“negligência dos pais que a prostituição e o uso de
drogas aumentou nesses
lugares”. O jornal observou: “O Sr. Dhabangi Salongo,
responsável pela Unidade
de Proteção à Criança e a família,
da delegacia de Kawempe, disse que os
índices de violência doméstica e de abuso sexual de
crianças tinham aumentado
muitíssimo”.
Hu Peicheng, secretário geral da Associação de
Sexologia da China, em Pequim, declarou: “Antigamente, na sociedade
tínhamos um
senso do que era certo e do que era errado. Agora podemos fazer o que
bem
entendemos. “Um artigo na revista China Today explicou esse
assunto do
seguinte modo: “A sociedade está ficando cada vez mais tolerante
no que diz
respeito a casos extraconjugais.”
“Parece que todo mundo está tirando a roupa e usando
o sexo como estratégia de vendas”, notou recentemente o jornal
inglês Yorshire
Post. “Pouco mais de uma geração atrás, esse
tipo de ação teria sido
considerado um ultraje do ponto de vista moral.
Hoje somos bombardeados por todos os lados com imagens de
sexo, e a
pornografia... já criou raízes na sociedade em geral.” O
jornal acrescentou:
“Hoje em dia é considerado normal famílias verem livro,
revistas e filmes que
antigamente só deveriam ser vistos por maiores de 18 anos. E,
segundo aqueles
que fazem campanha contra a pornografia, muitas vezes o alvo declarado
dessas
matérias são as crianças”.
O jornal The New York Times Magazine disse:
“[Alguns adolescentes] falam de [suas experiências sexuais] com a
mesma
naturalidade com que falam sobre o que vão almoçar”. A
revista Tweens News,
“o guia para os pais de crianças de 8 a 12 anos”, observou: “Num
rabisco de
criança, uma menina escreveu uma mensagem de partir o
coração: ‘Minha mãe está
me pressionando para que eu namore rapazes e tenha
relações sexuais. Tenho
apenas 12 anos... socorro!’”
Como os tempos mudaram! O jornal canadense The
Toronto Star declarou que não muito tempo atrás
“só a idéia de homossexuais
ou lésbicas viverem juntos abertamente já era
ultrajante”. No entanto, Bárbara
Freemen, professora de História Social na Universidade de
Carleton, Ottawa,
Canadá, observa: “O que as pessoas dizem hoje é: ‘Vida
particular é isso mesmo,
vida particular. Não queremos que outras pessoas se intrometam’”.
Sem dúvida, nas últimas décadas, a moral
deteriorou-se rapidamente em muitos lugares no mundo todo.
E A
RELIGIÃO?
Será que a
religião está livre da “cultura da trapaça?”
O pesquisador de opinião pública o
americano George Gallup Jr, diz que “em termos de
fraudação, sonegação de
impostos e pequenos furtos, realmente não se constata muita
diferença entre os
afiliados a igreja e os não afiliados, em grande parte porque
existe uma
religião social”. Acrescenta que: “muitos simplesmente montam
uma religião que
lhes seja conveniente, que os excite agradavelmente e que não
seja
necessariamente desafiadora. Alguém chamou isso de
religião á la carte.
Esta é a fraqueza
principal do cristianismo neste país [EUA] hoje em dia:
não há firmeza de
crença”.
O pastor americano Ted Haggard, de
50 anos, foi afastado no dia 4 de novembro de 2006, da
posição de pastor
principal da New Life Church. Foi acusado de envolvimento com
um garoto
de programa e de ter comprado metanfetaminas (tipo de entorpecente) (2).
A New Life Church é uma megaigreja,
com 14 mil membros, localizada nos Estados Unidos. Haggard era
também
presidente da Associação Evangélica Norte
Americana, que congrega 45 mil
igrejas e 30 milhões de fiéis (10% da
população do país). Por sua liderança
conservadora, por sua condenação ao homossexualismo e por
suas ligações com a
Casa Branca, Haggard era considerado um dos líderes
evangélicos mais influentes
nos Estados Unidos (3).
“Aos olhos da justiça, a igreja
evangélica Renascer em Cristo é um antro de pecado. Na
semana passada, a
justiça de São Paulo decretou a prisão de seus
dois líderes, o “apóstolo”
(pastor) Estevam Hernandes e sua mulher, a “bispa” (pastora) Sonia. O
casal
fugiu para escapar da cadeia. A detenção foi pedida pelo
Ministério Público de
São Paulo, porque os Hernandes faltaram a uma audiência de
um processo no qual
são acusados de estelionato e lavagem de dinheiro. A
dívida imobiliária da
Renascer soma 12 milhões de reais e a igreja responde a mais de
110 ações civis
impetradas por suas vítimas. Para o promotor, o crime é
ainda mais grave porque
a Renascer recebeu dos fiéis dinheiro suficiente para pagar as
dívidas com os
locadores, mas o casal Hernandes teria preferido embolsa-lo, já
que enriqueceu
a olhos vistos desde que a igreja foi fundada” (4).
Os fundadores da igreja apostólica
Renascer em Cristo, Estevam Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes
Hernandes,
podem ser presos quando chegarem ao Brasil. A justiça de
São Paulo decretou,
ontem, a prisão preventiva e pediu a extradição do
casal, que foi preso na
terça feira em Miami, Estados Unidos, mas conseguiu o
hábeas corpus.
Estevam e Sonia foram presos ao
tentar entrar com US$ 56 mil nos Estados Unidos. O casal tinha
declarado à
alfândega do país estar com apenas US$ 10 mil. Havia
dinheiro escondido até na
capa de uma bíblia na bagagem da “bispa” Sonia (5).
Na conferência sobre o Cristianismo
na América Latina e no Caribe, realizada em junho de 2003, na
Faculdade Batista
e na Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, o frei Carlos Josaphat,
doutor em teologia, denunciou: “Há muito ‘religiosismo’ no
mundo, mas nunca
houve tanta falta de sentido de Deus”. E continuou: “Hoje há uma
religião de objetos,
de terapia barata, de utilitarismo, de comércio com Deus.
Aí a globalização faz
aliança com a religião”.
Segundo o diretor presidente da Editora
Mundo Cristão, Mark Carpenter, estamos, “num paraíso de
pastores oportunistas e
da teologia do consumo” (6).
È uma catástrofe herética o consumo
do sagrado pregado pela imoral teologia da prosperidade. Esta teologia
tem no
seu esquema o intuito da destruição da
tradição da espiritualidade cristã. Ela
assumiu todo programa capital da economia da pós-modernidade.
Não há ética para
seus propagadores. Não existe escrúpulo em suas igrejas
mercados. No cerne do
seu programa está o pensamento do poeta satírico latino
Juvenal (60-130), que
diz: “Quem liga para a reputação se consegue agarrar o
seu dinheiro?”
A teologia da prosperidade no seu
esquema neo-pagão, tem desmoralizado em parte a
tradição protestante.
Esta teologia é adultera, porque ela
é casada com mitologia grega da riqueza e tem como amante o
capitalismo da
pós-modernidade.
Esta teologia tem destruído a moral,
a fé, a espiritualidade e o equilíbrio emocional de muita
gente.
CONCLUSÃO
Vivemos dentro de uma guerra imoral
aberta e direta, em que todo tipo de armas são descarregadas sem
respeito, em
cima daqueles que estão lutando contra o sistema de
corrupção, da imoralidade,
da destruição da vida, da
fé e da
cultura da trapaça.
Sabemos que a indústria da
pornografia e seus congêneres têm lucros monstruosos, por
isso não medem
esforços organizados para acabar com a “verdadeira
Religião de Jesus Cristo” e
seus verdadeiros promotores da moral, dos bons costumes, da paz, da
justiça e
da dignidade humana.
“Em meio a obstáculos de toda ordem,
a Igreja permanecerá ensinando aos homens o verdadeiro caminho
do Salvador. Em
nossa época, com a força da opinião pública
condicionada ao poderio dos meios
de comunicação social, uma grave tentação
é ceder, fazer concessões para evitar
problemas e dificuldades oriundas da fidelidade a Cristo. Na sociedade
anti-cristã, como na nossa, muitos acobertam, sob o manto de
falso catolicismo,
uma decomposição moral e decadência espiritual que
conduzem a atitudes
exatamente opostas ao Evangelho”, declara magistralmente Dom
Eugênio Sales,
Cardeal e arcebispo emérito do Rio de Janeiro (7).
REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIAS
(1)
Catolicismo,
setembro de 1999. pp. 28 e 29.
(2)
Impacto,
julho- agosto de 2002. p.25
(3)
Ultimato,
janeiro – fevereiro de 2007.p.21.
(4)
Veja,
06/12/2006. pp. 90 e 91.
(5)
Jornal
do Brasil, 11/01/2007. p. A5.
(6)
Ultimato,
março – abril de 2007. p.58.
(7)
Jornal
do Brasil, 31/03/2007. p. A9.
PENNA, Antonio Gomes. Introdução
à Filosofia da Moral, Rio de Janeiro: Imago, 1999.
_________, Introdução à
Psicologia do Século XX, Rio de Janeiro: Imago 2004.
RUSSEL, Bertrand.
História do
Pensamento Ocidental, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e
Martins. Maria Helena Pires, Filosofando: Introdução
à Filosofia, São Paulo:
Moderna, 1986.
O Homem em Busca de Deus.
Editores: International Bible Studentes Association, Brooklyn, New
York, U.S.A.
Sociedade Torre de Vigia de Bíblia e Tratados, Cesário
Lage, SP. 1990.
RUSS, J. Pensamento Ético
Contemporâneo, São Paulo: Paulus, 1999
VIDAL, M. Moral de Atitudes – I.
Moral Fundamental, Aparecida: Santuário, 1993.
RAUBER, J.J. O Problema da
Universalização em Ética, Porto Alegre:
EDIPUCRS,1999.
----------------------------------------------------------------
Desigualdade Social
Na
sua mensagem de Natal em 2006 “Uorbi et Orbi” (à cidade e ao
mundo), o Santo
Padre Bento XVI listou, como males que afligem a humanidade
pós-moderna, a fome
e a pobreza, o consumismo desenfreado, o ódio racial e
religioso, a violência e
o terrorismo. Para o Papa, a humanidade se apresenta como segura de si
e
artífice auto-suficiente do próprio destino. “Parece, mas
não é assim”, disse o
Papa Bento XVI. “Ainda se morre de fome e de sede, de doença e
de pobreza nesse
tempo de abundancia”, afirmou.
Concluiu
o Papa Bento XVI sua mensagem com um veemente apelo ao povo de Deus em
favor da
paz e em defesa da dignidade da pessoa humana.
Vivemos
num mundo próspero. Acha difícil acreditar nisso? Na
verdade, algumas nações
conseguem gastar todo o dinheiro que possuem. Estima-se que o que
produto
mundial bruto de 2005 — o valor total dos bens e serviços
produzidos naquele
ano — tenha excedidos 60 trilhões de dólares. Se essa
vasta produção fosse
dividida pela população, daria cerca de 9 mil
dólares para cada pessoa viva
atualmente. E esse valor está aumentando.
Mas
a prosperidade global faz parte de uma grande ironia. Segundo um a
publicação
recente das Nações Unidas, os três
indivíduos mais ricos do mundo têm ao todo
uma riqueza maior do que o total do produto nacional bruto das 48
nações mais
pobres. E, de acordo com o Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento,
2,5 bilhões de pessoas tentam sobreviver com menos de 2
dólares por dia.
Centenas de milhões de pessoas estão subnutridas e
não tem acesso a água
potável.
Nos
Estados Unidos, os sociólogos estão estudando um grupo ao
qual aplicam o termo
“quase pobre”. O risco de essas pessoas ficarem pobres é grande.
Mas de 50
milhões de indivíduos estão nessa
situação, apesar da grande riqueza do país.
Como
é possível que tanto dinheiro vá parar em contas
bancárias e no tesouro dos
governos, enquanto centenas de milhos de pobres ainda vivem na
miséria?
Poucas Oportunidades
Muitas
pessoas perderam seu emprego por causa de mudanças na
indústria. Muitos
trabalhadores tiveram de gastar todas as suas economias com despesas
médicas
cada vez maiores. Outros gastaram suas reservas com as despesas de
pessoas
pobres que vivem no mundo em desenvolvimento, a maioria não tem
culpa de ser
pobre. As causas da pobreza estão muitas vezes fora do controle
de suas
vitimas.
Estas
vítimas são escravas do selvagem sistema liberal –
capitalista globalizado. A
nossa realidade sócio – econômica global é uma
catástrofe para a dignidade da
pessoa humana. 20% da população mundial concentram 82,7%
da renda, enquanto os
80% da população restante de tem somente 20%. Entre
pessoas pertencentes aos 20
% dos privilégios, do que ver, com os próprios olhos, a
realidade nua e crua
dos 80 % dos excluídos (1).
O
desenvolvimento do sistema liberal – capitalista globalizado, tem
gerado
riquezas e bilionários em varias nações.
A
nova lista dos bilionários que tem patrimônio pessoal de
no mínimo 1 bilhão de
dólares, elaborada pela revista Forbes e divulgada na semana
passada, tem 178
novos nomes com relação á lista anterior. Existem
hoje 946 bilionários. A
participação do Brasil nesse Campeonato também
aumentou. No ano passado, havia
dezesseis bilionários brasileiros. Neste ano são vinte
com um patrimônio total
de 46,2 bilhões de dólares — um aumento de quase 40% em
relação ao ranking
anterior (2).
Todavia,
no meio dessa riqueza econômica, os pobres, os famintos, os
excluídos raramente
tem oportunidade de melhorar a sua situação na vida.
Há
também relatos sobre fome e pobreza no mundo em desenvolvimento,
no mundo chamado
pós – moderno que muitos ficam indignados em tomar conhecimento
sobre esse
assunto.
Muitos
protestos são realizados no mundo contra tamanha
injustiça. Estas injustiças
são esquematizadas pelos poderosos que estão a
serviço do lucro, via a cultura
de morte.
O
sistema liberal – capitalista globalizado é incapaz de cuidar
dos seus cidadãos
mais vulneráveis fica evidente quando vemos refugiados passando
fome por causa
da guerra, depósitos de comida apodrecendo por causa de
estratégias políticas e
quando as forças que movem o mercado provocam o aumento do custo
dos bens
essenciais a ponto de os pobres não conseguirem
comprá-los. A estrutura
perversa e desumana da economia mundial negligencia milhões de
seres humanos
pobres e miseráveis. Milhões de pessoas hoje em dia tem
poucas oportunidades de
sair do abismo da pobreza, devido a terrível opressão do
sistema financeiro
capitalista.
Gente Descartável
Todos
os dias somos bombardeados com notícias nefasta, escandalosa e
catastróficas em
que a sociedade humana está afundando num atoleiro de
obstáculos sem
precedentes — e isto apesar doa avanços da ciência e da
tecnologia. É óbvio,
que as conquistas e as mordomias da pós-modernidade, só
beneficiam uns poucos.
Reflita
o seguinte: o homem já andou na lua, mas em muitos lugares
não consegue passear
sem medo nas ruas do seu próprio planeta. Ele pode equipar sua
casa com todo
tipo de aparelhos modernos, mas não consegue impedir a onda de
famílias
desfeitas. E pode introduzir a era da informação, mas
não consegue ensinar as
pessoas a viverem juntas em paz. Via internet pode se comunicar com
o mundo, mas não
consegue ter diálogo com o seu vizinho. O ilustre professor de
História Hugh
Thomas, escreveu certa vez: “A difusão do conhecimento e da
educação ensinou
pouco à humanidade em matéria de auto – domínio e
menos ainda na arte de conviver com outros
homens”.
Afirmou
o notável pacifista americano Martin Luther King: “Aprendemos a
voar como
pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a
conviver como irmãos”.
Na
tentativa de estabelecer certa medida de ordem na sociedade, os homens
se têm
organizado em uma variedade de governos. Nenhum destes, porém
ficou livre da
rigorosa observação e monumental afirmação
do Rei Salomão: “Observo ainda as
opressões todas que se cometem debaixo do sol. O homem domina
outro homem para
arruiná-lo”.
No
entanto, alguns governantes tiveram e tem virtudes nobres e
idéias
maravilhosas. Todavia, nenhum rei, presidente, ministro, sábio,
estadista ou
ditador conseguiu dar fim as injustiças, a
corrupção e a má distribuição de
renda. Estas três desgraças são as causas da fome,
pobreza, miséria e a
violência. Incluindo dentro desse contexto a
ambição e o egoísmo de certas
pessoas ricas que não querem ver e nem ajudar os famintos em seu
redor.
O
sociólogo brasileiro pernambucano Josué de Castro, que,
ainda na primeira
metade do século passado, em seu livro clássico —
Geografia da Fome —
constatava que metade da humanidade dormia com fome e a outra metade
dormia com
medo daqueles que passavam fome. Hoje, a situação se
agravou: dois terços da
humanidade dormem com fome e um terço dorme com medo dos dois
terços que passam
fome”. Aqui está o Tsunami e o Katrina social
revolucionário do futuro, se isso
não for revisto agora.
O
renomado pensador Kevin Bales em sua obra: Gente Descartável
escreve que, em
tempos recentes, a “explosão demográfica inundou o
mercado de trabalho mundial
com milhões de pessoas pobres e indefesas”.Elas enfrentam uma
batalha sem fim
apenas para sobreviver num sistema comercial opressivo em que “a vida
não vale
quase nada”. Aqueles que os exploram, diz Bales, os tratam como
escravos —
“instrumentos de fazer dinheiro totalmente descartáveis”.
Conclusão
O
jornal The New York Times disse que o furacão Katrina, que
assolou os Estados
Unidos no fim de 2005, “deu origem a uma das mais surpreendentes ondas
de
fraudes, tramas e espantosos erros burocráticos na
história moderna”. Uma
senadora do EUA relatou: “A fraude descarada, a audácia das
tramas, a magnitude
do desperdício — são simplesmente chocantes”.
Se a
política econômica dos paises não mudarem em prol
dos pobres e dos famintos, e
se o sistema governamental não estancar a
corrupção e não realizar uma boa
administração na distribuição de renda,
teremos muitas revoluções e guerras.
Há
se todos obedecessem o conselho de São Basílio Magno: “Ao
faminto pertence o
pão que tu reténs. Ao homem nu, o manto que tu guarda nos
teus cofres; ao
miserável, o dinheiro que guardas escondido. Se cada um
conservasse apenas o
necessário e dedicasse o supérfluo aos indigentes,
não haveria mais nem ricos e
nem pobres”. Ou seja, não teríamos a
degradação da dignidade da pessoa humana.
Referências
e
Bibliografia
(1) REB, abril de 2007, p.348.
(2) Veja, 14/03/2007, p.82
IANNI, O.Teorias da globalização,
civilização
Brasileira, Rio de Janeiro 1999.
PAVIANI, Jayme. Cultura, Humanismo e Globalização,
EDUCS, Caxias do Sul 2004.
SANTAELLA, Lúcia, Culturas e arte do pós-humano – Da
cultura das mídias á cibercultura, Paulus, São
Paulo 2003.
SARTORI, Luís Maria A. O eco político do Evangelho,
Editora LTr, São Paulo 1993.
----------------------------------------------------------------
Ameaças das Seitas
Falando a um grupo de Bispos do Brasil, em visita "ad limina apostolorum", em 05/09/1995, em Roma, Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina.
Referindo-se ás seitas, o Papa disse que na América Latina deparamo-nos "com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações... "
A América Latina toda é maciçamente católica, graças a Deus, em vista da nossa colonização levada a efeito por Portugal e Espanha, dirigidos na época por reis católicos. É o maior continente católico do mundo. Cerca de 80% dos latino - americanos são católicos; na Europa 60%, na Oceania 25%, na África 15% e na Ásia apenas 5%.
Mas esta feliz hegemonia católica, agora, segundo o Papa, está sendo ameaçada pelas seitas. Ele reafirmou o que já tinha dito na Carta encíclica Redemptoris missio:
"Certamente a expansão das seitas 'constitui uma ameaça para a Igreja Católica...' ( RM, 50) ".
O Papa disse que na Conferência de Santo Domingo (outubro de 1992), ficou claro para os bispos o seu perigo:
"O Documento final descreveu com clareza e precisão essas seitas e movimentos, mostrou suas características e modos de atuar, deixou claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na sua expansão em todo o Continente... (Conclusões do IV CELAM, nn. 139-152)".
Vemos portanto, que há claros interesses políticos e econômicos envolvidos, cujo objetivo é quebrar a hegemonia católica da América Latina, e transformá-la, como dizem, no maior Continente "ex-católico" do mundo.
O CELAM (Conferencia do Episcopado Latino Americano), apresentou em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto AMANHECER ,sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de GLOBAL CHURCH GROTH BULLETIN e diretor da OVERSEAS CRUSADES com sede na Califórnia. O AMANHECER traz o subtítulo de "Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina". Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo:
"É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país... O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos". (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333/1990, pp.78-87)
Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em "ameaça para Igreja Católica".
O Documento de Santo Domingo (CELAM, 12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas:
O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo".(n. 139)
"As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé Jesus Cristo salva que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo.
Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de Bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social.
Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dizimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calunia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista á tomada do poder. A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias". (n. 140).
(Aquino, Felipe, Falsas Doutrinas, seitas e religiões, 7º Edição, Lorena: Cléofas, 2006).
"Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está, sem dúvida, a questão dos católicos que abandonam a vida eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste problema, possa ser atribuída á falta de uma evangelização em que Cristo e sua Igreja estejam no centro de toda explanação. As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas - que é motivo de justa preocupação - incapazes de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo são geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata. Na Encíclica Deus caritas est recordei que " Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (n.1). É necessário, portanto, encaminhar a atividade apostólica como uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal e comunitária a Cristo. Trata-se efetivamente de não poupar esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida que os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com Deus e mediante um itinerário catequético permanente."
(Discurso de Bento XVI, aos bispos do Brasil na Catedral da Sé.
São Paulo, sexta-feira, 11 de maio de 2007).
Pe.Inácio
José do Vale
Pároco
da Paróquia São Paulo
Apóstolo
Professor
de Historia da
Igreja
Faculdade
de Teologia de
Volta Redonda
*****************************************************************