"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLIV  Mês: Junho de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Pe. Inácio José do Vale - Professor de História da Igreja e da Teologia
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

 
O SER RELIGIOSO


            “Podereis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edifícios, sem ginásios, sem leis, sem uso de moedas como dinheiro, sem cultura, sem letras, mas um povo sem Deus, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, tal nunca se viu”, afirma o escritor e filósofo grego Plutarco (50-120 d. C.).
            O egrégio escritor Ivar Lissner, em sua obra ‘Man, God and Magic’ (O homem, Deus e a magia), escreveu: “Não deixa de causar admiração a perseverança com que o homem se tem esforçado, no decorrer de sua história, de ir além dos limites de si mesmo. Suas energias jamais foram orientadas unicamente na direção das necessidades da vida. Sempre procurando, tateando adiante em seu caminho, aspirando ao inatingível. Este anseio estranho e inerente no ser humano é sua espiritualidade. Ninguém que pesquisou entre os mais antigos povos primitivos pode deixar de ver que todos eles concebiam a existência de deus que tinha uma vívida percepção da existência de um ser supremo”.
            A religião está presente na vida de milhões de seres humanos. Não é isso uma forte evidência de que o ser humano tem um desejo abissal pelas coisas espirituais? O renomado psiquiatra e psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), se referiu a esse desejo profundo de buscar e adorar uma força e um poder superior quando escreveu em seu livro ‘The Undiscovered Self’ (O Eu e o Inconsciente), que “essa manifestação pode ser observada em toda a história da humanidade”.
            A religião está impregnada na natureza humana e revela-se em todos os contextos: social, político, econômico e cultural. Isso sintetiza na brilhante pesquisa que o insigne professor americano Alister Hardy apresenta em ‘The Spiritual Nature of Man’ (A Natureza Espiritual do homem). A pesquisa confirma o que muitos outros estudos já estabeleceram: crer em Deus é próprio do homem. Embora indivíduos possam ser ateus, nações inteiras não são.
            O desejo ardente, a necessidade pela religião que o ser humano busca para dar sentido à vida, é a experiência comum em toda cultura e toda era desde o surgimento da raça humana.
            O famoso político e escritor irlandês Edmund Burke (1729-1797), disse: “O homem em sua constituição, é um animal essencialmente religioso”.
            O renomado biólogo americano Edward Wilson, em seu livro ‘Natureza humana’, afirma que “a predisposição à crença religiosa é a mais complexa e poderosa força, provavelmente irremovível, da natureza humana. Traço universal em todas as sociedades”.

 
POR QUE O HOMEM É RELIGIOSO?


            As pesquisas religiosas provam que a busca realizada pelas pessoas, têm como primordial importância encontrar na religião: paz, saúde e salvação.
            As pessoas querem viver a dignidade humana em sua profunda espiritualidade. O sagrado tem como fundamento, os mais altos valores da vida humana. O anseio é encontrar a paz de espírito e a riqueza da felicidade.
            Ninguém procura o seu objetivo com tanto ardor, quando o faz pela religião. A convicção religiosa é a mais poderosa atitude do ser humano na face da terra.
            O senso religioso está profundamente arraigado na espécie humana. Como funciona esse senso? Responde o Papa Bento XVI: “Este sensor interno não funciona, no entanto, como o automatismo de uma máquina, mas é algo de vivo que pode crescer com o homem ou ser anestesiado e apagado quase que completamente. Ainda assim, mesmo em quem não crê, persiste a interrogação sobre a presença de algo que está além da nossa existência”.
            Sem este órgão interior, a história da humanidade não seria compreensível”. (1)
            O homem é um ser religioso porque Deus colocou no seu coração a eternidade (cf. Eclesiastes 3,10.11).
            O homem foi criado a imagem e semelhança do seu Criador (Gênesis 1,26).
            Qual é o objetivo da religião para esse ser criado?
            Quem responde é o erudito filósofo e historiador britânico Arnold Toynbee (1889-1975): “O verdadeiro objetivo de uma religião superior é irradiar os conselhos e as verdades espirituais, que são a sua essência, ao maior número possível de almas que possa alcançar, a fim de que cada uma dessas almas possa assim cumprir a verdadeira missão do homem”.
            A verdadeira missão do homem é glorificar a Deus e usufruí-Lo para sempre”.
            “O homem é um ser religioso que tem dentro de si uma força que o impele para Deus” disse Carl Gustav Jung.

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA

 

            O grande líder pacifista da Índia Mahatma Gandhi (1869 – 1948), disse em 23 de Março de 1922: “A não violência é o primeiro artigo da minha fé. É também o último artigo do meu credo”.
            O famoso professor indiano Dr. M. P. Reger esclarece o pensamento de Gandhi: “Ele proclamou o ainsa (não – violência) como valor moral fundamental, que interpretava como preocupação pela dignidade e bem – estar – de toda pessoa”.
            A democracia é literalmente uma palavra sagrada na Índia. Com seus 1,1 bilhão de habitantes, o país cresce mais de 8% ao ano, menos do que o rival e gigantesco dragão chinês. Mas a Índia tem pelo menos duas grandes vantagens em relação à China: a liberdade na política e na religião.
            Esse país milenar e berço de quatro religiões: hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo. Além disso, recebeu há séculos o cristianismo e o islamismo. A generosa Índia também deu abrigo a mais duas religiões: zoroatrismo e o judaísmo.
            O Estado indiano é secular e a Constituição protege as minorias religiosas. Há casos na sua história de choques violentos entre comunidades religiosas. Essa violência é provocada por políticos inescrupulosos, diz Aspi Mistry, estudioso de crenças e diretor da Dharma Rain Foundation, uma associação budista, (2).
            Malek Chebel é o maior especialista em Islã da França. Na Europa conturbada por crises com islamitas, tornaram solicitado por todos os lados – governos, teólogos, universidades. Chebel é argelino, doutor em psicanálise, antropologia, história das religiões e ciências políticas é autor de 20 livros. Afirma: “A violência não está ligada á religião, mas a um contexto”, (3).
            Não podemos condenar a religião por causa de líderes, farsistas, nazistas, comunistas, capitalistas e liberais, que usaram e usam os sentimentos religiosos da massa, para interesses egoístas e macabros.
            Respeitoso pensamento do Papa João Paulo II: “Não se deve permitir que a guerra provoque a desunião entre as religiões. Não podemos deixar que uma tragédia humana se transforme em catástrofe religiosa”, (4).
            “Deus não é um Deus de guerra e de conflitos, mas um Deus de paz”, afirmou o Patriarca Ortodoxo Ecumênico Bartolomeu I, em Assis, Itália, em 24 de Janeiro de 2002.                   

 
O MOVIMENTO DA RELIGIÃO

 

            A obra monumental da religião é o amor, paz, justiça, felicidade, solidariedade, caridade, gratidão e respeito.
            O cerne da religião está no amor a Deus e ao próximo. (Mateus 22,34-40).
            O sagrado que está no interior de cada pessoa é o patrimônio da humanidade. Aqui desabrocha a fé e a sede pela espiritualidade. Como disse São Bernardo de Claraval (1090-1153): “Deus fez de ti um ser de desejo e o teu desejo é o próprio Deus”.
            Os falsos profetas que vaticinaram o fim da religião se enganaram redondamente. Seus sistemas políticos, econômicos, sociais e suas ideologias foram derrotados.
            Os líderes políticos devem usar de muita sabedoria para lidar com o sistema religioso. Precisam colaborar com esse poder, para colocar na sociedade uma cultura de paz.
            A religião é um forte aliado do poder público, para coibir a indústria da violência.
            O renomado cientista francês, prêmio Nobel de medicina em 1912, Aléxis Carrel (1873-1944) declarou magistralmente: “só a religião propõe solução completa do problema humano”. “É a religião (não a crendice nem a superstição) bem entendida que refreia as paixões desordenadas de seus seguidores. A crendice, porém, deturpa o conceito de religião”.
            Não poucos governantes se aproveitam do fraco senso religioso de muitos crentes para os dominar em nome da própria religião. A autêntica religião é inspirada por um ato da inteligência que reconhece o transcendental e o proclama. Muitos homens e mulheres de alto valor cultural aderiram  e aderem à genuína religião, exercendo crítica construtiva onde seja pertinente; entre eles assinalaram-se cientistas de renome internacional. Quem condena a Religião por causa das distorções que os homens lhe infligiram, condenará também a ciência, pois ela ocasionou a fabricação da bomba atômica e de armas poderosas que ameaçam a humanidade”, afirma com categoria Dom Estevão Bettencourt, OSB (5).
            A cientista política da Universidade de Bombaim, Navmiit Gandhi diz que a proibição da comercialização de armas e a forte religiosidade do povo indiano ajudam a explicar o fato de as favelas da Índia não serem tomadas pela violência, como acontece em outros países (6).

 

                                                           CONCLUSÃO

 

            A religião não só faz bem ao coletivo, como também ao individual. A religião alcança com grande poder o cerne da alma. O ser humano carrega em si a crença inata. É da natureza humana acreditar em algo, que vai além de si mesmo. O ser humano sente necessidade abissal no seu interior.
            A busca profunda pela satisfação plena, vai além da máquina cerebral e da alma. O erudito físico e filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662) disse: “o homem foi feito para ultrapassar infinitamente a si mesmo”.
            Nada, absolutamente nada, pode satisfazer plenamente o coração do homem, a não ser o Senhor Deus. Disse o Papa João Paulo II: “O homem só se compreende a si mesmo em relação a Deus, que é plenitude de verdade, de beleza e de bondade...” (7).

           

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

(1)   Veja, 27/04/2005. p. 72.
(2)    O Globo, 17/12/2006. p. 43.
(3)    O Globo, 08/10/2006. p. 49
(4)    Veja, Edição Especial, abril de 2005.p.10.
(5)    Pergunte e Responderemos, fevereiro de 2007. pp. 52,58.
(6)    O Globo, 18/02/2007. p. 27.
(7)    Ave Maria, Junho de 2003. p. 6.
      BASTIDE, Rager. As Religiões no Brasil: Uma Contribuição a uma Sociologia da Interpenetração de   Civilizações. São Paulo: Pioneira, 1989.
     MIRCEA, Eliade. Lo Sagrado y lo Profano, Madrid: Ed. Guadarrama, 1967.
    
GUTIÉRREZ, Gustavo. A Força Histórica dos Pobres. Petrópolis: Vozes, 1994.
     DESROCHE, Henri. Sociologia da Esperança. São Paulo: Paulinas, 1985.
      SUNG. Jung Mo. Desejo, Mercado e Religião. Petrópolis: Vozes, 1998.

          

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O SOFRIMENTO

 

            A grande mística e a primeira Doutora da Igreja Santa Teresa de Ávila dizia: “Quando penso nos sofrimentos que o Senhor suportou sendo inteiramente inocente, não sei onde vem à cabeça lamentar-se dos meus sofrimentos. O mérito consiste no sofrer e amar”.
            É do sofrimento que nasce a sabedoria e o heroísmo. Os gregos já diziam que “sofrimento é escola”. E o ínclito sábio Santo Agostinho afirmava: “A cruz é uma escola”.
            O sofrimento é uma experiência bastante dolorosa é inesquecível e deixa profundas marcas na alma. Não importa que seja curto ou prolixo.
            Muitas das vezes o sofrimento é causado pela doença, enfermidade, falta de caridade de certas pessoas, ingratidão, injustiça, abandono, rompimento de uma paixão, saudade, solidão, tristeza, desemprego, miséria, fome, separação conjugal, angústia profunda, envelhecimento e a perda de um ente querido.
            O pensador latino Publílio Siro disse: “A dor da alma é muito mais penosa que a do corpo”. Aqui entra o contexto psicológico do sofrimento na alma, causado pela depressão, traumas, recalque, melancolia, fobias, frustrações e vários tipos de complexos.
            Muita gente não agüenta a dura realidade da vida. Não suporta viver gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Brandam contra este desterro de dor e infortúnio.
            O vale de lágrimas, vale tenebroso ou vale da sombra da morte, contém as mazelas da vida: traição, covardia, calúnia, difamação, cobiça, soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja, preguiça e boçalidade.
            Como viver com tudo isso? De maneira aguerrida. “Nenhum mal temerei, pois Deus está junto a mim” (Salmo 23,4).
            Do Calvário ao Paraíso, resta a fé, a paciência e a esperança.
            Enquanto isso, diz a sentença latina: “Opus divinum est sedáre dolórem – É obra divina aliviar a dor alheia”.

          

 IGNORÂNCIA DO SOFRIMENTO

 

            Muitos líderes religiosos fraudulentos e charlatões usam o sofrimento do povo para construir seus impérios financeiros. Outros pela ignorância teológica dão explicações erradas sobre o sofrimento. Respostas sem exegese bíblica que vão desde um ‘Deus catastrófico’ ao pensamento deísta.
            Os lideres religiosos, em vez de fornecer respostas satisfatórias sobre esse assunto, muitas vezes aumentam ainda mais a confusão. Vamos concentrar-nos agora em apenas três das suas respostas mais comuns.
            Primeiro: muitos líderes religiosos ensinam que Deus provoca catástrofes para punir pessoas más. Por exemplo, nos Estados Unidos, depois de a cidade de Nova Orleans, Louisiana, ter sido devastada pelo furacão Katrina, alguns ministros religiosos afirmaram que Deus havia castigado a cidade. Eles se referiram à prevalecente corrupção, jogatina e imoralidade como motivos para isso. Alguns até mesmo citaram a Bíblia como prova disso, lembrando ocasiões em que Deus destruiu os maus por meio de dilúvio ou fogo. Essas afirmações, porém não refletem o que a Bíblia ensina. (Gálatas 6,7-9).
            Segundo: alguns clérigos afirmam que Deus tem suas razões para fazer com que calamidades sobrevenham à humanidade, mas que essas razões estão além da nossa compreensão. Muitas pessoas ficam insatisfeitas com essa explicação. Elas se perguntam: “Será que um Deus amoroso faria tais maldades, recusando-se depois a explicar seus motivos aos que anseiam receber consolo e clamam: ‘Por quê’?” Essa é uma boa pergunta, pois a Bíblia diz que “Deus é amor”. (1 João 4,8).
            Terceiro: outros líderes religiosos talvez concluam que, afinal, Deus não é nem todo poderoso nem amoroso. Essa idéia também levanta perguntas sérias. Será que Aquele que ‘criou todas as coisas’ – incluindo o magnífico e insondável Universo - é incapaz de evitar o sofrimento neste planeta, a Terra? (Apocalipse 4,11). Como é possível que Aquele que nos deu a capacidade de amar, e cuja Palavra, a Sagrada Escritura, o descreve como sendo a própria personificação do amor sem limite, seja indiferente ao sofrimento das pessoas? (Gênesis 1,27; 2,1-3; Isaías 49,15; João 3,16).
           

 A PERMISSÃO DO SOFRIMENTO

            Diante do sofrimento e da dor, muita gente pergunta “por quê isso acontece comigo?” “Por quê eu tenho que sofrer?”. “Por quê Deus não me livrou dessa desgraça, da miséria e da tormenta?” “Por quê os bons sofrem tanto e os maus não?”.
            É normal a nossa revolta e indignação no confronto com os problemas e as dificuldades. O bom Deus não leva em conta a nossa raiva diante das adversidades.
            Como José do Egito, nós não entendemos o mal que está acontecendo em nosso redor – em parte sim, em parte não – mas, com o passar do tempo, as coisas vão se revelando e nós começamos entender o porquê do fato ter acontecido (Gênesis 50,18-21). É claro! Nem tudo podemos entender os mistérios desta vida. Aguardemos a eternidade.
            O ilustre rabino Henry Sobel disse: “A fé não é a ausência da dúvida. Eu como rabino tenho muitos problemas com Deus, como Deus deve também ter problemas comigo. Mas nem por isso desisto. Faço da minha dúvida a vontade de conhecer melhor”. O rabino diz que, quando perdeu a mãe, questionou a justiça de Deus: “Por quê?”. Depois, entendeu que a pergunta não era “por quê?”, mas “para que?”
            “Aprendi que a dor deve servir a uma finalidade maior. Existe uma missão na vida, e essa missão é enriquecida pela dor”. Afirma Sobel: “A fé é a coragem de continuar”.
            Ás vezes quando uma pessoa pergunta “por que?”, ela não está somente em busca de respostas, mas também de consolo, pois talvez tenha sofrido uma grande perda. A Sagrada Escritura fornece esse consolo? Considere três importantes verdades bíblicas relacionadas a esse assunto.
            Primeiro: não é errado perguntar por que Deus permite o sofrimento. Alguns têm receio de fazer uma pergunta dessas porque acham que isso significa falta de fé em Deus ou falta de respeito por ele. Isso não é verdade. Se você faz essa pergunta com sinceridade, não é o único.  O santo profeta Habacuque perguntou a Deus: “Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte.” (Habacuque 1,3- Bíblia na Linguagem de Hoje). Deus não repreendeu Habacuque por ter dito essas palavras. Em vez disso, fez com que as perguntas desse homem fiel fossem registradas para que todos nós as lêssemos. (Romanos 15,4).
            Segundo: é importante saber que Deus sente compaixão quando você passa por uma situação difícil. Ele não é indiferente e misterioso; ele “ama a justiça” e detesta a maldade e o sofrimento que essa causa. (Salmo 37,28; Provérbios 6,16-19). Nos dias de Noé, Deus sentiu-se “magoado no coração” porque a violência se espalhava pela Terra (Gênesis 6,5,6). Deus não mudou; seus sentimentos em relação ao que acontece atualmente são os mesmos. (Malaquias 3,6). Os homens mudam e não deveriam mudar para pior.
            Terceiro: Deus não é a causa do sofrimento. A Sagrada Escritura deixa muito claro isso. Devido a desobediência do primeiro casal no Jardim do Édem, surgiu os desabores da vida (Gênesis 3,1-24). Aqueles que atribuem ao Senhor Deus a culpa por coisas catastróficas e a maldade no mundo estão difamando o Criador, ou seja, blasfemando Aquele que é o “Sumo Bem”. “Todas as obras de Deus procedem de sua bondade para felicidade dos bem-aventurados”, afirma Santo Tomás de Aquino.

            Escreve Jó: “Escutai-me, homens sensatos. Longe de Deus o mal, e do Todo Poderoso, a iniqüidade!” Corrobora com este pensamento São Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: “É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Antes, cada qual é tentado péla própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Meus amados irmãos, não vos enganeis: todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto e desce do Pai das Luzes, no qual não há nenhuma mudança nem sombra de variação” (Tiago 1.13-17).
            Quando você estiver passando pelo sofrimento e terríveis provações, tenha certeza que o bom Deus não é a causa de tais tentações.
            Porém, tenhamos ciência que Deus permite tais provações para elevar a alma ao patamar da maturidade espiritual.
            “E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio” (Romanos 8,28).
 

 CONCLUSÃO

 
            Ninguém está livre dos sofrimentos e das incompatibilidades da vida. Surpresas incômodas e indesejadas sempre irão acontecer. Ninguém pede os tsunamis e os katrinas e as tribulações, mas, infelizmente, eles chegam sem a nossa vontade.
            “Precisamos aprender a confrontar realidades desagradáveis e entender que o mundo é imperfeito”, diz o mega investidor George Soros.
            As vitórias pedem esforço dobrado, suor e sangue, persistência, atitude aguerrida, motivação incessante e centralidade no alvo.
            Valentia, coragem e inteligência são atributos dos heróis.
            Nesta vida há necessidade de algo a mais para vencer os titãs do sofrimento.
            Disse o pai da psicanálise Sigmund Freud: “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.
            O ex-ateu, renomado escritor cristão, o irlandês Clive Staples Lewis, escreveu que: “o sofrimento oferece uma oportunidade  para o heroísmo” e acrescenta que “essa oportunidade é aceita com surpreendente freqüência”.
            Este autor do sucesso mundial ‘As Crônicas de Nárnia’, explica que “o problema de conciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus só é insolúvel enquanto associamos um significado trivial à palavra ‘amor’ e  considerarmos as coisas como se o homem fosse o centro delas”.
            Os que sofrem como verdadeiros cristãos têm consciência que o padecimento tem como objetivo purgar as imperfeições e aumentar a fé, o estado de graça e acender a chama ardente da comunhão com o bondoso Deus.
            “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós” (Romanos 8,18).

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 CATÁSTROFE MORAL

            As trincheiras da primeira guerra Mundial dizimaram a mocidade européia. Ao mesmo tempo, a influência avassaladora da Way of – life americana, isto é, o modo de vida adotado nos Estados Unidos consagrada pela vitória militar dos aliados e tomada especialmente em seus aspectos hollywoodianos, a saber, inspirados nos estilos difundidos pelos filmes de Hollywood, operava uma espécie de Revolução Cultural, abalando a civilização tradicional do Velho Mundo.
            As promessas no início do século foram afogadas em um banho de sangue, e simultaneamente – perdoem os leitores a trivialidade da expressão – em um “banho de coca-cola”, ou seja, na força dissolvente dos novos costumes (1).
            Estudiosos afirmam que a Primeira Guerra Mundial que começou em 1914, introduziu uma era de decadência moral sem precedentes. No seu livro The Generation of 1914 (A Geração de 1914), o ilustre professor de história Robert Wohl escreveu: “os que sobreviveram à guerra jamais poderiam desfazer-se da idéia de que um mundo acabara e outro começara em agosto de 1914”.
            No fim dos anos 20, surgem nessa época  os primeiros sintomas do fenômeno “geração nova”, também conhecido em alguns ambientes como “geração coca-cola”. Notam-se, no tipo humano que vinha desapontando, certas fragilidades, os quais provocam estranheza nas gerações anteriores.
            Aqui começa o processo à restrição moral e os velhos costumes começam a serem rejeitados dentro do contexto liberal, que serão substituídos pelo conceito “vale-tudo”, nada de autocensura. O historiador Frederck Lewis Allen comenta: Os dez anos que se seguiram à guerra podem ser bem chamados de década das Más Maneiras... com a velha ordem de coisas deixaram de existir valores que davam riqueza e significado à vida, e não foi fácil encontrar valores substitutos”.
            A Grande Depressão, que afetou o mundo todo na década de 30, lançou as pessoas na extrema miséria, fazendo com que levassem as coisas mais a sério. No fim dessa década, porém, o mundo entrou numa guerra ainda mais devastadora – a Segunda Guerra Mundial. Não demorou muito para que as nações começassem a fabricar temíveis armas de destruição. Assim, o mundo saiu bruscamente da Depressão, mas mergulhou em sofrimento e horror além da imaginação humana. Quando a guerra acabou, centenas de cidades estavam em ruínas; duas no Japão, Nagasaki e Hiroshima, foram arrasadas, cada uma delas por uma única bomba atômica. Milhões de pessoas morreram em horríveis campos de concentração. Ao todo, o conflito tirou a vida de cerca de 60 milhões de homens, mulheres e crianças. 6 milhões de judeus e quase outro tanto de “indesejáveis”, religiosos, ciganos, homossexuais, esquerdistas, eslavos, foram sistematicamente trucidados.
            Durante as condições horríveis da Segunda Guerra Mundial, em vez de aderirem aos antigos padrões tradicionais de decência, as pessoas adotaram os seus próprios códigos de comportamento. O livro Love, Sex and War – Changing Values, 1939-45 (Amor, Sexo e Guerra – Mudança de Valores, 1939-45) observou: “Parecia que as restrições sexuais haviam ficado suspensas durante a guerra, e a licenciosidade típica dos campos de batalha estava entrando nos lares... A urgência e a agitação da época de guerra logo corromperam as restrições morais, tornando a vida fora dos campos de batalha tão insignificante e curta como a vida dentro deles”.
            Após a Segunda Guerra Mundial, foram publicados estudos sobre o comportamento sexual humano. Um desses estudos, realizados nos Estados Unidos nos anos 40, foi o ‘Relatório’ do zoólogo e pesquisador americano em sexualidade Dr. Alfredo Charles Kinsey (1894-1956), com mais de 800 páginas, mais conhecido como ‘Relatório Kinsey”. O resultado foi que muitas pessoas começaram a falar abertamente sobre sexo, o que antes era um assunto tabu. Embora as estatísticas apresentadas nesse relatório a respeito de pessoas que se envolviam em homossexualismo e em outros comportamentos sexuais pervertidos fossem mais tarde encaradas como exageradas, o estudo expôs o repentino declínio moral após a guerra.
            Nos anos 50, ocorre a grande revolução do lazer e do cotidiano, provocado pelo movimento sexo, drogas e rock-and roll, a beat-generation, seus anexos e conexos. Como explica o egrégio professor Plínio Corrêa de Oliveira, surgiu então “um feito de espírito que se caracteriza pela espontaneidade das reações primárias, sem o controle da inteligência nem a participação efetiva da vontade; pelo predomínio da fantasia e das ‘vivências sobre a análise metódica da realidade”.
            Na década de 60, o movimento hippies libera geral a depravação junto com a galera de Woodstock. Woodstock parecia um acampamento de refugiados das Nações Unidas, onde em vez de comida, trocavam-se maconha e cogumelos alucinógenos por alguns dólares. Preservativos usados boiavam nas poças de água, ao lado de sapatos velhos. Em maio de 1968 estoura a revolução estudantil da Sorbonne. Com o dístico “é proibido proibir”.
Por algum tempo, foi feito um esforço para preservar uma aparência de decência. Por exemplo, matéria imoral era censurada no rádio, no cinema e na televisão. Mas isso não durou muito. William Bennett, ex-secretário da Educação, dos EUA, explicou: “Nos anos 60, porém, a América iniciou uma queda vertiginosa e incessante para o que pode ser chamado de descivilização.” E isso se refletiu em muitos outros países. Por que o declínio moral se intensificou nos anos 60?
         Foi nessa década que ocorreram quase simultaneamente o movimento de libertação das mulheres e a revolução sexual com a sua chamada nova moralidade. Também foram desenvolvidas eficientes pílulas anticoncepcionais. Quando deixou de haver receio de concepção nas relações sexuais, o “amor livre” ou as “relações sexuais sem compromisso de ambas as partes” tornaram-se comuns.
         Ao mesmo tempo, os códigos de moral da imprensa dos filmes e da televisão afrouxaram. Mais tarde, Zbigniew Brzezinski, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse o seguinte sobre os valores apresentados na TV: “Eles exaltam claramente a auto-gratificação, fazem com que a violência intensa e a brutalidade parecem normais e incentivam a promiscuidade sexual”.
          Já nos anos 70, os videocassetes tornaram-se populares. Na privacidade de seus lares, as pessoas podiam ver agora matéria imoral sexualmente explícita, que nunca assistiram em público numa sala de cinema por medo de serem vistas. Em tempos mais recentes, a internet tornou possível que em todo o mundo, qualquer pessoa com um computador tenha acesso à espécie mais repugnante de pornografia.
          Joseph Gasper, professor de sociologia da Universidade Johns Hopkins, diz que “a cultura americana relaciona violência e masculinidade. Isto está numa infinidade de filmes, videogames e séries de TV. E se está na produção cultural é porque se encontra na sociedade”. 


A CULTURA DA TRAPAÇA

O cientista político David Callahan, autor do livro The Cheating Culture (A Cultura da Trapaça). Em seu livro Callahan mostra que a grande discrepância que há entre as superestrelas e as pessoas comuns leva todo mundo a fazer “o que for preciso, até trapacear, para chegar ao topo”. Entre outras coisas que acontecem nos Estados Unidos, ele menciona “estudantes do ensino médio e da faculdade que trapaceiam”, “pirataria” de música e filmes, “roubo no trabalho”, “fraude em larga escala na área de saúde” e uso de esteróides nos esportes. Ele conclui: “somando a isso todas as diversas formas de infração ética e legal, chegamos a uma crise moral de grandes proporções. A trapaça está em todo lugar”.
O jornal The New York Times disse que o furacão Katrina, que assolou os Estados Unidos no fim de 2005, “deu origem a uma das mais surpreendentes ondas de fraudes, tramas e espantosos erros burocráticos na história moderna”. Uma senadora dos EUA relatou: “A fraude descarada, a audácia das tramas, a magnitude do desperdício – são simplesmente chocantes”.
O jornal África News de 22 de junho de 2006, numa reportagem a respeito de um “seminário sobre abuso sexual e pornografia” em bairros pobres de uma região de Uganda, disse que é por causa da “negligência dos pais que a prostituição e o uso de drogas aumentou nesses lugares”. O jornal observou: “O Sr. Dhabangi Salongo, responsável pela Unidade de Proteção à Criança e a família, da delegacia de Kawempe, disse que os índices de violência doméstica e de abuso sexual de crianças tinham aumentado muitíssimo”.
Hu Peicheng, secretário geral da Associação de Sexologia da China, em Pequim, declarou: “Antigamente, na sociedade tínhamos um senso do que era certo e do que era errado. Agora podemos fazer o que bem entendemos. “Um artigo na revista China Today explicou esse assunto do seguinte modo: “A sociedade está ficando cada vez mais tolerante no que diz respeito a casos extraconjugais.”
“Parece que todo mundo está tirando a roupa e usando o sexo como estratégia de vendas”, notou recentemente o jornal inglês Yorshire Post. “Pouco mais de uma geração atrás, esse tipo de ação teria sido considerado um ultraje do ponto de vista moral.  Hoje somos bombardeados por todos os lados com imagens de sexo, e a pornografia... já criou raízes na sociedade em geral.” O jornal acrescentou: “Hoje em dia é considerado normal famílias verem livro, revistas e filmes que antigamente só deveriam ser vistos por maiores de 18 anos. E, segundo aqueles que fazem campanha contra a pornografia, muitas vezes o alvo declarado dessas matérias são as crianças”.
O jornal The New York Times Magazine disse: “[Alguns adolescentes] falam de [suas experiências sexuais] com a mesma naturalidade com que falam sobre o que vão almoçar”. A revista Tweens News, “o guia para os pais de crianças de 8 a 12 anos”, observou: “Num rabisco de criança, uma menina escreveu uma mensagem de partir o coração: ‘Minha mãe está me pressionando para que eu namore rapazes e tenha relações sexuais. Tenho apenas 12 anos... socorro!’”
Como os tempos mudaram! O jornal canadense The Toronto Star declarou que não muito tempo atrás “só a idéia de homossexuais ou lésbicas viverem juntos abertamente já era ultrajante”. No entanto, Bárbara Freemen, professora de História Social na Universidade de Carleton, Ottawa, Canadá, observa: “O que as pessoas dizem hoje é: ‘Vida particular é isso mesmo, vida particular. Não queremos que outras pessoas se intrometam’”.
Sem dúvida, nas últimas décadas, a moral deteriorou-se rapidamente em muitos lugares no mundo todo.

 
 E A RELIGIÃO?

 
                 Será que a religião está livre da “cultura da trapaça?”
            O pesquisador de opinião pública o americano George Gallup Jr, diz que “em termos de fraudação, sonegação de impostos e pequenos furtos, realmente não se constata muita diferença entre os afiliados a igreja e os não afiliados, em grande parte porque existe uma religião social”. Acrescenta que: “muitos simplesmente montam uma religião que lhes seja conveniente, que os excite agradavelmente e que não seja necessariamente desafiadora. Alguém chamou isso de religião  á la carte. Esta é a fraqueza principal do cristianismo neste país [EUA] hoje em dia: não há firmeza de crença”.
            O pastor americano Ted Haggard, de 50 anos, foi afastado no dia 4 de novembro de 2006, da posição de pastor principal da New Life Church. Foi acusado de envolvimento com um garoto de programa e de ter comprado metanfetaminas (tipo de entorpecente) (2).
            A New Life Church é uma megaigreja, com 14 mil membros, localizada nos Estados Unidos. Haggard era também presidente da Associação Evangélica Norte Americana, que congrega 45 mil igrejas e 30 milhões de fiéis (10% da população do país). Por sua liderança conservadora, por sua condenação ao homossexualismo e por suas ligações com a Casa Branca, Haggard era considerado um dos líderes evangélicos mais influentes nos Estados Unidos (3).
            “Aos olhos da justiça, a igreja evangélica Renascer em Cristo é um antro de pecado. Na semana passada, a justiça de São Paulo decretou a prisão de seus dois líderes, o “apóstolo” (pastor) Estevam Hernandes e sua mulher, a “bispa” (pastora) Sonia. O casal fugiu para escapar da cadeia. A detenção foi pedida pelo Ministério Público de São Paulo, porque os Hernandes faltaram a uma audiência de um processo no qual são acusados de estelionato e lavagem de dinheiro. A dívida imobiliária da Renascer soma 12 milhões de reais e a igreja responde a mais de 110 ações civis impetradas por suas vítimas. Para o promotor, o crime é ainda mais grave porque a Renascer recebeu dos fiéis dinheiro suficiente para pagar as dívidas com os locadores, mas o casal Hernandes teria preferido embolsa-lo, já que enriqueceu a olhos vistos desde que a igreja foi fundada” (4).
            Os fundadores da igreja apostólica Renascer em Cristo, Estevam Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes Hernandes, podem ser presos quando chegarem ao Brasil. A justiça de São Paulo decretou, ontem, a prisão preventiva e pediu a extradição do casal, que foi preso na terça feira em Miami, Estados Unidos, mas conseguiu o hábeas corpus.
            Estevam e Sonia foram presos ao tentar entrar com US$ 56 mil nos Estados Unidos. O casal tinha declarado à alfândega do país estar com apenas US$ 10 mil. Havia dinheiro escondido até na capa de uma bíblia na bagagem da “bispa” Sonia (5).
            Na conferência sobre o Cristianismo na América Latina e no Caribe, realizada em junho de 2003, na Faculdade Batista e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o frei Carlos Josaphat, doutor em teologia, denunciou: “Há muito ‘religiosismo’ no mundo, mas nunca houve tanta falta de sentido de Deus”. E continuou: “Hoje há uma religião de objetos, de terapia barata, de utilitarismo, de comércio com Deus. Aí a globalização faz aliança com a religião”.
            Segundo o diretor presidente da Editora Mundo Cristão, Mark Carpenter, estamos, “num paraíso de pastores oportunistas e da teologia do consumo” (6).
            È uma catástrofe herética o consumo do sagrado pregado pela imoral teologia da prosperidade. Esta teologia tem no seu esquema o intuito da destruição da tradição da espiritualidade cristã. Ela assumiu todo programa capital da economia da pós-modernidade. Não há ética para seus propagadores. Não existe escrúpulo em suas igrejas mercados. No cerne do seu programa está o pensamento do poeta satírico latino Juvenal (60-130), que diz: “Quem liga para a reputação se consegue agarrar o seu dinheiro?”
            A teologia da prosperidade no seu esquema neo-pagão, tem desmoralizado em parte a tradição protestante.
            Esta teologia é adultera, porque ela é casada com mitologia grega da riqueza e tem como amante o capitalismo da pós-modernidade.
            Esta teologia tem destruído a moral, a fé, a espiritualidade e o equilíbrio emocional de muita gente.

 CONCLUSÃO
 

            Vivemos dentro de uma guerra imoral aberta e direta, em que todo tipo de armas são descarregadas sem respeito, em cima daqueles que estão lutando contra o sistema de corrupção, da imoralidade, da destruição da vida,  da fé e da cultura da trapaça.
            Sabemos que a indústria da pornografia e seus congêneres têm lucros monstruosos, por isso não medem esforços organizados para acabar com a “verdadeira Religião de Jesus Cristo” e seus verdadeiros promotores da moral, dos bons costumes, da paz, da justiça e da dignidade humana.
          “Em meio a obstáculos de toda ordem, a Igreja permanecerá ensinando aos homens o verdadeiro caminho do Salvador. Em nossa época, com a força da opinião pública condicionada ao poderio dos meios de comunicação social, uma grave tentação é ceder, fazer concessões para evitar problemas e dificuldades oriundas da fidelidade a Cristo. Na sociedade anti-cristã, como na nossa, muitos acobertam, sob o manto de falso catolicismo, uma decomposição moral e decadência espiritual que conduzem a atitudes exatamente opostas ao Evangelho”, declara magistralmente Dom Eugênio Sales, Cardeal e arcebispo emérito do Rio de Janeiro (7).

 

REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIAS

 

(1)   Catolicismo, setembro de 1999. pp. 28 e 29.
(2)   Impacto, julho- agosto de 2002. p.25
(3)   Ultimato, janeiro – fevereiro de 2007.p.21.
(4)   Veja, 06/12/2006. pp. 90 e 91.
(5)   Jornal do Brasil, 11/01/2007. p. A5.
(6)   Ultimato, março – abril de 2007. p.58.
(7)   Jornal do Brasil, 31/03/2007. p. A9.
PENNA, Antonio Gomes. Introdução à Filosofia da Moral, Rio de Janeiro: Imago, 1999.
_________, Introdução à Psicologia do Século XX, Rio de Janeiro: Imago 2004.

RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e Martins. Maria Helena Pires, Filosofando: Introdução à Filosofia, São Paulo: Moderna, 1986.
O Homem em Busca de Deus. Editores: International Bible Studentes Association, Brooklyn, New York, U.S.A. Sociedade Torre de Vigia de Bíblia e Tratados, Cesário Lage, SP. 1990.
RUSS, J. Pensamento Ético Contemporâneo, São Paulo: Paulus, 1999
VIDAL, M. Moral de Atitudes – I. Moral Fundamental, Aparecida: Santuário, 1993.
RAUBER, J.J. O Problema da Universalização em Ética, Porto Alegre: EDIPUCRS,1999.

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Desigualdade Social

 
            Na sua mensagem de Natal em 2006 “Uorbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), o Santo Padre Bento XVI listou, como males que afligem a humanidade pós-moderna, a fome e a pobreza, o consumismo desenfreado, o ódio racial e religioso, a violência e o terrorismo. Para o Papa, a humanidade se apresenta como segura de si e artífice auto-suficiente do próprio destino. “Parece, mas não é assim”, disse o Papa Bento XVI. “Ainda se morre de fome e de sede, de doença e de pobreza nesse tempo de abundancia”, afirmou.
            Concluiu o Papa Bento XVI sua mensagem com um veemente apelo ao povo de Deus em favor da paz e em defesa da dignidade da pessoa humana.
            Vivemos num mundo próspero. Acha difícil acreditar nisso? Na verdade, algumas nações conseguem gastar todo o dinheiro que possuem. Estima-se que o que produto mundial bruto de 2005 — o valor total dos bens e serviços produzidos naquele ano — tenha excedidos 60 trilhões de dólares. Se essa vasta produção fosse dividida pela população, daria cerca de 9 mil dólares para cada pessoa viva atualmente. E esse valor está aumentando.
            Mas a prosperidade global faz parte de uma grande ironia. Segundo um a publicação recente das Nações Unidas, os três indivíduos mais ricos do mundo têm ao todo uma riqueza maior do que o total do produto nacional bruto das 48 nações mais pobres. E, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, 2,5 bilhões de pessoas tentam sobreviver com menos de 2 dólares por dia. Centenas de milhões de pessoas estão subnutridas e não tem acesso a água potável.
            Nos Estados Unidos, os sociólogos estão estudando um grupo ao qual aplicam o termo “quase pobre”. O risco de essas pessoas ficarem pobres é grande. Mas de 50 milhões de indivíduos estão nessa situação, apesar da grande riqueza do país.
            Como é possível que tanto dinheiro vá parar em contas bancárias e no tesouro dos governos, enquanto centenas de milhos de pobres ainda vivem na miséria?

 

Poucas Oportunidades

 

            Muitas pessoas perderam seu emprego por causa de mudanças na indústria. Muitos trabalhadores tiveram de gastar todas as suas economias com despesas médicas cada vez maiores. Outros gastaram suas reservas com as despesas de pessoas pobres que vivem no mundo em desenvolvimento, a maioria não tem culpa de ser pobre. As causas da pobreza estão muitas vezes fora do controle de suas vitimas.
            Estas vítimas são escravas do selvagem sistema liberal – capitalista globalizado. A nossa realidade sócio – econômica global é uma catástrofe para a dignidade da pessoa humana. 20% da população mundial concentram 82,7% da renda, enquanto os 80% da população restante de tem somente 20%. Entre pessoas pertencentes aos 20 % dos privilégios, do que ver, com os próprios olhos, a realidade nua e crua dos 80 % dos excluídos (1).
            O desenvolvimento do sistema liberal – capitalista globalizado, tem gerado riquezas e bilionários em varias nações.
            A nova lista dos bilionários que tem patrimônio pessoal de no mínimo 1 bilhão de dólares, elaborada pela revista Forbes e divulgada na semana passada, tem 178 novos nomes com relação á lista anterior. Existem hoje 946 bilionários. A participação do Brasil nesse Campeonato também aumentou. No ano passado, havia dezesseis bilionários brasileiros. Neste ano são vinte com um patrimônio total de 46,2 bilhões de dólares — um aumento de quase 40% em relação ao ranking anterior (2).
            Todavia, no meio dessa riqueza econômica, os pobres, os famintos, os excluídos raramente tem oportunidade de melhorar a sua situação na vida.
            Há também relatos sobre fome e pobreza no mundo em desenvolvimento, no mundo chamado pós – moderno que muitos ficam indignados em tomar conhecimento sobre esse assunto.
            Muitos protestos são realizados no mundo contra tamanha injustiça. Estas injustiças são esquematizadas pelos poderosos que estão a serviço do lucro, via a cultura de morte.
            O sistema liberal – capitalista globalizado é incapaz de cuidar dos seus cidadãos mais vulneráveis fica evidente quando vemos refugiados passando fome por causa da guerra, depósitos de comida apodrecendo por causa de estratégias políticas e quando as forças que movem o mercado provocam o aumento do custo dos bens essenciais a ponto de os pobres não conseguirem comprá-los. A estrutura perversa e desumana da economia mundial negligencia milhões de seres humanos pobres e miseráveis. Milhões de pessoas hoje em dia tem poucas oportunidades de sair do abismo da pobreza, devido a terrível opressão do sistema financeiro capitalista.

 

Gente Descartável

 

            Todos os dias somos bombardeados com notícias nefasta, escandalosa e catastróficas em que a sociedade humana está afundando num atoleiro de obstáculos sem precedentes — e isto apesar doa avanços da ciência e da tecnologia. É óbvio, que as conquistas e as mordomias da pós-modernidade, só beneficiam uns poucos.
            Reflita o seguinte: o homem já andou na lua, mas em muitos lugares não consegue passear sem medo nas ruas do seu próprio planeta. Ele pode equipar sua casa com todo tipo de aparelhos modernos, mas não consegue impedir a onda de famílias desfeitas. E pode introduzir a era da informação, mas não consegue ensinar as pessoas a viverem juntas em paz. Via internet pode se comunicar com o mundo, mas não consegue ter diálogo com o seu vizinho. O ilustre professor de História Hugh Thomas, escreveu certa vez: “A difusão do conhecimento e da educação ensinou pouco à humanidade em matéria de auto – domínio e menos  ainda na arte de conviver com outros homens”.
            Afirmou o notável pacifista americano Martin Luther King: “Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”.
            Na tentativa de estabelecer certa medida de ordem na sociedade, os homens se têm organizado em uma variedade de governos. Nenhum destes, porém ficou livre da rigorosa observação e monumental afirmação do Rei Salomão: “Observo ainda as opressões todas que se cometem debaixo do sol. O homem domina outro homem para arruiná-lo”.
            No entanto, alguns governantes tiveram e tem virtudes nobres e idéias maravilhosas. Todavia, nenhum rei, presidente, ministro, sábio, estadista ou ditador conseguiu dar fim as injustiças, a corrupção e a má distribuição de renda. Estas três desgraças são as causas da fome, pobreza, miséria e a violência. Incluindo dentro desse contexto a ambição e o egoísmo de certas pessoas ricas que não querem ver e nem ajudar os famintos em seu redor.
            O sociólogo brasileiro pernambucano Josué de Castro, que, ainda na primeira metade do século passado, em seu livro clássico — Geografia da Fome — constatava que metade da humanidade dormia com fome e a outra metade dormia com medo daqueles que passavam fome. Hoje, a situação se agravou: dois terços da humanidade dormem com fome e um terço dorme com medo dos dois terços que passam fome”. Aqui está o Tsunami e o Katrina social revolucionário do futuro, se isso não for revisto agora.
            O renomado pensador Kevin Bales em sua obra: Gente Descartável escreve que, em tempos recentes, a “explosão demográfica inundou o mercado de trabalho mundial com milhões de pessoas pobres e indefesas”.Elas enfrentam uma batalha sem fim apenas para sobreviver num sistema comercial opressivo em que “a vida não vale quase nada”. Aqueles que os exploram, diz Bales, os tratam como escravos — “instrumentos de fazer dinheiro totalmente descartáveis”.

 

Conclusão

 

            O jornal The New York Times disse que o furacão Katrina, que assolou os Estados Unidos no fim de 2005, “deu origem a uma das mais surpreendentes ondas de fraudes, tramas e espantosos erros burocráticos na história moderna”. Uma senadora do EUA relatou: “A fraude descarada, a audácia das tramas, a magnitude do desperdício — são simplesmente chocantes”.
            Se a política econômica dos paises não mudarem em prol dos pobres e dos famintos, e se o sistema governamental não estancar a corrupção e não realizar uma boa administração na distribuição de renda, teremos muitas revoluções e guerras.
            Há se todos obedecessem o conselho de São Basílio Magno: “Ao faminto pertence o pão que tu reténs. Ao homem nu, o manto que tu guarda nos teus cofres; ao miserável, o dinheiro que guardas escondido. Se cada um conservasse apenas o necessário e dedicasse o supérfluo aos indigentes, não haveria mais nem ricos e nem pobres”. Ou seja, não teríamos a degradação da dignidade da pessoa humana.

 

Referências e Bibliografia

 

(1) REB, abril de 2007, p.348.
(2) Veja, 14/03/2007, p.82
IANNI, O.Teorias da globalização, civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1999.
PAVIANI, Jayme. Cultura, Humanismo e Globalização, EDUCS, Caxias do Sul 2004.
SANTAELLA, Lúcia, Culturas e arte do pós-humano – Da cultura das mídias á cibercultura, Paulus, São Paulo 2003.
SARTORI, Luís Maria A. O eco político do Evangelho, Editora LTr, São Paulo 1993.

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Ameaças das Seitas

 

            Falando a um grupo de Bispos do Brasil, em visita "ad limina apostolorum", em 05/09/1995, em Roma, Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina. Referindo-se ás seitas, o Papa disse que na América Latina deparamo-nos "com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações... " A América Latina toda é maciçamente católica, graças a Deus, em vista da nossa colonização levada a efeito por Portugal e Espanha, dirigidos na época por reis católicos. É o maior continente católico do mundo. Cerca de 80% dos latino - americanos são católicos; na Europa 60%, na Oceania 25%, na África 15% e na Ásia apenas 5%. Mas esta feliz hegemonia católica, agora, segundo o Papa, está sendo ameaçada pelas seitas. Ele reafirmou o que já tinha dito na Carta encíclica Redemptoris missio: "Certamente a expansão das seitas 'constitui uma ameaça para a Igreja Católica...' ( RM, 50) ". O Papa disse que na Conferência de Santo Domingo (outubro de 1992), ficou claro para os bispos o seu perigo: "O Documento final descreveu com clareza e precisão essas seitas e movimentos, mostrou suas características e modos de atuar, deixou claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na sua expansão em todo o Continente... (Conclusões do IV CELAM, nn. 139-152)". Vemos portanto, que há claros interesses políticos e econômicos envolvidos, cujo objetivo é quebrar a hegemonia católica da América Latina, e transformá-la, como dizem, no maior Continente "ex-católico" do mundo. O CELAM (Conferencia do Episcopado Latino Americano), apresentou em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto AMANHECER ,sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de GLOBAL CHURCH GROTH BULLETIN e diretor da OVERSEAS CRUSADES com sede na Califórnia. O AMANHECER traz o subtítulo de "Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina". Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo: "É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país... O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos". (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333/1990, pp.78-87) Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em "ameaça para Igreja Católica". O Documento de Santo Domingo (CELAM, 12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas: O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo".(n. 139) "As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé Jesus Cristo salva que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo. Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de Bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dizimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calunia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista á tomada do poder. A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias". (n. 140). (Aquino, Felipe, Falsas Doutrinas, seitas e religiões, 7º Edição, Lorena: Cléofas, 2006). "Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está, sem dúvida, a questão dos católicos que abandonam a vida eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste problema, possa ser atribuída á falta de uma evangelização em que Cristo e sua Igreja estejam no centro de toda explanação. As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas - que é motivo de justa preocupação - incapazes de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo são geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata. Na Encíclica Deus caritas est recordei que " Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (n.1). É necessário, portanto, encaminhar a atividade apostólica como uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal e comunitária a Cristo. Trata-se efetivamente de não poupar esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida que os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com Deus e mediante um itinerário catequético permanente."
(Discurso de Bento XVI, aos bispos do Brasil na Catedral da Sé. São Paulo, sexta-feira, 11 de maio de 2007).

 

 Pe.Inácio José do Vale

Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo

Professor de Historia da Igreja

Faculdade de Teologia de Volta Redonda

 
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