A SANTIFICAÇÃO
O autor
da Epístola aos Hebreus escreve uma exortação
radical sobre a santificação:
“Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor,
vigiando atentamente para que ninguém seja faltoso, separando-se
da graça de
Deus” (Hebreus 12,14.15).
Nosso Senhor Jesus Cristo, “divino
mestre e modelo de toda perfeição, pregou a santidade de
vida, da qual é ele
autor e consumador” (LG 40). Esta é uma regra vinculante e
libertadora para
toda pedagogia, para toda pastoral e para o próprio uso da
autoridade com santa
humildade.
O Concílio Vaticano II insiste muito
na dignidade igual dos cristãos no que é de todo
fundamental e decisivo: a
vocação à santidade e à
perfeição: “Dignidade comum dos membros por sua
regeneração em Cristo, graça comum de filhos,
vocação comum à perfeição,
salvação, esperança e indivisa caridade... ‘Todos
vós sois um em Cristo Jesus’
(Gálatas 3,28; Colossenses 3,11)” (LG 32).
“Consagrados a Cristo e ungidos pelo
Espírito Santo, os leigos são admiravelmente chamados e
munidos para que neles
se produzam sempre mais abundantes os frutos do Espírito. Assim
todas as suas
obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e
familiar, trabalho
cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no
Espírito, e mesmo as
provações da vida, pacientemente suportados, se tornam
‘hostias espirituais,
agradáveis a Deus por Jesus Cristo’ (I Pe 2,5), hóstias
que são piedosamente
oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na
celebração da Eucaristia. Assim
também os leigos, como adoradores agindo santamente em toda
parte, consagram a
Deus o próprio mundo” (CIC, 901).
A VOCAÇÃO À SANTIDADE
A vontade
do bom Deus é a nossa santificação e nosso radical
amor a ele e ao próximo (I
Tessalonicenses 4,3; Mateus 22,37-40). Daí resulta a nossa
salvação pela graça em Cristo Jesus
(II
Timóteo 1,9; Leia meditando Tito 3,5-8).
Santo Afonso Maria de Ligório,
Bispo, Doutor da Igreja e Patrono dos Confessores e Teólogos de
Teologia Moral,
disse: “A santidade consiste: primeiro numa verdadeira renúncia
de si mesmo;
segundo, numa total mortificação das próprias
paixões; terceiro, numa perfeita
conformidade com a vontade de Deus”.
“A santidade não consiste em saber
muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da
santidade é amar
muito” afirma ‘O Doutor Angélico’, Santo Tomás de Aquino.
Os santificados, e, portanto, feitos
participantes do amor e da missão de Cristo,
“constituídos na liberdade régia”,
os discípulos farão tudo para o louvor de Deus, “a fim de
que Deus seja tudo em
todos” (LG 36).
Os santificados, vivendo
autenticamente sua vocação, com uma memória
agradecida, reconhecerão sempre e
em toda parte os dons de Deus como tais. Assim, louvando a Deus em toda
a sua
vida, por meio da pureza com que servem a Deus em seus irmãos,
convidarão os
outros a glorificar o Pai que está nos céus (Mateus 5,16).
A vocação de todos à santidade,
contida na obra da redenção, da
justificação e da santificação, é
características fundamental da moral cristã. Dentro desse
contexto, estão a mística
e a espiritualidade.
Vivendo o ‘Tempo da Graça’, somos
levados no abissal da santidade pelo poder do Divino Espírito
Santo.
Receber a porção dobrada do Espírito
Santo, estar cheio do Espírito e operar sinais, prodígios
e atos portentosos, é
por ter colocado a vida no altar da santificação do Deus
que é Santo, Santo e
Santo (Isaías 6,3; II Reis 2,8-11; Atos 6,3.8;13,7-12; II
Coríntios 12,1-4.12).
Contemplamos atos portentosos na
vida dos santos apóstolos, dos mártires, dos
missionários e dos santos. Diga-se
de passagem, São Pio de Pietrelcina.
Santo Tomás explica o poder da graça
do Espírito Santo: “A característica mais essencial da
nova aliança e toda sua
força é a graça do Espírito Santo,
concebida junto com a fé em Cristo. Por
isso a lei
nova é principalmente a graça do próprio
Espírito Santo” (S.Th., I-II, q.106,
a.1).
É colossal o poder da graça do
Espírito Santo. O seu fogo queima toda impureza, o seu
óleo unge para grandes
realizações, sua luz nos guia em toda verdade e sua
força é libertadora,
santificadora, consoladora e é competente em curar, fazer
milagres e
ressuscitar mortos (Ezequiel 47, 13.14; Romanos 8 10.11).
O Papa Bom, João XXIII sabia muito
bem do poder do Espírito Santo. Na sua oração
invocatória à abertura do
Concílio Vaticano II em 1962, explica tudo:
“Renova os teus milagres neste nosso
dia, como em um novo Pentecostes. Permite que tua Igreja, unida em
pensamento e
firme na oração com Maria, a mãe de Jesus, e
guiada pelo abençoado Pedro, possa
prosseguir na construção do Reino do nosso Divino
Salvador, Reino de Verdade e
de Justiça, Reino de Amor e de Paz”.
A NOSSA META
“Caríssimos, de posse de tais
promessas, purifiquemo-nos de toda mancha da carne e do
espírito. E levemos a
termo a nossa santificação no temor de Deus” (II
Coríntios 7,1).
A
santificação, a reconciliação e a
justificação são consideradas na Sagrada
Escritura, o princípio e o motivo supremo do agir moral e formam
o caráter do
homem santificado, reconciliado e justificado. Somos justificados pela
fé em
Cristo e o amor de Deus é derramado em nossos
corações pelo Espírito Santo
(Romanos 5,1.5). Daí, os frutos do Espírito: “amor,
alegria, paz,
fidelidade...”. Andemos neles, no Espírito da fé,
até a esperança da justiça
(Gálatas 5,5).
Os cristãos, que vivem segundo o
Espírito, não se vangloriam, porém, estão
sempre rendendo graças, vivendo
segundo a graça da santificação, e atribuem todo
bem á sua verdadeira fonte.
São Paulo Apóstolo tem seu modo preciso de falar da nossa
lei: “leis do
Espírito que nos dá a vida em Jesus” (Romanos 8,2). “Se
vivemos com o Espírito,
deixemos-nos conduzir pelo Espírito (Gálatas 5,25); com
efeito, “todos os que
se deixam guiar pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”
(Romanos 8,14). No
homem espiritual reina o amor com que Deus nos ama, aquele amor santo
que foi
expresso na cruz do calvário (João 3,16).
Quem é capaz de medir o amor de
Deus? Quem é capaz de entender o amor de Deus? “Mas, como
está escrito, o que
os olhos não viram os ouvidos não ouviram e o
coração do homem não percebeu,
isso Deus preparou para aqueles que o amam. A nós, porém,
Deus o revelou pelo
Espírito. Pois o Espírito sonda todas as coisas,
até mesmo as profundidades de
Deus” (I Coríntios 2,9-16).
O bom Deus primeiro nos amou nos
converteu, nos santificou e nos salvou (I João 4,19; João
16,7.8; Atos
11,17.18; Romanos 8,28-30; Efésios 2,8-10).
A nossa meta é buscar degrau mais
elevado a perfeição cristã. E o nosso foco de
santificação está expresso em
Apocalipse 22,11: “que o injusto cometa ainda a injustiça e o
sujo continue a
sujar-se; que o justo pratique ainda a justiça e que o santo
continue a
santificar-se”.
Diz São Paulo Apóstolo: “Qualquer
que seja o ponto a que chegamos conservemos o rumo. Sede meus
imitadores,
irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em
nós” (Filipenses
3, 16.17).
No amor e na graça santificante de
Deus, com paciência e esperança (Romanos 8,25);
sacrifício de louvor (Hebreus
13, 15.16) e crescendo no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (II
Pedro
3,18). Chegaremos na visão beatífica da Santíssima
Trindade.
Seguindo o exemplo do Padre Pio e os
seus conselhos, com certeza, alcançaremos a Pátria
Celestial. “Regenerados pelo
santo batismo, nós também correspondemos á
graça da vocação, imitando nossa Mãe
Imaculada e aprofundando incessantemente nosso entendimento de Deus,
para
melhor conhece-Lo, servi-Lo e amá-Lo”.
CONCLUSÃO
Temos na
Sagrada Escritura e na História da Igreja, muitas vidas santas,
que nos serve
de modelo a serem seguidos.
Rica é a nossa era, com tantos
santos e santas. Nosso Senhor Jesus Cristo é o mesmo, ontem,
hoje e para sempre
(Hebreus 13,8), santificando almas para o nosso exemplo.
Escreve São Paulo Apóstolo: “Sê para
os fiéis um modelo na palavra, na conduta, na caridade, na
fé e pureza” (I
Timóteo 4,12).
Em nosso
tempo, temos vidas monumentais, que são modelos espetaculares de
santidades.
São elas: Frei Galvão; Santa Teresinha do Menino Jesus,
São Arnaldo Janssen,
Padre Ibiapina, Padre Pio, Padre Maximiliano M. Kolbe, Monge Charles de
Foucald,
Santa Josefina Bakhita, Madre Paulina, Padre José Kentenich,
irmã M. Emilie Engel,
João XXIII, irmã Dulce e
João Paulo II.
A santidade não é impossível pra
ninguém. Ser santo é um chamado para todos. Deus é
santo e quer que seus filhos
sejam santos (I Pedro 1,15.16). O princípio fundamental para ser
santo é
reconhecer que é um pobre pecador (Lucas 18,13.14).
“Aceita
tua imperfeição. É o primeiro passo para
alcançares tua perfeição”, disse Santo
Agostinho.
BI B L I O G R A F I A
-Catecismo da
Igreja
Católica. Editora: Vozes, Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 5º
Edição, 1993.
-Dicionário de Teologia Moral: dirigido por Francisco
Compagnoni, Giannino Piana, Salvatore Privitera, São Paulo:
Paulus,1997.
-PINTONELLO, Aquiles. Os Papas: Síntese Histórica,
Curiosidade e Pequenos Fatos, São Paulo: Paulinas, 1986.
-AQUINO, Felipe. Na Escola dos Santos Doutores, Lorena:
Cléofas 1996.
-ALTANER B. e Stuiber A. Patrologia, São Paulo:
Paulinas,1972.
-FOLCH, C.G. Riquezas da Mensagem Cristã, Rio de Janeiro:
Lúmen Christi, 1985.
-PUPO,
Rosangêla Paciello.... e Padre Pio disse: Uma frase de
Padre Pio por
dia, Vol.1, São Paulo: Loyola, 2004.
-ROPS Daniel. (Coleção) História da Igreja,
São Paulo:
Quadrante, 1998.
-Pergunte e Responderemos, Outubro de 2006.
p.477.
----------------------------------------------------
A PRAGA DAS SEITAS
“O Espírito diz expressamente que nos últimos tempos
alguns
renegarão a fé, dando atenção a
espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas”
(I Tm 4,1).
Segundo Marilyn McGuire, diretora
executiva da “New Age Publishing and
Retailing Alliance”, existem cerca de 2.500 livrarias sobre
ocultismo nos
Estados Unidos e mais de 3.000 editores de livros e revistas de
ocultismo. As
vendas de livros da Nova Era em essencial são calculadas em um
bilhão de
dólares por ano. Isso torna o movimento da Nova Era uma
indústria
multibilionária, e tais indústrias recebem a
atenção das empresas e das
autoridades americanas (1).
Segundo o padre Oscar Quevedo, SJ,
estudioso das seitas, só no Brasil existem mais de 56 mil seitas
e religiões.
O Papa João Paulo II chegou a dizer
a um grupo de Bispos do Brasil em Roma, em 1995, que as seitas, “se
espalham na
América Latina como uma mancha de óleo, ameaçando
fazer ruir as estruturas de
fé de muitas nações” (2).
O QUE É UMA SEITA
Dave Breese em seu livro ‘Conheça as Marcas da
Seita’, define o que é uma seita: “A seita é uma
perversão religiosa. É uma fé
e uma prática centralizada em doutrina falsa, no mundo da
religião que exige
devoção para um ponto de vista, ou para um líder
religioso. É uma heresia
organizada”.
O especialista em seitas Dr. Walter
Martin define assim: “Um grupo de indivíduos reunidos em torno
de uma
interpretação errônea da Bíblia, feita por
uma ou mais pessoas”.
O autor do livro ‘Como Responder às Seitas’, Hubert F. Beck
escreve: “As seitas, portanto, no pior sentido dos termos, são
cismáticas e
heréticas” (3)
São as heresias que dão fundamentos as seitas. O que
é
heresia? Doutrina errônea, sustentada voluntária e
obstinadamente, por quem, já
tendo alguma vez admitido a fé cristã, nega alguma das
verdades proposta pela
Igreja como reveladas.
TSUNAMI DAS SEITAS
O diabo é o autor das heresias, dos
cismas e das seitas. As seitas são grandes mentiras, que tem
como pai o diabo
(Jo 8,44).
O diabo inspira três práticas nos
líderes sectários: o poder de ditador, a ganância
pelo dinheiro e a luxúria
desenfreada.
O poder diabólico dos líderes leva
os adeptos ao fanatismo, intolerância e escravidão pela
lavagem cerebral. A
ponto de viverem isolados e incompatibilizados com a família,
amigos e com todo
o contexto social.
Grande é a manipulação e
alienação
nos seguidores das seitas. Nas seitas perdem a liberdade e a felicidade
do
corpo e da alma. Os sectários são escravos do
proselitismo.
A doutrinação constante nos fiéis
sobre o fim do mundo leva-nos a fuga da realidade, daí o
individualismo e o
desprezo pelas questões sociais.
Quando os líderes sectários se
envolvem na política partidária, lutam pelos seus
próprios interesses. Praticam
uma política assistencialista,
paternalista e até mesmo corrupta.Diga-se de passagem o
escândalo da
sanguessuga.
Esses líderes são doentes pelo poder
terreno. Procuram esse poder com toda política
maquiavélica, com um único
objetivo: derrubar a Igreja Católica e outras comunidades
sérias.
As seitas são organizações
religiosas,
que nos seus bastidores são verdadeiras máquinas do
crime. A vida pomposa de
seus líderes, não difere dos grandes mafiosos.
O Papa João Paulo II disse: “No
mundo, há um mal agressivo, que Satanás guia e inspira.
Vivemos dias tenebrosos
e somos assaltados pelo mal”.
No campo da religião, o mal
principal que Satanás inspira é o engano religioso. Seus
apóstolos assaltam
vergonhosamente o povo, não em seu nome, mas no nome santo de
Deus. É irônico e
paradoxal.
Satanás inspira um poder tão grande
nos seus líderes, que muita gente é roubada por eles sem
perceberem o rombo na
conta bancária, estamos vivendo a era do tsunami das seitas. O
estrago é
terrível, no contexto social, político, econômico
cultural e principalmente
teológico.
O estrago já foi feito na área da sã
doutrina. A fé foi danificada e a graça barateada. O que
fazer? Quem responde é
o Papa Bento XVI: * “A resposta mais radical ás seitas passa
através “da
redescoberta da identidade católica: é preciso uma nova
evidência, uma nova
alegria, se posso dizer, é preciso mesmo um novo ‘brio’ (que
não contradiz a
indispensável humildade) de sermos católicos” (4).
Já é hora do católico conhecer e
defender o patrimônio da fé da única Igreja de
Cristo, Una, Santa, Católica e
Apostólica.
O modelo inspirativo é o Cabeça da
Igreja – Jesus Cristo – os mártires e os santos.
Disse o mártir do Coliseu Romano
Santo Inácio de Antioquia: “É preciso não
só levar o nome de cristão, mas ser
de fato”.
___________
*Na
época da resposta era o Prefeito da Sagrada
Congregação para Doutrina da Fé,
Cardeal Joseph Ratzinger.
R E F E RÊ N C I A S
(1)
ANKERBERG,
John e Weldon John. Os fatos sobre o movimento da Nova Era.
2º ed. Porto
Alegre: Obra Missionária Chamada da Meia Noite, 1999. p.14.
(2)
AQUINO, Felipe. Porque sou
católico, Lorena: Cléofas,
2002. p.5.
(3)
F. Beck, Hubert. Como responder
ás seitas, Porto
Alegre: Concórdia editora, 1991. p. 12.
(4)
RATZINGER, Joseph e Messori,
Vittorio, A fé em crise? :
o cardeal Ratzinger se interroga, São Paulo: EPU. 1985. p.87.
(5)
Revista Pergunte e Responderemos,
Março, 2007. pp.
129-131.
(6)
BITTENCOURT, José Filho e
Hortal, Jesus. Novos
Movimentos Religiosos na Igreja e na
Sociedade, São Paulo: AM Edições, 1996.
(7)
BARROS, Mônica N. A Batalha do
Armagedom: Uma análise
do repertório Mágico-religioso proposta pela Igreja
Universal do Reino de Deus,
Belo Horizonte: Mineo, 1995.
----------------------------------------------
O PODER DA RELIGIÃO
Faz parte do contexto religioso os
valores sagrados como: honra, respeito, amor, devoção e
obediência.
“O
primeiro e mais essencial componente de uma identidade nacional
é o idioma. Os
outros dois pilares da honra nacional são: a alta cultura e a
religião”, afirma
o célebre estadista francês Charles de Gaulle (1890-1970).
O inglês John Gray, professor de
pensamento europeu na London Scholl of
Economics diz: “Acho que a religião tem um papel central na
cultura humana.
Nem todos os avanços científicos podem eliminar a
religião, pois suas raízes
não estão na ignorância, mas na necessidade humana
de buscar um sentido para as
coisas” (1).
“O homem que acha que a sua vida não
tem sentido não é apenas infeliz, mas também muito
mau preparado para a vida”
declarou certa vez o grande cientista alemão Albert Einstein, e
afirmou: “A
ciência sem religião é claudicante; a
religião sem a ciência é cega”.
O fundador da sociobiologia, ciência
que estuda as bases genéticas do comportamento social dos
animais, inclusive o
ser humano, o biólogo americano Edward Wilson diz que “a
ciência e a religião
são duas forças mais poderosas do mundo. Para ambas, a
natureza é sagrada”. Diz
mais: “A situação do planeta é tão grave
que a ciência e a religião deveriam se
unir na defesa da biodiversidade” (2).
A palavra “religião” vem do latim
religio. Não há unanimidade em referência à
etimologia dessa palavra.
Segundo o renomado apologista
cristão Lactâncio (260-325), religio viria do verbo
“religare”, que significa
ligar de novo, estabelecer novo laço, relacionamento.
Religião séria, nesse
sentido, a atitude de piedade e devoção que religa, une
de novo os homens à
Deus.
Realmente, o poder da religião liga
o ser humano ao seu Criador. Não só salva o planeta, como
a si mesmo.
Se as autoridades competentes
investissem no poder da religião, nós não
teríamos tanta violência em nossa
sociedade.
Nós não estamos vivendo de forma
gigantesca – por enquanto – a barbaridade contínua, porque ainda
funciona a
trilogia da educação religiosa: o lar, a Igreja e a
escola.
Quando o ser humano, perde o
referencial do sagrado, perde tudo. “Se não há Deus, tudo
é permitido” escreveu
o romancista russo Fiódor Dostoievski.
A ideologia que faz desviar a
religião do seu papel fundamental, que é amar a Deus e o
próximo, tem como
objetivo o capital. Muitos líderes políticos e
religiosos, usam o nome de Deus
e da religião para proveito próprio. São
líderes maquiavélicos, cujo deus é o
dinheiro, e a religião a luxúria.
A religião não é culpada pela mancha
ideológica dos líderes que usam a massa alienada para o
derramamento de sangue.
Deus não é culpado por alguém que
usa seu nome em vão, em prol de guerra santa. Afirma o escritor
e fundador do
Arsenal da Paz em Turim e do Arsenal da Esperança em São Paulo,
Ernesto
Olivero: “Não usemos o nome de Deus para justificar o
terrorismo, as guerras,
as injustiças ou qualquer outra forma de
prevaricação. Terror e violência não
são de Deus” (3).
Em Assis, Itália, no dia 24 de
Janeiro de 2002, disse o Papa João Paulo II: “Violência,
nunca mais! Guerra
nunca mais! Terrorismo nunca mais! Em nome de Deus, que cada
religião traga a
Terra justiça e paz, perdão e vida, amor!”
A religião é inerente ao ser humano.
É de sua natureza a busca pelo sagrado. É
intrínseco o poder de sua alma pelo
transcendental. “O homem tem necessidades que só a
religião pode suprir”,
afirma o sociólogo canadense Reginald W. Bibby.
RELIGIÃO E SOCIEDADE
A religião bem ensinada ao cidadão:
o retorno social é garantido no bem comum. Só o poder da
religião tem como
implantar uma cultura de paz social.
Quantos impérios e imperadores
caíram? Quantos monarcas desapareceram? Quantos generais
estão sepultados?
Quantos filósofos estão apagados? Quantas obras de
grandes intelectuais não são mais
publicadas? Quantos sistemas políticos
naufragaram? Quantos líderes e estadistas não são
lembrados mais? Enquanto
isso, a religião continua com o seu poder indestrutível.
“Os marxistas previram o fim da
religião. Com o fim da opressão, o remédio
representado por Deus não teria mais
razão de ser, dizia-se. Mas também eles foram obrigados a
reconhecer que o
sentimento religioso nunca acabou porque está verdadeiramente
enraizado no
homem” afirmou com categoria o Papa Bento XVI (4).
Dizia Santo Agostinho de Hipona:
“Senhor, Tu nos fizeste para Ti e o nosso coração
não descansará enquanto não
repousar em Ti”.
A verdadeira religião ensinada, faz
um bem incalculável à sociedade.
Não
existe outro meio de controlar o ser humano pela mente e
coração do que o
princípio religioso.
A antropóloga da Universidade de
Rutgers, EUA, autora do livro Why we
Love? – The Nature and Chemistry of
Romantic Love (“Por que amamos? – A natureza e a química do
amor
romântico”). Helen Fisher afirma: “Somos biologicamente
programados para amar”.
Nada melhor do que a religião para
executar essa atividade. O fundamento da religião está no
amor a Deus e ao
próximo. A prática piedosa do sentimento religioso
é a caridade. A identidade
interior do ser humano, está no amor. Daí, os mais
elevados valores, que são
preservados para vida humana aqui e eterna.
Se um homem ama realmente a Deus,
ele o demonstra no amor ao seu próximo”, disse o grande mestre
chassídico
ucraniano Levi Isaac de Berditchev (1770-1808).
O paleontólogo Stephen Jay Gaudd,
professor de Harvard e da Universidade de Nova York, escreveu mais de
15
livros. Em ‘Pilares do Tempo’, um de seus últimos trabalhos, ele
propõe uma
coexistência harmônica entre ciência e
religião, para que o homem atinja sua
plenitude de ser racional e espiritual.
A crença é vital para formar o
cidadão completamente. Pela fé, ele busca na
espiritualidade a sua verdadeira
felicidade.
Se as autoridades, não tiverem o
senso do religioso, do sagrado, nada poderá fazer, para coibir
as injustiças sociais.
Em 1982, Marion Woodman, uma das maiores autoridades
mundiais em psicologia feminina de distúrbios alimentares,
já dizia que: “A
fome natural, espiritual, se não for saciada pelo sagrado, cai
na armadilha
diabólica”.
A alma alimentada pelos ensinamentos
poderosos do sagrado, contribuirá na luz divina, para uma
sociedade mais justa
e fraterna.
“O homem não vive somente de pão,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, (Deuteronômio 8,3).
Aonde imperar o poder religioso
solidário e comunitário, não terá
espaço para barbárie.
CONCLUSÃO
Diante de tantos conflitos:
conjugais, sentimentais, financeiros, políticos, sociais e
culturais, é hora de
unir os dois poderes: ciência e religião para o bem estar
da humanidade.
“Ética e religião são temas centrais
no processo de humanização das pessoas e na
solução de nossa crise econômica e
social. O problema é que não há muito
espaço na nossa sociedade para debates
não dogmáticos, sectários, pejorativos ou
superficiais sobre tais assuntos. Nas
rodas de amigos, esse tipo de conversa é quase um tabu. É
por isso que o Ensino
Religioso torna-se, nas escolas, um espaço importante para o
processo de
aprendizagem de uma vida humanizante. Não porque “ensine”
religião, mas porque
pode ajudar os jovens a enfrentar estas questões que
estão no cerne da vida
humana. Pode ajudar no desenvolvimento da religiosidade presente em
todos e na
descoberta de critérios éticos de discernimentos mais
humanos e humanizantes”,
diz o ilustre educador Jung Mo Sung, professor de Ciências da
Religião da PUC –
SP (5).
As autoridades públicas, devem
exercer a ética e muito respeito pelo sentimento religioso do
nosso povo. Devem
trabalhar em prol do desenvolvimento da educação
religiosa, em todos os níveis
da formação humana.
Disse o
escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986): “Mais grave que a
ruína, que
a derrota na guerra, é a decadência moral, a falta de
ética”.
--------------------------------------------
ESFACELAMENTO PROTESTANTE
No século XVI, a Reforma
Protestante dividiu o cristianismo na Europa Ocidental. O Sul da Europa
–
Itália, Espanha, Áustria e parte da França –
permaneceram na maior parte fiel a
Igreja Católica. O resto acomodou-se em três principais
divisões: Luterana, na
Alemanha e Escandinava; Calvinista ou Reformada, na
Suíça, Países-Baixos,
Escócia, e parte da França; e Anglicana na Inglaterra.
Permeados entre estas
havia denominações menores, porém mais radicais,
fanáticos, primeiro os anabatistas
e mais tarde os menonitas, huteristas e
puritanos.
No decorrer da história, essas principais
divisões se esfaleceram somando sem parar, em milhares de
denominações e seitas
protestantes. Que escândalo! Disse Jesus Cristo: “Ai do homem
pelo qual o
escândalo vem! (Mt 18,7). “Todo reino dividido contra si mesmo
acaba em ruínas,
e uma casa cai sobre outra (Lc 11,17).
“O denominacionalismo é um dos
maiores obstáculos na formação e na
mobilização da consciência missionária.
Têm
denominações que se auto-proclamam as únicas
verdadeiras ou melhores do que as
outras. Além de faltar muitas vezes com a verdade, essas
denominações não
demonstram humildade alguma. No momento há mais de 27 mil
denominações
protestantes ao redor do planeta”, vocifera o missionário e
fundador da
Operação Mobilização (OM) George Verwer.
(Ultimato, janeiro-fevereiro, 2007. p.16).
“Somente nos Estados unidos, até
1998, segundo os dados do pastor Dave Amstrong, somavam um total de
33.800
denominações protestantes” (PR, Junho, 2006.p. 256).
“Estes são os que causam divisões,
sensuais, que não têm o Espírito Santo” (Judas
v.19).
DIVISÃO
O escritor Duncan Green em seu livro
Faces of Latin América (Aspectos da
América Latina), escreve: “O movimento evangélico na
América Latina dividi-se
em inúmeras igrejas. Freqüentemente, essas igrejas giram em
torno de um único
pastor. Em geral, quando uma delas cresce, dividi-se em pequenas novas
igrejas”.
O escândalo da divisão, não é
fato
isolado na América Latina, é sim, uma realidade
caótica no mundo inteiro.
São três fatores
que causam a divisão: questões doutrinárias,
escândalos financeiros e sexuais.
No Brasil, segundo a revista
protestante Eclésia, edição nº 91, já
chegaram a um total de 17.000
denominações.
Segundo o consultor de igrejas o
pastor americano Wayne Cordeiro, existe mais de 300 mil igrejas
evangélicas nos
Estados Unidos (1)
Terrível é a incompatibilidade
dogmática e o mau relacionamento entre os pastores.
Escreve o ilustre professor Felipe
Aquino:
“Não há acordo no protestantismo. O
próprio Lutero, amargurado, foi obrigado a reconhecer em 1525,
apenas oito anos
após o seu rompimento com a Igreja”:
“Há tantas seitas e crenças quantas
cabeças. Um não terá nada a fazer com o batismo;
outro nega o Sacramento; um
terceiro acredita que há outro mundo entre este e o
último dia. Alguns ensinam
que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros dizem
aquilo. Não há rústico, por
mais rude que seja que, se sonhar ou fantasiar alguma coisa não
deva ser o
sussurro do Espírito Santo, e ele próprio um profeta”
(Martinho Lutero, John A.
O’Brien, Ed. Vozes, 1959, p.32).
Relata-nos O’Brien que, em
Ingolstadt, em
1577, trinta e um anos após a morte de Lutero (1546),
Cristóvão Rasperger
citava duzentas interpretações diferentes das quatro
palavras da consagração:
“Isto é o Meu corpo”; interpretações sustentadas
pelos seguidores da Reforma (The Faith of Millions, J.
A. O’Brien,
Ind.1938, p.227). Que confusão!
“Negando a Igreja de Cristo, os
reformadores aceitaram a fundação de numerosas igrejas e
igrejinhas de líderes
humanos, todas originadas do subjetivismo dos seus fundadores” (PR,
nº 404,
1996, pp.14 e 15).
A maneira subjetiva com que lêem a
Bíblia levou o Protestantismo ao esfacelamento, especialmente da
doutrina (2).
Diz Dom Estêvão Bettencourt, OSB:
“O princípio segundo o qual cada
crente pode fazer o livre exame da Bíblia, independentemente de
algum
magistério, torna o Evangelho luterano muito mais fácil
do que o Evangelho
católico. Na verdade é mais cômodo ser luterano
(protestante) do que ser
católico. Daí a ampla propagação do
protestantismo; cada crente faz a sua
religião, sem missa dominical, sem confissão sacramental,
sem outras obrigações
além daquelas que cada um impõe a si mesmo. O crente que
não está contente na
sua igreja tem três opções: ou muda de Igreja ou
funda sua Igreja própria ou
fica fora da Igreja (somente com a Bíblia nas mãos).A
quarta opção é do crente
desviado: sem Igreja, sem pastor, sem Bíblia nas mãos,
sem temor de Deus,
desiludido e “perdido”. – Que Jesus tenha misericórdia. Assim
Lutero contribuiu
fortemente para o esfacelamento do Cristianismo. – Deus leve em conta
sua boa
intenção!” (3).
CONCLUSÃO
Como fica
Lutero e seus seguidores diante do pensamento do Mártir do
Coliseu Romano,
segundo sucessor de São Pedro, na Igreja de Antioquia, aquele
que na Carta de
Emirna, escreve pela primeira a monumental expressão “Igreja
Católica”, Santo
Inácio de Antioquia que diz: “Todo aquele que por sua
péssima doutrina corrompe
a fé de Deus pela qual foi crucificado
Jesus Cristo, irá para o fogo inextinguível
e a todos os que lhe
escutar?”.
Que exortação horrível para aqueles
que estão fora da Igreja: Una Santa, Católica e
Apostólica.
“Onde está Cristo Jesus está a
Igreja Católica”, afirma Santo Inácio de Antioquia (†110).
“Aquele
que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense,
é um estranho,
um proscrito, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem
não tiver a Igreja por
Mãe. Fora da Igreja não há
salvação”, declara São Cipriano (†258).
---------------------------------------
Pe.
Inácio José do Vale
Pároco
da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor
de História da Igreja
Faculdade
Teológica de Volta Redonda
*****************************************************************