"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLIII  Mês: Maio de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Pe. Inácio José do Vale - Professor de História da Igreja e da Teologia
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.


A SANTIFICAÇÃO

 
            O autor da Epístola aos Hebreus escreve uma exortação radical sobre a santificação: “Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, vigiando atentamente para que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hebreus 12,14.15).
            Nosso Senhor Jesus Cristo, “divino mestre e modelo de toda perfeição, pregou a santidade de vida, da qual é ele autor e consumador” (LG 40). Esta é uma regra vinculante e libertadora para toda pedagogia, para toda pastoral e para o próprio uso da autoridade com santa humildade.
            O Concílio Vaticano II insiste muito na dignidade igual dos cristãos no que é de todo fundamental e decisivo: a vocação à santidade e à perfeição: “Dignidade comum dos membros por sua regeneração em Cristo, graça comum de filhos, vocação comum à perfeição, salvação, esperança e indivisa caridade... ‘Todos vós sois um em Cristo Jesus’ (Gálatas 3,28; Colossenses 3,11)” (LG 32).
            “Consagrados a Cristo e ungidos pelo Espírito Santo, os leigos são admiravelmente chamados e munidos para que neles se produzam sempre mais abundantes os frutos do Espírito. Assim todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportados, se tornam ‘hostias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo’ (I Pe 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia. Assim também os leigos, como adoradores agindo santamente em toda parte, consagram a Deus o próprio mundo” (CIC,  901).
 

A VOCAÇÃO À SANTIDADE

 

            A vontade do bom Deus é a nossa santificação e nosso radical amor a ele e ao próximo (I Tessalonicenses 4,3; Mateus 22,37-40). Daí resulta a nossa salvação pela graça em Cristo Jesus (II Timóteo 1,9; Leia meditando Tito 3,5-8).
            Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Doutor da Igreja e Patrono dos Confessores e Teólogos de Teologia Moral, disse: “A santidade consiste: primeiro numa verdadeira renúncia de si mesmo; segundo, numa total mortificação das próprias paixões; terceiro, numa perfeita conformidade com a vontade de Deus”.
            “A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito” afirma ‘O Doutor Angélico’, Santo Tomás de Aquino.
            Os santificados, e, portanto, feitos participantes do amor e da missão de Cristo, “constituídos na liberdade régia”, os discípulos farão tudo para o louvor de Deus, “a fim de que Deus seja tudo em todos” (LG 36).
             Os santificados, vivendo autenticamente sua vocação, com uma memória agradecida, reconhecerão sempre e em toda parte os dons de Deus como tais. Assim, louvando a Deus em toda a sua vida, por meio da pureza com que servem a Deus em seus irmãos, convidarão os outros a glorificar o Pai que está nos céus (Mateus 5,16).
            A vocação de todos à santidade, contida na obra da redenção, da justificação e da santificação, é características fundamental da moral cristã. Dentro desse contexto, estão a mística e a espiritualidade.
            Vivendo o ‘Tempo da Graça’, somos levados no abissal da santidade pelo poder do Divino Espírito Santo.
            Receber a porção dobrada do Espírito Santo, estar cheio do Espírito e operar sinais, prodígios e atos portentosos, é por ter colocado a vida no altar da santificação do Deus que é Santo, Santo e Santo (Isaías 6,3; II Reis 2,8-11; Atos 6,3.8;13,7-12; II Coríntios 12,1-4.12).
            Contemplamos atos portentosos na vida dos santos apóstolos, dos mártires, dos missionários e dos santos. Diga-se de passagem, São Pio de Pietrelcina.
            Santo Tomás explica o poder da graça do Espírito Santo: “A característica mais essencial da nova aliança e toda sua força é a graça do Espírito Santo, concebida junto com a fé em Cristo. Por isso a lei nova é principalmente a graça do próprio Espírito Santo” (S.Th., I-II, q.106, a.1).
            É colossal o poder da graça do Espírito Santo. O seu fogo queima toda impureza, o seu óleo unge para grandes realizações, sua luz nos guia em toda verdade e sua força é libertadora, santificadora, consoladora e é competente em curar, fazer milagres e ressuscitar mortos (Ezequiel 47, 13.14; Romanos 8 10.11).
            O Papa Bom, João XXIII sabia muito bem do poder do Espírito Santo. Na sua oração invocatória à abertura do Concílio Vaticano II em 1962, explica tudo:
            “Renova os teus milagres neste nosso dia, como em um novo Pentecostes. Permite que tua Igreja, unida em pensamento e firme na oração com Maria, a mãe de Jesus, e guiada pelo abençoado Pedro, possa prosseguir na construção do Reino do nosso Divino Salvador, Reino de Verdade e de Justiça, Reino de Amor e de Paz”.

 

A NOSSA META

 

            “Caríssimos, de posse de tais promessas, purifiquemo-nos de toda mancha da carne e do espírito. E levemos a termo a nossa santificação no temor de Deus” (II Coríntios 7,1).
            A santificação, a reconciliação e a justificação são consideradas na Sagrada Escritura, o princípio e o motivo supremo do agir moral e formam o caráter do homem santificado, reconciliado e justificado. Somos justificados pela fé em Cristo e o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Romanos 5,1.5). Daí, os frutos do Espírito: “amor, alegria, paz, fidelidade...”. Andemos neles, no Espírito da fé, até a esperança da justiça (Gálatas 5,5).
            Os cristãos, que vivem segundo o Espírito, não se vangloriam, porém, estão sempre rendendo graças, vivendo segundo a graça da santificação, e atribuem todo bem á sua verdadeira fonte. São Paulo Apóstolo tem seu modo preciso de falar da nossa lei: “leis do Espírito que nos dá a vida em Jesus” (Romanos 8,2). “Se vivemos com o Espírito, deixemos-nos conduzir pelo Espírito (Gálatas 5,25); com efeito, “todos os que se deixam guiar pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8,14). No homem espiritual reina o amor com que Deus nos ama, aquele amor santo que foi expresso na cruz do calvário (João 3,16).
            Quem é capaz de medir o amor de Deus? Quem é capaz de entender o amor de Deus? “Mas, como está escrito, o que os olhos não viram os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam. A nós, porém, Deus o revelou pelo Espírito. Pois o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus” (I Coríntios 2,9-16).
            O bom Deus primeiro nos amou nos converteu, nos santificou e nos salvou (I João 4,19; João 16,7.8; Atos 11,17.18; Romanos 8,28-30; Efésios 2,8-10).
            A nossa meta é buscar degrau mais elevado a perfeição cristã. E o nosso foco de santificação está expresso em Apocalipse 22,11: “que o injusto cometa ainda a injustiça e o sujo continue a sujar-se; que o justo pratique ainda a justiça e que o santo continue a santificar-se”.
            Diz São Paulo Apóstolo: “Qualquer que seja o ponto a que chegamos conservemos o rumo. Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Filipenses 3, 16.17).
            No amor e na graça santificante de Deus, com paciência e esperança (Romanos 8,25); sacrifício de louvor (Hebreus 13, 15.16) e crescendo no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (II Pedro 3,18). Chegaremos na visão beatífica da Santíssima Trindade.
            Seguindo o exemplo do Padre Pio e os seus conselhos, com certeza, alcançaremos a Pátria Celestial. “Regenerados pelo santo batismo, nós também correspondemos á graça da vocação, imitando nossa Mãe Imaculada e aprofundando incessantemente nosso entendimento de Deus, para melhor conhece-Lo, servi-Lo e amá-Lo”.

 CONCLUSÃO

            Temos na Sagrada Escritura e na História da Igreja, muitas vidas santas, que nos serve de modelo a serem seguidos.
            Rica é a nossa era, com tantos santos e santas. Nosso Senhor Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13,8), santificando almas para o nosso exemplo.
            Escreve São Paulo Apóstolo: “Sê para os fiéis um modelo na palavra, na conduta, na caridade, na fé e pureza” (I Timóteo 4,12).
            Em nosso tempo, temos vidas monumentais, que são modelos espetaculares de santidades. São elas: Frei Galvão; Santa Teresinha do Menino Jesus, São Arnaldo Janssen, Padre Ibiapina, Padre Pio, Padre Maximiliano M. Kolbe, Monge Charles de Foucald, Santa Josefina Bakhita, Madre Paulina, Padre José Kentenich, irmã M. Emilie Engel, João XXIII,  irmã Dulce e João Paulo II.
            A santidade não é impossível pra ninguém. Ser santo é um chamado para todos. Deus é santo e quer que seus filhos sejam santos (I Pedro 1,15.16). O princípio fundamental para ser santo é reconhecer que é um pobre pecador (Lucas 18,13.14).
“Aceita tua imperfeição. É o primeiro passo para alcançares tua perfeição”, disse Santo Agostinho.

BI B L I O G R A F I A

 -Catecismo da Igreja Católica. Editora: Vozes, Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 5º Edição, 1993.
-Dicionário de Teologia Moral: dirigido por Francisco Compagnoni, Giannino Piana, Salvatore Privitera, São Paulo: Paulus,1997.
-PINTONELLO, Aquiles. Os Papas: Síntese Histórica, Curiosidade e Pequenos Fatos, São Paulo: Paulinas, 1986.
-AQUINO, Felipe. Na Escola dos Santos Doutores, Lorena: Cléofas 1996.
-ALTANER B. e Stuiber A. Patrologia, São Paulo: Paulinas,1972.
-FOLCH, C.G. Riquezas da Mensagem Cristã, Rio de Janeiro: Lúmen Christi, 1985.
-PUPO, Rosangêla Paciello.... e Padre Pio disse: Uma frase de Padre Pio por dia, Vol.1, São Paulo: Loyola, 2004.
-ROPS Daniel. (Coleção) História da Igreja, São Paulo: Quadrante, 1998.

-Pergunte e Responderemos, Outubro de 2006. p.477.

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 A PRAGA DAS SEITAS

 
 

“O Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, dando atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas” (I Tm 4,1).
            Segundo Marilyn McGuire, diretora executiva da “New Age Publishing and Retailing Alliance”, existem cerca de 2.500 livrarias sobre ocultismo nos Estados Unidos e mais de 3.000 editores de livros e revistas de ocultismo. As vendas de livros da Nova Era em essencial são calculadas em um bilhão de dólares por ano. Isso torna o movimento da Nova Era uma indústria multibilionária, e tais indústrias recebem a atenção das empresas e das autoridades americanas (1).
            Segundo o padre Oscar Quevedo, SJ, estudioso das seitas, só no Brasil existem mais de 56 mil seitas e religiões.
            O Papa João Paulo II chegou a dizer a um grupo de Bispos do Brasil em Roma, em 1995, que as seitas, “se espalham na América Latina como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir as estruturas de fé de muitas nações” (2).
           

O QUE É UMA SEITA

 
Dave Breese em seu livro ‘Conheça as Marcas da Seita’, define o que é uma seita: “A seita é uma perversão religiosa. É uma fé e uma prática centralizada em doutrina falsa, no mundo da religião que exige devoção para um ponto de vista, ou para um líder religioso. É uma heresia organizada”.
O especialista em seitas Dr. Walter Martin define assim: “Um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação errônea da Bíblia, feita por uma ou mais pessoas”.
O autor do livro ‘Como Responder às Seitas’, Hubert F. Beck escreve: “As seitas, portanto, no pior sentido dos termos, são cismáticas e heréticas” (3)
São as heresias que dão fundamentos as seitas. O que é heresia? Doutrina errônea, sustentada voluntária e obstinadamente, por quem, já tendo alguma vez admitido a fé cristã, nega alguma das verdades proposta pela Igreja como reveladas.

 

TSUNAMI DAS SEITAS

            O diabo é o autor das heresias, dos cismas e das seitas. As seitas são grandes mentiras, que tem como pai o diabo (Jo 8,44).
            O diabo inspira três práticas nos líderes sectários: o poder de ditador, a ganância pelo dinheiro e a luxúria desenfreada.
            O poder diabólico dos líderes leva os adeptos ao fanatismo, intolerância e escravidão pela lavagem cerebral. A ponto de viverem isolados e incompatibilizados com a família, amigos e com todo o contexto social.
            Grande é a manipulação e alienação nos seguidores das seitas. Nas seitas perdem a liberdade e a felicidade do corpo e da alma. Os sectários são escravos do proselitismo.
            A doutrinação constante nos fiéis sobre o fim do mundo leva-nos a fuga da realidade, daí o individualismo e o desprezo pelas questões sociais.
            Quando os líderes sectários se envolvem na política partidária, lutam pelos seus próprios interesses. Praticam uma  política assistencialista, paternalista e até mesmo corrupta.Diga-se de passagem o escândalo da sanguessuga.
            Esses líderes são doentes pelo poder terreno. Procuram esse poder com toda política maquiavélica, com um único objetivo: derrubar a Igreja Católica e outras comunidades sérias.
            As seitas são organizações religiosas, que nos seus bastidores são verdadeiras máquinas do crime. A vida pomposa de seus líderes, não difere dos grandes mafiosos.
            O Papa João Paulo II disse: “No mundo, há um mal agressivo, que Satanás guia e inspira. Vivemos dias tenebrosos e somos assaltados pelo mal”.
            No campo da religião, o mal principal que Satanás inspira é o engano religioso. Seus apóstolos assaltam vergonhosamente o povo, não em seu nome, mas no nome santo de Deus. É irônico e paradoxal.
            Satanás inspira um poder tão grande nos seus líderes, que muita gente é roubada por eles sem perceberem o rombo na conta bancária, estamos vivendo a era do tsunami das seitas. O estrago é terrível, no contexto social, político, econômico cultural e principalmente teológico.
            O estrago já foi feito na área da sã doutrina. A fé foi danificada e a graça barateada. O que fazer? Quem responde é o Papa Bento XVI: * “A resposta mais radical ás seitas passa através “da redescoberta da identidade católica: é preciso uma nova evidência, uma nova alegria, se posso dizer, é preciso mesmo um novo ‘brio’ (que não contradiz a indispensável humildade) de sermos católicos” (4).
            Já é hora do católico conhecer e defender o patrimônio da fé da única Igreja de Cristo, Una, Santa, Católica e Apostólica.
            O modelo inspirativo é o Cabeça da Igreja – Jesus Cristo – os mártires e os santos.
            Disse o mártir do Coliseu Romano Santo Inácio de Antioquia: “É preciso não só levar o nome de cristão, mas ser de fato”.

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*Na época da resposta era o Prefeito da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger.


 

R E F E RÊ N C I A S

 

(1)                          ANKERBERG, John e Weldon John. Os fatos sobre o movimento da Nova Era. 2º ed. Porto Alegre: Obra Missionária Chamada da Meia Noite, 1999. p.14.
(2)                          AQUINO, Felipe. Porque sou católico, Lorena: Cléofas, 2002. p.5.
(3)                          F. Beck, Hubert. Como responder ás seitas, Porto Alegre: Concórdia editora, 1991. p. 12.
(4)                          RATZINGER, Joseph e Messori, Vittorio, A fé em crise? : o cardeal Ratzinger se interroga, São Paulo: EPU. 1985. p.87.
(5)                          Revista Pergunte e Responderemos, Março, 2007. pp. 129-131.
(6)                          BITTENCOURT, José Filho e Hortal, Jesus. Novos Movimentos  Religiosos na Igreja e na Sociedade, São Paulo: AM Edições, 1996.
(7)                          BARROS, Mônica N. A Batalha do Armagedom: Uma análise do repertório Mágico-religioso proposta pela Igreja Universal do Reino de Deus, Belo Horizonte: Mineo, 1995.

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O PODER DA RELIGIÃO

        

            Faz parte do contexto religioso os valores sagrados como: honra, respeito, amor, devoção e obediência.
            “O primeiro e mais essencial componente de uma identidade nacional é o idioma. Os outros dois pilares da honra nacional são: a alta cultura e a religião”, afirma o célebre estadista francês Charles de Gaulle (1890-1970).
            O inglês John Gray, professor de pensamento europeu na London Scholl of Economics diz: “Acho que a religião tem um papel central na cultura humana. Nem todos os avanços científicos podem eliminar a religião, pois suas raízes não estão na ignorância, mas na necessidade humana de buscar um sentido para as coisas” (1).
            “O homem que acha que a sua vida não tem sentido não é apenas infeliz, mas também muito mau preparado para a vida” declarou certa vez o grande cientista alemão Albert Einstein, e afirmou: “A ciência sem religião é claudicante; a religião sem a ciência é cega”.
            O fundador da sociobiologia, ciência que estuda as bases genéticas do comportamento social dos animais, inclusive o ser humano, o biólogo americano Edward Wilson diz que “a ciência e a religião são duas forças mais poderosas do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada”. Diz mais: “A situação do planeta é tão grave que a ciência e a religião deveriam se unir na defesa da biodiversidade” (2).
            A palavra “religião” vem do latim religio. Não há unanimidade em referência à etimologia dessa palavra.
            Segundo o renomado apologista cristão Lactâncio (260-325), religio viria do verbo “religare”, que significa ligar de novo, estabelecer novo laço, relacionamento. Religião séria, nesse sentido, a atitude de piedade e devoção que religa, une de novo os homens à Deus.
            Realmente, o poder da religião liga o ser humano ao seu Criador. Não só salva o planeta, como a si mesmo.
            Se as autoridades competentes investissem no poder da religião, nós não teríamos tanta violência em nossa sociedade.
            Nós não estamos vivendo de forma gigantesca – por enquanto – a barbaridade contínua, porque ainda funciona a trilogia da educação religiosa: o lar, a Igreja e a escola.
            Quando o ser humano, perde o referencial do sagrado, perde tudo. “Se não há Deus, tudo é permitido” escreveu o romancista russo Fiódor Dostoievski.
            A ideologia que faz desviar a religião do seu papel fundamental, que é amar a Deus e o próximo, tem como objetivo o capital. Muitos líderes políticos e religiosos, usam o nome de Deus e da religião para proveito próprio. São líderes maquiavélicos, cujo deus é o dinheiro, e a religião a luxúria.
            A religião não é culpada pela mancha ideológica dos líderes que usam a massa alienada para o derramamento de sangue.
            Deus não é culpado por alguém que usa seu nome em vão, em prol de guerra santa. Afirma o escritor e fundador do Arsenal da Paz em Turim e do Arsenal da Esperança em São Paulo, Ernesto Olivero: “Não usemos o nome de Deus para justificar o terrorismo, as guerras, as injustiças ou qualquer outra forma de prevaricação. Terror e violência não são de Deus” (3).
            Em Assis, Itália, no dia 24 de Janeiro de 2002, disse o Papa João Paulo II: “Violência, nunca mais! Guerra nunca mais! Terrorismo nunca mais! Em nome de Deus, que cada religião traga a Terra justiça e paz, perdão e vida, amor!”
            A religião é inerente ao ser humano. É de sua natureza a busca pelo sagrado. É intrínseco o poder de sua alma pelo transcendental. “O homem tem necessidades que só a religião pode suprir”, afirma o sociólogo canadense Reginald W. Bibby.

 

RELIGIÃO E SOCIEDADE

            A religião bem ensinada ao cidadão: o retorno social é garantido no bem comum. Só o poder da religião tem como implantar uma cultura de paz social.
            Quantos impérios e imperadores caíram? Quantos monarcas desapareceram? Quantos generais estão sepultados? Quantos filósofos estão apagados? Quantas obras de grandes intelectuais não são  mais publicadas? Quantos sistemas políticos naufragaram? Quantos líderes e estadistas não são lembrados mais? Enquanto isso, a religião continua com o seu poder indestrutível.
            “Os marxistas previram o fim da religião. Com o fim da opressão, o remédio representado por Deus não teria mais razão de ser, dizia-se. Mas também eles foram obrigados a reconhecer que o sentimento religioso nunca acabou porque está verdadeiramente enraizado no homem” afirmou com categoria o Papa Bento XVI (4).
            Dizia Santo Agostinho de Hipona: “Senhor, Tu nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansará enquanto não repousar  em Ti”.
            A verdadeira religião ensinada, faz um bem incalculável à sociedade.
            Não existe outro meio de controlar o ser humano pela mente e coração do que o princípio religioso.
            A antropóloga da Universidade de Rutgers, EUA, autora do livro Why we Love? – The Nature and Chemistry of Romantic Love (“Por que amamos? – A natureza e a química do amor romântico”). Helen Fisher afirma: “Somos biologicamente programados para amar”.
            Nada melhor do que a religião para executar essa atividade. O fundamento da religião está no amor a Deus e ao próximo. A prática piedosa do sentimento religioso é a caridade. A identidade interior do ser humano, está no amor. Daí, os mais elevados valores, que são preservados para vida humana aqui e eterna.
            Se um homem ama realmente a Deus, ele o demonstra no amor ao seu próximo”, disse o grande mestre chassídico ucraniano Levi Isaac de Berditchev (1770-1808).
            O paleontólogo Stephen Jay Gaudd, professor de Harvard e da Universidade de Nova York, escreveu mais de 15 livros. Em ‘Pilares do Tempo’, um de seus últimos trabalhos, ele propõe uma coexistência harmônica entre ciência e religião, para que o homem atinja sua plenitude de ser racional e espiritual.
            A crença é vital para formar o cidadão completamente. Pela fé, ele busca na espiritualidade a sua verdadeira felicidade.
            Se as autoridades, não tiverem o senso do religioso, do sagrado, nada poderá fazer, para coibir as injustiças sociais.
Em 1982, Marion Woodman, uma das maiores autoridades mundiais em psicologia feminina de distúrbios alimentares, já dizia que: “A fome natural, espiritual, se não for saciada pelo sagrado, cai na armadilha diabólica”.
            A alma alimentada pelos ensinamentos poderosos do sagrado, contribuirá na luz divina, para uma sociedade mais justa e fraterna.
            “O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, (Deuteronômio 8,3).
            Aonde imperar o poder religioso solidário e comunitário, não terá espaço para barbárie.

CONCLUSÃO

            Diante de tantos conflitos: conjugais, sentimentais, financeiros, políticos, sociais e culturais, é hora de unir os dois poderes: ciência e religião para o bem estar da humanidade.
            “Ética e religião são temas centrais no processo de humanização das pessoas e na solução de nossa crise econômica e social. O problema é que não há muito espaço na nossa sociedade para debates não dogmáticos, sectários, pejorativos ou superficiais sobre tais assuntos. Nas rodas de amigos, esse tipo de conversa é quase um tabu. É por isso que o Ensino Religioso torna-se, nas escolas, um espaço importante para o processo de aprendizagem de uma vida humanizante. Não porque “ensine” religião, mas porque pode ajudar os jovens a enfrentar estas questões que estão no cerne da vida humana. Pode ajudar no desenvolvimento da religiosidade presente em todos e na descoberta de critérios éticos de discernimentos mais humanos e humanizantes”, diz o ilustre educador Jung Mo Sung, professor de Ciências da Religião da PUC – SP (5).
            As autoridades públicas, devem exercer a ética e muito respeito pelo sentimento religioso do nosso povo. Devem trabalhar em prol do desenvolvimento da educação religiosa, em todos os níveis da formação humana.
            Disse o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986): “Mais grave que a ruína, que a derrota na guerra, é a decadência moral, a falta de ética”.

          

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ESFACELAMENTO PROTESTANTE

No século XVI, a Reforma Protestante dividiu o cristianismo na Europa Ocidental. O Sul da Europa – Itália, Espanha, Áustria e parte da França – permaneceram na maior parte fiel a Igreja Católica. O resto acomodou-se em três principais divisões: Luterana, na Alemanha e Escandinava; Calvinista ou Reformada, na Suíça, Países-Baixos, Escócia, e parte da França; e Anglicana na Inglaterra. Permeados entre estas havia denominações menores, porém mais radicais, fanáticos, primeiro os anabatistas e mais  tarde os menonitas, huteristas e puritanos.

            No decorrer da história, essas principais divisões se esfaleceram somando sem parar, em milhares de denominações e seitas protestantes. Que escândalo! Disse Jesus Cristo: “Ai do homem pelo qual o escândalo vem! (Mt 18,7). “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruínas, e uma casa cai sobre outra (Lc 11,17).
            “O denominacionalismo é um dos maiores obstáculos na formação e na mobilização da consciência missionária. Têm denominações que se auto-proclamam as únicas verdadeiras ou melhores do que as outras. Além de faltar muitas vezes com a verdade, essas denominações não demonstram humildade alguma. No momento há mais de 27 mil denominações protestantes ao redor do planeta”, vocifera o missionário e fundador da Operação Mobilização (OM) George Verwer. (Ultimato, janeiro-fevereiro, 2007. p.16).
            “Somente nos Estados unidos, até 1998, segundo os dados do pastor Dave Amstrong, somavam um total de 33.800 denominações protestantes” (PR, Junho, 2006.p. 256).
            “Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito Santo” (Judas v.19).

DIVISÃO

            O escritor Duncan Green em seu livro Faces of Latin América (Aspectos da América Latina), escreve: “O movimento evangélico na América Latina dividi-se em inúmeras igrejas. Freqüentemente, essas igrejas giram em torno de um único pastor. Em geral, quando uma delas cresce, dividi-se em pequenas novas igrejas”.
            O escândalo da divisão, não é fato isolado na América Latina, é sim, uma realidade caótica no mundo inteiro.
            São três fatores que causam a divisão: questões doutrinárias, escândalos financeiros e sexuais.
            No Brasil, segundo a revista protestante Eclésia, edição nº 91, já chegaram a um total de 17.000 denominações.
            Segundo o consultor de igrejas o pastor americano Wayne Cordeiro, existe mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos (1)
            Terrível é a incompatibilidade dogmática e o mau relacionamento entre os pastores.
            Escreve o ilustre professor Felipe Aquino:
            “Não há acordo no protestantismo. O próprio Lutero, amargurado, foi obrigado a reconhecer em 1525, apenas oito anos após o seu rompimento com a Igreja”:
            “Há tantas seitas e crenças quantas cabeças. Um não terá nada a fazer com o batismo; outro nega o Sacramento; um terceiro acredita que há outro mundo entre este e o último dia. Alguns ensinam que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros dizem aquilo. Não há rústico, por mais rude que seja que, se sonhar ou fantasiar alguma coisa não deva ser o sussurro do Espírito Santo, e ele próprio um profeta” (Martinho Lutero, John A. O’Brien, Ed. Vozes, 1959, p.32).
             Relata-nos O’Brien que, em Ingolstadt, em 1577, trinta e um anos após a morte de Lutero (1546), Cristóvão Rasperger citava duzentas interpretações diferentes das quatro palavras da consagração: “Isto é o Meu corpo”; interpretações sustentadas pelos seguidores da Reforma (The Faith of Millions, J. A. O’Brien, Ind.1938, p.227). Que confusão!
            “Negando a Igreja de Cristo, os reformadores aceitaram a fundação de numerosas igrejas e igrejinhas de líderes humanos, todas originadas do subjetivismo dos seus fundadores” (PR, nº 404, 1996, pp.14 e 15).
            A maneira subjetiva com que lêem a Bíblia levou o Protestantismo ao esfacelamento, especialmente da doutrina (2).
            Diz Dom Estêvão Bettencourt, OSB:
            “O princípio segundo o qual cada crente pode fazer o livre exame da Bíblia, independentemente de algum magistério, torna o Evangelho luterano muito mais fácil do que o Evangelho católico. Na verdade é mais cômodo ser luterano (protestante) do que ser católico. Daí a ampla propagação do protestantismo; cada crente faz a sua religião, sem missa dominical, sem confissão sacramental, sem outras obrigações além daquelas que cada um impõe a si mesmo. O crente que não está contente na sua igreja tem três opções: ou muda de Igreja ou funda sua Igreja própria ou fica fora da Igreja (somente com a Bíblia nas mãos).A quarta opção é do crente desviado: sem Igreja, sem pastor, sem Bíblia nas mãos, sem temor de Deus, desiludido e “perdido”. – Que Jesus tenha misericórdia. Assim Lutero contribuiu fortemente para o esfacelamento do Cristianismo. – Deus leve em conta sua boa intenção!” (3).

CONCLUSÃO
 

            Como fica Lutero e seus seguidores diante do pensamento do Mártir do Coliseu Romano, segundo sucessor de São Pedro, na Igreja de Antioquia, aquele que na Carta de Emirna, escreve pela primeira a monumental expressão “Igreja Católica”, Santo Inácio de Antioquia que diz: “Todo aquele que por sua péssima doutrina corrompe a fé de Deus pela qual foi crucificado  Jesus Cristo, irá para o fogo inextinguível e a todos os que lhe escutar?”.
            Que exortação horrível para aqueles que estão fora da Igreja: Una Santa, Católica e Apostólica.
            “Onde está Cristo Jesus está a Igreja Católica”, afirma Santo Inácio de Antioquia (†110).
            “Aquele que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem não tiver a Igreja por Mãe. Fora da Igreja não há salvação”, declara São Cipriano (†258).
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Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade Teológica de Volta Redonda

 

 
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