"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges"


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O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal  N°:  LVII           Mês: Julho de  2008.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Pastoral Vocacional.
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Página Vocacional:

 

                                       O Monge e a família

 

Quem deseja se consagrar a Cristo deve estar disposto e disponível para deixar seus familiares. É Jesus mesmo que diz: “Quem ama seu pai ou a sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim”. ( MT 10,37) Subentendemos que estas palavras de Jesus se refiram igualmente  ao contexto familiar, deixar irmãos, vovó e vovô e assim por diante.

Muito engraçado o que acontece com a grande esmagadora maioria dos jovens que procuram nosso Mosteiro; resistem o fato de deixar a casa dos pais. Querem saber se poderão visitar a família. Perguntam quantas vezes por ano podem visitar os seus. E por ai vai indo.

A juventude moderna está mais insegura e apegada a sua família que lhe dá garantia de sobrevivência. Afinal passando mal ou regular é mais seguro estar com ela do que aventurar em terras estranhas. É uma concepção materialista da vida. Por igual se diga que é o medo do desconhecido e a desconfiança nos demais que não sejam seu sangue. É um fenômeno moderno do pós guerra. Os conflitos em que vive o mundo obviamente conduzem a insegurança e o medo do amanhã.

Mas eu digo que os jovens não sabem que suas famílias geralmente são seus maiores inimigos.  “E os inimigos são os da própria casa” (Miq. 7,6) Jesus se expressando conforme Miquéias disse: “Os inimigos do homem serão seus próprios domésticos” (MT. 10,36). Na atualidade a família se tornou uma aberração para as vocações Religiosas e Sacerdotais.Além dos maus exemplos de alguns pais que chegam ao cúmulo de beijar os filhos pequenos na boca, fazem uma sistemática resistência a tudo que se refere a Igreja. Toda a mãe anela ver o filho tendo relações sexuais com uma mulher e o mesmo seja dito com referências as filhas. Pode se meter com qualquer tipo senvergonha, mas não pode entrar para o convento. Alguém poderá me contestar, não importa! Isto é uma verdade constatada ao longo de muitos anos.

As famílias criam os filhos mimados demais, fazendo-lhes todas as vontades, sem nenhuma disciplina nem regra de vida e quando adultos são dependentes e inseguros. Por seu turno, tais famílias que assim procedem, pensam que estão “abafando” em matéria de educação e ai da professora que disser o contrário!

Assim os nossos vocacionados da modernidade são todos, uma incógnita. Um deles se queixou em um e-mail para o Mosteiro: “O Sr. não acredita em mim”.Mas como acreditar se estava numa luta renhida com a família que não o queria liberá-lo para vir fazer uma experiência no Mosteiro?

Para ser Monge principalmente, muito embora seja válido para todos os Religiosos, é absolutamente necessário estar livre dos apegos familiares. Apego é diferente do amor para com os seus. O apego é um amor materialista enquanto que o amor é um ato de desprendimento espiritualizado. O apego é mundanismo e o amor é prolongamento da chama divina que nos deu a luz neste mundo.

O endeusamento da família não é uma verdade exclusiva, pode ser apenas um mito cujo fim não se sabe como será. De tanto decantá-la fica a impressão que todas as famílias são perfeitas, pois ao colocá-la em tão alto pedestal não lhe fica nenhuma rasura a corrigir.

O cristianismo na sua luta em defesa da família deverá começar por evangelizar os lares cristãos antes de enunciar valores que a tal de família não possui e somente fica intumescida com tantos elogios julgando estar fazendo tudo o melhor. É preciso passar um pente fino e colocar bem claro para o mundo não só os benefícios da família, mas os males que elas geram, ao descambarem nas ribanceiras do mundanismo, do materialismo, do hedonismo e do relativismo. Os filhos são esse produto de terceira categoria que anda por ai, em conseqüência de uma péssima formação no lar, quase paganizado e onde o corpo, o estômago e as diversões ocupam o lugar primacial. A exigência de Leis que facultem o aborto já é uma prova incontestável da maldade existente nos ambientes familiares modernos. A fé cristã, e o Evangelho de Jesus “que se danem” e como dizem os habitantes do Rio Grande do Sul no Brasil “vão para as cucuias”.

Nós continuamos a exigir dos nossos candidatos a Monge um mínimo de desprendimento familiar, aquele mínimo que acontece quando se casam e deixam o lar paterno para formarem outro lar. Muitas vezes por necessidade econômica esses jovens casais partem para longas distâncias e pouco eles podem visitar seus pais. Quando é assim ninguém se queixa, os pais acham que é normal e os filhos sustentam argumentos inquestionáveis, mas quando se trata de ir para o convento ou mosteiro a coisa muda de figura, tudo é complicado e cheio de questionamentos. Isso já é uma prova do mal. Mal que assola a família e toma conta da humanidade. Isto se parece com o inferno e por isso é que alguns dizem: “o inferno é aqui mesmo”.


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