"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLVII  Mês: Setembro de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Pastoral Vocacional.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

Pastoral Vocacional Ceciliana:


Ingressar e regressar

 

Como todas as agremiações religiosas católicas nós também sofremos as conseqüências de um mundo mutável e de constante rodízio.

Por esse motivo em nosso Mosteiro ingressam jovens e depois de algum tempo se retiram. É o processo de discernimento mais comum. Certa feita um Padre, bastante senhoril, indagou: Como que sai gente desse Mosteiro? Será que a Obra é de Deus? E a resposta foi a mais trivial: Como é que sai tanto seminarista do seminário Diocesano, inclusive do 4ª ano de Teologia! Será que também não é uma Obra de Deus o Seminário Diocesano? O Padre ficou sem graça, mudou de assunto e logo em seguido tratou de despedir-se para voltar à sua casa. Nunca mais apareceu, apesar de continuar, aparentemente, amigo.

É isso ai, não foi a primeira vez que recebemos questionamento parecido até Bispos já se atreveram a tanto, embora a resposta não fosse tão agressiva.

Em todas as Congregações tanto masculinas como femininas e nos seminários menor e maior do clero secular, as debandadas acontecem por vezes em massa. É um fenômeno pouco explicável a não ser a luz de um raciocínio lógico de que a juventude moderna é volúvel e instável, hoje querem uma coisa, amanhã querem outra. Além disso, muitos aqui chegam provenientes de lugares pobres e de famílias com parcos recursos e querem passar a caviar. Aqui se tornam exigentes e ficam enciumados quando os Monges mais velhos recebem alguma regalia a mais, que para eles ainda não chegou a hora de receberem.

Tivemos um Monge do norte do Brasil que viveu a experiência triste da falta de água e bebia de açudes contaminados até com urina de jegue como acontece lá naquelas regiões, aqui no Mosteiro, entretanto, ele punha restrições com a nossa água que nasce da pedra na mina que nos fornece o precioso liquido. Comprovado ficou que sempre os jovens exigem mais da gente do que exigiam de suas famílias onde viviam.

Os Monges que aqui vieram e saíram depois de algum tempo foi por pura e única falta de adaptação ao Mosteiro, ou para dizer mais claro falta de vocação. Na verdade somos tolerantes, damos tempo para ver se a pessoa se adapta, damos oportunidade para ele crescer espiritual e materialmente ensinando-lhe uma profissão em nosso atelier ou fora dele. Exigimos, no entanto, que cada jovem Monge se adapte e se condicione a vida do nosso Mosteiro. Fazemos com que ele perca os costumes de casa, da sua gente e da sua região para assumir a identidade de Jesus Cristo conforme prescreve a Igreja Católica dentro do carisma Ceciliano. Fora isso o jovem Monge não terá nenhuma novidade extraordinária, pois a vida Monástica é semelhante entre um Mosteiro e outro. Mesmo sendo de uma congregação diferente dos demais congêneres a espiritualidade é sempre igual em todos os Mosteiros de toda e qualquer Ordem Monástica.

Um leitor deste Jornal Virtual indagou sobre os motivos da saída de uns Monges desta Comunidade. Infelizmente não podemos responder a qualquer um sobre motivos de egressos, pois na vida de cada um deles há coisas e fatos, dos quais os superiores devem guardar sigilo e não seria ético difamar quem se retira.

Fazemos questão de aumentar o plantel de Monges, mas a despeito disso não vamos fazer exceções e permitir desajustes que venham a ser contrários as Santas Regras e a espiritualidade da Vida Monástica, acentuada pelo Magistério da Igreja. Além disso, e para ficar bem claro não medimos o Mosteiro pelo numero de Monges, mas pela qualidade de vida espiritual e religiosa que oferecemos e for praticada pelos seus membros, mesmo que sejam em numero reduzido. De nada valeria uma enorme Comunidade onde cada um faz como quer e procede equivocadamente em desconformidade com as tradições da vida monástica e dos Pais do Deserto.

É comum ingressar e regressar. Ninguém é obrigado a ficar em um Mosteiro, Casa religiosa ou Seminário, onde não se sinta realizado e feliz. Nós desejamos a felicidade dos que aqui chegam. Propugnamos pelo respeito aos direitos de cada um; esse direito inalienável de resolver sua própria vida a qual não compete a nenhum superior do Mosteiro dar a decisão final. Cada jovem, portanto que se retira o faz por livre e espontânea vontade. Sabemos que a maioria sai do Mosteiro falando mal de alguma coisa, para justificar-se com os amigos e com os próprios parentes. Deus, entretanto, que tudo vê tomará as devidas providências no momento oportuno e com cada um em conformidade com o tamanho de sua linguagem maledicente. Saibam, entretanto, que nada fica impune diante da Justiça Divina. É claro que sempre esperamos um contato dos familiares de cada egresso, quando não acontece esse contato temos equacionado grande parte do problema desse egresso, não temos dúvida que os problemas encontrados por ele no Mosteiro estariam ligados aos problemas de hereditariedade familiar ou maus costumes e má criação. Moços há que ingressam no Mosteiro sem o menor conhecimento inclusive de higiene. Falta de modos para comer, apanhar os talheres e tomar os alimentos. É um duro combate ensinar tudo para quem nada sabia e muito mais duro é perder todo o trabalho que se teve além dos gastos e investimentos nessa pessoa, quando resolvem regressar.

Não é de estranhar que jovens monges noviços ou professos de primeiros votos se despeçam do Mosteiro. Para nós que dirigimos uma casa dessas é rotineiro. A vocação é um dom de Deus e nem todos são escolhidos, muito embora tenham sido chamados. Jesus já dizia isso em seu tempo. Se o jovem monge não faz por onde fortalecer o dom de Deus em si, fatalmente perderá a vocação e cairá inexoravelmente no destino dos egressos. Porém que fique uma alerta aos vocacionados que andam de convento em convento de Mosteiro em Mosteiro provando a comida de cada um, se não deu certo num Mosteiro certamente não dará no outro. Ao sair do Mosteiro onde está não procure outro, arranje sua vida em conformidade com o mundo lá fora, seja um bom cristão e não tente mais ser monge. Nós costumamos complicar bastante a entrada de jovens que já pertenceram a outro Mosteiro e de lá são egressos, conforme esta exposição clara e objetiva que aqui está sendo ponderada. Nesse sentido podemos tranqüilizar os demais Mosteiros de que não vamos tirar-lhes os vocacionados. Entretanto fica em aberto para tentar acomodar e dar ingresso a uma pobre alma que eventualmente ande perdida e sem rumo procurando encontrar o caminho de seus ideais no serviço do Senhor.

Bem-vindos os jovens puros e bem intencionados que aqui desejam realizar seus ideais de amor e união com Cristo escondidos com ele em Deus.

Dom Marcos de Santa Helena osc.=Prior.


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