![]() |
![]() |
![]() |
||
| Ano: IV Edição: Mensal N°: XLVII Mês: Setembro de 2007. | ||||
| Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia | ||||
|
|
||||
|
Ingressar e
regressar Como
todas as agremiações religiosas católicas
nós também sofremos as conseqüências
de um mundo mutável e de constante rodízio. Por
esse motivo em nosso Mosteiro ingressam jovens e depois de algum tempo
se
retiram. É o processo de discernimento mais comum. Certa feita
um Padre,
bastante senhoril, indagou: Como que sai gente desse Mosteiro?
Será que a Obra
é de Deus? E a resposta foi a mais trivial: Como é que
sai tanto seminarista do
seminário Diocesano, inclusive do 4ª ano de Teologia!
Será que também não é uma
Obra de Deus o Seminário Diocesano? O Padre ficou sem
graça, mudou de assunto e
logo em seguido tratou de despedir-se para voltar à sua casa.
Nunca mais
apareceu, apesar de continuar, aparentemente, amigo. É isso
ai, não foi a primeira vez que recebemos questionamento parecido
até Bispos já
se atreveram a tanto, embora a resposta não fosse tão
agressiva. Em
todas as Congregações tanto masculinas como femininas e
nos seminários menor e
maior do clero secular, as debandadas acontecem por vezes em massa.
É um
fenômeno pouco explicável a não ser a luz de um
raciocínio lógico de que a
juventude moderna é volúvel e instável, hoje
querem uma coisa, amanhã querem
outra. Além disso, muitos aqui chegam provenientes de lugares
pobres e de
famílias com parcos recursos e querem passar a caviar. Aqui se
tornam exigentes
e ficam enciumados quando os Monges mais velhos recebem alguma regalia
a mais,
que para eles ainda não chegou a hora de receberem. Tivemos
um Monge do norte do Brasil que viveu a experiência triste da
falta de água e
bebia de açudes contaminados até com urina de jegue como
acontece lá naquelas
regiões, aqui no Mosteiro, entretanto, ele punha
restrições com a nossa água
que nasce da pedra na mina que nos fornece o precioso liquido.
Comprovado ficou
que sempre os jovens exigem mais da gente do que exigiam de suas
famílias onde
viviam. Os
Monges que aqui vieram e saíram depois de algum tempo foi por
pura e única
falta de adaptação ao Mosteiro, ou para dizer mais claro
falta de vocação. Na
verdade somos tolerantes, damos tempo para ver se a pessoa se adapta,
damos
oportunidade para ele crescer espiritual e materialmente ensinando-lhe
uma
profissão em nosso atelier ou fora dele. Exigimos, no entanto,
que cada jovem
Monge se adapte e se condicione a vida do nosso Mosteiro. Fazemos com
que ele
perca os costumes de casa, da sua gente e da sua região para
assumir a
identidade de Jesus Cristo conforme prescreve a Igreja Católica
dentro do
carisma Ceciliano. Fora isso o jovem Monge não terá
nenhuma novidade
extraordinária, pois a vida Monástica é semelhante
entre um Mosteiro e outro.
Mesmo sendo de uma congregação diferente dos demais
congêneres a
espiritualidade é sempre igual em todos os Mosteiros de toda e
qualquer Ordem
Monástica. Um
leitor deste Jornal Virtual indagou sobre os motivos da saída de
uns Monges
desta Comunidade. Infelizmente não podemos responder a qualquer
um sobre
motivos de egressos, pois na vida de cada um deles há coisas e
fatos, dos quais
os superiores devem guardar sigilo e não seria ético
difamar quem se retira. Fazemos
questão de aumentar o plantel de Monges, mas a despeito disso
não vamos fazer
exceções e permitir desajustes que venham a ser
contrários as Santas Regras e a
espiritualidade da Vida Monástica, acentuada pelo
Magistério da Igreja. Além
disso, e para ficar bem claro não medimos o Mosteiro pelo numero
de Monges, mas
pela qualidade de vida espiritual e religiosa que oferecemos e for
praticada
pelos seus membros, mesmo que sejam em numero reduzido. De nada valeria
uma
enorme Comunidade onde cada um faz como quer e procede equivocadamente
em
desconformidade com as tradições da vida monástica
e dos Pais do Deserto. É comum
ingressar e regressar. Ninguém é obrigado a ficar em um
Mosteiro, Casa
religiosa ou Seminário, onde não se sinta realizado e
feliz. Nós desejamos a
felicidade dos que aqui chegam. Propugnamos pelo respeito aos direitos
de cada
um; esse direito inalienável de resolver sua própria vida
a qual não compete a
nenhum superior do Mosteiro dar a decisão final. Cada jovem,
portanto que se
retira o faz por livre e espontânea vontade. Sabemos que a
maioria sai do
Mosteiro falando mal de alguma coisa, para justificar-se com os amigos
e com os
próprios parentes. Deus, entretanto, que tudo vê
tomará as devidas providências
no momento oportuno e com cada um em conformidade com o tamanho de sua
linguagem
maledicente. Saibam, entretanto, que nada fica impune diante da
Justiça Divina.
É claro que sempre esperamos um contato dos familiares de cada
egresso, quando
não acontece esse contato temos equacionado grande parte do
problema desse
egresso, não temos dúvida que os problemas encontrados
por ele no Mosteiro
estariam ligados aos problemas de hereditariedade familiar ou maus
costumes e
má criação. Moços há que ingressam
no Mosteiro sem o menor conhecimento
inclusive de higiene. Falta de modos para comer, apanhar os talheres e
tomar os
alimentos. É um duro combate ensinar tudo para quem nada sabia e
muito mais
duro é perder todo o trabalho que se teve além dos gastos
e investimentos nessa
pessoa, quando resolvem regressar. Não é
de estranhar que jovens monges noviços ou professos de primeiros
votos se
despeçam do Mosteiro. Para nós que dirigimos uma casa
dessas é rotineiro. A
vocação é um dom de Deus e nem todos são
escolhidos, muito embora tenham sido
chamados. Jesus já dizia isso em seu tempo. Se o jovem monge
não faz por onde
fortalecer o dom de Deus em si, fatalmente perderá a
vocação e cairá
inexoravelmente no destino dos egressos. Porém que fique uma
alerta aos
vocacionados que andam de convento em convento de Mosteiro em Mosteiro
provando
a comida de cada um, se não deu certo num Mosteiro certamente
não dará no
outro. Ao sair do Mosteiro onde está não procure outro,
arranje sua vida em
conformidade com o mundo lá fora, seja um bom cristão e
não tente mais ser
monge. Nós costumamos complicar bastante a entrada de jovens que
já pertenceram
a outro Mosteiro e de lá são egressos, conforme esta
exposição clara e objetiva
que aqui está sendo ponderada. Nesse sentido podemos
tranqüilizar os demais
Mosteiros de que não vamos tirar-lhes os vocacionados.
Entretanto fica em
aberto para tentar acomodar e dar ingresso a uma pobre alma que
eventualmente
ande perdida e sem rumo procurando encontrar o caminho de seus ideais
no
serviço do Senhor. Bem-vindos
os jovens puros e bem intencionados que aqui desejam realizar seus
ideais de
amor e união com Cristo escondidos com ele em Deus. Dom
Marcos de Santa Helena osc.=Prior. ***************************************************************** |
|
||
|
|
||||
![]() |
Voltar para o Jornal Ceciliano | ![]() |
||
|
||||
| © Copyright. Congregação Monástica de Santa Cecilia |