Nossa vida Monástica tem uma
peculiaridade que faz ser diferente de outras vidas de Monges.
Nós chamamos de “Contemplativos no mundo” que deixa uma margem
de pensar que nossos Monges vivam fora com funções
semelhantes as das Congregações ativas.
Entretanto não é assim. Dizem-se Contemplativos no mundo
pelo fato de os Monges Sacerdotes poderem exercer funções
pastorais inclusive serem párocos. Também pelo fato de
levarem a expressão contemplativa da beleza, principalmente pela
Música Sacra a ser executada nas igrejas. Desde já os
Monges costumam ir cantar em paróquias e até em casas de
família, numa Missa, na que as pessoas levam alimentos
não perecíveis para doar aos Monges e colaborar dessa
forma na manutenção do Mosteiro.
Contemplativos no
mundo é igualmente, uma atitude pessoal de cada Monge que deve
adquirir a capacidade de estar em meio a uma multidão de
pessoas, sem dissipar-se e mantendo a sua contemplação,
que melhor explicada significa manter sua mente em estado meditativo e
de oração vendo tudo com desinteresse, pois voltado para
a suma beleza que é Deus, fonte torrencial do amor, tudo
é insignificante.
A nossa vida de Monges é de
clausura, graças a Deus, com essa nuance moderna de poder
desempenhar-se numa ação pastoral. A Igreja, no Concilio
Vaticano II, pediu que os Monges tivessem uma abertura maior para a
pastoral, sem descuidar sua peculiaridade de clausura. Os Monges
são treinados para vida silenciosa, eles fazem silêncio
durante o dia e praticam o jejum diariamente, tomando pela manhã
café com leite puro, sem mistura. Aos mais fracos, que
não resistem uma manhã de estômago vazio, lhes
é concedido comer um pouco mais ou um pouco menos no desjejum
matinal.
O espírito humanitário é cultivado em nosso Mosteiro
como algo primordial na vida e no cotidiano de cada um. Todos os Monges
procuram ser solidários com seus confrades e todos se ajudam
mutuamente nos trabalhos desenvolvidos ao longo do dia. Eles aprendem a
não serem respondões para seus superiores e para seus
confrades, justamente por que o respondão não consegue
assimilar os ensinamentos monásticos da renúncia de si
mesmo para seguir Cristo carregando a própria Cruz.
Nosso Mosteiro é uma Escola de aperfeiçoamento
cristão, reservado aos que realmente são chamados por
Cristo para esta vida Monacal. Todos os candidatos são muito bem
selecionados de tal forma que não venham a defraudar o carisma e
os objetivos santos desta fundação monástica que
une a beleza ao caráter contemplativo cujos alicerces foram
cimentados pelos Pais do deserto e trazem, até hoje, uma
novidade tão antiga e tão nova: o amor irrestrito ao
Cristo na caridade e no amor que se doa a cada dia vendo-o em seu
irmão.
Ser Monge é o máximo que a vida cristã pode
oferecer a um homem. Nenhum estado Religioso é mais perfeito que
estado do Contemplativo que busca incessantemente recuperar a
visão de Deus perdida no Paraíso terreal. Deus deve ser
visto de dentro para fora, pois ele vive em nós pelo
Espírito Santo, cuja chama torna-se cada vez maior e mais
brilhante, na medida em que nos santificamos. Deus é o grande
tesouro que cada um deverá procurar e encontrar, com suas
fraquezas e limitações, mas numa procura incessante e
perseverante.