A nossa vocação
Monástica.
Por: Frei Misael da SS Trindade
osc.
Baseada nos Pais do Deserto, principalmente o
grande S. Pacômio, a nossa vocação é uma
tentativa de resgatar valores perdidos ao longo dos séculos na
vida do claustro. Apesar de tudo o estilo de vida tem acentuadas
características da modernidade a começar pelo modo de
sustentação do mosteiro que difere da época de S.
Pacômio e São Bento, abrindo espaço para os monges
realizarem trabalhos manuais e artísticos para se ganharem a
vida e o pão diário da mesa monástica. Nossa
vocação monástica, igualmente, abre espaço
para os estudos Teológicos e técnicos que se fizerem
necessários para o bom funcionamento da
Instituição.
Estão garantidas no mosteiro as Horas Canônicas cantadas a
Lectio Divina e o silêncio. O silêncio é
interrompido nas horas de refeições, quando após a
leitura da mesa, no tempo restante podem conversar depois do clássico: Benedicamus Dómino, dado pelo Superior. No
mosteiro, conforme velha tradição da época dos
Pais resguarda-se a hierarquia dando os primeiros lugares aos
Superiores e aos mais velhos por ordem de ingresso no mosteiro ou por
ordem de chegada e por idade. Costumam dar senhoria aos professos e
estes se tratam da mesma forma mutuamente. Este respaldo respeitoso
garante a disciplina e o respeito mútuo dentro de um
incrível clima fraterno que se manifesta nos recreios e momentos
de lazer.
A nossa vocação monástica contrasta fortemente com
a idéia que sempre se teve de Mosteiro, ao apresentar no carisma
a contemplação silenciosa claustral e poder levar essa
união espiritual com Deus, ao mundo lá fora mediante a
ação pastoral que o monge pode e deve desempenhar,
inclusive para dar resposta aos apelos da Igreja de nosso tempo. Nossos
monges podem fazer pastoral e inclusive assumir uma paróquia.
Trata-se de um meio excelente de levar a contemplação de
Deus ao mundo que está vazio dessa qualidade, que todo o ser
humano possui de poder ver a Deus pela contemplação.
Ainda, neste sentido, os monges executam peças instrumentais em
flautas e outros instrumentos, inclusive de cordas, para deleite espiritual dos
ouvintes e excitar neles a contemplação de Deus. O Canto
Gregoriano executado pelos monges, seja nas salmodias, seja nos hinos e nas partes da Missa, são forte incentivo
para que elevem suas mentes a Deus e meditem nos mistérios que
lhes são propostos pela Liturgia.
Nossa vocação monástica como Monges Cecilianos,
é vista como nova iniciativa de contemplação com
abrangência e exploração dos recursos
técnicos da Arte.
A Santa Regra dos Monges Cecilianos foi escrita ao longo de três
anos pelo fundador, após ter estudado a vida dos ascetas da
Antigüidade. As experiências de nosso fundador quando ainda
era criança, referente à contemplação,
somaram na hora de escrever o modelo e o carisma dos Monges Cecilianos.
O fundador, quando menino, vivia no campo e passava longas horas nos
bosques para orar e meditar. Essa vivência de Deus da
época de infância culminou com nossa
Congregação Monástica que “veio para ficar” e faz
de nossa fundação uma extraordinária simbiose do
“velho e do novo”.Com fama de conservadores, nós já
conseguimos ultrapassar a “barreira do som” em muitas
inovações que fariam qualquer progressista baixar o
queixo, como, por exemplo, não levantamos de madrugada para
rezar e dormimos 8 a
9 horas por noite, tomamos banho morno e diariamente.
Nós somos imensamente felizes nesta casa, sentimos que o
Espírito Santo criou, com seu sopro admirável, este novo
modelo de vida monacal para nossa elevação pessoal, para
a glória de Deus e triunfo da Igreja diante de um mundo que
canta as vitórias de suas experiências eróticas e
sociais, praticamente esquecido de Deus. Cremos, no entanto que, apesar
de tudo, das dificuldades que enfrentamos inclusive a
incompreensão de Bispos e Padres, a Obra é de Deus e cada
vez avança com mais força rumo ao futuro. Justamente por
ser de Deus é que enfrenta problemas, as Obras de satã
andam de vento em popa.
Aguardamos muitos e bons vocacionados que cheios da mais reta
intenção cheguem ao nosso Mosteiro sempre aberto para
todos aqueles que vêm da parte de Deus.