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Pastoral
Vocacional:
Por:
Dom Elias do Espírito Santo osc.
O investimento na formação de
Sacerdotes deveria ser a maior preocupação da Igreja, sem
dar tanto ênfase para a parte social. Afinal de contas poderemos
chegar um dia em que todos tenham sua casa própria, esteja bem
empregado, tenha bastante comida e não tenhamos Sacerdotes para
manter-lhes na fé Católica, as igrejas ficarão
vazias e entregues a Ministros leigos se
fazendo de Padres para engambelar os ignorantes. Aí então
a religião vai ribanceira abaixo inexoravelmente.
Por outro lado, deve haver um investimento maior nos seminaristas,
propiciando-lhes mais dignidade no modo de vida. Há
seminários antigos sem estrutura para acolher a modernidade.
Dormitórios comunitários, banheiros comuns, sujos e
imundos piores que os que costumamos ver nas estações
rodoviárias de alguns lugares ou estações de trem.
Nos lugares frios do Brasil os seminaristas andam mal vestidos, quase
sem calçado nos pés apanham doenças
bronco-pulmonares e sinusites enquanto os Reitores é claro,
têm suítes e ar condicionado.
Nesse investimento seria desejável que houvesse um
sistemático ensino e adestramento dos jovens para a higiene.
Pasmem todos, mas há seminários diocesanos e de
Religiosos nos que os seminaristas ainda adotam os modelos que seguiam
quando moravam na colônia com a família, isto é,
tomar banho só duas vezes por semana e andar de uma semana a
outra com a mesma camisa e mesma roupa íntima, quando não
dormem também com essa roupa. Isto é desumano e
inacreditável, mas é verdade.
Na modernidade seria bom propiciar dormitórios à parte
com banheiro pessoal para cada jovem. O dormitório comum
expõe demasiado o jovem e compromete a sua privacidade.O
moço casto, e devemos sempre supor que todos o são, por
vezes, é surpreendido alta noite com uma polução e
deve, banhar-se e trocar de roupa, imediatamente sem temer a chacota
dos engraçadinhos que sempre estão com as antenas ligadas
para qualquer acontecimento.
O Reitor do seminário ou Prior ou Abade de Mosteiro deve ser uma
pessoa que possa ser acessível por todos os membros da
Comunidade. São inconcebíveis aqueles “califas”
entronizados que nunca são vistos pelos jovens da Comunidade e
são inacessíveis, quais verdadeiras deidades. Todo o
Superior deve ser acessível aos súditos e deve tirar
tempo para ficar com eles em recreios e momentos em que sua
presença é muito importante. Penso que vale isto para Bispos, Cardeais e, também, para o Papa.
Não existe mais aquela suntuosa aparição em
público como se fosse uma divindade. Precisamos perder essa
cultura infeliz, reminiscência do período triunfalista da
Igreja e de um momento histórico da humanidade em que tudo era
cerimonioso e protocolar. Curiosamente o povo moderno não gosta
de protocolos e os gestos de simplicidade sempre agradam mais e
convencem sem legenda.
Outro investimento a ser feito nos seminaristas e Religiosos, ainda
estudantes, é o cultivo das “boas maneiras”. Tem gente por ai
comendo com as mãos e se lambuzando o rosto como uns bichinhos
selvagens. Outros não sabem comer com garfo e faca, nem sabem
cortar a carne no prato e as carnes de aves simplesmente trincham com
os dentes, tão pouco sabem usar
guardanapo de boca, que deveria ter no seminário e vários
jogos, mesmo que dê trabalho para o pessoal da lavanderia, seriam
trocados um dia sim e outro não. A falta desse guardanapo ou
algo parecido faz com que eles limpem as mãos nas cortinas ou na
roupa. Esses meninos, futuros Padres, geralmente, saem do
seminário como uns brutos e mal educados para comer e se
comportar à mesa. Ouvi dizer que
há Mosteiros na Europa em que os Monges costumam lamber os
pratos. É o cúmulo do relaxamento e falta de humanidade e
civilidade. Não fiquem bravos por
dizer isto, quem contou foi um Bispo brasileiro que andou por lá
e jurou não voltar nesse dito Mosteiro. É de arrepiar os
cabelos!
Nós começamos o Mosteiro com muitas dificuldades, mas
conseguimos dar a cada Monge uma cela com banheiro e cada um pode ter
sua privacidade. Dentro das possibilidades de nossa singeleza
oferecemos aos jovens que aqui chegam um mínimo de conforto, que
não é luxo. Nesse caso luxo seriam mármores,
azulejos caros, pisos pintados com sinteko
e outros supérfluos do consumismo e da vaidade humana. Nossos
Monges recebem ensinamentos de
boas maneiras, de urbanidade, capricho e pontualidade.Eles estudam,
rezam e trabalham e não levam vida de vadiagem e de pilantras,
como poderia parecer para alguns desinformados.
São perfeições que devem acompanhar o processo de
crescimento espiritual do Monge. Até certo ponto o Mosteiro
é Comunidade, mas ao mesmo tempo, é
individualidade e vida solitária. As celas dos Monges são
periodicamente revistadas pelo Superior para averiguar as
condições de limpeza e organização dos
objetos, considerando-se que estão em processo de
formação e devem ser cuidadosamente vigiados e adestrados
para aprenderem a levar sua vida pessoal organizada. Ao cuidar da
organização de seus objetos e de suas coisas pessoais em
geral, terão mais facilidade em assimilar a ascética e
todo um contexto de espiritualidade vinculada à vida que cada um
leva.
A Vida espiritual começa no homem integral, partindo da
totalidade do ser na realidade pessoal de cada um. A santidade moderna
implica em assumir o homem total e a perfeição divina se
manifesta em tudo que diz respeito à pessoa em si mesma.
Esperamos que possa modificar bastante a vida das casas de
formação e dos seminários, para poder atrair mais
os jovens de nosso tempo.
PS: A presente matéria não tem nenhuma
conotação com algum seminário ou Casa Religiosa
especificamente nem deseja atingir este ou aquele.
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