"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XXII     Mês: Agosto de  2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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Pastoral Vocacional

Pastoral Vocacional:       

                                                                                                                 Por: Dom Elias do Espírito Santo osc.

O investimento na formação de Sacerdotes deveria ser a maior preocupação da Igreja, sem dar tanto ênfase para a parte social. Afinal de contas poderemos chegar um dia em que todos tenham sua casa própria, esteja bem empregado, tenha bastante comida e não tenhamos Sacerdotes para manter-lhes na fé Católica, as igrejas ficarão vazias e entregues a Ministros leigos se fazendo de Padres para engambelar os ignorantes. Aí então a religião vai ribanceira abaixo inexoravelmente.
Por outro lado, deve haver um investimento maior nos seminaristas, propiciando-lhes mais dignidade no modo de vida. Há seminários antigos sem estrutura para acolher a modernidade. Dormitórios comunitários, banheiros comuns, sujos e imundos piores que os que costumamos ver nas estações rodoviárias de alguns lugares ou estações de trem. Nos lugares frios do Brasil os seminaristas andam mal vestidos, quase sem calçado nos pés apanham doenças bronco-pulmonares e sinusites enquanto os Reitores é claro, têm suítes e ar condicionado.
Nesse investimento seria desejável que houvesse um sistemático ensino e adestramento dos jovens para a higiene. Pasmem todos, mas há seminários diocesanos e de Religiosos nos que os seminaristas ainda adotam os modelos que seguiam quando moravam na colônia com a família, isto é, tomar banho só duas vezes por semana e andar de uma semana a outra com a mesma camisa e mesma roupa íntima, quando não dormem também com essa roupa. Isto é desumano e inacreditável, mas é verdade.
Na modernidade seria bom propiciar dormitórios à parte com banheiro pessoal para cada jovem. O dormitório comum expõe demasiado o jovem e compromete a sua privacidade.O moço casto, e devemos sempre supor que todos o são, por vezes, é surpreendido alta noite com uma polução e deve, banhar-se e trocar de roupa, imediatamente sem temer a chacota dos engraçadinhos que sempre estão com as antenas ligadas para qualquer acontecimento.
O Reitor do seminário ou Prior ou Abade de Mosteiro deve ser uma pessoa que possa ser acessível por todos os membros da Comunidade. São inconcebíveis aqueles “califas” entronizados que nunca são vistos pelos jovens da Comunidade e são inacessíveis, quais verdadeiras deidades. Todo o Superior deve ser acessível aos súditos e deve tirar tempo para ficar com eles em recreios e momentos em que sua presença é muito importante. Penso que vale isto para Bispos, Cardeais e, também, para o Papa. Não existe mais aquela suntuosa aparição em público como se fosse uma divindade. Precisamos perder essa cultura infeliz, reminiscência do período triunfalista da Igreja e de um momento histórico da humanidade em que tudo era cerimonioso e protocolar. Curiosamente o povo moderno não gosta de protocolos e os gestos de simplicidade sempre agradam mais e convencem sem legenda.
Outro investimento a ser feito nos seminaristas e Religiosos, ainda estudantes, é o cultivo das “boas maneiras”. Tem gente por ai comendo com as mãos e se lambuzando o rosto como uns bichinhos selvagens. Outros não sabem comer com garfo e faca, nem sabem cortar a carne no prato e as carnes de aves simplesmente trincham com os dentes, tão pouco sabem usar guardanapo de boca, que deveria ter no seminário e vários jogos, mesmo que dê trabalho para o pessoal da lavanderia, seriam trocados um dia sim e outro não. A falta desse guardanapo ou algo parecido faz com que eles limpem as mãos nas cortinas ou na roupa. Esses meninos, futuros Padres, geralmente, saem do seminário como uns brutos e mal educados para comer e se comportar à mesa. Ouvi dizer que há Mosteiros na Europa em que os Monges costumam lamber os pratos. É o cúmulo do relaxamento e falta de humanidade e civilidade. Não fiquem bravos por dizer isto, quem contou foi um Bispo brasileiro que andou por lá e jurou não voltar nesse dito Mosteiro. É de arrepiar os cabelos!
Nós começamos o Mosteiro com muitas dificuldades, mas conseguimos dar a cada Monge uma cela com banheiro e cada um pode ter sua privacidade. Dentro das possibilidades de nossa singeleza oferecemos aos jovens que aqui chegam um mínimo de conforto, que não é luxo. Nesse caso luxo seriam mármores, azulejos caros, pisos pintados com sinteko e outros supérfluos do consumismo e da vaidade humana. Nossos Monges recebem ensinamentos  de boas maneiras, de urbanidade, capricho e pontualidade.Eles estudam, rezam e trabalham e não levam vida de vadiagem e de pilantras, como poderia parecer para alguns desinformados.
São perfeições que devem acompanhar o processo de crescimento espiritual do Monge. Até certo ponto o Mosteiro é Comunidade, mas ao mesmo tempo, é individualidade e vida solitária. As celas dos Monges são periodicamente revistadas pelo Superior para averiguar as condições de limpeza e organização dos objetos, considerando-se que estão em processo de formação e devem ser cuidadosamente vigiados e adestrados para aprenderem a levar sua vida pessoal organizada. Ao cuidar da organização de seus objetos e de suas coisas pessoais em geral, terão mais facilidade em assimilar a ascética e todo um contexto de espiritualidade vinculada à vida que cada um leva.
A Vida espiritual começa no homem integral, partindo da totalidade do ser na realidade pessoal de cada um. A santidade moderna implica em assumir o homem total e a perfeição divina se manifesta em tudo que diz respeito à pessoa em si mesma.
Esperamos que possa modificar bastante a vida das casas de formação e dos seminários, para poder atrair mais os jovens de nosso tempo.

 
PS: A presente matéria não tem nenhuma conotação com algum seminário ou Casa Religiosa especificamente nem deseja atingir este ou aquele.

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