"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges"

Horário do Mosteiro agora:
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal  N°:  LVII           Mês: Julho de  2008.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A Palavra do Prior:


Nesta edição de Julho do ano 2008 desejo apresentar aos leitores o Epilogo de nosso modelo de vida monástica que nós Monges chamamos carinhosamente de Santas Regras. O epilogo é a parte final dos 202 artigos dessa nossa estrada espiritual. Não apresento como façanha espiritual nem literária, tão pouco competitiva; o faço despretenciosamente para deixar um apelo de amor de Deus a quem lhe abrir o coração após esta leitura.

Epilogo

 

Ao término deste exaustivo trabalho ocorre-nos citar o Salmo 118: “Mostrai-me, Senhor, o caminho de vossas Leis, para que eu o siga com fidelidade.” (118,33) “Concedei a vosso servo esta Graça. Que eu viva para guardar vossas palavras. Abri meus olhos, para que veja as maravilhas de vossa Lei.” (118,17-18)

 Nesta Santa Regra encontram-se fragmentos da maravilhosa Palavra do Senhor e dos Apóstolos. Eis a razão de ser chamada “Santa Regra”. Ela não é tudo, mas leva o seguidor a buscar nas Escrituras o segredo da mensagem.

A forma usada na redação é a antiga dos velhos Abades dos primórdios do monaquismo, com a única diferença do autor ser moderno e desprovido da erudição espiritual daqueles veneráveis da espiritualidade. As Regras antigas caracterizam-se pela exposição da disciplina em forma de ascética para que a vida do Monge, tanto no trabalho, como na oração ou no cumprimento dos regulamentos monásticos seja motivo e razão de contemplar a Deus.

Esta Santa Regra foi escrita para quem, realmente, deseja seguir o Senhor Jesus Cristo, estando no mundo como Ele e os Apóstolos estiveram e, ao mesmo tempo, no deserto de seu claustro, alheio ao mundo e absorto em Deus. Este conteúdo deve ensinar a ser "Contemplativo no Mundo" a semelhança de Jesus que pregava, orava e contemplava no silêncio, com seus discípulos.

O mundo moderno carece de almas em estado de contemplação que lhe sirvam de apoio e modelo.

Existe uma fenomenal reviria em tudo e, seguir os preceitos de Jesus é um antídoto de toda essa balbúrdia e confusão.

Poderia acontecer outro problema, ao que devemos ficar atentos, por ser um perigo nefasto; seria o Monge Ceciliano absorver tanto o conteúdo destas Santas Regras, viver momentos tão sublimes de contemplação e êxtase que, ao voltar para o estado normal, não mais ver sentido no mundo e com isso entrar em depressão. O fato de perceber a futilidade de tudo, a maldade das pessoas, suas hipocrisias e fingimentos, até mesmo com as próprias convicções de sua religião da que muitos se dizem ser seguidores e praticantes, mas a praticam de forma aviltada. Muitos deles são engajados em “pastorais” e grupos de Igreja, por status social e para aparecer, fora dali praticam iniqüidades, e levam uma vida condenável à luz do Evangelho; em suas casas tais famílias pensam e procedem de maneira mundana; só consumismo e lascívia ou conversas frívolas de grandezas e fanfarrices.

Eis aqui um perigo para o Monge: decepcionar-se com o mundo e com as pessoas não vendo mais razão de ser da existência, colocando em risco sua sensibilidade nervosa a ponto de querer e desejar tirar-se a vida. Isto é uma constatação amarga, porém, realista. De modo análogo, conforme narra o “Martirológio Romano,” procederam os santos mártires, os quais, muitos deles, atiravam-se contra as feras ou entregavam-se aos algozes, voluntariamente, para serem martirizados. Eles não viam mais sentido na existência terrena e anelavam estar com o Divino Esposo nas Núpcias Eternas.

Cuidado para não assumir a Religião e a vida Contemplativa com fanatismo, pois isto é pernicioso em qualquer situação. Não levar aos extremos a busca de Deus e o desejo da Pátria Celeste. Sempre há sentido na vida, quando nós, de bom grado, como oferta generosa, resolvemos colocá-la, ao serviço de irmãos que estão em um estágio espiritual inferior ao nosso. Leve em conta, todo o Monge Ceciliano que, dentro da mística, da beleza e do fascínio da vida Monacal primitiva, existe um erro histórico, que hoje nos damos conta: na sua grande maioria eles pensavam só em si mesmos, só na sua própria alma. Hoje nós pensamos na alma dos irmãos e, salvando a alma deles, salvamos, também, nossa alma. Isto conforma com a preocupação do Apóstolo: “...como eu quero agradar a todos em tudo, não procurando a minha conveniência, porém a de todos, para que se salvem.” (I.Cor.10,33) 

Fiquem atentos, os Monges Cecilianos, para não caírem nos extremos, como ficou dito, e que sua contemplação seja serena, tranqüila e robustecida por uma fé sadia e isenta de exageros e mediocridades da mente e do espírito. Que torne viável uma convivência compreensiva com aqueles que não tiveram a mesma Graça para chegar a tanto. Não exijam que o povo pense como Monge, já que o Monge não deve pensar como o povo.

Cada Monge Ceciliano considere-se fraco, diante do poder do mal do mundo, no entanto forte exclamando com o Apóstolo: “Tudo posso naquele que me dá força.” (Col.4,13)

Que estas Santas Regras, sendo caminho, também sejam luz, para espíritos desarmados, simples e dóceis. 

Não aconteça que, ao ler estas páginas, o Monge Ceciliano as queira mudá-las com o fim de adaptá-las aos seus caprichos ou seu modo de pensar. Quem julgá-las muito severas, não tem espírito de Monge, portanto, nada tem a dizer; fique no mundo, obedecendo as suas leis e seus ditames.

Estas Santas Regras são uma exposição dos ensinamentos contidos nos Santos Evangelhos, na Tradição Apostólica Néo-Testamentária e nos escritos dos Padres do ermo.

Saibam que o mundo é ingrato para seus seguidores e perverso para com os seus adversários; e não perdoa que ninguém a ele se oponha. Não é por nada que o Apóstolo exclamou: "Todo aquele que quer ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus."(Tg.4,4)  O mundo está sob o domínio de satanás como afirma a Escritura: “Levando-O para o alto, mostrou-lhe, o diabo, num instante, todos os reinos do mundo e disse: eu te darei o domínio e a glória de todos estes reinos, porque a mim foram confiados e eu dou a quem quiser. Se te prostrares, pois, diante de mim, tudo será teu” (Lc.4,5-7) (Cf.Mt.4,9)

 Ser contrário ao mundo, suas glórias e vaidades, significa fazer oposição ao demônio. “Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um, e amar a outro; ou há de aderir a um, e desprezar a outro; não podeis servir a Deus e às riquezas” (Lc.16,13) 

Riquezas, também podem ser traduzidas como apegos e não somente o fato de possuir muito dinheiro. O antagonismo entre o mundo e Deus está, também, manifesto em que ”...foi feito por ele, mas o mundo não o conheceu.” (Jo.1,10) Jesus exclama, ao criticar o mundo: “O mundo não vos pode odiar, mas odeia-me, porque eu testemunho contra ele que suas obras são más.” (Jo.7,7)   

A prática das coisas do mundo mata a vida plena de Deus no coração do homem, disto afirma claramente a Escritura: “E vós outros estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados, que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora, age nos rebeldes.”(Ef.2,1-2) Concluímos que satisfazer o mundo em suas glórias, vaidades e prazeres, equivale satisfazer ao demônio, conforme o raciocínio anterior.

Toda a sabedoria do mundo é falsa e vã. Ela conduz o homem ao distanciamento de Deus, que é espírito e verdade e ele, o mundo, é matéria e mentira. “Já que o mundo com a sua sabedoria não chegou a conhecer a Deus na sabedoria divina, aprouve Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem.” (I.Cor.1,21)  

O Monge Ceciliano terá uma luta cerrada e constante contra o mundo e seus artifícios, seus males físicos e espirituais exclamando com o Apóstolo: “A nossa luta não é contra as forças humanas, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, e contra os  espíritos maus dos ares.” (Ef.6,12)

O Monge Ceciliano deve, enfim, estar totalmente imune aos sabores do mundo, lembrando a cada instante que "...nós somos cidadãos do céus"(Fil.3,20)

Com persistência e coragem deve permanecer fiel, crendo piamente na palavra do Senhor: "Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida"(Ap.2,10) Deve ter aprendido no tempo de Noviciado, e no período após os  primeiros votos, bem como ao longo de toda a existência, esta renúncia, a fim de poder exclamar, com toda a sinceridade com o Apóstolo, ao repassar em sua mente os prazeres e glórias do mundo:

“ Na verdade, em tudo isso só vejo dano, comparado com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo.”(Fil.3,8)       

Ao final, no ocaso deste minucioso texto, escrito para ser Regra de vida, como já ficou esclarecido, e também um código disciplinar dos Monges, entenda-se claro, conclamamos os Religiosos desta Santa Congregação, a que sejam santos fugindo do mundo, sem ouvir os rumores que dele provêm, pela boca dos seus adeptos e seguindo Cristo no abandono total dele e de suas “ilusões, tudo ilusão.” (Cf.Ecl.1,2e12,8) Quem não aprendeu a renunciar o mundo e a si mesmo, não aprendeu a ser Monge.

Aquele que sonda os rins e os corações e que dá a cada um segundo as suas obras (cf. Ap.2,23) é o mesmo que se dirige, silenciosamente, a cada Monge com estas palavras: "Conheço tuas obras, teu amor, tua fidelidade, tua generosidade, tua paciência e persistência"(Ap. 2,19)

Na intimidade profunda com Deus é possível encontrá-lo a cada momento, dentro de nós, na “cela interior," no interior do irmão e em tudo que nos cerca, dando sentido à existência, pois só Ele é a razão de nosso ser.

Esperamos que ninguém queira mudar esta Santa Regra, se não lhe serve, procure outra ou escreva uma para si melhor do que esta.

“Reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. “...Sêde agradecidos.” (Col.3,15) “Depois, por tudo isso  bendize  Aquele que te criou e te embriaga de seus benefícios.”  (Eclo.32,13)

“Que o Senhor vos faça crescer e aumentar a caridade mútua e, para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco. Que confirme vossos corações e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os santos. Amém.” (I.Tess.3,12-13)

Que Ele abençoe e ilumine os corações abertos aos Seus desígnios pelo caminho, ora apontado nestas Santas Regras que, ao serem escritas, não tiveram a pretensão de sobrepor-se a nenhum dos Pais da Tradição Monástica, nem da espiritualidade, para os quais nos curvamos admirando-os; mas objetivaram expor e levar ao conhecimento de outros, o modelo de vida que sempre levamos muito discretamente, o qual nós entendemos, depois de muito confrontar com a Escritura, ser um caminho verdadeiro sem margem de questionamentos em contrário. Que o manto da carinhosa Mãe do Redentor, a Virgem Santíssima, cubra cada Monge Ceciliano na hora da indecisão e do perigo. Deus te abençoe bom Monge. Assim seja!

 

Final da “Santa Regra da Congregação Monástica de Santa Cecília”

 Ps. O texto acima não é a "Santas Regra" dos Monges Cecilianos e sim, o Epilogo o texto que vem depois das Regras como termino final.

 

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