"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  Mês: Dezembro de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A Palavra do Prior:

Solidariedade

A solidariedade é filha do amor, interligada com bastante intimidade aos princípios fundamentais do cristianismo que é a caridade. Trata-se de um gesto relativamente simples quando nos posicionamos a favor de alguém ou de algum grupo de pessoas ou de um amigo e até dos inimigos, conforme expressão literal de Jesus quando elencou o jeito de praticar o amor pregado por ele. Para quem deseja imitar a Jesus e seguir seus passos, a solidariedade é algo grande e não uma virtudezinha que aleatoriamente se pratica quando dá no jeito ou quem a gente se simpatiza mais. Acho muito engraçado os tais de cristãos “engajados” que ficam com tanta raiva sem motivo e ficam alienados dos irmãos na fé e na crença. Vejo como muito estranho certas atitudes de Comunidades de assim chamados “Religiosos” fiéis praticantes das Regras de seus fundadores, mas relapsos e descuidados com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com isto quero dizer, com todos os acentos, que esses Religiosos desconhecem o que venha a ser solidariedade. Há uma independência estrutural maléfica em muitas dessas Comunidades, diferente daquela independência econômica, disciplinar e regulamentar necessária para o funcionamento da Comunidade.
Recentemente, por ocasião dos Votos Perpétuos e Consagração Monacal de um Monge desta Comunidade Ceciliana, tendo enviado convites ou anúncio do evento para vários Mosteiros tanto masculinos como femininos de todo o Brasil por seu turno recebemos correspondência de congratulações e se solidarizando conosco da maioria dos Mosteiros femininos e muito poucas dos Mosteiros masculinos. Lástima que deixaram de praticar a solidariedade se congratulando com o novo Monge, afinal, Monge sempre é Monge seja desta ou daquela Congregação, os princípios são os mesmos em toda a Igreja Católica. Eles têm medo de alguém, que poderia ser o concorrente mais próximo, as Irmãs, que nada temem por serem mulheres, exerceram a caridade solidária e entraram em comunhão de orações conosco.
Esquecem os queridos irmãos, que debaixo do sol há espaço para todos. Debaixo das asas do Altíssimo, todos podem se esconder com segurança e ninguém fica lesado. O amor não tem competição, diz o Apóstolo, e a caridade não tem limites.
Deixar de ser solidário com o próximo por ciúmes ou por medo da disputa, fazendo dele um rival de guerra é uma infâmia. Nestas horas deixamos de ser Religiosos, para dar lugar a mais pura vaidade humana. Determinado internauta se comunicou com nosso Mosteiro e alegou ter mandado 15 e-mails e só obteve resposta de um. Ele pedia socorro e assistência numa necessidade pessoal relativa a seus problemas com a Igreja. Aqui a gente fica a se perguntar sobre quais pretextos os e-mails desse cidadão deixaram de ser respondidos? Medo de enfrentá-lo com problemas sérios e complicados? Talvez falta de espírito solidário com uma alma que procura sedenta a fonte da graça, que é como vento que passa e não volta e muitas vezes depende de uma palavra de nossa parte para resolver e erguer uma alma em desespero.
Acho muito feio ser Religiosos e não ser solidário com o próximo. Lembrem irmãos que essa solidariedade faz parte do discípulo de Jesus. Sem esses gestos deixamos de ser ou renunciamos o discipulado de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o começo de uma série de atitudes concretamente contrárias aos princípios traçados na Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho em Aparecida. Devem se dar conta que nós da Igreja vivemos muito de teorias e na prática somos alienados daquilo que pregamos. Chegou a hora de sermos Igreja. O momento é o “kairós”. A Igreja e Cristo precisam de nós, começando pelo amor solidário e como Religiosos temos o dever de cumprir melhor os Mandamentos do Senhor e viver em nós a vida de Cristo na plenitude de sua graça. Devemos fazer questão de sermos modelo de vida cristã para o Povo de Deus. Caso contrário tudo é farsa, fingimento e hipocrisia.

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