"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLIV  Mês: Junho de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A palavra do Prior:

 

A injustiça culmina na calúnia

 

Diante de tantas injustiças que se esparramam por este planeta, por vezes somos tentados a pensar que a palavra amor seja apenas um recurso retórico para representar diante do mundo expectador uma imagem dulcificada pela transcendência e pelo significado do amor.

Toda a injustiça que se faz tem um preço. Pagamos aqui o que fizermos aqui de mal ao nosso próximo. E ninguém imagine que fazendo o mal possa conquistar o bem.

A injustiça sacramentada pelos códigos de leis não deixa de ser uma grande falta de amor. Injusto é aquele que massacra passionalmente, levado pelo extremo egoísmo no afã de ficar bem frente aos outros, ou de se promover ou aparecer como graúdo quando, na verdade não passa de um simples verme. Toda a injustiça com o mais simples, com o menor ou com o indefeso é uma falta de caridade ou amor de Deus que brada ao céu. A inconsciência diante da própria fé conduz ao desamor e faz tudo isso sem o menor escrúpulo e ainda, em muitos casos, com um hipócrita e fingido sorriso nos lábios.

A injustiça nega os direitos de quem os tem, sempre alegando alguma lei, ou algum ponto doutrinal. É assim que, em nome do Evangelho e da doutrina sagrada do Senhor, se comete milhares de injustiças que ficam impunes, normalmente disfarçadas sob a égide do poder de uma consagração, ordenação ou de um grau concedido ou adquirido em algum grupo de pessoas que age secretamente para pactuar com esse tipo de maldade imperiosa que está levando o mundo à decadência e a uma fantástica catástrofe. O injusto debocha da cara do próximo quando este lhe pede algo que ele não quer conceder. Esse injusto, sem amor, fervilhando de ódio, ciúmes e invejas quer, no fundo, derrubar seu pseudo-rival, mesmo que seja um coitado muitas vezes caído na sarjeta da vida.

De injustos estamos cheios, de injustiças nossa existência já teceu um crivo. Até quando? Não sabemos! Uma certeza confirma, enquanto existir um homem neste planeta haverá injustiças devido ao egoísmo e a ganância, seja pecuniária, seja honorífica. O coração humano tem maldades que a caridade desconhece. Não podemos mais e já estamos cansados e saturados de conviver com gente maldosa, malvada e sem um pingo de humanidade. Cansamos de ver as benesses concedidas por ardor político partidário, por semelhança e raça, por coleguismo e discriminação com aqueles que se encontram em situações menos privilegiadas, moral, psicológica e socialmente falando. Grupos de pessoas que se reúnem sistematicamente os quais deveriam lutar por fazer valer o Direito e a Justiça, entretanto o fazem para ver em que ponto e por onde pegar um “rabinho” objetivando prejudicar este ou aquele e tudo só em benefício daquele grupo. Vive-se num mundo tribal e quem não integra aquela tribo pode ir para as “cucuias”. Isto é injustiça. Isto é o mal do mundo. Nada vai bem e tudo se encaminha para pior quando predomina essa força tribal em detrimento do amor à humanidade. Acho que Deus, se é que age conforme se pensa, anda por demais furioso com a triste raça humana criada por ele para dar-lhe louvor e glória não só na hipocrisia de um culto ritual e pro forma, mas deveras com fé e convicção de que somos irmãos e um irmão nunca pesa no ombro daquele irmão que é mais forte. Há injustiças sim por falta de solidariedade, de compaixão, e dor pelos males alheios. Há injustiças quando se quer “Deus para si e diabo para os outros”.

Vamos erradicar a injustiça, fazendo a nossa parte, distribuindo amor o qual quanto mais se dá mais se multiplica. Não calunie. Não fale mal do outro sem saber de certeza. Não diga o que não viu. Seja prudente e faça do mau juízo um ato de amor.

Dom Marcos de Santa Helena osc.

 
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