"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XXXVII Mês: Novembro de 2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A palavra do Prior:

Os restolhos do mundo

 

Criou-se uma mentalidade, a que considero errada ou, pelo menos, desvirtuada da verdade, que nos mosteiros de ambos os sexos ingressam pessoas, em sua maioria fracassadas no mundo. Dizem alguns que a freira tal entrou para o convento depois de uma forte desilusão matrimonial, outros comentam que a outra ganhou um filho clandestino e, corrida de casa, achou albergue num convento e lá ficou.

Essa idéia ainda paira em muitas cabeças de pessoas católicas que conseguiram desfigurar a bela imagem da vida Consagrada, à luz do Evangelho de Jesus.

O Evangelho ensina que para seguir Jesus é preciso renunciar o mundo. A palavra renúncia não é sinônimo de fracasso. Explico, alguém que tenha fracassado no mundo e na sociedade, resolve entrar num convento como última esperança de continuar vivendo ou de conseguir, num apelo mais comovente, a restauração de sua desgraça, ou por vezes, simplesmente, ficar encostado(a) num grupo que lhe dá sustento e abrigo sem que precise fazer grandes esforços.

Há, igualmente, pessoas que realmente fracassaram na vida, seja afetiva, intelectual ou de trabalho e depois de muitas experiências frustradas, oferecem a Deus o resto de tudo, invocam-se como predestinadas para a vida Religiosa. Tal vocação poderia ser questionada se olhada sob outro ângulo que não seja aquele que já está na mente das pessoas em geral.

Há um equivoco em tudo isso. O engano está em querer dar a Deus o resto que o mundo rejeitou. Para Deus damos as primícias, damos o começo de um ideal, servimos a primeira colherada do prato e não a rapa da panela.

Na Idade Média os Mosteiros foram povoados de pessoas inúteis que ali entraram e nunca passaram de meros e simples peões, foram postos no trabalho para enriquecer a Ordem, muitas delas, historicamente, transformadas em feudos às custas do trabalho, graças a Deus que assim foi, dos fracassados no mundo. É por isso que houve tantas aberrações que deram inspiração até para filmes entre eles “o nome da Rosa” mostrando a imundície dos povoadores de um convento Medieval. Tarados, homossexuais, maníacos e tantos outros fenômenos da fraqueza humana urdiram o tecido Monástico no período escuro dos Monges e da Igreja, em grande parte. Os Mosteiros antigos receberam toda a casta de gente para o trabalho e nem sempre brilhou nesses lugares e nessas pessoas o esplendor das virtudes e a moral cristã, como glória da Comunidade e edificação dos leigos. Entraram, portanto, até doentes e restolhos do mundo que a sociedade jogou no lixo por absoluta inutilidade em seu meio. Essa vergonha ainda hoje nos enrubesce e desfigura o princípio primordial da vida Monástica. Muitas pessoas, atrofiadas pela chafurda da vida moderna, pensam que nos Mosteiros a vida é balizada pelo exercício do homossexualismo; acham impossível que se possa levar uma vida casta, não acreditam que homens possam viver em abstinência, levados por um ideal profundo de amor a Deus e seguimento radical de Jesus Cristo.

Numa família de dois filhos, o mais velho quis ingressar em nosso Mosteiro. O mais novo tinha passado por uma cirurgia e retirado um testículo ainda ao nascer. A mãe enfaticamente e sem nenhum escrúpulo disse referindo-se a vocação do mais velho: eu queria que o fulano(o filho mais novo) é que fosse ser Monge e não o fulano(o filho mais velho) que pode dar continuidade para a nossa família o outro mutilado, o que se espera? Eu queria um neto! Vejam como age a insídia das pessoas com relação à vocação Religiosa! Para essa senhora o melhor deveria ficar no mundo fazendo frege com mulheres e depois de muita festa e, talvez com uma boa doença venérea e sífilis se casar e dar algum pobre infeliz doente e cheio de problemas, que seria um neto para ela.

Seria uma grande falha o Mosteiro que aceitasse, em nossos dias, esse tipo de pessoas. Todos os que ingressam devem passar por crivos e filtros que não deixem a menor dúvida quanto a integridade do candidato ou candidata.

O Concílio Vaticano II quer que os Mosteiros sejam pontos de irradiação da fé. Isto, por si só, basta para subentendermos o significado do espírito ascético e o caráter de santidade que deve reinar numa Comunidade Monástica, tanto de homens como de mulheres. Também é suficiente para que um Bispo legitimamente Pastor apóie e até deseje constituir Comunidade Monástica em sua Diocese, pois a vida da Igreja é plenamente vivida dentro dos Mosteiros, por isso estes irradiam a fé.

O brilho fulgurante do reino de Deus é encontrado numa vivência mais pura e inequívoca da imitação do Senhor em pureza e santidade diante do Pai, pelos Monges e Monjas que realmente vivam sua Consagração no martírio do claustro e na oblação do silêncio voluntário por causa do reino de Deus.

Os Monges devem ser instruídos com esmero e assídua dedicação para que se esforcem e dêem tudo de si para serem transformados neste sinal luminoso de Jesus que irradia do Mosteiro para o mundo lá fora.A pureza casta de suas almas é um farol em noite escura a brilhar no mar da vida para os outros humanos navegadores de mares tenebrosos.

Imagina-se que, desta forma, todos os Mosteiros serão fachos de luz, do contrário o império da corrupção do mundo moderno apropria-se indevidamente daquilo que só pertence a Deus por chamado especial e escolha de pré eleição desde o início do mundo e da própria criação.


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