"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXX           Mês: Abril de  2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A Palavra do Prior:

 

A obediência

 

Desejo recordar a todos os Monges e Monjas, Religiosos e Religiosas, pessoas consagradas pelos laços dos Santos Votos sobre a obediência marcada pelo Cristo dolente e sofredor para a redenção do mundo.

Esse santo voto, ou preceito, se assim desejar chamá-lo, tece o urdido da vida Religiosa e por ele é possível conseguir as demais virtudes.

Ninguém pode dizer que tem amor ao semelhante, e ao próximo e que tem espírito fraternal, quando a obediência lhe é difícil. O desobediente tem marcada a sua vida pela teimosia em resistir a doçura do chamado de Jesus, não o reconhecendo na pessoa daquele ou daqueles que foram postos por ele, para lhe servir de guia e orientação na ascensão constante ao cume das virtudes que rodeiam a santa obediência.

Os preceitos e as diretrizes da Igreja servem para encaminhar o bom cristão aos estágios da perfeição, que ele busca, em razão de suas convicções e do ensinamento de Jesus contido no Evangelho.

Os Religiosos podem realizar sua perfeição mediante uma obediência pura e sincera, sem vassalagem, sem lábias e fingimentos, colocando a mão em seu coração cada vez que lhe advir uma oportunidade para completar em si mesmo um pouco, apenas isso, da obediência de Jesus ao Pai, com a qual ele cumpriu toda a redenção e deu satisfação pelos pecados da humanidade.

É duro, às vezes até difícil, observar tantas afrontas ao Voto de Obediência. O descumprimento das Santas Regras do fundador é um dos fatores que, certamente, mais entristece ao Coração de Jesus. A adoção de maneiras e costumes mundanos para quem abandonou tudo para seguir o Cristo é difícil de engolir. Desobedecer não é somente bater o pé na frente do Superior, é e muito especialmente, safar-se da ética Religiosa, abusando de si mesmo e da fé alheia tentando aparentar uma imagem daquilo que não é pela desobediência interior aos preceitos que integram seus deveres do estado que abraçou.

A obediência implica numa série de convicções que cumpridas assombram os anjos e testam a veracidade da convicção de um Religioso. Vemos tantos Religiosos desobedecendo ao Cristo, para quem um dia jurou diante do altar, os vemos ultrajando a verdade quando ostentam em seus corpos as vaidades do mundo a despeito de uma falsa idéia moderna de corporeidade, nunca válida para quem jurou diante de Deus e de uma Comunidade. Vítimas do mundanismo do século, muitos e muitos Religiosos há muito tempo já não o são mais dentro de seus corações, eivados de mundo e superficialidades sociais.

A obediência do Cristo sofrida, padecendo a morte e morte de Cruz. (cf. Fil. 2,8) essa obediência é a reconciliadora do pecador com Pai e aproximou os injustos da Misericórdia, fez brilhar para todos o trono da Graça, consumou de forma cabal o Amor e coroou a humildade como virtude inseparável da Obediência e do Amor.Essa obediência é a grandeza da alma Consagrada.

Cristo consumou a Redenção do gênero humano e o homem pode vislumbrar a esperança segura de sua glória na ressurreição final, uma vez identificando-se com ele.

O obediente faz a vontade de Deus, cumpre as máximas da Lei Divina e se aproxima de Deus Pai com semelhança ao “homem da dor” o “Servo de Javé” Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para nós Consagrados é muito importante meditarmos, agora neste tempo de quaresma e de Páscoa, na grandeza e profundidade da obediência cumprida por amor a Deus e doação voluntária de todo o nosso ego e todo nosso ser ao Senhor, doação esta que se manifesta e resplandece nessa obediência, mesmo pequenina e insignificante do nosso dia a dia. Obedecer é elevar-se compreendendo sob visão do Magnificat e daquele que se humilha para ser exaltado. A obediência é sempre produto do amor de Deus em nós.Ela iguala a matéria ao espírito na semelhança com aquele que está em cima àquele que está em baixo. Foi a obediência que uniu o céu e a terra, na ara da Cruz, para retificar o que fora perdido pela desobediência na árvore do Paraíso.


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