A Palavra
do Dom Prior:
A Encíclica de Bento XVI
Em boa hora o Papa, que é chamado por
muitos de anti-Cristo, lança a mais bela Encíclica dos
últimos anos. Digo mais bela por se tratar de um escrito sobre o
amor. Sempre que se fala no amor, pronuncia-se um hino ao Deus do amor.
As muitas Encíclicas escritas por seus antecessores logicamente
falaram, indiretamente, do amor, porém focalizando
situações sociais como pano de fundo. O trabalho
literário de Bento XVI é abrangente. Tudo tem sua hora e
esta foi à hora da Encíclica “Deus Cáritas Est”
A falta de amor é muito grande na humanidade. Começamos a
apontar algumas dessas manifestações de carência do
amor de Deus nas pessoas Religiosas. Por favor, não digam que
é acusação àquilo que é uma
constatação. Às vezes os leigos afastados da
Igreja, não praticantes da religião, usam mais da
caridade e do amor do que os Religiosos que se pensa estejam mais
ligados ao amor do Pai Eterno. Tenho encontrado verdadeiros e
edificantes exemplos para afirmar o que está sendo dito.
Começa por uma simples atitude de muitos Religiosos que
não se dão ao trabalho de responder, sequer, um e-mail de
saudação de Natal que a gente lhes envia. Isto é
uma falta de amor, nada pode desculpar essa falta de caridade. Dizer
que leva vida de silêncio ou de clausura não endossa a
carência do amor de Deus a ser derramado no próximo. A
“invidia clericalis” anda rondando e rugindo como Leão, como
dizia São Pedro, entre os Padres em geral. Aquele Sacerdote que
saiu da sua Diocese de origem ficou isolado dos seus companheiros
presbíteros que nunca mais lhe deram “bola” nem responderam os
gestos de aproximação que o pobre vivente manifestou para
com eles escrevendo-lhes ou comunicando-se por e-mail cartas. É
outra falta de amor e da pesada! Certamente se julgam bons Padres e
quem sabe até com elogios do próprio Bispo.
Aquele sacerdote que sendo perseguido pelo Bispo atirou-se de uma ponte
de 80 metros ficou tudo abafado e o dito Monsenhor sempre com
glórias e ouvido como oráculo pelos outros colegas de
Episcopado. Como ele, tem muitos imunizados pelo poder que continuam a
brincar com a sensibilidade e o amor de Deus como se fossem
proprietários do universo.
Aquele outro Bispo que fala mal de um de seus sacerdotes, certamente
é incorreto e lhe falta o amor que provém do alto, pela
força do Espírito Santo. Mais um outro Bispo leva o Padre
a visitar uma paróquia cuja igreja gótica é de uma
exuberância simplesmente magistral, o Padre gosta da
paróquia e o Bispo lhe oferece para ser pároco daquele
lugar. Passados alguns dias o mesmo Bispo oferece a dita
paróquia para um outro Padre sem dar satisfação ao
primeiro. Que falta de amor! Que falta de consideração e
respeito! Mas Deus que é justo puniu esse Bispo fazendo com que
o dito novo pároco abandonasse a paróquia para juntar-se
com a empregada. Outro episódio mais triste aconteceu: um
pároco, não tendo comida na pobre paróquia que o
Bispo lhe colocou, foi ao Bispado para arranjar uns trocados e poder
comprar comida para pôr nas panelas da casa paroquial. O Bispo
auxiliar lhe diz que o Dom Titular não está,
voltará na semana que vem e que espere a volta dele. Como
poderia esperar com fome uma semana? Foi uma soberana falta de amor!
Essa gente não tem noção do amor, a não ser
quando se trata de sua pessoa, do poder e de suas economias.
Teria uma lista muito grande de exemplos como esses aqui descritos, mas
não vale a pena ficar a enumerá-los até mesmo por
que outros exemplos mais graves chocariam muita gente. Os exemplos aqui
mencionados não são apenas de um sacerdote ou de uma
só Diocese, são de vários Padres em várias
Dioceses.
Basta, neste momento, que nos voltemos para a grandeza de Bento XVI
que, sutilmente, vem ao encontro dessas necessidades vitais da Igreja,
que é a prática do amor e da caridade, a qual deve
começar pelos membros da hierarquia da mesma Igreja.
Sem esse amor entre as pessoas, mormente às da Igreja a
começar pela Hierarquia, como ficou dito, é
impossível implantar o amor no mundo. Nem pensar numa nova
Evangelização ignorando o amor.
Alguém poderá achar bastante forte a minha
colocação e eu sei que é forte o levantamento aqui
descrito, porém julgo mais forte as injustiças que bradam
ao céu, em conseqüência da falta de amor; mas como
Sacerdote, “estou na floresta e conheço as feras que ali moram”.
Alguém deve ter a hombridade de apontá-las, pois sei
muito bem, a Encíclica de Bento XVI será bastante
comentada em homilias e conferências para o povo, dificilmente os
Padres e, talvez, alguns Bispos vão parar para olharem ao redor
de si mesmos, considerando que, em geral se julgam muito justos e
não precisam dessa pregação. Imagino que os
Presbitérios devam se reunir e estudarem meditando o contexto da
Encíclica de Bento XVI: “Deus é amor”. Procurem olhar
para traz e sempre é tempo de corrigirem faltas com seus
irmãos. Tenham a humildade de pedirem perdão. A humildade
é fruto do amor extravasado. Não titubear em fazer isto
pelo amor que tiveram às almas ao deixarem tudo para serem
pescadores de homens, quando ouviram o chamado de Jesus.
Espero que essa Encíclica de Bento XVI, não fique
só nas conversas desairosas do clero que critica os gatinhos que
o Papa tem no Vaticano ou o translado do piano de cauda de sua
Santidade, da residência para os aposentos Papais e outros
gracejos de menor importância. Seria um sofisma muito vulgar para
disfarçar o essencial e levando na caçoada não
praticar nada do conteúdo desse documento fazendo com que tudo
termina em pizza e se tornar agentes do chamado Anticristo