"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXVIII           Mês: Fevereiro de  2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc.
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

A Palavra do Dom Prior:

A Encíclica de Bento XVI

Em boa hora o Papa, que é chamado por muitos de anti-Cristo, lança a mais bela Encíclica dos últimos anos. Digo mais bela por se tratar de um escrito sobre o amor. Sempre que se fala no amor, pronuncia-se um hino ao Deus do amor.
As muitas Encíclicas escritas por seus antecessores logicamente falaram, indiretamente, do amor, porém focalizando situações sociais como pano de fundo. O trabalho literário de Bento XVI é abrangente. Tudo tem sua hora e esta foi à hora da Encíclica “Deus Cáritas Est”
A falta de amor é muito grande na humanidade. Começamos a apontar algumas dessas manifestações de carência do amor de Deus nas pessoas Religiosas. Por favor, não digam que é acusação àquilo que é uma constatação. Às vezes os leigos afastados da Igreja, não praticantes da religião, usam mais da caridade e do amor do que os Religiosos que se pensa estejam mais ligados ao amor do Pai Eterno. Tenho encontrado verdadeiros e edificantes exemplos para afirmar o que está sendo dito. Começa por uma simples atitude de muitos Religiosos que não se dão ao trabalho de responder, sequer, um e-mail de saudação de Natal que a gente lhes envia. Isto é uma falta de amor, nada pode desculpar essa falta de caridade. Dizer que leva vida de silêncio ou de clausura não endossa a carência do amor de Deus a ser derramado no próximo. A “invidia clericalis” anda rondando e rugindo como Leão, como dizia São Pedro, entre os Padres em geral. Aquele Sacerdote que saiu da sua Diocese de origem ficou isolado dos seus companheiros presbíteros que nunca mais lhe deram “bola” nem responderam os gestos de aproximação que o pobre vivente manifestou para com eles escrevendo-lhes ou comunicando-se por e-mail cartas. É outra falta de amor e da pesada! Certamente se julgam bons Padres e quem sabe até com elogios do próprio Bispo.
Aquele sacerdote que sendo perseguido pelo Bispo atirou-se de uma ponte de 80 metros ficou tudo abafado e o dito Monsenhor sempre com glórias e ouvido como oráculo pelos outros colegas de Episcopado. Como ele, tem muitos imunizados pelo poder que continuam a brincar com a sensibilidade e o amor de Deus como se fossem proprietários do universo.

Aquele outro Bispo que fala mal de um de seus sacerdotes, certamente é incorreto e lhe falta o amor que provém do alto, pela força do Espírito Santo. Mais um outro Bispo leva o Padre a visitar uma paróquia cuja igreja gótica é de uma exuberância simplesmente magistral, o Padre gosta da paróquia e o Bispo lhe oferece para ser pároco daquele lugar. Passados alguns dias o mesmo Bispo oferece a dita paróquia para um outro Padre sem dar satisfação ao primeiro. Que falta de amor! Que falta de consideração e respeito! Mas Deus que é justo puniu esse Bispo fazendo com que o dito novo pároco abandonasse a paróquia para juntar-se com a empregada. Outro episódio mais triste aconteceu: um pároco, não tendo comida na pobre paróquia que o Bispo lhe colocou, foi ao Bispado para arranjar uns trocados e poder comprar comida para pôr nas panelas da casa paroquial. O Bispo auxiliar lhe diz que o Dom Titular não está, voltará na semana que vem e que espere a volta dele. Como poderia esperar com fome uma semana? Foi uma soberana falta de amor! Essa gente não tem noção do amor, a não ser quando se trata de sua pessoa, do poder e de suas economias.
Teria uma lista muito grande de exemplos como esses aqui descritos, mas não vale a pena ficar a enumerá-los até mesmo por que outros exemplos mais graves chocariam muita gente. Os exemplos aqui mencionados não são apenas de um sacerdote ou de uma só Diocese, são de vários Padres em várias Dioceses.
Basta, neste momento, que nos voltemos para a grandeza de Bento XVI que, sutilmente, vem ao encontro dessas necessidades vitais da Igreja, que é a prática do amor e da caridade, a qual deve começar pelos membros da hierarquia da mesma Igreja.
Sem esse amor entre as pessoas, mormente às da Igreja a começar pela Hierarquia, como ficou dito, é impossível implantar o amor no mundo. Nem pensar numa nova Evangelização ignorando o amor.
Alguém poderá achar bastante forte a minha colocação e eu sei que é forte o levantamento aqui descrito, porém julgo mais forte as injustiças que bradam ao céu, em conseqüência da falta de amor; mas como Sacerdote, “estou na floresta e conheço as feras que ali moram”. Alguém deve ter a hombridade de apontá-las, pois sei muito bem, a Encíclica de Bento XVI será bastante comentada em homilias e conferências para o povo, dificilmente os Padres e, talvez, alguns Bispos vão parar para olharem ao redor de si mesmos, considerando que, em geral se julgam muito justos e não precisam dessa pregação. Imagino que os Presbitérios devam se reunir e estudarem meditando o contexto da Encíclica de Bento XVI: “Deus é amor”. Procurem olhar para traz e sempre é tempo de corrigirem faltas com seus irmãos. Tenham a humildade de pedirem perdão. A humildade é fruto do amor extravasado. Não titubear em fazer isto pelo amor que tiveram às almas ao deixarem tudo para serem pescadores de homens, quando ouviram o chamado de Jesus.
Espero que essa Encíclica de Bento XVI, não fique só nas conversas desairosas do clero que critica os gatinhos que o Papa tem no Vaticano ou o translado do piano de cauda de sua Santidade, da residência para os aposentos Papais e outros gracejos de menor importância. Seria um sofisma muito vulgar para disfarçar o essencial e levando na caçoada não praticar nada do conteúdo desse documento fazendo com que tudo termina em pizza e se tornar agentes do chamado Anticristo
          





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