"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XXII           Mês: Agosto de  2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc














A Palavra do Prior

Vida fraterna

Para uma Comunidade Religiosa ou Sacerdotal é muito importante a vida fraterna que se traduz num convívio de bom entendimento e compreensivo relacionamento diário em todas as atividades. Essa vida de irmãos é um sinal vivo e constante da presença de Jesus junto de nós. Ele, Jesus, é o modelo acabado de amor mútuo e de unidade mesmo na disparidade de idéias que se alternam entre as luzes e sombras, isto é, entre o bem e o mal.
È preciso que se tenha uma consciência clara e aberta para que se possa aderir a concepção de que em todos nós rumina o bem e o mal. Há uma força instintiva em cada ser humano que o leva a sempre pensar que nele tudo está bem; porém o cristão, mormente Religioso, deve questionar-se muitas vezes sobre os movimentos interiores de sua alma, deve “vigiar sobre si mesmo”. (Cf. I Tim. 4,16) Nesse caso uma procura do conhecimento pessoal e interior, poderia ser o início para desabrochar na vida comunitária como fagulhas de uma caridade que cultivada com carinho o levará a santificação pessoal em si e nos irmãos. Querer ser irmão de todos é um bom indício, para começo de conversa, mas necessitará do impulso constante, conseqüência de um esforço, que por vezes pareceria exagerado, objetivando conseguir o intento de uma perfeição na caridade fraterna e sem limites.
Mas essa fraternidade de irmãos não é obrigação nem privilégio somente das Congregações Religiosas, ela é tão ampla e tem um leque tão vasto que atinge a Igreja toda, a partir do Papa aos Bispos, sacerdotes e fiéis.
Em alguns momentos de nossa vida Religiosa e Sacerdotal somos tentados a pensar que o ensinamento máximo de Jesus sobre o amor encontra barreiras nas hierarquias. Certo Padre uma vez comentou: “pois é, antes dele ser bispo nós éramos amigos, depois que ele foi nomeado e sagrado não sei o que aconteceu, mas o certo é que ficou diferente”. Mesmo que o Poder suba à cabeça, não deveria mudar nosso grau de caridade fraterna com simplicidade e humildade. Irmãos seremos sempre uns dos outros em igualdade da natureza humana embora exista diferença no exercício do carisma e do dom recebido de Deus. Nesse sentido é que se diz que somos todos iguais. É um absurdo o distanciamento que se criam por razões burocráticas, autoconceito de poderes, imperativos legais e outros adjetivos que costumam dar para fazer brilhar o poder temporal, o qual nada tem a ver com o imortal e eterno, portanto não corresponde ao amor e a caridade que é a simplicidade do Eterno refulgindo no perecível para santificar os mortais.
Mas a fraternidade de irmãos nem sempre corresponde ao desejo do Senhor, quando na mesma Comunidade há picuinhas, rixas, “dores de cotovelo” ciúmes, competição e uma sistemática ânsia de puxar o tapete do outro. De modo análogo se pode dizer das Comunidades ricas que sempre “choram as pitangas” para justificar sua indiferença em ajudar economicamente os irmãos de sua própria Congregação ou seu Presbitério. João Paulo II toca nesse assunto no “Diretório para o Ministério e a vida do Presbítero” na página 90 lembrando o Documento Conciliar Presbyterorum Ordinis 8. É condenável a situação de alguns Mosteiros que esnobam a fortuna, com todos os luxos da sociedade moderna enquanto há outros, inclusive do mesmo ramo e seguindo a mesma Regra vivendo na pior das amarguras por falta de recursos financeiros. Isto podemos qualificar de falta de vida fraterna, desleixado conceito da caridade do Senhor a quem servem e alguma vez nos Votos solenes juraram, deitados na frente do altar, segui-lo radicalmente servindo em seu amor nos irmãos.
Nesse clima sobra pouco espaço para as Congregações novas. Primeiro pelo pouco caso que as mais velhas fazem desses novos grupos e segundo, pela nula ajuda recebida tanto de seus co-irmãos quanto das agências Católicas de ajuda internacional. Não só ajuda financeira, mas logística e moral.
Nossa Congregação Monástica tem experimentado na carne a indiferença, o desamor à discriminação e os preconceitos, inclusive de alguns Excelentíssimos Bispos que simplesmente não apóiam por desconhecerem. Um deles assim se expressou: “Não os conheço”. Será que conhece Jesus Cristo? Quem não conhece o irmão provavelmente desconhece seu Senhor.
Penso que a vida fraterna dentro dos parâmetros da caridade do Evangelho deve ser a base de uma nova, eficiente e bem sucedida Evangelização. Evangelizar na Caridade é atrair a paz. Despojar-se de si, dos interesses meramente humanos e das grandezas que um pseudo poder, eventualmente poderia dar é, por si só, um ato de Cristianizar o mundo. A vida fraterna vivida conforme o programa traçado pelos Apóstolos e pelo próprio Jesus é o princípio Crístico, do amor dentro nós. Em nossas Congregações Religiosas encarece que sejamos muito práticos e não valorizemos demasiadamente as instruções temáticas de enriquecimento intelectual, mas que formemos os Noviços na vida fraterna participativa para que se sintam livres somente quando praticam o amor mútuo, que redunda num grande amor à humanidade. Essa instrução elimina, por si só, os candidatos que não tenham ingressado ali movidos pelo amor de Deus acima de todas as coisas e a Jesus Cristo sem reservas e como dizia muito bem o grande São Bento: “Nada se anteponha a Cristo”.
Sejamos irmãos, querendo o triunfo do outro. Criemos a paz abrindo espaços para o amor fraterno. Deixemos de lado todas as leis humanas e canônicas quando se trata de unir, congregar e agrupar irmãos na caridade, pois “Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão”. ( I Jo. 4,21)

Dom Marcos de Santa Helena osc.

Prior.









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