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| Ano: II Edição: Mensal N°: XX Mês: Junho de 2005. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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A Palavra do Prior Constatei,
faz algum tempo, porém agora consolidei tal
constatação, que a maioria das pessoas vai mal devido as
preocupações em demasia com o mundo, com o que dizem, com
seu bom nome e reputação, com modas, com salários
e outras quinquilharias, inclusive invocando-se com a vida dos outros
ou comparando-se com os vizinhos e querendo sempre estar “por cima”.
Infelizmente, isto é mundo; e quando as
pessoas vão bem elas têm menor preocupação
com os demais, porém se sua vida não corresponde, numa
palavra, não vai bem, invocam-se mais com a vida alheia.
É por isso que nas vilas e favelas os tich- tich-tis são
mais intensos, quanto maior a pobreza e a falta de cultura, mais
acentuada são tais fofocas, as quais aceleram o circulo vicioso
das vãs preocupações. Constatei que pessoas
desocupadas, vadias e sem trabalho concreto e objetivo tendem a se
preocuparem mais com o mundo e com os outros. Ao homem espiritual pouco interessa esse mundo,
não como natureza, mas como sociedade. A pessoa espiritualizada
consegue elevar-se acima de coisas vis, das baixezas, como costumamos
dizer. A insana busca do dinheiro corrompe o
coração de homens e mulheres e o pior de tudo é
que os pais transmitem isso aos filhos e até as crianças
já são interesseiras desde a mais tenra idade. É
necessário buscar o dinheiro para viver e com o trabalho honesto
manter-se e a família, até ai não é
ganância é luta pela sobrevivência e quase uma
exigência da existência humana. Mas Jesus afirma “porque
os homens do mundo é que se preocupam com todas estas
coisas”.(Lc. 12,30). Mas as preocupações financeiras
não são as únicas vilãs da história.
O exacerbado apego aos bens materiais e a tudo que é
glória, poder e renome neste mundo torna-se um câncer
espiritual para todo o cristão desejoso de seguir Cristo com as
perfeições do Pai por ele traçadas. No episódio de Marta e Maria de Lucas
10,38-42 Jesus chama a atenção de Marta pelas muitas
preocupações e diz que Maria escolheu a boa parte que
nunca lhe seria tirada, diz ele, e essa parte é a de escutar a
Deus meditar no que ouviu e concentrar-se no espírito da
mensagem divina. Marta, entretanto, não estava fazendo nenhum
mal, muito pelo contrário, estava trabalhando na cozinha,
provavelmente, no preparo do almoço, mas estava preocupada
além do limite, uma vã preocupação material
e passageira, não projetada em direção ao fim
último. Em outra oportunidade Jesus assim disse aos
discípulos: “Portanto vos digo: não andeis
preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer; nem com o vosso
corpo, pelo que haveis de vestir” (Lc. 12, 22) Diante de um mundo consumista e desviado do
espiritual voltado para matéria como bem maior, há uma
missão muito árdua pela frente, confiada aos
discípulos e novos Apóstolos de Jesus, clérigos,
Religiosos e leigos que é a de salvar aqueles que estiverem ao
nosso alcance, livrando-os desse materialismo, buscando a vida oculta
aos nossos olhos a qual está dentro de cada um de nós; a
vida que é o fogo do Espírito de Deus, que é Reino
de Deus. Espiritualizar o mundo, buscar todos os meios ao alcance para
isso; eis uma grande proposta Pastoral, que se torna verdadeiramente
redentora. A busca do reino de Deus e encontrá-lo,
exigem desapego e uma, como que, desilusão daquilo que o
Eclesiastes chama de “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”
(Ecle 1,2). Nossas vãs preocupações
normalmente estão presas e dependem de nossa atitude diante de
Deus e nossa tomada de posição para extirpá-las e
dar lugar ao crescimento do reino de Deus. Por isso Jesus exclama: “Buscai
antes o Reino de Deus e da sua justiça e todas estas coisas vos
serão dadas por acréscimo.” (Lc. 12,31) Dom Marcos de Santa Helena osc. Prior. |
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