"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XVII           Mês: Março de  2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


Na Web Neste Site 

                                                                  


A palavra do Prior Dom Marcos de Santa Helena osc














A palavra de Dom Prior

A nossa Pobreza.  I


O artigo 115º de nossa Santa Regra fala sobre o Voto de Pobreza.

Não quero estender o assunto da pobreza conforme a Santa Regra, uma por que não é minha intenção expor os textos de nosso modo de vida ao público e outra, os textos são prolixos em demasia para o grande público com 13 artigos quase meia página de ofício, cada um.

“O Voto de Pobreza leva o Monge Ceciliano a não ser ávido de consumismo. Ele deve contradizer um mundo de supérfluos, de vaidade, de competição e de poder pela ostentação e o modismo”.(artigo 115º I)

Nosso Mosteiro prima pela simplicidade, fazemos questão de que nossa casa seja simples, e todo o Monge que aqui chega já sabe que deve ser modesto, muito simples e renunciar o esnobismo. Nossos trajes são feitos com tecidos dos mais simples que se encontra nas casas do ramo, aliás, conforme a tradição dos Pais do Deserto. Certa feita visitamos um Mosteiro com a melhor das intenções de fazer  amizade e trocarmos experiências, mas grande foi o desgosto quando soubemos  que houve muitas críticas ao nosso hábito, na Comunidade deles, nossa vestimenta estava muito simples era de “pano de Guarda Chuva, outros da tal Comunidade, meio despeitados, gracejavam que nosso hábito parecia a capa do Battmann e outras piadas, todas sem graça, principalmente na boca de um monge. Na ocasião, quando soubemos algum tempo depois, o sangue corou nossos rostos e a adrenalina subiu bastante.. Passado uns meses retomamos a paz e perdoamos nossos pobres e infelizes colegas de  vida Consagrada. Afinal, ao que parece, ali  o verdadeiro Jesus  é desconhecido e o monaquismo deles é  uma velha tradição, apenas isto.

Passamos a prestar muita atenção na vivência da Pobreza Evangélica de outros tantos, pois vendo os maus exemplos dos outros é mais fácil corrigir os da gente, que também são muitos. 

Em outra oportunidade fomos comprar tecidos, justamente para confeccionar hábitos e fomos na Capital numa loja fina de tecidos para homem, previamente indicada cujo proprietário foi oferecendo seus tecidos até chegar no tecido da chamada lã fria, um tecido dos mais caros cerca de US$ 25,00 a US$ 30,00 por metro. Como fizéssemos um gesto de espanto, (o plural é por que eu estava acompanhado) aquele Sr. calmo e muito gentil disse: não há problema eu vendo este artigo para os Monges daqui. Constatamos que nossos amigos, desta vez eram outros, não os da visita mencionados acima, usavam os melhores tecidos da praça. Confesso que fiquei novamente chocado, mas não estranhei muito, afinal já sabia e só queria comprovar para minha pesquisa pessoal uma verdade que havia sido esclarecida com nitidez naquele episódio dos panos de guarda-chuva.

Os Padres Diocesanos costumam dizer que os Religiosos fazem Voto de Pobreza, mas quem cumpre são eles. Em parte é verdade mesmo.

Existem Congregações de Irmãs que mandam trazer tecidos da Alemanha para seus hábitos, só por bairrismo  por que a Congregação teve origem lá. Os tecidos são altamente onerosos não só pelo custo de vida lá, mas pelas taxas alfandegárias, além disso são  quentes para o nosso clima.

Não posso deixar de mencionar certas Religiosas que são paparicadas como excelentes Missionárias ou agentes de Pastoral, mas andam com unhas pintadas, cabelos feitos em salão, manicuro, pedicuro e pó de arroz avermelhado no rosto para embelezar a cor e outros luxos contrários à Santa Pobreza do Voto Religioso. Elas constroem casas confortabilíssimas, têm todo o conforto dos ricos e pedem dinheiro para Adveniat e para o Arcebispado de Colônia na Alemanha e são ajudadas como “pobrezinhas”. Quando nós chegamos para pedir uma ajuda, mesmo de pouca monta, a resposta é algo assim: “Temos outras prioridades em regiões pobres. Ajudamos a África” ou dizem, simplesmente que não têm dinheiro ou ainda, quando usam mais a delicadeza, respondem: estamos analisando seu pedido. Quando vem nesses termos é sabido que não vão dar.Mais tarde chega outra carta lacônica dizendo infelizmente seu pedido foi analisado, mas não foi aprovado em razão de outras que já estavam a mais tempo. Faz sete anos que ouvimos essa mesma lorota.  Passado um tempo tomamos conhecimento das ajudas faraônicas que deram a outros, inclusive uma Universidade particular riquíssima recebeu somas de assombrar. Sabe-se que muitas agências de ajuda da Alemanha atendem pedidos somente quando podem aparecer e mostrar seu reinado econômico, ou quando lhe prestam vassalagem e lhe dão um ósculo nos pés.

É! Viver a pobreza é uma coisa, suportar a injustiça é outra bem diferente. Esta injustiça é gritante é por isso que “boto a boca no trombone” como dizem popularmente.

Sei que não é elegante ao fazer um comentário que deveria primar pela ascética, se desviar para críticas e “botar a boca no trombone”, como disse. Mas faço isto com a  serena consciência de estar prestando um serviço, pois as coisas chegam num ponto que não se pode mais silenciar vendo triunfar a desonestidade sob a bandeira do Evangelho.E ganha mais quem “puxa mais no cordão dos puxa saco”.

Nossa pobreza, nós os Monges Cecilianos, para além dos parcos rendimentos, apesar do trabalho exaustivo, é inerente a uma fundação nova que passa pela fase da reestruturação. Não temos Capela, o Mosteiro é pequeno e passa por aumento de suas dependências. Os Monges trabalham muito nos afazeres de jardim, roçado e artesanato de alfaias Litúrgicas. Sobra tempo para cantar os Ofícios e estudar música e Teologia.

Nossa pobreza material converge para uma estrita vivência da pobreza interior que é o desapego do fútil, do supérfluo e de todas aquelas quinquilharias que amedrontam o espírito diante de Deus e da consciência.

Aqui passamos muita dificuldade de sobrevivência devido ao pouco giro econômico do Município de Caçapava do Sul, região paupérrima do Brasil.

Nossa pobreza, além de ser uma opção evangélica é, também, uma situação concreta e quase insustentável.  Confiamos que o Espírito Santo num lampejo de luz transforme nossa fé e nossa esperança num objetivo mais promissor.

Dom Marcos de Santa Helena osc. = Prior.









Voltar para o Jornal Ceciliano
Voltar e Atualiza o Jornal Ceciliano


 Para contatos E-mail: ordemdesantacecilia@yahoo.com.br         




Telefones:
(0xx) 55 281-2213   (Operadoras 14 ou 21 )                
(0xx) 99 727362         (Operadoras 15)

                                          
Mosteiro de Santa Cecilia
Endereço de correspondência: Caixa postal 73,
Cep 96570-000 Caçapava do Sul -RS - Brasil

Telefone para informações em  caso de problemas na telefonia:
Tel.  (0xx) 51 595-7702    (Operadoras 14 ou 21)





©Copyright desde 6.8.2003 à 2005. Congregação Monástica de Santa Cecilia