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| Ano: II Edição: Mensal N°: XVII Mês: Março de 2005. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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A palavra de Dom Prior A nossa Pobreza. I O artigo 115º de nossa Santa Regra fala sobre o Voto de Pobreza. Não quero estender o assunto da pobreza
conforme a Santa Regra, uma por que não é minha
intenção expor os textos de nosso modo de vida ao
público e outra, os textos são prolixos em demasia para o
grande público com 13 artigos quase meia
página de ofício, cada um. “O Voto de Pobreza leva o Monge Ceciliano a
não ser ávido de consumismo. Ele deve contradizer um
mundo de supérfluos, de vaidade, de competição e
de poder pela ostentação e o modismo”.(artigo 115º I) Nosso Mosteiro prima pela
simplicidade, fazemos
questão de que nossa casa seja simples, e todo o Monge que aqui
chega já sabe que deve ser modesto, muito simples e renunciar o
esnobismo. Nossos trajes são feitos com tecidos dos mais simples
que se encontra nas casas do ramo, aliás, conforme a
tradição dos Pais do Deserto. Certa feita visitamos um
Mosteiro com a melhor das intenções de fazer amizade e trocarmos
experiências, mas grande foi o desgosto quando soubemos que houve muitas críticas ao nosso
hábito, na Comunidade deles, nossa vestimenta estava muito
simples era de “pano de Guarda Chuva, outros da tal Comunidade, meio
despeitados, gracejavam que nosso hábito parecia a capa do
Battmann e outras piadas, todas sem graça, principalmente na
boca de um monge. Na ocasião, quando soubemos algum tempo
depois, o sangue corou nossos rostos e a adrenalina subiu bastante..
Passado uns meses retomamos a paz e perdoamos nossos pobres e
infelizes colegas de vida Consagrada.
Afinal, ao que parece, ali o verdadeiro
Jesus é desconhecido e o monaquismo
deles é uma velha
tradição, apenas isto. Passamos a prestar muita atenção
na vivência da Pobreza Evangélica de outros tantos, pois
vendo os maus exemplos dos outros é mais fácil corrigir
os da gente, que também são muitos. Em outra oportunidade fomos comprar tecidos,
justamente para confeccionar hábitos e fomos na Capital numa
loja fina de tecidos para homem, previamente indicada cujo
proprietário foi oferecendo seus tecidos até chegar no
tecido da chamada lã fria, um tecido dos mais caros cerca de US$
25,00 a US$ 30,00 por metro. Como fizéssemos um gesto de
espanto, (o plural
é por que eu estava acompanhado) aquele Sr. calmo e muito gentil disse:
não há problema eu vendo este artigo para os Monges
daqui. Constatamos que nossos amigos, desta vez eram outros, não
os da visita mencionados acima, usavam os melhores tecidos da
praça. Confesso que fiquei novamente chocado, mas não
estranhei muito, afinal já sabia e só queria comprovar
para minha pesquisa pessoal uma verdade que havia sido esclarecida com
nitidez naquele episódio dos panos de guarda-chuva. Os Padres Diocesanos costumam dizer que os
Religiosos fazem Voto de Pobreza, mas quem cumpre são eles. Em
parte é verdade mesmo. Existem Congregações de
Irmãs que mandam trazer tecidos da Alemanha para seus
hábitos, só por bairrismo por que a Congregação
teve origem lá. Os tecidos são altamente onerosos
não só pelo custo de vida lá, mas pelas taxas
alfandegárias, além disso são quentes para o nosso clima. Não posso deixar de mencionar certas
Religiosas que são paparicadas como excelentes
Missionárias ou agentes de Pastoral, mas andam com unhas
pintadas, cabelos feitos em salão, manicuro, pedicuro e
pó de arroz avermelhado no rosto para embelezar a cor e outros
luxos contrários à Santa Pobreza do Voto Religioso. Elas
constroem casas confortabilíssimas, têm todo o conforto
dos ricos e pedem dinheiro para Adveniat e
para o Arcebispado de Colônia na Alemanha e são ajudadas
como “pobrezinhas”. Quando nós chegamos para pedir uma ajuda,
mesmo de pouca monta, a resposta é algo assim: “Temos outras
prioridades em regiões pobres. Ajudamos a
África” ou dizem, simplesmente que não têm
dinheiro ou ainda, quando usam mais a delicadeza, respondem: estamos
analisando seu pedido. Quando vem nesses termos é sabido que
não vão dar.Mais tarde chega outra carta lacônica
dizendo infelizmente seu pedido foi analisado, mas não foi
aprovado em razão de outras que já estavam a mais tempo. Faz sete anos que ouvimos essa
mesma lorota. Passado um tempo tomamos
conhecimento das ajudas faraônicas que deram a outros, inclusive
uma Universidade particular riquíssima recebeu somas de
assombrar. Sabe-se que muitas agências de ajuda da Alemanha
atendem pedidos somente quando podem
aparecer e mostrar seu reinado econômico, ou quando lhe prestam
vassalagem e lhe dão um ósculo nos pés. É! Viver a pobreza é uma coisa,
suportar a injustiça é outra bem diferente. Esta
injustiça é gritante é por isso que “boto a
boca no trombone” como dizem popularmente. Sei que não é elegante ao fazer um
comentário que deveria primar pela ascética, se desviar
para críticas e “botar a boca no trombone”, como disse.
Mas faço isto com a serena
consciência de estar prestando um serviço, pois as coisas
chegam num ponto que não se pode mais silenciar vendo triunfar a
desonestidade sob a bandeira do Evangelho.E ganha mais quem “puxa mais
no cordão dos puxa saco”. Nossa pobreza, nós os Monges Cecilianos,
para além dos parcos rendimentos, apesar do trabalho exaustivo,
é inerente a uma fundação nova que passa pela fase
da reestruturação. Não temos Capela, o Mosteiro
é pequeno e passa por aumento de suas dependências. Os
Monges trabalham muito nos afazeres de jardim, roçado e
artesanato de alfaias Litúrgicas. Sobra tempo para cantar os
Ofícios e estudar música e Teologia. Nossa pobreza material converge para uma estrita
vivência da pobreza interior que é o desapego do
fútil, do supérfluo e de todas aquelas quinquilharias que
amedrontam o espírito diante de Deus e da consciência. Aqui passamos muita dificuldade de
sobrevivência devido ao pouco giro econômico do
Município de Caçapava do Sul, região
paupérrima do Brasil. Nossa pobreza, além de ser uma
opção evangélica é, também, uma
situação concreta e quase insustentável. Confiamos que o Espírito Santo num
lampejo de luz transforme nossa fé e nossa esperança num
objetivo mais promissor. Dom Marcos de Santa Helena osc. = Prior. |
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