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| Ano: II Edição: Mensal N°: XIV Mês: Dezembro de 2004. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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A palavra do Prior Os Mosteiros hoje Lendo, a história de
Santa Teresa, encontrei passagens com fundamento repetido ainda hoje.
Ela queixou-se, em certa oportunidade, da
infantilidade de suas Irmãs, todas muito jovens e inexperientes.
Teresa não teve dúvida em
afirmar que estava lidando com “adultas adolescentes”.
De modo análogo, tenho a impressão que nossos Mosteiros de hoje não fogem muito a regra. Há Monges idosos em todas as casas, mas os novos, a juventude que ingressa apresenta as mesmas peculiaridades apontadas por Santa Teresa. Por melhores intenções que nossos jovens tenham, eles são o produto da raça humana, em primeiro lugar. O homem é sempre o mesmo em todas as épocas. Porém, podemos dizer que também são o super produto do mundo moderno, com suas irresponsabilidades, personalidades atrofiadas pela massificação, consumismo, hedonismo e falta concreta de uma perspectiva pessoal de vida; haja visto que a juventude nunca sabe para qual matéria vai fazer seu vestibular e levam assim até o último momento das provas na Faculdade. Falta-lhes a tal de perspectiva concreta. Em nossos Mosteiros há um trabalho exaustivo a fazer. Precisamos começar educando-os como crianças; desde ensinar como agarrar o garfo e como cortar a carne até os bons modos e as boas maneiras de comportamento na mesa. Afinal, os Mosteiros de hoje, não são mais como os da época de São Pacômio e São Bento, quando os monges punham o capuz para comer devido ao modo feio como ingeriam o alimento, à moda animal, diria hoje. A sensibilidade do Monge colabora decisivamente para o desenvolvimento da Contemplação. A matéria bruta colhida na seara do Senhor, no meio das massas, sem nenhum traquejo de espiritualidade em si, não serve para a vida Monástica. Os jovens, tal como vivem no mundo lá fora, são inaptos para esse tipo de vida. Explico: A criação dos filhos na modernidade é defasada. Os jovens são, ou muito mimados, ou muito mal tratados, quando não grosseiros, mal educados e respondões. De todas as formas e em qualquer uma dessas situações é difícil fazer um Monge sem que tenha de submete-lo a uma séria adaptação ao novo regime e que esteja disposto a mudar e, entregar-se com plena liberdade às mãos dos superiores para forma-lo ou, reforma-lo em tudo. A partir dai é possível pensar em vida Monástica. É certo que a história sempre se repete e ainda hoje não mudou em quase a situação dos tempos de Santa Teresa, no século XVI. Naquele então ela encontrou Monjas com braceletes, colares e jóias e cada uma com seu namorado. As Monjas dançavam e disputavam entre si quem era a melhor dançarina. Hoje vemos quase isso especialmente com os Religiosos do sexo masculino. Há gente que não gosta que se diga, mas calar seria guardar o lixo debaixo do tapete e carregar um fardo para a eternidade do que devia ter dito e não disse e por esse motivo às coisas não mudaram para melhor. Uma reforma da vida Monástica estaria clamando no atual momento da vida da Igreja. Creio que essa reforma não aquele de trocar as coisas de lugar, tirar hábito e andar de civil, misturar-se com as massas sem nem um motivo pastoral e outros modos de enfocar comuns em nossos dias. A reforma começaria pela espiritualidade, pela volta dos grandes jejuns, pelo Canto Gregoriano das horas. Entenda-se Canto Gregoriano o tradicional canto Oficial da Igreja e não me refiro á quantidade de cantilenas e salmodias insignificantes compostas por pessoas pouco ou quase nada credenciadas para tanto. A volta de uma seriedade espiritual em cuja prática são banidas as revistas leigas, jornais de grande porte e a televisão, incluídos os noticiários, não pelas notícias, mas pelas propagandas indecorosas e, por vezes, até obscenas que são divulgadas nos intervalos das notícias. Nada disso é para Monge nem Monja. Perdoem-me os Irmãos e Irmãs pela franqueza quase áspera desta exposição, mas faço munido da melhor intenção em atingir muitos para melhorar alguns poucos. Afinal campeamos na mesma invernada e damos tudo pelo melhor de nossas comunidades que, repito, em geral são adultos adolescentes. Dom Marcos de Santa Helena osc.
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