"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: I Edição: Mensal  N°:  X           Mês: Setembro de   2004.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia





A palavra do Prior














A palavra do Prior

A vida Monástica está em crise?

 
Esta pergunta foi-me formulada por um sacerdote secular. Respondi: Parece que sim, ao que tudo indica está passando por  uma crise, como tantos outros Religiosos diante das transformações do mundo moderno.

Tais crises poderiam ser classificadas como, falta de Caridade, relaxamento dos bons costumes, falta de solidariedade e entre ajuda fraternas e avanço do individualismo  e espírito de competição.

Um amigo da França tem um sobrinho Monge na Bélgica. Esse Monge disse ao nosso amigo que seu Mosteiro tinha tantas entradas financeiras que já estavam com escrúpulos de estarem faltando com o Voto de Pobreza. Não sabiam onde colocar o dinheiro.

Esse amigo contou-nos, quando em visita ao Brasil, sugerindo que entrássemos com um pedido de ajuda para o Mosteiro de seu sobrinho, para as obras de aumento de nosso Mosteiro e construção de nossa Capela. Assim fizemos. O tal Mosteiro respondeu que encaminhássemos o pedido para o Mosteiro da mesma Ordem  dele  no Brasil. Prontamente encaminhamos. Qual não foi a surpresa quando o superior do Mosteiro brasileiro responde-nos  que eram muito pobres e não tinham recursos para esse tipo de ajuda, mal podiam viver eles e que não tinham nada a ver com o Mosteiro da Bélgica, pois  são independentes.

Percebemos que não existe espírito de entre ajuda nem entre eles, cada qual vive para si, numa independência fenomenal.

Por ai já dá para se ter uma idéia da falta de Caridade. (onde está o Voto de  Pobreza dos outros?)

A crise monástica poderia tomar vulto, partindo-se da premissa de que muitos Mosteiros estão levando  vida pouco edificante ao deixar que  escapem informações para a imprensa, de forma pejorativa quanto à vida dos enclausurados. Nesse sentido algumas publicações ao sabor de pimenta da imprensa que muito deixam a desejar, se encarregam de “pôr lenha na fogueira”. Constata-se, por outro lado que a maioria dos Mosteiros permite seus Monges andarem pelas ruas vestidos de civil e muitos até com calças de brim ao estilo e modo mundano de vestir das pessoas comuns. Calças, nem sempre muito dignas para um Religioso, pois retratam exageradamente o corpo e são provocativas. Os Monges, isto nós sabemos bem, devem sair de hábito e nunca terem vergonha de se mostrarem soldados de Cristo usando sua farda. Aqui a gente pensa meio arrepiado naquelas palavras de Jesus quando disse: “Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos”.( Mc. 8,38 e Mt 10,33 e Lc 12,9)  Diga-se mais, há Mosteiros  nos quais, uma vez por semana os Monges trajam civil e vão para as praças, para os shopings, ao cinema etc. Outros tantos assistem TV, filmes e programas e só se dizem Monges por levantarem as 5:00 horas da manhã, sem fazerem a barba, desalinhados e com a roupa que dormiram, a mesma que andavam durante o dia, abrindo a boca durante o ofício, indormidos e sonolentos, dissipados e sem nenhuma convicção piedosa, para depois dormirem longa sesta até a hora da Noa.

Outros, por fim, desfrutam praias, vestidos sabe lá como, num ambiente totalmente mundano e de assédio, que se caracterizam as praias de hoje em dia, lugares impróprios até para leigos sérios, quanto mais para Religiosos.

Com tudo isso e algo mais podemos responder para o sacerdote secular que perguntou intrigado se a vida monástica está em crise, dizendo-lhe que sim.

Urge uma reforma Religiosa. Todos os Consagrados devem dar testemunho, não só levando a vida pessoal a sério, como faziam os primeiros cristãos que se ensaiaram na vida monástica e viviam  com suas famílias, mas devem os Consagrados de hoje, testemunharem se mostrando ao mundo como seguidores de Cristo distinguidos pelo bom exemplo de suas vidas, pelas vestimentas e por um  modelo de vida escondida com Cristo em Deus.

A Igreja sempre terá muitos problemas, enquanto os Consagrados, especialmente os Monges e Monjas, não seguirem com  mais rigor o projeto de afastamento do mundo, renúncia dele, e renúncia a uma vida como levam as pessoas comuns da modernidade. Os Monges sempre foram as colunas fortes da Igreja, ai ela sem essas pilastras! Nada em contra que tais Consagrados queiram levar uma vida como as pessoas do mundo e serem interiormente vivenciadores da ascética cristã, mas que se retirem dos Mosteiros e Conventos e voltem para o mundo lá fora, pois o que se espera dos habitantes desses templos do Senhor é que sejam rigorosamente Monges  no sentido estrito da palavra.

O mesmo sacerdote da pergunta que deu título a esta matéria por fim interrogou-me: O Sr. pretende reformar a vida Monástica?

Respondi-lhe não, devo apenas cuidar de mim que não sou perfeito e tenho muitas falhas, as que não impedem de observar as falhas dos outros também. Santa Tereza, a grande, reformou o Carmelo, sem pensar que estava fazendo e questionando bastante seus defeitos.

É certo que a situação de muitos Religiosos de hoje é bastante parecida  com aquela das Religiosas em tempos de Santa Tereza. Tem a palavra a Conferência dos Religiosos do Brasil, afinal para que esta existe?

Monges de todo o mundo  vamos  voltar a ser os sustentáculos da Igreja, a penitência é nossa característica, a oração solene e cantada é nosso grito em favor do povo. Somos a Igreja orante. Somos a Igreja que canta dia e noite o louvor do Pai. Somos as pupilas dos olhos de Cristo, por sermos chamados a vivermos a Parusia antecipada e sermos sinal da vida futura.

 
Dom Marcos de Santa Helena osc.

Prior









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