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| Ano: I Edição: Mensal N°: X Mês: Setembro de 2004. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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A palavra
do Prior A vida Monástica está em crise? Tais crises poderiam ser classificadas como,
falta de Caridade, relaxamento dos bons costumes, falta de
solidariedade e entre ajuda fraternas e avanço do individualismo e espírito de competição. Um amigo da França tem um sobrinho Monge
na Bélgica. Esse Monge disse ao nosso amigo que seu Mosteiro
tinha tantas entradas financeiras que já estavam com
escrúpulos de estarem faltando com o Voto de Pobreza. Não
sabiam onde colocar o dinheiro. Esse amigo contou-nos, quando em visita ao
Brasil, sugerindo que entrássemos com um pedido de ajuda para o
Mosteiro de seu sobrinho, para as obras de aumento de nosso Mosteiro e
construção de nossa Capela. Assim fizemos. O tal Mosteiro
respondeu que encaminhássemos o pedido para o Mosteiro da mesma
Ordem dele no
Brasil. Prontamente encaminhamos. Qual não foi a surpresa quando
o superior do Mosteiro brasileiro responde-nos que
eram muito pobres e não tinham recursos para esse tipo de ajuda,
mal podiam viver eles e que não tinham nada a ver com o Mosteiro
da Bélgica, pois são
independentes. Percebemos que não existe espírito
de entre ajuda nem entre eles, cada qual vive para si, numa
independência fenomenal. Por ai já dá para se ter uma
idéia da falta de Caridade. (onde está o Voto de Pobreza dos outros?) A crise monástica poderia tomar vulto,
partindo-se da premissa de que muitos Mosteiros estão levando vida pouco edificante ao deixar que escapem informações para a
imprensa, de forma pejorativa quanto à vida dos enclausurados.
Nesse sentido algumas publicações ao sabor de pimenta da
imprensa que muito deixam a desejar, se encarregam de “pôr lenha
na fogueira”. Constata-se, por outro lado que a maioria dos Mosteiros
permite seus Monges andarem pelas ruas vestidos de civil e muitos
até com calças de brim ao estilo e modo mundano de vestir
das pessoas comuns. Calças, nem sempre muito dignas para um
Religioso, pois retratam exageradamente o corpo e são
provocativas. Os Monges, isto nós sabemos bem, devem sair de
hábito e nunca terem vergonha de se mostrarem soldados de Cristo
usando sua farda. Aqui a gente pensa meio arrepiado naquelas palavras
de Jesus quando disse: “Porque, se nesta geração
adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das
minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará
dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos
anjos”.( Mc. 8,38 e Mt 10,33 e Lc 12,9) Diga-se
mais, há Mosteiros nos quais, uma
vez por semana os Monges trajam civil e vão para as
praças, para os shopings, ao cinema etc. Outros tantos assistem
TV, filmes e programas e só se dizem Monges por levantarem as
5:00 horas da manhã, sem fazerem a barba, desalinhados e com a
roupa que dormiram, a mesma que andavam durante o dia, abrindo a boca
durante o ofício, indormidos e sonolentos, dissipados e sem
nenhuma convicção piedosa, para depois dormirem longa
sesta até a hora da Noa. Outros, por fim, desfrutam praias, vestidos sabe
lá como, num ambiente totalmente mundano e de assédio,
que se caracterizam as praias de hoje em dia, lugares impróprios
até para leigos sérios, quanto mais para Religiosos. Com tudo isso e algo mais podemos responder para
o sacerdote secular que perguntou intrigado se a vida monástica
está em crise, dizendo-lhe que sim. Urge uma reforma Religiosa. Todos os Consagrados
devem dar testemunho, não só levando a vida pessoal a
sério, como faziam os primeiros cristãos que se ensaiaram
na vida monástica e viviam com suas
famílias, mas devem os Consagrados de hoje, testemunharem se
mostrando ao mundo como seguidores de Cristo distinguidos pelo bom
exemplo de suas vidas, pelas vestimentas e por um modelo
de vida escondida com Cristo em Deus. A Igreja sempre terá muitos problemas,
enquanto os Consagrados, especialmente os Monges e Monjas, não
seguirem com mais rigor o projeto de
afastamento do mundo, renúncia dele, e renúncia a uma
vida como levam as pessoas comuns da modernidade. Os Monges sempre
foram as colunas fortes da Igreja, ai ela sem essas pilastras! Nada em
contra que tais Consagrados queiram levar uma vida como as pessoas do
mundo e serem interiormente vivenciadores da ascética
cristã, mas que se retirem dos Mosteiros e Conventos e voltem
para o mundo lá fora, pois o que se espera dos habitantes desses
templos do Senhor é que sejam rigorosamente Monges
no sentido estrito da palavra. O mesmo sacerdote da pergunta que deu
título a esta matéria por fim interrogou-me: O Sr.
pretende reformar a vida Monástica? Respondi-lhe não, devo apenas cuidar de
mim que não sou perfeito e tenho muitas falhas, as que
não impedem de observar as falhas dos outros também.
Santa Tereza, a grande, reformou o Carmelo, sem pensar que estava
fazendo e questionando bastante seus defeitos. É certo que a situação de
muitos Religiosos de hoje é bastante parecida
com aquela das Religiosas em tempos de Santa Tereza. Tem a
palavra a Conferência dos Religiosos do Brasil, afinal para que
esta existe? Monges de todo o mundo vamos voltar a ser os sustentáculos da
Igreja, a penitência é nossa característica, a
oração solene e cantada é nosso grito em favor do
povo. Somos a Igreja orante. Somos a Igreja que canta dia e noite o
louvor do Pai. Somos as pupilas dos olhos de Cristo, por sermos
chamados a vivermos a Parusia antecipada e sermos sinal da vida futura. Prior |
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