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Discernimento Ceciliano n° 4.
(Específico para a Vida Monástica)
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Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 5.
Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 6.

Na Epístola aos Filipenses o Apóstolo Paulo estabelece um nível para a busca de Jesus Cristo. Tudo o que no mundo foi vantagem para ele, agora vê como um dano, em comparação ao conhecimento de Jesus Cristo, seu Senhor. (cf.Fil.3,8) Continuando diz: “Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar a Cristo.” (Fil. 3,8).
Quem vai ao encontro de Cristo, para uma vida especial de consagração, deve, antes de tudo, ter meditado e refletido muito, fazendo de si mesmo uma auto-análise da possibilidade de sucesso. Considere-se que, entrar para uma Família Religiosa e depois abandona-la por não se encontrar ali, é sempre uma situação conflitiva para a própria pessoa, muito embora não seja para os superiores dessa comunidade, que poderão encarar tudo como mais uma prova que falhou e parte de sua função: acolher e despedir com o mesmo semblante. Faz-se mister que o candidato esteja disposto a mudar toda a sua vida e pensamento, que esteja plenamente convertido, nas suas intenções mais íntimas e no modo de proceder; o Mosteiro será o campo aberto para praticar todos os bons desejos que, na sua conversão já decidiu cumpri-lo. É absolutamente necessário, considerar o mundo como esterco e o esterco o prato preferido do mundo, já que este se regozija com toda a imundície.
Se o Mosteiro representa o céu, no pensamento dos antigos Abades ele é “porta do céu” para a Santa Regra Ceciliana. É óbvio que ninguém entra no céu, sem antes ter purificado sua alma pela conversão a Deus. Quando não a purificou, existe uma “escada de Jacó” que lhe possibilita, gradativamente, purificar-se, para, então, tomar posse do reino eterno. Não deve o iniciante pensar que deva entrar para o Mosteiro e lá se converter. Nesse meio tempo, terá ele, com suas muitas mundanices, danificado a outros que, por ventura ali estejam em graus superiores de ascensão espiritual. Uma laranja podre faz apodrecer todas as outras laranjas da bolsa. Na história monástica encontramos muitos monges que ingressaram na vida monástica e depois se converteram, inclusive recebendo o batismo, muitos eram pagãos. Ilustrando diga-se, que o rigor dos Mosteiros de antanho era, em grau bem maior, diferente dos de hoje. Naquela época, quem não cumpria as determinações apanhava uma surra. Os abades mandavam agredi-los, e não permitiam abandonar o Mosteiro; aos que desejassem retornar ao mundo, eram aplicadas severas penas. Muitos ficavam doentes e até com problemas mentais; provavelmente pelos maus tratos e pela solidão.
É preciso, pois, abandonar com sincera renúncia, todo o laivo de mundano que exista em sua vida. Há os que, levam o mundo para dentro do Mosteiro, mas isto é catastrófico, de vez que o mundo não condiz com o programa de espiritualidade da vida monástica. Muitos Conventos e Mosteiros entraram em crise profunda de identidade pela única razão de haverem levado o mundo para dentro. Deveria acontecer uma inversão, ao invés do mundo para dentro do Mosteiro, levar o Mosteiro ao mundo; fazendo o mundo entrar em estado de contemplação. São Tomás de Aquino (1225-1274) expressa a doutrina tomista, toda ela, com determinação e finalidade a Deus, cuja contemplação é o fim principal do homem, afirma ele. Contemplas mais a Deus, na medida em que abandonas o mundo!
Segundo o conceito medieval de Tomás de Aquino, diga-se a glosa, a Ordem de Santa Cecília, tem em suas metas a finalidade maior da religião, que é levar o homem a conversão e a contemplação de Deus no mundo. Por certo que foi este o objetivo da Encarnação do Verbo, considerando que na contemplação acontece Redenção. A contemplação faz presença constante de Deus, ela é união e intimidade divina. Jesus exclama: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles  estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo.17,21) O sacrifício Redentor de Cristo  não foi consumado pelas palavras,  mas pela união com o Pai, se palavras salvassem não era necessário morrer na cruz. “Santifico-me pela verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo.17,17)  A palavra, entretanto, pode introduzir o homem na posse da glória, porque através dela é possível chegar a conversão e a contemplação do Pai.“ Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um”(Jo.17,22)  Platão, Sócrates e Aristóteles não converteram o mundo, apesar de seus raciocínios e suas belas palavras, dirigidas como verdade, à luz do conhecimento intelectual. Elas não foram mais que razão pela razão; desprovidas da contemplação da verdade divina. O movimento dos sentidos, coordenado e direcionado à busca da verdade, leva ao estágio da contemplação. Jesus afirma que o Espírito da verdade, é buscado e achado pela contemplação, por isso “... o mundo não pode receber, porque não o vê, nem conhece...”(Jo.14, 17) uma vez que ele, o mundo, não contempla, só desfruta o prazer da vida, insiste na “celebração da vida” não pelo fruto da inserção em Deus, mas pelos meios físicos das disposições perceptíveis, para desfrutar a existência, como se essa vida fosse a única razão de ser, não alimentada pela esperança da promessa, nem pelo conforto da Parusia. Dessa forma o mundo não pode receber o “Espírito da verdade” que os apóstolos estavam preparados para recebê-lo, por terem sido instruídos, na pureza dessa verdade, elevada aos foros da contemplação. O Yogue Ramacháraca, que nada tem a ver com o cristianismo, mas, em certo sentido tem, entretanto, corrobora toda a idéia cristã da contemplação ao afirmar: “Cada um pode entrar no mundo oculto (contemplativo) por si mesmo, mas é preciso pagar o preço da conquista, o qual não é ouro nem prata, mas a renúncia do eu inferior e a  devoção àquilo que é mais elevado ao homem.” (livro: “14 lições de filosofia Yogue”  de Ramacháraca pág. 57) Renúncia do eu inferior  tal como entendemos é renunciar  as baixezas do mundo vil, com seus prazeres e  seus atrativos, os quais Pitágoras define como: prosperidade, renome, poder e amizade.(amizades sociais) Renunciar tudo, isto já  é conversão.
(para uma autêntica renúncia  é preciso boa saúde mental ).
Uma conversão verdadeira e sincera tem excelentes frutos no estado contemplativo da vida Monástica. Pondo em mira a situação inicial do Monge, faz-se mister que o pretendente tenha diante de si aquele: “Converte-te ao Senhor, abandona os teus pecados” (Eclo.17,21) “Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar, invocai-o, já que está perto” (Is. 55,6).
A conversão, quando perfeita, facilita a vida contemplativa, porque leva á verdadeira piedade, aquela que encontra delícia no estado de oração constante, tendo a mente elevada a Deus a cada momento, criando certa ansiedade da posse plena de Deus. É por essa razão que toda a alma contemplativa sente deleite inigualável na liturgia bem executada, uma vez que, “na liturgia terrena, antegozando, participamos da Liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos.” ( S.C. n° 8 ).
A conversão supõe, também, gostar do que a Igreja gosta ou, pelo menos, que ela prega como verdade para crermos e seguirmos. Dizer que está convertido, mas continuar com idéias mundanas, ou desprezar o passado da fé e da Igreja em favor de uma Igreja renovada que rejeitasse os princípios fundamentais da ascese cristã em benefício tão somente de novos valores sociais, é uma prova muito evidente de que não está convertido. O convertido pensa como o Concilio Vaticano II, nesta feliz expressão: “Caracteriza-se a Igreja de ser, a um tempo, humana e divina, visível, mas ornada de dons invisíveis, operosa na ação e devotada á contemplação, presente no mundo e no entanto peregrina. E isso de modo que nela o humano se ordene ao divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação à contemplação  e o presente á cidade futura que buscamos.” (S.C.n°2).
Prezado candidato a Monge pensa em tudo isso, decide-te, não avances numa aventura para a qual não estejas bem equipado. Se gostares do convívio social, ou do rebuliço do povo, ao invés de estar silente e retraído, certamente que não tens vocação de Monge. Mas, isto não quer dizer que não possas realizar-te em alguma congregação ou Ordem Religiosa que não seja Monástica. Há muitos valores na vida ativa.

Que Deus te abençoe!

Compêndio da Ascética Cecilia - Contemplações.
Contemplação - I - Oração Mental.
Contemplação - II - Meditação.
Contemplação - III - Exercício piedoso.
Contemplação - IV - Contemplação de Deus no mundo.
Contemplação - V Começa na admiração e exatação da Obra de Deus.
Contemplação - VI - Retirar-te ao secreto de teu coração.
Contemplação - VII - Sobre a Meditação e oração mental.
Fim do Manual do Vocacionado Ceciliano.

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