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Discernimento Ceciliano n° 3. Próxima página
Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 4.
Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 5.
Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 6.

Caro vocacionado, em fase de discernimento, pretendemos abordar, neste numero 3, um ponto muito importante do seguimento de Jesus Cristo. Nossas colocações cheiram a vida monástica, mas, também pudera, e são válidas até para os que não desejam ser monges. Vamos tratar da escolha da vocação e do abandono do lar, da família, amigos e outros laços que prendem o nosso coração.
No Evangelho de Mateus e Marcos nós encontramos o seguinte, que Lucas também narra muito bem: Enquanto caminhava, um homem lhe disse: “Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás” Jesus replicou-lhe: “As raposas têm covas, e as aves do céu, ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc.9,57-58).
Ao que tudo indica o candidato ficou desiludido quando soube que Jesus não tinha uma casa, uma vez que o texto não fala mais no tal jovem. Configura-se com certa evidência, o que foi dito no Discernimento n° 1, quanto ao procurar a Congregação ou Ordem mais rica. Acontece que muita gente pensa ganhar estudos e formação gratuitamente, depois levantam vôo e retornam aos familiares; muitos desses ficam bem de vida e nunca mais ajudam a Igreja ou a comunidade que lhe custeou os estudos. Mais ou menos como aquele moço para quem Jesus falou, certamente percebendo sua intenção, que não tinha onde reclinar a cabeça e já o “tirou do ar.” Provavelmente o rapaz queria colocar-se bem na vida, materialmente falando, como aconteceu com aquela mãe que pedia um lugar de destaque para os filhos no reino de Jesus. É perigoso escolher uma vida Religiosa baseando-se na segurança financeira. No entanto seria desejável que houvesse possibilidade de todos os candidatos ao sacerdócio ou vida Religiosa em geral, receberem, também, o preparo de uma profissão civil rentável, objetivando garantir sua sustentação. Não sabemos de outros, mas o programa dos Monges Cecilianos prevê, em alguns casos, o exercício de uma atividade remunerativa. e permite que, mesmo tendo os votos, exerça e faça correto uso do dinheiro em conformidade com a Santa Regra e os Superiores. Claro que casos dessa natureza são estudados e, certamente, serão raríssimos.
Retornando ao Evangelho de Lucas, após o episódio desse moço, Jesus convidou outro. “Segue-me!” disse. O homem, talvez um jovem, respondeu-lhe: “Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai”. Mas Jesus disse-lhe: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus.” (Lc 9, 59-60) Um outro ainda disse-lhe: “Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa.” Mas Jesus disse-lhe:“Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o reino de Deus.” (Lc.9,61-62).
Para Jesus o desapego de familiares é sumamente importante. Desapego não significa esquecimento, ou dar às costas aos parentes e amigos. O amor à causa do Reino é mais importante e o coração de alguém que abraça tal condição, deve ser indiviso para consumar isso. Jesus mesmo já havia dado exemplo quando, aos 12 anos, separou-se de seus pais na ocasião em que foram à Jerusalém, e ficou no Templo, entre os doutores “ouvindo-os e interrogando-os” e quando os pais o encontraram e Maria disse lhe: “Meu filho que nos fizestes? Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura cheios de aflição” Respondeu-lhes ele: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Cf.Lc. 2, 46-49) Importante que o texto diz que eles “não compreenderam o que ele lhes dissera.”( Lc. 2,50).
Não é para admirarmos se nossos familiares também não entendam e às vezes até fiquem revoltados. Por outro lado, ponderemos que o bom vocacionado, normalmente, tem sensibilidade de coração e de afetos. Aliás, quem for insensível, terá dificuldade em consagrar-se ao Cristo da ternura e do amor. Pode ser que algum passe no crivo, mas, depois aparecem aqueles Religiosos durões e massacradores como carrascos. Faltam-lhes sensibilidade e ternura e sendo assim, colocam em jogo as pastorais. Prosseguindo: quem tem sensibilidade apega-se facilmente e de modo muito especial aos de sua família ou de novas famílias que o acolhem. Imaginamos que Jesus não fosse insensível, tão pouco desejasse que seus seguidores o fossem. Por isso ter a disposição interior de abandonar a família, não quer dizer que não possa visitá-la, comunicar-se com ela e recebe-la em visita, eventualmente. Mas, Jesus é exigente quanto ao desprendimento dos laços familiares chegando a exclamar: “Quem ama seu pai e sua mãe, mais que a mim, não é digno de mim”(Mt.10,37)  Mais adiante ele até faz uma promessa para o candidato: “E todo aquele que, por minha causa, deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, terras ou casa, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.” (Mt.19,29)   (cf.Mc.10,17-31 e Lc. 18,18-30).
Os amores carnais, ou afetos e prazeres da vida civil ou mundana, não condizem com o verdadeiro e bom seguidor de Jesus. Na hora do discernimento o vocacionado deve considerar que raramente alguém conseguiu a façanha de desprender-se totalmente do mundo, em pouco tempo. Não é que devemos ser Monges já logo ao entrar na vida Monástica, vamos lá para aprendermos a ser. Tão pouco alguém conseguirá entrar no convento para ser freira, sendo já uma delas, Sabemos que as boas Religiosas lutam muitos anos para adquirir tais virtudes. O seminarista que entra para um seminário não tem, via de regra, a maturidade espiritual dos sacerdotes que ali trabalham, mas entrou para formar-se, isto é, para aprender a colecionar virtudes.
(ao invés de latinhas de cerveja como fazem alguns).
O treino deve ser constante e continuo. As afeições devem ser canalizadas para consumar o que pregava o Apóstolo Paulo: “Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não as da terra.” (Col.3,2) Depois de alguns anos pode ser mais fácil incluir-se naqueles que o Apóstolo Paulo, no seguimento do texto, diz: “Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Col.3,3).
O Religioso deve estar interiormente, disposto a renunciar o mundo com seus prazeres, diversões e seus amores. Não é verdade aquilo que, na modernidade, chamam de entrosamento e participação na vida mundana das pessoas, a despeito de “pastoreai-las” para Jesus Cristo, quando ele próprio manda o contrário de tudo isso. Logo, levar uma vida assim é antagônico ao seu Evangelho e sua mensagem. Não importa o cargo que exerça, ou grau de hierarquia, é possível ter falhas e ser imperfeito mesmo em condições superiores no Povo de Deus. Não sirvam os escândalos e as fraquezas de Religiosos ou sacerdotes, de desmotivação para que busques o caminho da perfeição do Evangelho. Se procurares uma Congregação ou um Mosteiro, não queiras levar os costumes do mundo, nem pretendas que os que ali vivem convencidos de sua vocação, devam mudar seu rumo e seu ideal só pelo fato de você ir conviver com eles.  Já fizeram cursos, encontros e seminários onde aprenderam diferente do que ficou dito aqui, portanto, tens duas saídas: ou esquece tais aprendizados, ou deixes a instituição. Se entrares no Mosteiro para pretender mudar as Regras, ou se mude ou escreva uma Regra para si.
Ser Religioso (a) implica em exigências que transcendem ao trivial da vida das pessoas.

Você jovem que lê, está disposto a buscar e trilhar por esse caminho?
Nós não esperamos que você já seja perfeito, só queremos que você tenha consciência de suas imperfeições e vontade de mudar. Que você venha disposto a desligar-se da família de sangue, para conjugar esforços e somar forças na família espiritual que segue Cristo. Que sua religiosidade não seja ideológica, mas que aprenda a fazer da Religião o ideal para atingir Jesus. Que você abandone o mundo como prazer, para abraçá-lo como espaço físico de sua realização dos planos mais elevados da Redenção, para cujo trabalho sentiu o chamado. Qualquer que seja a sua opção, se os conteúdos deste Manual lhe foram úteis, o objetivo foi atingido.

Compêndio da Ascética Cecilia - Contemplações.
Contemplação - I - Oração Mental.
Contemplação - II - Meditação.
Contemplação - III - Exercício piedoso.
Contemplação - IV - Contemplação de Deus no mundo.
Contemplação - V Começa na admiração e exatação da Obra de Deus.
Contemplação - VI - Retirar-te ao secreto de teu coração.
Contemplação - VII - Sobre a Meditação e oração mental.
Fim do Manual do Vocacionado Ceciliano.

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