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Na
página anterior, discernimento n° 1 ficou exposto, mais ou
menos claro, sobre a obediência, mas faltaram alguns adendos que
não deixam de ter sua importância.
Há dois perigos quando optamos por seguir a
vocação Religiosa numa Congregação, com
relação à obediência e ao sistema de governo
das casas.
Existem Ordens e Congregações, não se sabe se por
tradição ancestral, falta de atualização ou
por mero e coincidente costume, que tratam os seus membros com bastante
subserviência e os superiores exigem verdadeira vassalagem. Eis
aqui o "pivô" da questão. Existem Abades que se tornaram
verdadeiras divindades, poucos lhe têm acesso. Como de fato
acontece, igualmente, com alguns Bispos e Cardeais que, de servidores
se fizeram pseudos-deuses, inatingíveis, olvidando que de Jesus
todos se aproximavam e lhe tocavam. Fica, igualmente, no ar, certa
suspeita de discriminação com alguns em favor de outros.
Temos visto episódios que dão o melhor testemunho desta
afirmação. Ninguém peça provas, pois a
briga seria muito grande e as afirmações deste Manual
visam apenas, alertar e não a fazer acusações nem
críticas a ninguém. Diga-se de passagem, quem fica bravo
sente-se cúmplice de algo.
Tem comunidades Religiosas que carregam pelo cabresto seus membros e
existem aquelas que são demasiado relapsas, chegando ao
cúmulo de seus membros levarem vida, praticamente, mundana, que
Regra nenhuma iria permitir. Curioso que ninguém ousa dizer
nada, até mesmo por que alguns de seus membros são
altamente conceituados para os demais superiores e pessoas da
hierarquia.
É preciso “passar um pente fino” em tudo isso
antes de uma escolha vocacional.
Por outro lado quem deseja ser Religioso (a) deve estar certo de ter
boa saúde. (por
esse motivo pede-se exames de saúde)
Algumas Ordens e Congregações exigem esses exames.
Antigamente para entrar no seminário menor da Diocese, o
candidato devia apresentar exame de sanidade mental, e saúde em geral. Quem
for adoentado (a) deve ter cautela para bater numa porta de Mosteiro,
Convento ou Seminário. Hoje, mais do que nunca, essa
precaução está acordando superiores e reitores,
justamente com os avanços das doenças de origem sexual
como a Aids (SIDA).
Com tudo isso o que soma para uma verdadeira vocação
é ter gosto pelo conhecimento e vontade de saber cada vez mais,
especialmente as ciências que dizem respeito à
espiritualidade, Teologia, Ascética, etc. Infelizmente muito
vocacionados o são para conseguirem estudos, cama e mesa de
graça.
Se fores preguiçoso,(a) para estudar e para trabalhar,
será difícil passar nos crivos de uma
Congregação ou Ordem Religiosa, mais cedo ou mais tarde,
certamente, pedirão tua retirada. O pior é que, quando
isto acontece, já se passaram alguns pares de anos, com eles a
perda de tempo, resultando muitos e muitas que saíram revoltados
(as) com a Igreja. Mas, como diz o ditado, “é melhor
prevenir do que remediar.” julgamos de bom alvitre que o candidato
preveja tudo isso quando for ingressar numa dessas Famílias
Religiosas, principalmente na nossa Congregação de Santa
Cecília. O certo é que nenhuma Congregação
ou Ordem quer vadios e pilantras. Imagina-se que nenhuma delas
colecione bibelôs. Todos devem ser laboriosos.
Você jovem que
está lendo é trabalhador ou vadio?
Há
muitos casos, aqui e acolá, de jovens que não gostavam da
roça e resolveram ser padre ou freira para mitigar o problema.
Conheço alguns Reverendos por sinal, hoje bons padres, que
não ficam nada envergonhados de dizerem que foram para o
seminário para não trabalhar tanto e por que lá
tinha comida. (considere-se
que nas colônias de antigamente às vezes a comida era
muito pobre e racionada)
É uma pena, não deveria ser assim. Por via de
dúvidas, hoje filtramos muito bem tudo isso. Poderia acontecer
que muitos Religiosos (as) e sacerdotes, defensores de uma
descontração maior, que chega até as raias da vida
mundana, a despeito de integração no meio do povo, assim
procedam, por haverem assumido algo que não seria bem a
idéia principal do início da jornada.
Vocação mal discernida! Não teriam
vocação Religiosa.
Não é demais dizer que o costume de criticar tudo nem
sempre é bom sinal e garantia, para uma autêntica
consagração a Deus. Lembremos que a intolerância
é o primeiro sintoma da criminalidade. Mas a bem da verdade, os
assim chamados “sangue de barata” que não se
importam com nada, também são perigosos. Quem é
dinâmico, inteligente, sagaz e esperto, costuma ver com mais
rapidez os problemas, do que uma mente atrofiada por milhares de
lavagens cerebrais que a tornou obscurecida e não consegue ver
tudo claro; e facilmente “compra gato por lebre”. Mas,
é preciso ter domínio de si a tal ponto de conseguir
conter-se, mesmo diante de episódios que “não
passam na goela”.
Você
jovem que está lendo, tem capacidade de dominar-se em
situações adversas?
Outro grande problema na vida Religiosa, especialmente nos dias de
hoje, é a vaidade, filha primogênita do orgulho. A vaidade
é constitutiva da fraqueza humana, e torna-se um defeito moral
quando fere a ética de boa postura. A vida Religiosa tem muito
marcada a sua história pela humildade de seus seguidores,
acompanhada de grande simplicidade, no combate sistemático da
vaidade. Considere-se a vida de Cristo, dos Apóstolos e dos
santos em geral uma moça vaidosa, que gosta de pintar-se,
arranjar seus cabelos na penteadeira, usar produtos da moda no seu
corpo e outras coisas mais, nunca será uma boa freira, a menos
que por uma graça especial venha a converter-se. De modo
análogo pode-se dizer dos moços, infelizmente os
namoradores, os beberrões, os fumantes, os apegados aos lucros,
os fanáticos por times de futebol, carros e outras
quinquilharias mundanas, certamente terão muitos problemas para
serem Religiosos. Quem ama seus cabelos, seus bigodes e cavanhaques, os
espelhos, mais que ao Cristo, é indigno dele.
Na história das Religiosas a recepção do
hábito e admissão ao noviciado constava como parte do
ritual, a corta solene dos cabelos, isto como símbolo de
renúncia da vaidade do mundo. Os Religiosos do sexo masculino
não ficaram por menos aos presbíteros os Bispos
cortavam-lhes o cabelo e faziam a tonsura, e aos Monges se raspava a
cabeça. Atualmente, alhures, por este mundo afora, encontramos
Sacerdotes e Religiosos ostentando bigodes e cavanhaques, só por
vaidade para mostrarem que são machos, como se o seu sexo
não tivesse sido subjugado com o celibato e pela fé na
Sublime Missão assumida por causa do Reino dos Céus. (Ressalve-se
os membros de Ordens Franciscanas, Igrejas Orientais, e os que
têm problemas de pele) O
uso de barba e bigodes puramente por vaidade, sem dúvida alguma
que é um grave erro para Religiosos. Que não sirvam estes
de modelo e seu mau exemplo seja publicado para que saiba os
fiéis, distinguir o certo daquilo que é um erro. Afinal
na Igreja de hoje em dia os erros vieram à tona e justificam que
a “Igreja é Santa e também Pecadora”. Tudo acaba em pizza
por ai mesmo. Mas não é certo e precisamos lutar para
moralizá-la novamente, pois o certo não é o que a
maioria diz.
Ser caprichoso (a) com sua imagem física é virtude, ser
vaidoso (a) é defeito. Se perfumar cada vez que deva sair para
lugares públicos, antigo costume mundano das colônias
portuguesas, italianas e alemãs, é quase um crime para um
Religioso (a) alhures ainda em uso, para escândalo do
público consciente.
Você jovem
leitor (a) é capaz de abster-se de tudo isso?
Se a resposta for sim,
enquadre-se ao numero dos bons vocacionados, do contrário seria
bom mudar de idéia.
Na sombra é
possível perceber o fulgor da claridade plena à
distância. Na penumbra, antevemos a luz. Após a noite
surge novo dia e assim sucede-se a existência. A luz que brilha
para os olhos, nem sempre é a mesma que brilha na alma. Abra-se
ao infinito, vislumbre o amor de Deus que está dentro de
você a espera de uma vontade forte para encontrá-lo.
Quando o encontrar, já estará na luz plena, sem desprezar
a sombra amiga que o(a) acolheu na hora do cansaço da
decisão. As estrelas brilham de noite e são belas, mas
quando o sol aparece não mais conseguimos perceber seu brilho,
acontece que na penumbra da vida, nossas fraquezas parecem estrelas,
diante do sol, nada disso tem brilho nem consistência.
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