A vida Religiosa
busca, de forma consistente e bem mais comprometida, a
perfeição cristã. O seguimento dos chamados, Conselhos Evangélicos, caracteriza a
vocação. Notemos que não são, apenas, esses
Conselhos, mas todo o Evangelho, a grande
realidade do ideal de consagração a Deus. Esse ideal
está muito bem marcado no Sermão da Montanha, quando o
Senhor Jesus expôs sua plataforma de “Reino de Deus” e,
explicitamente, manifesta-se ao povo para
apontar com objetividade seu plano de salvação.
Quem deseja ingressar numa família Religiosa deve, de
antemão, sondar e escrutinar os objetivos desta, seu modo de
vida, seu carisma enfim. Não seria verdadeiro o discernimento
que procurasse a Congregação mais rica, ou que melhor
vantagem material oferecesse, pois ideal não se mede por
cifrões. Partindo da premissa evangélica, todas as
Congregações e Ordens são iguais, uma vez que
seguem o mesmo Mestre; mas encarando o assim chamado carisma pessoal de
cada uma, observa-se que há grandes diferenças; umas
são mais voltadas para o ser humano numa visão social e
antropológica, outras para o homem intelectual e outras para a
catequese missionária do frente a frente. fazer pastoral, como
dizem por aí) Há
também as mais pastoralistas com abrangência para os
grupos humanos de paróquias, periferias, escolas etc. e por fim as que se voltam para a vida piedosa mediante
o culto sagrado, os aspectos litúrgicos e celebrativos da
Igreja, enfim nessas há uma busca da assim chamada ascese (do latim
ascendere=elevar-se) Nesse último
grupo estão os Monges e as Monjas. Eles também pregam,
sua pregação é silenciosa e quase por
indução. Eles também salvam almas, pela prece,
pelo canto que clama junto ao trono de Deus, e até muitos fazem
de forma extraordinária, como S. Terezinha do Menino Jesus, que
nunca foi pregar e tornou-se padroeira das Missões, vivendo num
claustro. Nós cremos na força da Graça Divina que
age, suprindo nossas fraquezas e deficiências ou, até
mesmo, aquilo que deveríamos fazer e não fazemos.
O Monge crê que se elevando ergue o mundo, arrastando-o pela
força de sua oração, e de sua palavra iluminada
pela vivência de Deus a cada instante. Ninguém ousa
duvidar que os Monges, a partir do século III, foram as
pilastras da Igreja e foram os responsáveis pela continuidade da
fé. Basta, para isso, olhar a história e poderemos
perceber que, nessas épocas, Papas e Bispos, andavam mais
preocupados com as conquistas materiais de reinos e posses materiais do
que, propriamente, com a Religião; enquanto os Monges,
Religiosos por excelência, preservaram a genuína
fé, na oração contemplativa, no trabalho por amor
e abstendo-se do mundo e dele fugindo para seguir mais de perto a
Jesus, imitando Sua vida e pondo em prática Seus ensinamentos.
No discernimento é muito importante que o (a) candidato (a)
esteja disposto a ser pobre como Cristo e como os apóstolos
foram. Ser pobre é, acima de tudo, não desejar possuir.
Não sonhar com a riqueza dos bens passageiros do mundo.
Tão pouco com as glórias e nem mesmo com bom nome. Hoje
poderíamos traduzir para o pensamento moderno dizendo que
não devem viver sonhando com loterias, Senas ou Quinas. A maior
riqueza é a gente mesmo, nossa alma e alma de nossos
semelhantes; e a melhor fortuna é a virtude interior que nos
torna grandes diante de Deus. Aquela fortuna que adquirimos com o
trabalho de nossos braços ou de nossa criação
intelectual, pode ser considerada um êxito do intelecto unido ao
bom espírito de luta e tenacidade pessoal.
Você, jovem, que
está lendo é capaz disto?
Outro
aspecto muito importante é a castidade. O Religioso renuncia o
casamento, mas não somente isso deve renunciar a vida mundana,
erótica, sensual, que se manifesta no contato com as pessoas do
sexo oposto ou do mesmo sexo, por deleite e prazer. Implica que o
Religioso não use seu corpo como objeto de desfrute da vida,
prazer pelo prazer. Se gostar de se divertir com homens, não
será uma boa freira, se gosta de estar com as mulheres e de
sentir o afago delas ou olhar seu perfil feminino quando passam ou
quando as vê pela televisão, não poderá ser
bom Religioso. Se for Religioso e vai aos bailes, as farras, ao
carnaval, e outros tipos de prazeres mundanos, pois é claro que
já deveria ter renunciado essa vida há muito tempo para
não ser um péssimo seguidor de Cristo. Ele se torna mau
exemplo para os crentes, um contra testemunho da verdade que ele jurou
diante do altar e agora, com tal procedimento, acusa-se mentiroso. Se
gostar de sexo, não deve entrar para uma Ordem Religiosa;
não queira ser Religioso ou Religiosa vivendo na hipocrisia.
Você
jovem que está lendo é capaz de seguir isto?
O terceiro
ponto desta reflexão está calcado na obediência.
Se alguém é teimoso, mentiroso, trapaceiro e detesta
obedecer, certamente terá muitos problemas como Religioso (a).
Ao consagrar-se pelos votos, quem o faz, coloca-se disponível
nas mãos do Senhor, através dos superiores da Ordem ou
Congregação que o representam. Entregam sua vontade e se
deixam guiar pelo ideal do Cristo que se fez obediente até a
morte e morte de Cruz (Cf. Fl.2, 8 ).
Quem não sabe obedecer também nunca saberá mandar.
Quem nunca obedeceu, dificilmente avalia com reta justiça quando
lhe couber a vez de mandar e dar ordens à outros. Aprende-se a
mandar obedecendo.
Você jovem que está lendo é capaz de obedecer ou
você já é um perito em patronagem que ultrapassou
com absoluta isenção e totalmente ileso todos os crivos
das maiores provas que um pobre peão enfrenta na mão de
um severo patrão, domador de potros?
Se você lendo e relendo, encontrar-se que está apto para
tudo isto, não tenha medo, nem receio de enfrentar a vida
Religiosa. Você será um vencedor!
É Jesus quem nos adverte: “No mundo haveis de ter
aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo16,33) Não tenhas medo dos ventos e das rajadas
dos trovões, lembra-te que os picos mais elevados sempre atraem raios e vendavais. Se isto sucede com
você, alegre-se, sinta-se como uma torre, veja-se como uma
montanha, deixe soprar os ventos, acolha a chuva que cai e derrama
sobre as baixadas; não tema a enchente da planície,
você já está livre dela. Você está
muito alto, que mais quer?
Escrevo para todos os
vocacionados, independentemente do ideal que um alimente por esta ou
aquela Congregação, Ordem ou Instituto de vida
Consagrada. Também esclareço que o presente texto, embora
possa usar a linguagem no masculino refere-se, igualmente ao chamado e
vocação feminina de vida consagrada.