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Compêndio da Ascética Ceciliana - Discernimento n° 6.

A vida Religiosa busca, de forma consistente e bem mais comprometida, a perfeição cristã. O seguimento dos chamados, Conselhos Evangélicos, caracteriza a vocação. Notemos que não são, apenas, esses Conselhos, mas todo o Evangelho, a grande realidade do ideal de consagração a Deus. Esse ideal está muito bem marcado no Sermão da Montanha, quando o Senhor Jesus expôs sua plataforma de “Reino de Deus” e, explicitamente, manifesta-se ao povo  para apontar com objetividade seu plano de  salvação.
Quem deseja ingressar numa família Religiosa deve, de antemão, sondar e escrutinar os objetivos desta, seu modo de vida, seu carisma enfim. Não seria verdadeiro o discernimento que procurasse a Congregação mais rica, ou que melhor vantagem material oferecesse, pois ideal não se mede por cifrões. Partindo da premissa evangélica, todas as Congregações e Ordens são iguais, uma vez que seguem o mesmo Mestre; mas encarando o assim chamado carisma pessoal de cada uma, observa-se que há grandes diferenças; umas são mais voltadas para o ser humano numa visão social e antropológica, outras para o homem intelectual e outras para a catequese missionária do frente a frente.
fazer pastoral, como dizem por aí) Há também as mais pastoralistas com abrangência para os grupos humanos de paróquias, periferias, escolas etc. e por fim  as que se voltam para a vida piedosa mediante o culto sagrado, os aspectos litúrgicos e celebrativos da Igreja, enfim nessas há uma busca da assim chamada ascese (do latim ascendere=elevar-se) Nesse último grupo estão os Monges e as Monjas. Eles também pregam, sua pregação é silenciosa e quase por indução. Eles também salvam almas, pela prece, pelo canto que clama junto ao trono de Deus, e até muitos fazem de forma extraordinária, como S. Terezinha do Menino Jesus, que nunca foi pregar e tornou-se padroeira das Missões, vivendo num claustro. Nós cremos na força da Graça Divina que age, suprindo nossas fraquezas e deficiências ou, até mesmo, aquilo que deveríamos fazer e não fazemos.
O Monge crê que se elevando ergue o mundo, arrastando-o pela força de sua oração, e de sua palavra iluminada pela vivência de Deus a cada instante. Ninguém ousa duvidar que os Monges, a partir do século III, foram as pilastras da Igreja e foram os responsáveis pela continuidade da fé. Basta, para isso, olhar a história e poderemos perceber que, nessas épocas, Papas e Bispos, andavam mais preocupados com as conquistas materiais de reinos e posses materiais do que, propriamente, com a Religião; enquanto os Monges, Religiosos por excelência, preservaram a genuína fé, na oração contemplativa, no trabalho por amor e abstendo-se do mundo e dele fugindo para seguir mais de perto a Jesus, imitando Sua vida e pondo em prática  Seus  ensinamentos.
No discernimento é muito importante que o (a) candidato (a) esteja disposto a ser pobre como Cristo e como os apóstolos foram. Ser pobre é, acima de tudo, não desejar possuir. Não sonhar com a riqueza dos bens passageiros do mundo. Tão pouco com as glórias e nem mesmo com bom nome. Hoje poderíamos traduzir para o pensamento moderno dizendo que não devem viver sonhando com loterias, Senas ou Quinas. A maior riqueza é a gente mesmo, nossa alma e alma de nossos semelhantes; e a melhor fortuna é a virtude interior que nos torna grandes diante de Deus. Aquela fortuna que adquirimos com o trabalho de nossos braços ou de nossa criação intelectual, pode ser considerada um êxito do intelecto unido ao bom espírito de luta e tenacidade pessoal.

Você, jovem, que está lendo é capaz disto?
Outro aspecto muito importante é a castidade. O Religioso renuncia o casamento, mas não somente isso deve renunciar a vida mundana, erótica, sensual, que se manifesta no contato com as pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo, por deleite e prazer. Implica que o Religioso não use seu corpo como objeto de desfrute da vida, prazer pelo prazer. Se gostar de se divertir com homens, não será uma boa freira, se gosta de estar com as mulheres e de sentir o afago delas ou olhar seu perfil feminino quando passam ou quando as vê pela televisão, não poderá ser bom Religioso. Se for Religioso e vai aos bailes, as farras, ao carnaval, e outros tipos de prazeres mundanos, pois é claro que já deveria ter renunciado essa vida há muito tempo para não ser um péssimo seguidor de Cristo. Ele se torna mau exemplo para os crentes, um contra testemunho da verdade que ele jurou diante do altar e agora, com tal procedimento, acusa-se mentiroso. Se gostar de sexo, não deve entrar para uma Ordem Religiosa; não queira ser Religioso ou Religiosa vivendo na hipocrisia.
Você jovem que está lendo é capaz de seguir isto?

O terceiro ponto desta reflexão está calcado na obediência.
Se alguém é teimoso, mentiroso, trapaceiro e detesta obedecer, certamente terá muitos problemas como Religioso (a). Ao consagrar-se pelos votos, quem o faz, coloca-se disponível nas mãos do Senhor, através dos superiores da Ordem ou Congregação que o representam. Entregam sua vontade e se deixam guiar pelo ideal do Cristo que se fez obediente até a morte e morte de Cruz (Cf. Fl.2, 8 ).
Quem não sabe obedecer também nunca saberá mandar. Quem nunca obedeceu, dificilmente avalia com reta justiça quando lhe couber a vez de mandar e dar ordens à outros. Aprende-se a mandar obedecendo.
Você jovem que está lendo é capaz de obedecer ou você já é um perito em patronagem que ultrapassou com absoluta isenção e totalmente ileso todos os crivos das maiores provas que um pobre peão enfrenta na mão de um severo patrão, domador de potros?
Se você lendo e relendo, encontrar-se que está apto para tudo isto, não tenha medo, nem receio de enfrentar a vida Religiosa. Você será um vencedor!
É Jesus quem nos adverte: “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo16,33)  Não tenhas medo dos ventos e das rajadas dos trovões, lembra-te que os picos mais elevados sempre atraem  raios e vendavais. Se isto sucede com você, alegre-se, sinta-se como uma torre, veja-se como uma montanha, deixe soprar os ventos, acolha a chuva que cai e derrama sobre as baixadas; não tema a enchente da planície, você já está livre dela. Você está muito alto, que mais quer?
Escrevo para todos os vocacionados, independentemente do ideal que um alimente por esta ou aquela Congregação, Ordem ou Instituto de vida Consagrada. Também esclareço que o presente texto, embora possa usar a linguagem no masculino refere-se, igualmente ao chamado e vocação feminina de vida consagrada.



Compêndio da Ascética Cecilia - Contemplações.
Contemplação - I - Oração Mental.
Contemplação - II - Meditação.
Contemplação - III - Exercício piedoso.
Contemplação - IV - Contemplação de Deus no mundo.
Contemplação - V Começa na admiração e exatação da Obra de Deus.
Contemplação - VI - Retirar-te ao secreto de teu coração.
Contemplação - VII - Sobre a Meditação e oração mental.
Fim do Manual do Vocacionado Ceciliano.

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