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Para responder a sadia curiosidade de
muitas pessoas, inclusive não católicas, e a maioria dos
vocacionados, julgou-se oportuno explicar, com poucas palavras e a
argumentação bíblica, os motivos da mudança
de nome dos Religiosos, inclusive dos Monges Cecilianos.
Remonta ao Antigo Testamento a
tradição de mudar de nome, quando o Senhor aparecendo a
Abrão disse-lhe: “este
é o pacto que faço contigo, serás o Pai de uma
multidão de povos. De agora em diante não te
chamarás mais Abrão, e sim Abraão” (Gênesis17,4-5 ss) Deus, o Senhor,
também mudou o nome da mulher de Abraão:” não chamarás mais a tua
mulher Sarai, e sim Sara.”(Gênesis
17,15) Bonita e significativa foi a mudança do nome de
Jacó: "Teu nome
não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque
lutaste com Deus e com os homens e venceste" (Gen.32,28) No Novo Testamento Jesus confere nova e
significativa função ao apóstolo Pedro
trocando-lhe o nome.” ... e eu
te declaro: Tu és Pedro e sobre esta pedra
edificarei a minha Igreja.”(Mateus
16,18 ) -Pedro tinha o nome de Simão- e em Marcos 3,16 lemos: ”Escolheu estes doze: Simão, a quem
deu o nome de Pedro.”
Na concepção
antiga o nome não apenas distingue uma pessoa de outra, mas
exprime seu caráter fundamental, sua personalidade, sua
missão neste mundo. (cf.Gn3,20; Mt 1,21.23) O nome vale pela
pessoa; onde está o nome está a pessoa (cf.Jr14,9)Mudar o
nome de alguém é mudar a sua vocação.(cf.
Mt 16,16-18) Deus "age por causa
do nome”. (Ez 20,14) "Receberás então um novo
nome determinado pela boca do Senhor" (Is.62,2).
O nome é, portanto, o
referencial de uma pessoa olhando-a a partir de dentro para fora. Esta
visão ainda é pouco conhecida por grande parte das
pessoas, mormente quando possuem reduzidos conhecimentos
históricos sobre o homem interior da Antigüidade. Na
modernidade, com o avanço dos Direitos Humanos, o homem total
está sendo pauta de estudos e objeto de atenção de
cientistas e estudiosos, psicólogos e mestres.
Nas primeiras Ordens Monacais,
fundadas por S. Pacômio, Santo Antão, São
Basílio e Santo Agostinho, houve troca de nome, seguindo as
Sagradas Escrituras e a Tradição Apostólica e
ressaltando o juramento da profissão dos santos votos
evangélicos, que distanciam o Monge, ou o Religioso, do mundo
banal, da vulgaridade e do pecado, transformando-o numa nova criatura a
semelhança do batismo, numa ação direta do
Espírito Santo, manifesta na vontade explícita do
neoprofesso, em consonância com a Escritura quando diz: "a despojar-vos do homem velho, no que diz
respeito ao passado, do homem corrompido pelas concupiscências da
sedução, para renovar a inspiração do vosso
entendimento, para revestir-vos do homem novo, criado a imagem de Deus
e uma justiça e santidade verdadeiras” (Efésios 4,22-24).
Os Monges Cecilianos
estão dentro de uma realidade nova, inseridos nos
parâmetros de uma Igreja renovada à luz do Concilio
Vaticano II. Eles conservam tradições e costumes sadios
dos antigos monges e inovando no que precisa ser renovado,
avançando dentro de uma espiritualidade, cuja experiência
deu certo no passado de outros homens do claustro e procurando
corresponder ao que a Igreja sempre esperou e espera dos Monges.
A troca de nome, na
Congregação Ceciliana segue a tradição,
conforme exposição acima, e os Monges gostam de ser
chamados por seu novo nome por se tratar do sinal concreto de sua
consagração. Antes de fazer seus primeiros votos o
noviço apresenta três a quatro nomes para o Prior que o
ajuda a escolher um, mantido em sigilo até a
proclamação do nome na cerimônia religiosa de
Profissão. Há casos em que a comunidade ajuda o
noviço a escolher o nome oferecendo-lhe lista de
sugestões. Essa troca pode ser parcial ou total. Em alguns
casos, ao realizarem seus Votos Solenes e definitivos, aqueles Monges
que, nos primeiros votos, não haviam trocado totalmente seu
nome, poderão nesta oportunidade faze-lo, conservando,
porém, um dos nomes escolhidos por ocasião dos primeiros
votos. Poderá acontecer também o contrário de
alguém voltar a trocar parcialmente seu nome, caso tenha feito
totalmente nos Votos Simples.
Os católicos convictos
sabem respeitar os sentimentos do Monge e chamam-no pelo novo nome com
uma reverência que só a fé pode induzir a faze-lo.
Também os não católicos, ilustrados em
Direitos Humanos,
compreendem que a pessoa tem direito de ser tratada como gosta e fazem
com muita cordialidade e civilizada reverência. Os Monges
generosamente abandonaram todos os prazeres do mundo, para se doarem
á Deus e orar pela humanidade. A sensibilidade dos brasileiros,
que facilmente endeusam seus artistas favoritos da TV e encarnam os
personagens que representam, chamando-os pelos nomes artísticos
fictícios, não terão muita dificuldade em aceitar
o humilde Monge que, coberto com seu burel, não tem outro
pensamento senão a glória de Deus e o bem dos seus
semelhantes.
Os Cecilianos sabem
perfeitamente que o mundo leigo, alheio a Cristo e apático
à Igreja, os desafiará, mas, em
compensação, recebem o conforto e o apoio de numerosos
amigos, que não pensam assim.
Os Cecilianos oram, pelos que
não o fazem, pedem perdão pelos pecadores endurecidos na
frieza da indiferença, do desamor e do desrespeito,
também pedem pelos benfeitores e amigos. Isto os Monges fazem
louvando a Deus 7 vezes ao dia como está escrito: “Sete vezes ao dia canto vossos
louvores" (Sl. 118,164).
Que o Deus
da paz e de toda a consolação abençoe a todos.
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