"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal  N°:  LII           Mês: Fevereiro de  2008.

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.



4º. Domingo do Tempo Comum – Ano A

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Deus escolhe as pessoas

A liturgia diz-nos que Deus escolhe as pessoas que, na sociedade, são pobres e humildes para com elas construir o seu projecto de amor sobre nós, isto é, o seu “Reno”. Na verdade, Deus não faz acepção de pessoas, mas toma o partido dos excluídos. Exactamente, porque Deus ama todas as pessoas e as quer libertar e salvar, toma o partido daquelas que, dada a sua condição económica e social estão excluídas dos bens religiosos, culturais e sociais. Nesta perspectiva, a Bíblia apresenta-nos uma mensagem revolucionária, que ganha mais ênfase com a palavra e o gesto de Jesus de Nazaré.

Na primeira leitura, o profeta denuncia a violência dos poderosos sobre os mais fracos e a degradação dos costumes religiosos, que se instalara em Judá, e garante aos mais humildes, que agora se vêm espezinhados pelos grandes da terra, que, se procurarem o Senhor, nele encontrarão protecção. O profeta apela-nos à conversão da mente e do agir. Estou disposto/a a esta conversão? A renunciar à lógica da imposição, da prepotência, do orgulho, do autoritarismo e da auto-suficiência, na minha relação com Deus e com as outras pessoas? Situo-me do lado dos que “escravizam” ou dos que libertam?

A terceira leitura apresenta-nos a carta magna do “Reino”: as bem-aventuranças. O evangelista mostra o Mestre a dirigir-se às multidões e, em especial aos seus discípulos. Jesus proclama solenemente a revolução que Ele vem trazer à terra. Doravante, os felizes ou bem-aventurados são aqueles e aquelas que aos olhos do mundo, e segundo os seus critérios, são realmente desgraçados e tristes, são infelizes. Esta carta magna traz-nos, ainda, uma outra mensagem: é que os pobres e infelizes, os que choram e têm fome... podem, desde aqui e agora, começar a saborear a bem-aventurança de Jesus, através da imensa solidariedade humana e social que tantos homens e mulheres de boa vontade vão semeando nos seus caminhos. É certo que é passageira esta alegria. Contudo, é urgente que a solidariedade humana aconteça, porque só ela pode revelar aos mais pobres e infelizes o amor preferencial de Deus para com eles e, ao mesmo tempo, ser portadora da esperança e do anúncio dos novos e definitivos tempos, inaugurados por Jesus. Que impacto tem em mim esta página do evangelho? Costumo ser solidário/a como Deus?

Na segunda leitura, Paulo recorda aos Coríntios, e a nós também, a nossa própria condição: Não há, entre nós, muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos de sangue real. Porém, Deus escolheu-nos para manifestar ao mundo que também aqueles que parecem vis e desprezíveis, aos olhos do mundo, têm valor diante dele. Não se trata de valorizar a pobreza em si mesma, ou de apresentar Deus como o lidere de um sindicato da classe operária, a reclamar o poder para as classes desfavorecidas. Trata-se, sim, de revelar o verdadeiro rosto de um Deus que se solidariza com os pobres, com os humilhados, com os ofendidos, com os explorados, e que a todos oferece a salvação. É este o Deus que eu adoro e sirvo? Como O testemunho eu no meu viver quotidiano?

 

Leituras do 4º. Domingo do Tempo Comum

 Sf 2,3;3,12-13; Sl 146 (145); 1 Cor 1,26-31; Mt 5,1-12

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