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| Ano: IV Edição: Mensal N°: XLIII Mês: Maio de 2007. | ||||
| Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia | ||||
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Santíssima Trindade Ir. Doutora Deolinda SerralheiroA Solenidade deste
domingo abre-nos à contemplação do mistério
de Deus uno em sua essência e trino em pessoas. A
celebração desta Solenidade convida-nos, não a
tentar desvendar o mistério da Santíssima Trindade, mas a
acolher a revelação de um Deus que é amor e,
portanto, família e comunidade. O Deus família torna-se
trindade de pessoas distintas, contudo unidas: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Qualquer linguagem ou imagem que possamos usar
é limitada e não consegue “dizer” o mistério de
Deus. O evangelho convoca-nos
para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação
e na entrega do Filho Jesus e que continua a acompanhar a nossa
caminhada histórica através do Espírito Santo. A
meta final desta “história de amor” é a nossa
inserção plena na comunhão com o Deus amor. João, numa curta
perícopa, apresenta-nos, com clareza, um pequeno discurso de
Jesus, onde Ele próprio fala do Pai e do Espírito. Este
texto tão simples, à primeira vista, esconde a
profundidade da relação dinâmica existente entre as
três pessoas divinas e introduz-nos, também a nós
simples criaturas, na comunhão da vida trinitária, na
posse de uma amizade com Deus, que nos transforma em filhos e filhas
queridos, à semelhança de Jesus. Tenho eu
consciência desta minha identidade cristã? Estão as
minhas relações humanas embebidas de amor e de vontade
efectiva de cooperação com os outros, de modo a que
reproduza na vida do meu dia a dia o amor que se revela no
mistério da Santíssima Trindade? A segunda leitura
convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos
“justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através
do Filho que os dons de Deus se derramam sobre nós e nos
dão a vida em plenitude. Porque fomos
justificados pela fé, estamos em paz com Deus e podemos viver
cheios de esperança na glória futura. Tudo o que tivermos
a sofrer na nossa peregrinação a caminho da casa do Pai
é motivo de glória, pois sabemos que viremos a gozar das
riquezas de Deus, porque o Espírito Santo, que nos foi dado,
é penhor do amor do Pai em nós. Acredito na
presença actuante e transformadora de Deus no meu quotidiano? A primeira leitura
sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade
e o seu amor estão inscritos nas obras criadas e manifestam-se
aos homens e mulheres na sua beleza e harmonia. Esta leitura fala-nos
da “sabedoria” de Deus, como sendo uma pessoa viva, que acompanha todo
o processo da criação e cuja origem é anterior a
ela. A tradição cristã vê nesta “sabedoria”,
desde os primeiros séculos da Igreja e, sobretudo, a partir de
S. Justino, Jesus Cristo, Sabedoria e Palavra criadora de Deus, pelo
qual “tudo foi criado”. Sou capaz de me extasiar diante das coisas que
Deus me oferece? Percebo nelas o seu amor e entrego-me confiadamente
nas suas mãos? Santíssima
Trindade Pr 8,22-31; Sl 8,4-9; Rm 51-5;
Jo 16,12-15 Domingo V da Páscoa – Ano C - São Lucas
Ir. Doutora Deolinda SerralheiroPodemos
resumir a mensagem da Palavra deste domingo ao amor.
É a prática desta virtude teologal que define os
discípulos
e discípulas de Jesus, isto é, a sua capacidade de dar a
vida até ao fim, por
Jesus, presente em cada ser humano. O evangelho situa-nos
na última refeição de
Jesus, na qual Ele entrega o seu mandamento novo, o do
amor. Nem podia ser outro o mandamento de Jesus, já que
Deus
se revela no Amor, e Jesus, sendo a encarnação de Deus,
participa da mesma
essência, o Amor. Para nós é fácil
pronunciar, repetindo em palavras, este
mandamento do Senhor. Porém, o mesmo não podemos dizer
face ao seu cumprimento.
Passámos do egocentrismo infantil, mas fixamo-nos no culto de
nós próprios, da
nossa imagem e dos nossos direitos. Temos natural aversão a
cedermos a favor
dos outros. Contudo, Jesus afirma: “Nisto conhecerão que sois
meus discípulos:
se vos amardes uns aos outros”. Mas é só pela
força do Espírito, que nós,
discípulos do Senhor Jesus, conseguimos superar a
limitação de um amor egoísta
e carnal e nos lançar na aventura de um amor “agapé”, amando com o mesmo
amor que nos
vem de Deus, de modo a continuar a construção da nova
comunidade instaurada por
Jesus e a testemunhar ao mundo o amor materno e paterno de Deus. A primeira leitura
apresenta-nos o modo como
viviam as primeiras comunidades e o seu empenho missionário. Os
irmãos e irmãs
dão testemunho do amor com que Deus os ama, ajudando-se e
fortalecendo-se
mutuamente, no meio das dificuldades e das crises por que vão
passando. Paulo e
Barnabé, incansáveis missionários, apoiam as
comunidades que fundam,
exortando-as a permanecer na fé no momento das
tribulações, que são necessárias
para entrar no Reino de Deus. Este texto interpela-nos hoje? Estamos
nós, também,
empenhados na missão de ir ao encontro dos mais fracos da nossa
comunidade,
para os apoiar e ajudar, dinamizados pelo amor de Deus, fortalecidos na
oração?
É urgente sair pelas ruas e proclamar, pelo testemunho e pela
palavra, a todas
as pessoas, grupos e instituições da nossa cidade, que
é preciso quebrar as
cadeias da injustiça, da opressão, da miséria e da
violência; que os homens e
as mulheres são todos iguais e têm os mesmos direitos; que
dois terços da
humanidade não podem continuar a ser explorados pelo
terço restante; que os
povos do terceiro e do quarto mundo já não aguentam mais
o jugo que pesa sobre
eles. É imperioso denunciar que não basta uma
solidariedade em momentos de
calamidade, para tranquilizar a consciência, mas que o amor
cristão se vive a
tempo inteiro. O empenhamento
cristão exige energia,
lucidez e luta. Luta por “um novo céu e uma nova terra”, na
visão do
Apocalipse, apresentada na segunda leitura. Esta novidade do amor,
começa aqui
e agora, e é definitiva, no fim dos tempos, aí onde Deus
enxugará as lágrimas
dos nossos olhos. Domingo V da
Páscoa Act
14,21b-27; Sl 144; Ap 21,1-5a; Jo 13,31-33a.34-35
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