"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLIII  Mês: Maio de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

Santíssima Trindade


Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

A Solenidade deste domingo abre-nos à contemplação do mistério de Deus uno em sua essência e trino em pessoas. A celebração desta Solenidade convida-nos, não a tentar desvendar o mistério da Santíssima Trindade, mas a acolher a revelação de um Deus que é amor e, portanto, família e comunidade. O Deus família torna-se trindade de pessoas distintas, contudo unidas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Qualquer linguagem ou imagem que possamos usar é limitada e não consegue “dizer” o mistério de Deus.

O evangelho convoca-nos para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho Jesus e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito Santo. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus amor. João, numa curta perícopa, apresenta-nos, com clareza, um pequeno discurso de Jesus, onde Ele próprio fala do Pai e do Espírito. Este texto tão simples, à primeira vista, esconde a profundidade da relação dinâmica existente entre as três pessoas divinas e introduz-nos, também a nós simples criaturas, na comunhão da vida trinitária, na posse de uma amizade com Deus, que nos transforma em filhos e filhas queridos, à semelhança de Jesus. Tenho eu consciência desta minha identidade cristã? Estão as minhas relações humanas embebidas de amor e de vontade efectiva de cooperação com os outros, de modo a que reproduza na vida do meu dia a dia o amor que se revela no mistério da Santíssima Trindade?

A segunda leitura convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus se derramam sobre nós e nos dão a vida em plenitude. Porque fomos justificados pela fé, estamos em paz com Deus e podemos viver cheios de esperança na glória futura. Tudo o que tivermos a sofrer na nossa peregrinação a caminho da casa do Pai é motivo de glória, pois sabemos que viremos a gozar das riquezas de Deus, porque o Espírito Santo, que nos foi dado, é penhor do amor do Pai em nós. Acredito na presença actuante e transformadora de Deus no meu quotidiano?

A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos nas obras criadas e manifestam-se aos homens e mulheres na sua beleza e harmonia. Esta leitura fala-nos da “sabedoria” de Deus, como sendo uma pessoa viva, que acompanha todo o processo da criação e cuja origem é anterior a ela. A tradição cristã vê nesta “sabedoria”, desde os primeiros séculos da Igreja e, sobretudo, a partir de S. Justino, Jesus Cristo, Sabedoria e Palavra criadora de Deus, pelo qual “tudo foi criado”. Sou capaz de me extasiar diante das coisas que Deus me oferece? Percebo nelas o seu amor e entrego-me confiadamente nas suas mãos?

 

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Santíssima Trindade

Pr 8,22-31; Sl 8,4-9; Rm 51-5; Jo 16,12-15

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Domingo V da Páscoa Ano C -  São Lucas

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

  Capacidade de dar a vida

Podemos resumir a mensagem da Palavra deste domingo ao amor. É a prática desta virtude teologal que define os discípulos e discípulas de Jesus, isto é, a sua capacidade de dar a vida até ao fim, por Jesus, presente em cada ser humano.

O evangelho situa-nos na última refeição de Jesus, na qual Ele entrega o seu mandamento novo, o do amor. Nem podia ser outro o mandamento de Jesus, já que Deus se revela no Amor, e Jesus, sendo a encarnação de Deus, participa da mesma essência, o Amor. Para nós é fácil pronunciar, repetindo em palavras, este mandamento do Senhor. Porém, o mesmo não podemos dizer face ao seu cumprimento. Passámos do egocentrismo infantil, mas fixamo-nos no culto de nós próprios, da nossa imagem e dos nossos direitos. Temos natural aversão a cedermos a favor dos outros. Contudo, Jesus afirma: “Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. Mas é só pela força do Espírito, que nós, discípulos do Senhor Jesus, conseguimos superar a limitação de um amor egoísta e carnal e nos lançar na aventura de um amor “agapé”, amando com o mesmo amor que nos vem de Deus, de modo a continuar a construção da nova comunidade instaurada por Jesus e a testemunhar ao mundo o amor materno e paterno de Deus.

A primeira leitura apresenta-nos o modo como viviam as primeiras comunidades e o seu empenho missionário. Os irmãos e irmãs dão testemunho do amor com que Deus os ama, ajudando-se e fortalecendo-se mutuamente, no meio das dificuldades e das crises por que vão passando. Paulo e Barnabé, incansáveis missionários, apoiam as comunidades que fundam, exortando-as a permanecer na fé no momento das tribulações, que são necessárias para entrar no Reino de Deus. Este texto interpela-nos hoje? Estamos nós, também, empenhados na missão de ir ao encontro dos mais fracos da nossa comunidade, para os apoiar e ajudar, dinamizados pelo amor de Deus, fortalecidos na oração? É urgente sair pelas ruas e proclamar, pelo testemunho e pela palavra, a todas as pessoas, grupos e instituições da nossa cidade, que é preciso quebrar as cadeias da injustiça, da opressão, da miséria e da violência; que os homens e as mulheres são todos iguais e têm os mesmos direitos; que dois terços da humanidade não podem continuar a ser explorados pelo terço restante; que os povos do terceiro e do quarto mundo já não aguentam mais o jugo que pesa sobre eles. É imperioso denunciar que não basta uma solidariedade em momentos de calamidade, para tranquilizar a consciência, mas que o amor cristão se vive a tempo inteiro.

O empenhamento cristão exige energia, lucidez e luta. Luta por “um novo céu e uma nova terra”, na visão do Apocalipse, apresentada na segunda leitura. Esta novidade do amor, começa aqui e agora, e é definitiva, no fim dos tempos, aí onde Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos. 

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Domingo V da Páscoa

 Act 14,21b-27; Sl 144; Ap 21,1-5a; Jo 13,31-33a.34-35

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