"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XXXVIII  Mês: Dezembro de 2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

II Domingo do Advento – Ano C

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Denunciar as situações mundanas que são anti evangélicas.

 

A liturgia da Palavra deste domingo recorda-nos que todos nós, baptizados em Cristo, participamos da sua missão profética, isto é, temos o dever de anunciar o Evangelho e denunciar as situações mundanas que são anti evangélicas. Esta missão profética exerce-se através de todo o dinamismo do nosso ser, que é composto por ideias, intenções, sentimentos, palavras e acções. A Palavra convida-nos a deixarmo-nos impregnar por ela, eliminando todos os obstáculos, para que a nossa missão profética seja portadora da autêntica mensagem de Deus às pessoas da nossa contemporaneidade.

Na primeira leitura, o profeta Baruc diz-nos que este tempo de Advento é o “espaço” favorável para soltarmos as amarras da nossa própria escravidão e de nos deixarmos conduzir à bondade e à ternura de Deus, na alegria e na liberdade de filhos e filhas. Neste ambiente havemos de descobrir o nosso ser comunhão, pelo dom de Deus, e construir fraternidade, partilha e serviço. Que escravidões me habitam ainda? Que modelo de comunidade cristã estou eu a construir?

O evangelho situa-nos num tempo e num espaço concreto, no qual João Baptista inicia a sua missão profética. Ele é o escolhido por Deus para convidar os seus ouvintes à conversão e à penitência, ou seja, à mudança de mentalidade e de vida, para que possam acolher a chegada de Jesus. De facto, num momento dado da história humana e numa geografia concreta, Deus fez-se próximo de nós no Menino de Belém. Mas Jesus ainda não “invadiu” o coração de cada homem e mulher, nem sequer daqueles que também O anunciam. Há zonas escuras no nosso ser, feitas de ódio, vingança, egoísmo, opressão, violência, que clamam por uma urgente mudança. Preparar o caminho do Senhor, é tomar consciência da minha situação cristã existencial e reorientar-se para Deus. De que de modo é que os valores e os critérios evangélicos conduzem a minha vida e me levam a dar testemunho deles?

Na segunda leitura, Paulo adverte-nos contra o espírito de rivalidade, de crítica destrutiva e de luta pelo poder, entre outros, que conspurcam o nosso coração e o tornam opaco e impermeável à Palavra de Deus. Tomar parte na causa do Evangelho, isto é, ir e ensinar, como Jesus recomenda, é um grande feito que Paulo agradece aos cristãos de Filipos, a quem é dirigida esta carta. Cada comunidade cristã há-de estar preocupada com o anúncio profético e manifestar o seu apoio àqueles que a ele se dedicam de modo especial, como os pregadores, os catequistas, os missionários... Jesus só pode “nascer” no coração de cada pessoa, se houver quem O anuncie. A minha comunidade sente este imperativo evangelizador? A caridade une e polariza a minha comunidade na mesma missão profética? Isto é condição essencial para podermos viver o Natal do Senhor.

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            Leituras do II Domingo do Advento – Ano C

Baruc 5,1-9; Sl 126 (125),1-2ab.2cd-3.4-5.6; Fl 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

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II Domingo do Advento – Ano C

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

O Advento é a estação da esperança

            Iniciamos, hoje, um novo ano litúrgico. O Advento é a estação da esperança, ou, dito de outro modo, a estação em que o desejo é educado, no sentido de se tornar esperança. A esperança é a meta e o desejo é a partida. Em cada ano, o Advento apresenta-se-nos como uma pedagogia do desejo, e é a liturgia que nos conduz, de diversas maneiras, através das leituras e das orações que nos propõe. No Advento condensamos todas as nossas expectativas no grito «Vem, Senhor!», grito que brota da solidão, da angústia, da fragilidade e do medo de todos aqueles sentimentos que marcam, de modo brutal e doloroso, o nosso ser de pessoas incompletas e necessitadas de que alguém venha socorrer-nos. No fundo, é ao Senhor que esperamos alcançar e é o desejo dele que nos põe em andamento.

            A primeira leitura, escrita por Jeremias alguns séculos antes da vinda do Senhor, num contexto de opressão social e religiosa, revela-nos que o desejo do povo escolhido se activou, na esperança do surgimento de um rei Messias, que exercesse a justiça e o direito. O profeta anuncia a vinda desse “rebento” de David que trará a paz e a segurança ao povo. Porém, este povo não chegou a ver o nascimento do Salvador, mas alimentou o desejo da sua vinda.

No evangelho, Lucas, utilizando uma linguagem apocalíptica, fala-nos da segunda vinda do Senhor. É, na verdade, essa segunda vinda que esperamos no Advento. Ele há-de vir com poder e glória, em oposição ao modo como se apresentou no meio da humanidade, na sua primeira vinda, a do Natal. Mas é essencial fazer memória do nascimento do Senhor e da sua mensagem, pois é este memorial, celebrado e vivido por cada um e uma de nós, que nos prepara para O acolher na sua segunda vinda. Aqui se abre o espaço à esperança e à exigência do desejo, que nos conduz, a partir ao encontro da pobreza e da humildade do Deus próximo, no Menino de Belém. “Vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem”, adverte-nos Jesus pela boca de Lucas.

            Na segunda leitura, Paulo convida-nos a alargar o desejo do encontro amoroso e definitivo com o Senhor, que esperamos. Para isso, havemos de crescer na caridade fraterna, viver em santidade irrepreensível e conhecer as normas sobre o modo de proceder para agradar a Deus. Numa sociedade em que muitos dos nossos desejos são justamente cumulados, peçamos ao Senhor do Advento que nos livre do perigo de uma situação de saciedade, que eliminasse os nossos medos e extinguisse os nossos desejos, porque, então, poderemos cair na ilusão de uma libertação plena. A insatisfação é salutar, porque há sempre em nós uma semente de Deus, que teima em nascer, sob a crosta dura do nosso coração. Vem, Senhor, para ti elevo a minha alma! 

 

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            Leituras do I Domingo do Advento – Ano C

Jr 33,14-16; Sl 25 (24), 4bc.8-9.10.14; 1 Ts 3,12-4,2; Lc 21,25-28.34-36

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