II Domingo do Advento –
Ano C
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Denunciar
as situações
mundanas que são anti evangélicas.
A
liturgia da Palavra deste domingo
recorda-nos que todos nós, baptizados em Cristo, participamos da
sua missão
profética, isto é, temos o dever de anunciar o Evangelho
e denunciar as situações
mundanas que são anti evangélicas. Esta missão
profética exerce-se através de
todo o dinamismo do nosso ser, que é composto por ideias,
intenções,
sentimentos, palavras e acções. A Palavra convida-nos a
deixarmo-nos impregnar
por ela, eliminando todos os obstáculos, para que a nossa
missão profética seja
portadora da autêntica mensagem de Deus às pessoas da
nossa contemporaneidade.
Na
primeira leitura, o profeta Baruc
diz-nos que este tempo de Advento é o “espaço”
favorável para soltarmos as
amarras da nossa própria escravidão e de nos deixarmos
conduzir à bondade e à
ternura de Deus, na alegria e na liberdade de filhos e filhas. Neste
ambiente
havemos de descobrir o nosso ser comunhão, pelo dom de Deus, e
construir
fraternidade, partilha e serviço. Que escravidões me
habitam ainda? Que modelo
de comunidade cristã estou eu a construir?
O
evangelho situa-nos num tempo e num
espaço concreto, no qual João Baptista inicia a sua
missão profética. Ele é o
escolhido por Deus para convidar os seus ouvintes à
conversão e à penitência,
ou seja, à mudança de mentalidade e de vida, para que
possam acolher a chegada
de Jesus. De facto, num momento dado da história humana e numa
geografia
concreta, Deus fez-se próximo de nós no Menino de
Belém. Mas Jesus ainda não
“invadiu” o coração de cada homem e mulher, nem sequer
daqueles que também O
anunciam. Há zonas escuras no nosso ser, feitas de ódio,
vingança, egoísmo,
opressão, violência, que clamam por uma urgente
mudança. Preparar o caminho do
Senhor, é tomar consciência da minha
situação cristã existencial e reorientar-se
para Deus. De que de modo é que os valores e os critérios
evangélicos conduzem
a minha vida e me levam a dar testemunho deles?
Na
segunda leitura, Paulo adverte-nos
contra o espírito de rivalidade, de crítica destrutiva e
de luta pelo poder,
entre outros, que conspurcam o nosso coração e o tornam
opaco e impermeável à
Palavra de Deus. Tomar parte na causa do Evangelho, isto é, ir e
ensinar, como
Jesus recomenda, é um grande feito que Paulo agradece aos
cristãos de Filipos,
a quem é dirigida esta carta. Cada comunidade cristã
há-de estar preocupada com
o anúncio profético e manifestar o seu apoio
àqueles que a ele se dedicam de
modo especial, como os pregadores, os catequistas, os
missionários... Jesus só
pode “nascer” no coração de cada pessoa, se houver quem O
anuncie. A minha
comunidade sente este imperativo evangelizador? A caridade une e
polariza a minha
comunidade na mesma missão profética? Isto é
condição essencial para podermos
viver o Natal do Senhor.
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Leituras
do II Domingo do Advento – Ano C
Baruc
5,1-9; Sl 126 (125),1-2ab.2cd-3.4-5.6; Fl
1,4-6.8-11; Lc 3,1-6
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II Domingo do Advento –
Ano C
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
O Advento é a estação da esperança
Iniciamos,
hoje, um novo ano litúrgico. O Advento é a
estação da esperança, ou, dito de
outro modo, a estação em que o desejo é educado,
no sentido de se tornar
esperança. A esperança é a meta e o desejo
é a partida. Em cada ano, o Advento
apresenta-se-nos como uma pedagogia do desejo, e é a liturgia
que nos conduz,
de diversas maneiras, através das leituras e das
orações que nos propõe. No
Advento condensamos todas as nossas expectativas no grito «Vem,
Senhor!», grito
que brota da solidão, da angústia, da fragilidade e do
medo de todos aqueles
sentimentos que marcam, de modo brutal e doloroso, o nosso ser de
pessoas
incompletas e necessitadas de que alguém venha socorrer-nos. No
fundo, é ao
Senhor que esperamos alcançar e é o desejo dele que nos
põe em andamento.
A primeira leitura, escrita por Jeremias
alguns séculos antes da vinda do Senhor, num contexto de
opressão social e
religiosa, revela-nos que o desejo do povo escolhido se activou, na
esperança do
surgimento de um rei Messias, que exercesse a justiça e o
direito. O profeta
anuncia a vinda desse “rebento” de David que trará a paz e a
segurança ao povo.
Porém, este povo não chegou a ver o nascimento do
Salvador, mas alimentou o
desejo da sua vinda.
No
evangelho, Lucas, utilizando uma linguagem apocalíptica,
fala-nos da segunda
vinda do Senhor. É, na verdade, essa segunda vinda que esperamos
no Advento.
Ele há-de vir com poder e glória, em
oposição ao modo como se apresentou no
meio da humanidade, na sua primeira vinda, a do Natal. Mas é
essencial fazer
memória do nascimento do Senhor e da sua mensagem, pois é
este memorial,
celebrado e vivido por cada um e uma de nós, que nos prepara
para O acolher na
sua segunda vinda. Aqui se abre o espaço à
esperança e à exigência do desejo,
que nos conduz, a partir ao encontro da pobreza e da humildade do Deus
próximo,
no Menino de Belém. “Vigiai e orai em todo o tempo, para terdes
a força de vos
livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na
presença do Filho
do homem”, adverte-nos Jesus pela boca de Lucas.
Na segunda leitura, Paulo convida-nos
a alargar o desejo do encontro amoroso e definitivo com o Senhor, que
esperamos. Para isso, havemos de crescer na caridade fraterna, viver em
santidade irrepreensível e conhecer as normas sobre o modo de
proceder para
agradar a Deus. Numa sociedade em que muitos dos nossos desejos
são justamente
cumulados, peçamos ao Senhor do Advento que nos livre do perigo
de uma situação
de saciedade, que eliminasse os nossos medos e extinguisse os nossos
desejos,
porque, então, poderemos cair na ilusão de uma
libertação plena. A insatisfação
é salutar, porque há sempre em nós uma semente de
Deus, que teima em nascer,
sob a crosta dura do nosso coração. Vem, Senhor, para ti
elevo a minha
alma!
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Leituras do I Domingo do Advento –
Ano C
Jr
33,14-16; Sl 25 (24), 4bc.8-9.10.14; 1 Ts 3,12-4,2; Lc 21,25-28.34-36
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