"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXXIII           Mês: Julho de  2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

 XVII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Magnanimidade de Deus

            A liturgia da palavra deste domingo fala-nos da magnanimidade de Deus, que nos enche de todos os bens, temporais e, sobretudo, espirituais. Esta generosidade divina contrasta com a nossa tacanhez, sobretudo quando nos fechamos no nosso egoísmo e não ouvimos os gritos da humanidade, carente de tudo, até do mais essencial, que é o pão de cada dia. A palavra garante-nos que Deus se oferece a nós, a cada pessoa e à humanidade em geral e que, se confiarmos nele, nada nos pode faltar. Ele abre as suas mãos e sacia a nossa fome, como canta o salmo 145.

Na primeira leitura, vemos o profeta Eliseu a saciar a fome a cem pessoas, apenas com vinte pães, porque o Senhor lhe disse: “Dá-os a comer a essa gente. Comerão e ainda há-de sobrar”. No evangelho, João fala-nos de um prodígio ainda maior: cinco mil homens ficaram saciados com cinco pães de cevada e dois peixes. E ainda sobrou pão. O milagre da abundância opera-se, porque estes cinco pães passaram pelas mãos de Jesus, como outrora os vinte pães tinham passado pelas mãos do profeta Eliseu, por ordem de Deus.

Será que há, ainda hoje, profetas que façam passar os seus bens pelas mãos de Jesus? Cristo, habitando no meio dos homens e mulheres do nosso tempo, é Ele mesmo o pão integral (total), que mata todas as fomes do mundo, as do corpo e as do espírito. Os cristãos, que “praticam” verdadeiramente Jesus Cristo, sabem alimentar-se dele, diariamente, comendo o pão da Palavra e da Eucaristia. Aprendem com este Pão a partilhar tudo o que têm com os demais. Hoje, não há ninguém que não se aperceba das profundas desigualdades sociais. Há cada vez mais pobres, e, cada vez, mais ricos, abarrotando de todos os bens. Multiplicam-se os apelos de solidariedade, fazem-se campanhas de rua, abrem-se bancos alimentares contra a fome, mas as imagens que nos chegam e as notícias que vamos lendo indicam-nos que, cada dia, morrem milhares de pessoas, sobretudo crianças, por falta de nutrição. Há quem pense resolver o assunto, combatendo a natalidade. Contudo, o problema não se encaminha por aí. É necessário que cresça a caridade cristã, à qual se chama, vulgarmente, solidariedade.

Na segunda leitura, Paulo recomenda aos cristãos que vivam de tal modo Cristo, que manifestem ao mundo que há um só Pai, Deus, que “actua em todos e em todos se encontra”. É, exactamente, este testemunho de que há um só Pai e de que todos somos irmãos e irmãs, iguais em direitos e deveres, que o cristão é chamado a dar, pela partilha pessoal e pelo apelo aos outros, para que partilhem, também, não só daquilo que lhes sobra, mas do que lhes faz falta, aprendendo a viver na sobriedade para uma maior caridade. Se todos aprendermos a partilhar como Jesus, entregando-lhe os nossos “cinco pães e os dois peixes”, isto é, tudo aquilo que temos e somos, Jesus encarregar-se-á de nos ensinar a matar a fome espiritual e corporal a todos os irmãos e irmãs de quem nos quisermos fazer próximos. Porque todos comerão e ainda há-de sobrar, prometeu o Senhor. A mesa da Eucaristia está sempre posta e o convite de Jesus para este banquete dirige-se a todos. Tenho fome deste pão? A partilha eucarística impele-me à partilha fraterna?

 

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Leituras do XVII Domingo do Tempo Comum

2 Reis 4,42-44; Sl 145 (144); Ef 4,1-6; Jo 6,1-15

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 XVI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Bom pastor

Na liturgia deste domingo, o Senhor apresenta-se-nos como o bom pastor, pronto a cuidar do seu rebanho e a prestar-lhe toda a assistência de que carece. Jesus ensina-nos o seu jeito de ser pastor, de conduzir as pessoas à unidade e à paz, à reconciliação e ao encontro com o Pai. Cura o nosso nervosismo e agitação, a nossa pressa e correria, que nos fazem esquecer o cuidado de sermos atenciosos e bons ouvintes dos nossos irmãos e irmãs.

O profeta Jeremias, na primeira leitura, como porta-voz de Deus, queixa-se dos pastores de Israel, não dos que andavam pelas montanhas a guardar as ovelhas, mas, em jeito de alegoria, refere-se aos reis e sacerdotes do tempo, os condutores do povo, porque dispersam as ovelhas, em vez de as reunirem, e as escorraçam, em vez de terem cuidado com elas. Por isso, Deus intervém para reunir o “resto” das ovelhas, prometer “um rebento justo”, que há-de “governar com sabedoria”. O Senhor promete bons pastores e, sobretudo, um bom pastor, que será um rebento de David. Esse pastor “será um verdadeiro rei”, que promoverá a unidade entre as ovelhas, será solícito pela justiça, o amor e a paz. Encontramos nesta promessa uma clara alusão a Jesus Cristo, o bom pastor. Os humildes de Israel foram vivendo na esperança deste pastor e cantavam o Salmo 23, que nós hoje podemos repetir:”O Senhor é meu pastor, nada me falta”.

            No evangelho, Jesus, o bom pastor, convida-nos a ir com Ele e a descansar um pouco. Estamos em tempo de férias. Passar as férias com Jesus é sumamente reconfortante. Este convite é, sobretudo, dirigido aos evangelizadores, sacerdotes ou leigos, que se afadigam, excessivamente, com mil e uma tarefas diárias e que tanto precisam de repousar e de repousar com Jesus, isto é, aproveitar o tempo de férias para uns dias de retiro ou para tempos mais prolongados de oração, de convívio ou de leitura. É certo, que o descanso de Jesus com os discípulos durou pouco tempo, porque ao desembarcarem, logo a multidão os procurou. Ao ver toda aquela gente, Jesus compadeceu-se, porque eram como ovelhas sem pastor. O modo de Jesus se compadecer levo-a a ensinar as pessoas, a dar-se totalmente a elas. De que jeito me compadeço eu dos outros? Lamento as suas desgraças e passo ao largo, ou coloco-me ao seu serviço, como Jesus, para os ajudar a libertar?

Paulo, na segunda leitura, explica a acção de Cristo pastor, que reúne, em oposição aos antigos pastores de Israel. “Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava.” Foi pela cruz, que Jesus reconciliou com Deus todos os povos, reunindo-os no seu Corpo e dando-lhes a possibilidade de se aproximarem do Pai, no Espírito Santo. Cristo é, de facto, a nossa paz. Trabalhar no estabelecimento da paz e da justiça, é uma tarefa primordial. Como me situo eu face a esta tarefa, no meio de tantas divisões? Anuncio a boa nova da paz pelo meu ser e agir? Numa sociedade dividida, em que é mais comum divulgar más notícias, más famas… construo a paz, ergo pontes, integro as pessoas, dialogo?

 

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Leituras do XVI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Jr 23,1-6; Sl 23 (22); Ef 2,13-18; Mc 6,30-34

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XV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

 Actividade profética

                A liturgia deste domingo coloca-nos, de novo, diante da actividade profética e missionária.

A primeira leitura apresenta-nos uma rejeição do profeta Amós, por parte do sacerdote Amásias de Betel, onde o altar, anteriormente erguido ao Deus de Israel, foi transformado num santuário pagão, pelo rei Jeroboão I. Aqui se faziam peregrinações e se organizavam celebrações religiosas e festas luxuosas, às expensas dos mais pobres. Amós foi chamado pelo Senhor para profetizar a este povo de Israel. Ele sente que foi Deus que lhe pôs a Palavra na sua boca para denunciar esta ruptura da Aliança, assim como as injustiças, o luxo e a corrupção, que alastravam entre o povo. Denuncia a divisão social existente: por um lado, a classe alta, que vivia à custa dos “humildes” e, por outro, os criados, os órfãos e as viúvas, que eram explorados e injustiçados pelos primeiros. O profeta estava a mais, porque era voz dos sem voz, sem terra, sem defesa. Por isso, tornou-se “pessoa não grata” face aos importantes, que o convidam, agora, a retirar-se e a regressar à sua terra, de modo a não os incomodar mais.

                No evangelho, Marcos conta-nos como os doze receberam de Jesus o mandato missionário e profético. Recomenda-lhes: “Se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles”, porque esta pode ser, realmente, a sorte dos que anunciam boas novas e denunciam os erros. Esta ideia de rejeição aproxima Amós dos doze, porque juntos são chamados ao anúncio profético e estão sujeitos a ser “expulsos” pelo povo a quem são enviados. No texto podemos aperceber-nos das condições apresentadas por Jesus para que os discípulos exerçam, com ética e fé, a sua missão: envia-os dois a dois, para apoio mútuo e testemunho de fraternidade; ordena-lhes que não levem nada para o caminho, a não ser o bastão, para que se abandonem, totalmente, à providência de Deus, o que exige fé na Palavra; dá-lhes poder, simbolizado no bastão, porque a Palavra de Deus é eficaz; manda-os permanecer numa localidade ou sacudir o pó dos pés, onde não forem aceites, porque Deus não se impõe, é tolerante e respeita a liberdade de cada um, assim como as diferentes opções religiosas; finalmente, os discípulos partiram e pregaram, porque não se pode ficar apenas no desejo e nas boas intenções. Jesus Cristo pratica-se pela palavra e pela acção.

                A actividade profética e missionária obedecem ao plano salvífico de Deus para com o seu povo e exigem um suporte doutrinal sólido e esclarecido. Por isso, encontramos na segunda leitura, um belo texto da carta aos Efésios, onde Paulo apresenta elementos essenciais da nossa fé: por meio de Jesus Cristo, somos abençoados e chamados a ser filhas e filhos adoptivos de Deus, recebemos a remissão dos nossos pecados e a sabedoria, para podermos conhecer a vontade de Deus, recebemos a palavra da verdade, o Evangelho, que nos conduz à fé, e fomos marcados pelo Espírito Santo, que é a garantia da nossa herança gloriosa.

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Leituras do XV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Am 7, 12-15; Sl 85 (84); Ef 1,3-14; Mc 6,7-13

 
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 XIV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Profetas e das profecias

          A liturgia deste domingo fala-nos dos profetas e das profecias. Não dos falsos profetas que anunciam o futuro, de forma espectacular, mas dos verdadeiros profetas, que recordam ao povo a mensagem da salvação, já revelada, e lhes apontam o caminho a seguir para serem felizes e darem alegria ao Senhor.
            Na primeira leitura, o profeta Ezequiel, ao mesmo tempo que sente o imperativo de cumprir a sua missão, tem também uma dúvida interior: Que adianta pregar a um povo que não quer escutar? Não será perder tempo? Mas o Espírito do Senhor ajuda-o a assumir as suas responsabilidades, segredando-lhe interiormente: “Podem escutar-te ou não – porque são uma casta de rebeldes – mas saberão que há um profeta no meio deles”. Porque pôs o dedo na chaga, lançou pedras no charco, foi ousado e atrevido, em nome de Deus, Ezequiel sentiu-se rejeitado pelo povo. Esta é a sorte de todos os profetas!
          No evangelho, Marcos fala-nos das dificuldades que o próprio Jesus teve de enfrentar, para cumprir a missão que o Pai lhe confiara. Ele é o verdadeiro profeta e mais do que profeta! Ele é a própria Palavra do Pai. Jesus não é um homem espectacular, nem realiza prodígios para ser aplaudido. Está na sua terra natal e, aí, todos sabem que ele é carpinteiro, filho de José e conhecem bem Maria, a sua mãe, assim como os seus familiares mais próximos, chamados de “irmãos”. Que trará de novo um homem jovem que sabe menos do que eles? À partida, está rejeitado! Mas a verdadeira causa desta recusa é que as suas palavras abalam as estruturas vigentes e contestam as falsas interpretações da Lei de Deus. São palavras revolucionárias demais para os que estão excessivamente acomodados!
           Paulo na segunda leitura, cansado de tantas perseguições e lutas, queixa-se ao Senhor da sua fragilidade, que ele pensa ser um impedimento à pregação do Evangelho. Mas o Senhor diz-lhe: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder”. Paulo compreendeu e ajuda-nos a compreender que não são os fortes e os poderosos que Deus chama à profecia, isto é, ao anúncio do Evangelho, mas os fracos. É, exactamente, este sentimento de fragilidade, diante da tarefa a cumprir, que desenvolve em nós o sentimento de humildade e nos leva a perceber que é o Senhor que actua através de nós, seus instrumentos. A nossa palavra e acção são tanto mais eficazes, quanto mais nos sentirmos frágeis e pequenos e mais confiarmos na força de Deus. O importante é que as perseguições, calúnias ou rejeições, que temos de suportar, não nos façam depor as armas do bom combate pela causa de Deus e da sua Palavra.
           Pelo baptismo, cada cristão/ã participa da missão profética de Jesus. Tenho consciência disso? Sinto-me em paz e sou feliz quando me rejeitam por causa do anúncio e da vivência do Evangelho? Habitualmente, procuro solidarizar-me com os mais fracos, os rejeitados, os criticados, ou, ao contrário, sou inclinado/a a agredir, mal dizer, caluniar? Sou rebelde ou obediente ao Espírito do Senhor? Exerço a minha vocação de profeta, sem temor, apenas confiado/a na força de Deus?

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Leituras do XIV Domingo do Tempo Comum

Ez 2,2-5; Sl 123 (122); 2 Cor 12,7-10; Mc 6,1-6

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