"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXXI           Mês: Maio de  2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

Ascensão do Senhor – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Solenidade da ascensão do Senhor

Celebramos, neste domingo, a solenidade da ascensão do Senhor, que nos fala do nosso destino final: ir para o Pai como Jesus. Esta afirmação significa que, pela sua ascensão, Jesus não entra num lugar mas numa nova dimensão. O seu corpo humano adquiriu a glória e as propriedades de Deus, que Ele tinha antes de encarnar. É uma solenidade de esperança, pois com Cristo todos nós subimos ao Pai na esperança e na promessa. A ascensão do Senhor recorda-nos que o céu é a nossa meta e que a vida terrena é o caminho para conseguir atingi-la. Esta é missão que Ele nos confia!

A primeira leitura relata-nos o facto da ascensão do Senhor. Jesus convida os seus amigos a subir com Ele o monte das Oliveiras e, ali mesmo, se despede, começando a elevar-se à vista deles e uma nuvem escondeu-o a seus olhos. Porém, antes de se elevar, o Senhor Jesus confia-lhes uma grande missão: a de serem suas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra. Mas, como os discípulos estavam pasmados a olhar para o céu, foram sacudidos por dois homens vestidos de branco que os despertaram para a “missão”. Esta consiste em tornar realidade o projecto libertador do Pai junto dos irmãos e irmãs. O meu testemunho de vida tem transformado a realidade que me rodeia, ou vivo alienado dessa realidade? Qual o impacto desse testemunho na minha família, no local onde desenvolvo a minha actividade profissional, na minha comunidade cristã?

O evangelho explicita a “missão” confiada por Jesus aos seus amigos, quando os envia ao mundo inteiro e a todos os povos. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam. Foi deste modo que esta palavra chegou até aos nossos ouvidos, penetrou no nosso coração e mudou a nossa vida. E se estes homens e mulheres se recusassem a cumprir a “missão” que Ele lhes confiou? Hoje, nenhum de nós confessava que Jesus é o Filho de Deus. Vivíamos nas trevas, como muitos dos nossos contemporâneos. Esta “missão” está, hoje, nas nossas mãos e no nosso coração. É o mesmo Senhor que nos envia. Partir, não significa, para muitos de nós, deixar a sua casa ou a sua terra. Partir, é, antes de mais, um movimento interior. É sair de si e abrir-se aos demais, para lhes falar de Jesus Cristo e da sua força transformadora. Quem está livre para partir?

A segunda leitura convida-nos a reavivar a nossa esperança no chamamento que Deus nos faz: vivermos em plena comunhão com Ele. A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um “corpo” destinado à vida plena. Dizer que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa vivermos numa comunhão total com Ele e em solidariedade total com todos os nossos irmãos e irmãs, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida. Como vivo estas duas coordenadas na minha existência?

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Leituras da Ascensão do Senhor

Actos 1,1-11; Sl 47 (46), 2-3.6-7.8-9; Ef 1,17-23; Mc 16,15-20

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VI Domingo da Páscoa – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Deus é amor

A liturgia deste domingo afirma que Deus é amor, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos é dado. Este amor divino torna-se “palpável” por nós, no dia-a-dia, pela acção de Jesus e dos seus discípulos e discípulas. Estes veiculam o amor que vem de Deus e no-lo comunicam em palavras e gestos insuspeitáveis. Deus é amor!

A primeira leitura diz-nos que o amor de Deus não tem condições: oferece-se a todas as pessoas, sem excepção. Para Deus, o que é decisivo, não é a pertença a uma raça ou a um determinado grupo social, mas a disponibilidade para acolher a salvação que Ele nos oferece, através de Jesus Cristo. Para cada um de nós, o baptismo foi esse momento de salvação amorosa, que reclama, em cada instante, o nosso “sim” ao Amor, feito de disponibilidade para acolher Deus e as suas propostas. Deus convida-nos, permanentemente, a amar toda a gente, independentemente da sua raça, cor de pele, origem, preparação cultural, lugar na escala social. Como me situo eu face à universalidade e gratuidade do amor de Deus, nos meus comportamentos para com os meus irmãos e irmãs? Sou demasiado elitista, selectivo, ou sou, no geral, aberto, imparcial e magnânimo?

A segunda leitura apresenta-nos uma das mais profundas e completas definições de Deus: “Deus é amor”. A pessoa de Jesus, o que foi, disse e fez sobre a terra manifesta-nos esta imensidão de amor que Deus nutre por nós. Ser “filho e filha de Deus” e “conhecer a Deus” é deixar-se envolver por este dinamismo de amor e amar os irmãos e as irmãs. Só pode conhecer a Deus, quem ama, de facto. A experiência pessoal  humana do amor prepara-nos para penetrar no mistério do amor divino. É por tentativas, que chegamos a esse conhecimento, que não é tecido de raciocínios, mas construído a partir do modo como Deus se relaciona connosco e como nós nos vamos relacionando com os outros, pela força do amor de Deus em nós. A exigência do amor leva-me a derrubar barreiras de indiferença, de egoísmo, de auto-suficiência, de orgulho que tantas vezes me impedem de viver em comunhão com Deus e com os outros? Que é, para mim, “nascer de Deus”?

No evangelho, Jesus revela o amor do Pai aos seus amigos. Jesus escolheu-os, chamou-os, formou-os e partilhou com eles o conhecimento e o projecto do Pai. Associou-os à sua missão e viveu com eles numa relação de confiança e de intimidade, permanecendo, embora, o centro e a referência, à volta dos quais se constrói a comunidade cristã. Nunca podemos esquecer que Jesus continua ao nosso lado, dando-nos coragem e esperança, lutando connosco para vencer as forças da opressão, do mal e da morte. Sobretudo nos momentos de crise, de desilusão, de frustração, de perseguição, que lugar ocupa Jesus na minha vida? É Ele o centro da minha comunidade cristã, à volta do qual tudo se organiza e se articula? Vivo da certeza da sua presença?


 
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Leituras do VI Domingo da Páscoa

Actos 10,25-26.34-35.44-48; Sl 98 (97); 1 Jo 4,7-10; Jo 15,9-17

 
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V Domingo da Páscoa – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Os frutos de uma árvore enxertada em Cristo

A liturgia deste domingo exorta-nos a que demos frutos. Naturalmente, os frutos de uma árvore enxertada em Cristo, com as suas raízes bem mergulhadas na sua Pessoa. Frutos que brotam do Amor, com que Deus nos ama e se nos comunica em dinâmica de reciprocidade.

A primeira leitura, narra-nos, pela boca do apóstolo Barnabé, as resistências que Paulo teve de suportar, por parte dos discípulos do Senhor, em Jerusalém, porque estes não queriam acreditar na evidência que os seus olhos viam e os seus ouvidos ouviam. Era ele, Saulo, o feroz perseguidor dos cristãos, que, agora, destemidamente, pregava com firmeza o nome de Jesus. Porém, Barnabé, homem conduzido pelo Espírito, dá testemunho a favor de Paulo e narra, diante dos discípulos estupefactos, as maravilhas que Jesus ressuscitado fez em favor de Paulo: Cristo entrou na sua vida, transformou-o em instrumento de salvação, em benefício de todos os povos, nomeadamente, dos gentios. Como me situo eu diante dos novos cristãos ou das pessoas que um dia falharam e, depois, se converteram? Estou aberto/a à nova criação que brota do Espírito, ou fico a deplorar, indefinidamente, um episódio que já passou? Como me situo, face aos sentimentos misericordiosos de Deus? Sou misericordioso/a com os outros ou intransigente?

O evangelho assegura-nos que a única hipótese que temos para viver como Jesus Cristo, em comunhão de sentimentos e de atitudes, é permanecer nele, para que Ele possa permanecer, também, em nós. Só, assim, daremos frutos de santidade, de amor, de misericórdia, de perdão, como os ramos da videira, que só produzem uvas enquanto estão ligados e saciados com a seiva que, brotando da cepa, os percorre até à sua ínfima extremidade. Mas, para dar frutos, e frutos de qualidade, também precisamos de ser podados como a videira. A poda, que o Senhor nos faz, consiste nos contratempos, nas perseguições, de que somos alvo, no suor e no sangue da luta que travamos para fazer o bem e evitar o mal. O Pai quer que demos muito fruto e, por isso, como bom agricultor que é, não deixa de nos podar com ternura e amor. Como vivo eu as podas que o Senhor me faz? Com gratidão ou com revolta? Digo: “que mal fiz eu a Deus para assim ser castigado”, ou integro-me no projecto de amor que Deus tem para mim?

A segunda leitura orienta-nos no sentido de discernirmos o que devemos fazer para permanecermos em Cristo. Se amarmos, não apenas de palavras, mas com obras e de verdade, estamos tranquilos diante de Deus e o nosso coração não nos acusa de nada. Podemos estar cheios de confiança diante de Deus, porque dele havemos de receber tudo quanto precisamos para sermos felizes e fazermos, também, os outros felizes. O mandamento de Deus leva-nos a acreditar em Jesus Cristo e a amar-nos uns aos outros. Só, assim, Deus pode permanecer em nós e nós nele. É alegre e feliz quem ama verdadeiramente; só ama, verdadeiramente, quem permanece em Deus e se deixa habitar por Ele e pratica as suas obras. É este o meu estilo de vida? Ou passo a minha existência a destruir a vida dos outros com invenções maldosas e intolerâncias descabidas? Permaneço em Deus ou no diabo? Uno as pessoas ou semeio discórdias e divisões?

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Leituras do V Domingo da Páscoa – Ano B

Act 9,26-31; Sl 23 (22); 1 Jo 3,18-24; Jo 15,1-8

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IV Domingo da Páscoa – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

                      Jesus narra-nos a história da sua vida

            Este domingo é assinalado pela noção de “dar a vida”, “servir com a vida”. Jesus narra-nos a história da sua vida, através da analogia do bom pastor. Como a narratologia é mais eloquente que o discurso, Jesus narra para melhor se fazer entender.

            O evangelho conta a história de Jesus, enquanto Bom Pastor. Ele veio ao mundo para reunir todos os filhos de Israel que “pareciam ovelhas sem pastor” e alimentá-los com a sua Palavra e o seu próprio corpo e sangue, e para entregar, livremente, a sua vida até à morte, como último reduto de salvação para estas ovelhas. Contudo, o Bom Pastor sabe que ainda há muita ovelha dispersa, enlodada, emaranhada no perigo que a espreita de todos os lados. Sabe que a sua missão de pastor, hoje, é para ser continuada por aqueles e aquelas que, como Ele, se dispõem a dar a sua vida pelas ovelhas. Jesus continua a olhar para o seu povo com paixão e tem pena deste povo que continua à deriva como ovelhas sem pastor. E interroga cada um e cada uma de nós: “Não queres tu também continuar a servir os teus irmãos e irmãs como Eu fiz?”. “Não queres tu também oferecer a tua vida para que muitos tenham a minha vida em abundância?” Estes são os apelos à vocação de serviço na Igreja e a favor do mundo, que Jesus dirige aos jovens e aos menos jovens. Estamos a celebrar o dia das vocações de especial consagração, no ministério ordenado e na vida consagrada. Quem pode e quer escutar esta voz? Quem são os pais que despertam os seus filhos e filhas para a realidade vocacional de especial serviço? Quem são os cristãos e cristãs, os catequistas e os professores que interpelam os mais jovens no sentido vocacional?

            Surgiu uma nova religião – o paganismo – que celebra a sua “liturgia” com feitiçarias e cultos satânicos, ouvi há dias num noticiário televisivo. E eu reflectia: quando não há verdadeiros pastores, esclarecidos, dedicados e serviçais, como o Bom Pastor, o povo cai nas piores aberrações, porque precisa de um Deus e de uma religião. Como é importante que também todos os cristãos e cristãs procurem esclarecer e aprofundar a sua fé e apoiem muitos outros na sua formação cristã! O povo tem falta de alimento substancial, o da Palavra e o da Eucaristia. Peçamos, pois, ao Bom Pastor que nos envie muitos bons pastores para reunirem o rebanho, o alimentarem e o conduzirem à unidade, sob a chefia de Cristo ressuscitado.

Na primeira leitura, Pedro recorda-nos que Jesus é a “pedra angular” que foi desprezada pela sua paixão e morte, mas que veio a tornar-se o fundamento sólido da Igreja. É só através dele que podemos ser salvos.

Na segunda leitura João afirma-nos que o Bom Pastor quis fazer de todas as suas ovelhas, filhos e filhas de Deus, para que se tornem semelhantes a Ele e, um dia, O contemplem na glória dos céus. Tal é o destino que Deus nos tem reservado, se nos colocarmos sob a condução do Bom Pastor.

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Leituras do IV Domingo da Páscoa – Ano B

Act 4,8-12; Sl 118 (117); 1 Jo 3,1-2; Jo 10,11-18

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