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Ascensão
do Senhor
– Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Solenidade da ascensão do Senhor
Celebramos,
neste domingo, a solenidade da ascensão do Senhor, que nos fala
do nosso destino final: ir para o Pai como Jesus. Esta
afirmação significa que, pela sua ascensão, Jesus
não entra num lugar mas numa nova dimensão. O seu corpo
humano adquiriu a glória e as propriedades de Deus, que Ele
tinha antes de encarnar. É uma solenidade de esperança,
pois com Cristo todos nós subimos ao Pai na esperança e
na promessa. A ascensão do Senhor recorda-nos que o céu
é a nossa meta e que a vida terrena é o caminho para
conseguir atingi-la. Esta é missão que Ele nos confia!
A
primeira leitura relata-nos o facto da ascensão do Senhor. Jesus
convida os seus amigos a subir com Ele o monte das Oliveiras e, ali
mesmo, se despede, começando a elevar-se
à vista deles e uma nuvem escondeu-o a seus olhos.
Porém, antes de se elevar, o Senhor Jesus confia-lhes uma grande
missão: a de serem suas testemunhas em
Jerusalém e em toda a
Judeia e na Samaria e até aos confins da terra. Mas,
como os discípulos estavam pasmados a olhar para o céu,
foram sacudidos por dois homens vestidos de branco
que os despertaram para a “missão”. Esta consiste em tornar
realidade o projecto libertador do Pai junto dos irmãos e
irmãs. O meu testemunho de vida tem transformado a realidade que me
rodeia, ou vivo alienado dessa realidade? Qual o impacto desse
testemunho na minha família, no local onde desenvolvo a minha
actividade profissional, na minha comunidade cristã?
O
evangelho explicita a “missão” confiada por Jesus aos seus
amigos, quando os envia ao mundo inteiro e a todos os povos. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava
com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
Foi deste modo que esta palavra chegou até aos nossos ouvidos,
penetrou no nosso coração e mudou a nossa vida. E se
estes homens e mulheres se recusassem a cumprir a “missão” que
Ele lhes confiou? Hoje, nenhum de nós confessava que Jesus
é o Filho de Deus. Vivíamos nas trevas, como muitos dos
nossos contemporâneos. Esta “missão” está, hoje,
nas nossas mãos e no nosso coração. É o
mesmo Senhor que nos envia. Partir, não significa, para muitos
de nós, deixar a sua casa ou a sua terra. Partir, é,
antes de mais, um movimento interior. É sair de si e abrir-se
aos demais, para lhes falar de Jesus Cristo e da sua força
transformadora. Quem está livre para partir?
A segunda leitura convida-nos a reavivar a nossa
esperança no chamamento que Deus nos faz: vivermos em plena
comunhão com Ele. A
ressurreição/ascensão/glorificação
de Jesus é a garantia da nossa própria
ressurreição/glorificação. Formamos com Ele
um “corpo” destinado à vida plena. Dizer que fazemos parte do
“corpo de Cristo” significa vivermos numa comunhão total com Ele
e em solidariedade total com todos os nossos irmãos e
irmãs, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida.
Como vivo estas duas coordenadas na minha existência?
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Leituras da Ascensão do Senhor
Actos
1,1-11; Sl 47 (46), 2-3.6-7.8-9; Ef 1,17-23; Mc 16,15-20
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VI Domingo da Páscoa
– Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Deus é amor
A
liturgia deste domingo afirma que Deus é amor, derramado em
nossos corações pelo Espírito Santo, que nos
é dado. Este amor divino torna-se “palpável” por
nós, no dia-a-dia, pela acção de Jesus e dos seus
discípulos e discípulas. Estes veiculam o amor que vem de
Deus e no-lo comunicam em palavras e gestos insuspeitáveis. Deus
é amor!
A
primeira leitura diz-nos que o amor de Deus não tem
condições: oferece-se a todas as pessoas, sem
excepção. Para Deus, o que é decisivo, não
é a pertença a uma raça ou a um determinado grupo
social, mas a disponibilidade para acolher a salvação que
Ele nos oferece, através de Jesus Cristo. Para cada um de
nós, o baptismo foi esse momento de salvação
amorosa, que reclama, em cada instante, o nosso “sim” ao Amor, feito de
disponibilidade para acolher Deus e as suas propostas. Deus
convida-nos, permanentemente, a amar toda a gente, independentemente da
sua raça, cor de pele, origem, preparação
cultural, lugar na escala social. Como me situo eu face à
universalidade e gratuidade do amor de Deus, nos meus comportamentos
para com os meus irmãos e irmãs? Sou demasiado elitista,
selectivo, ou sou, no geral, aberto, imparcial e magnânimo?
A segunda
leitura apresenta-nos uma das mais profundas e completas
definições de Deus: “Deus é amor”. A pessoa de
Jesus, o que foi, disse e fez sobre a terra manifesta-nos esta
imensidão de amor que Deus nutre por nós. Ser “filho e
filha de Deus” e “conhecer a Deus” é deixar-se envolver por este
dinamismo de amor e amar os irmãos e as irmãs. Só
pode conhecer a Deus, quem ama, de facto. A experiência pessoal humana do
amor prepara-nos para penetrar no mistério do amor divino.
É por tentativas, que chegamos a esse conhecimento, que
não é tecido de raciocínios, mas construído
a partir do modo como Deus se relaciona connosco e como nós nos
vamos relacionando com os outros, pela força do amor de Deus em
nós. A exigência do amor leva-me a derrubar barreiras de
indiferença, de egoísmo, de auto-suficiência, de
orgulho que tantas vezes me impedem de viver em comunhão com
Deus e com os outros? Que é, para mim, “nascer de Deus”?
No
evangelho, Jesus revela o amor do Pai aos seus amigos. Jesus
escolheu-os, chamou-os, formou-os e partilhou com eles o conhecimento e
o projecto do Pai. Associou-os à sua missão e viveu com
eles numa relação de confiança e de intimidade,
permanecendo, embora, o centro e a referência, à volta dos
quais se constrói a comunidade cristã. Nunca podemos esquecer que Jesus continua ao nosso
lado, dando-nos coragem e esperança, lutando connosco para
vencer as forças da opressão, do mal e da morte.
Sobretudo nos momentos de crise, de desilusão, de
frustração, de perseguição, que lugar ocupa
Jesus na minha vida? É Ele o centro da minha comunidade
cristã, à volta do qual tudo se organiza e se articula?
Vivo da certeza da sua presença?
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Leituras do VI Domingo
da Páscoa
Actos
10,25-26.34-35.44-48; Sl 98 (97); 1 Jo 4,7-10; Jo
15,9-17
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V Domingo da Páscoa
– Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Os frutos de uma árvore enxertada em Cristo
A
liturgia deste domingo exorta-nos a que demos frutos. Naturalmente, os
frutos de uma árvore enxertada em Cristo, com as suas
raízes bem mergulhadas na sua Pessoa. Frutos que brotam do Amor,
com que Deus nos ama e se nos comunica em dinâmica de
reciprocidade.
A
primeira leitura, narra-nos, pela boca do apóstolo
Barnabé, as resistências que Paulo teve de suportar, por
parte dos discípulos do Senhor, em Jerusalém, porque
estes não queriam acreditar na evidência que os seus olhos
viam e os seus ouvidos ouviam. Era ele, Saulo, o feroz perseguidor dos
cristãos, que, agora, destemidamente, pregava com firmeza o nome
de Jesus. Porém, Barnabé, homem conduzido pelo
Espírito, dá testemunho a favor de Paulo e narra, diante
dos discípulos estupefactos, as maravilhas que Jesus
ressuscitado fez em favor de Paulo: Cristo entrou na sua vida,
transformou-o em instrumento de salvação, em
benefício de todos os povos, nomeadamente, dos gentios. Como me
situo eu diante dos novos cristãos ou das pessoas que um dia
falharam e, depois, se converteram? Estou aberto/a à nova
criação que brota do
Espírito, ou fico a deplorar, indefinidamente, um
episódio que já passou? Como me situo, face aos
sentimentos misericordiosos de Deus? Sou misericordioso/a com os outros
ou intransigente?
O
evangelho assegura-nos que a única hipótese que temos
para viver como Jesus Cristo, em comunhão de sentimentos e de
atitudes, é permanecer nele, para que Ele possa permanecer,
também, em nós. Só, assim, daremos frutos de
santidade, de amor, de misericórdia, de perdão, como os
ramos da videira, que só produzem uvas enquanto estão
ligados e saciados com a seiva que, brotando
da cepa, os percorre até à sua ínfima
extremidade. Mas, para dar frutos, e frutos de qualidade, também
precisamos de ser podados como a videira. A poda, que o Senhor nos faz,
consiste nos contratempos, nas perseguições, de que somos
alvo, no suor e no sangue da luta que travamos para fazer o bem e
evitar o mal. O Pai quer que demos muito fruto e, por isso, como bom
agricultor que é, não deixa de nos podar com ternura e
amor. Como vivo eu as podas que o Senhor me faz? Com gratidão ou
com revolta? Digo: “que mal fiz eu a Deus para assim ser castigado”, ou
integro-me no projecto de amor que Deus tem para mim?
A
segunda leitura orienta-nos no sentido de discernirmos o que devemos
fazer para permanecermos em Cristo. Se amarmos, não apenas de
palavras, mas com obras e de verdade, estamos tranquilos diante de Deus
e o nosso coração não nos acusa de nada. Podemos estar cheios de
confiança diante de Deus, porque dele havemos de receber tudo
quanto precisamos para sermos felizes e fazermos, também, os
outros felizes. O mandamento de Deus leva-nos a acreditar em Jesus
Cristo e a amar-nos uns aos outros. Só, assim, Deus pode
permanecer em nós e nós nele. É alegre e feliz
quem ama verdadeiramente; só ama, verdadeiramente, quem
permanece em Deus e se deixa habitar por Ele e pratica as suas obras.
É este o meu estilo de vida? Ou passo a minha existência a
destruir a vida dos outros com invenções maldosas e
intolerâncias descabidas? Permaneço em Deus ou no diabo?
Uno as pessoas ou semeio discórdias e divisões?
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Leituras do V Domingo da Páscoa – Ano B
Act
9,26-31; Sl 23 (22); 1 Jo 3,18-24; Jo 15,1-8
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IV Domingo da Páscoa
– Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Jesus narra-nos a história da sua vida
Este domingo é assinalado pela noção
de “dar a vida”, “servir com a vida”. Jesus narra-nos a história
da sua vida, através da analogia do bom pastor. Como a
narratologia é mais eloquente que o discurso, Jesus narra para
melhor se fazer entender.
O evangelho conta a história de Jesus, enquanto Bom
Pastor. Ele veio ao mundo para reunir todos os filhos de Israel que
“pareciam ovelhas sem pastor” e alimentá-los com a sua Palavra e
o seu próprio corpo e sangue, e para entregar, livremente, a sua
vida até à morte, como último reduto de
salvação para estas ovelhas. Contudo, o Bom Pastor sabe
que ainda há muita ovelha dispersa, enlodada, emaranhada no
perigo que a espreita de todos os lados. Sabe que a sua missão
de pastor, hoje, é para ser continuada por aqueles e aquelas
que, como Ele, se dispõem a dar a sua vida pelas ovelhas. Jesus
continua a olhar para o seu povo com paixão e tem pena deste
povo que continua à deriva como ovelhas sem pastor. E interroga
cada um e cada uma de nós: “Não queres tu também
continuar a servir os teus irmãos e irmãs como Eu fiz?”.
“Não queres tu também oferecer a tua vida para que muitos
tenham a minha vida em abundância?” Estes são os apelos
à vocação de serviço na Igreja e a favor do
mundo, que Jesus dirige aos jovens e aos menos jovens. Estamos a
celebrar o dia das vocações de especial
consagração, no ministério ordenado e na vida
consagrada. Quem pode e quer escutar esta voz? Quem são os pais
que despertam os seus filhos e filhas para a realidade vocacional de
especial serviço? Quem são os cristãos e
cristãs, os catequistas e os professores que interpelam os mais
jovens no sentido vocacional?
Surgiu uma nova religião – o paganismo – que
celebra a sua “liturgia” com feitiçarias e cultos
satânicos, ouvi há dias num noticiário televisivo.
E eu reflectia: quando não há verdadeiros pastores,
esclarecidos, dedicados e serviçais, como o Bom Pastor, o povo
cai nas piores aberrações, porque precisa de um Deus e de
uma religião. Como é importante que também todos
os cristãos e cristãs procurem esclarecer e aprofundar a
sua fé e apoiem muitos outros na sua formação
cristã! O povo tem falta de alimento substancial, o da Palavra e
o da Eucaristia. Peçamos, pois, ao Bom Pastor que nos envie
muitos bons pastores para reunirem o rebanho, o alimentarem e o
conduzirem à unidade, sob a chefia de Cristo ressuscitado.
Na
primeira leitura, Pedro recorda-nos que Jesus é a “pedra
angular” que foi desprezada pela sua paixão e morte, mas que
veio a tornar-se o fundamento sólido da Igreja. É
só através dele que podemos ser salvos.
Na
segunda leitura João afirma-nos que o Bom Pastor quis fazer de
todas as suas ovelhas, filhos e filhas de Deus, para que se tornem
semelhantes a Ele e, um dia, O contemplem na glória dos
céus. Tal é o destino que Deus nos tem reservado, se nos
colocarmos sob a condução do Bom Pastor.
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Leituras do IV Domingo da Páscoa – Ano B
Act
4,8-12; Sl 118 (117); 1 Jo 3,1-2; Jo 10,11-18
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