"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXIX           Mês: Março de  2006.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.


5º Domingo da Quaresma – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Salvação que Deus nos oferece

A liturgia deste domingo insiste em nos afirmar que a salvação que Deus nos oferece, em Jesus Cristo, se torna possível pela perda de algo que consideramos importante, mas que, afinal, é apenas transitório, pois o definitivo, o que permanece, é o amor, a vida perdida pela causa do Reino. Esta salvação passa pela nossa vida, quando ela é gasta na escuta atenta dos projectos de Deus e na doação total aos irmãos e irmãs.

A primeira leitura revela-nos a preocupação de Deus para com a realização plena do ser humano. O próprio Deus se dispõe a intervir para mudar o nosso coração, gravando nele a sua lei e tornando-o capaz de fazer as escolhas que estão mais de acordo com essa lei. A nós é-nos pedido que nos deixemos transformar por Deus, que aceitemos o seu desafio para integrar a comunidade da nova Aliança, o que implica renunciar a caminhos de auto-suficiência, de recusa, de indiferença, face aos desafios que nos são propostos por Deus. O projecto da nova Aliança entre Deus e o seu Povo concretiza-se plenamente em Jesus: Ele veio ao mundo para renovar os nossos corações, oferecendo-nos a vida de Deus. Estou disposto/a a acolher o dom de Deus e a deixar-me transformar por Ele?

O evangelho informa-nos sobre o modo como chegar a ter um coração novo, a ser uma nova pessoa transformada à imagem de Jesus: fixando nele o nosso olhar, seguindo-o no caminho do amor, acolhendo essa vida que Ele nos propõe. Jesus há-de ser a referência para quem quer aceitar o desafio de Deus e viver na comunidade da nova Aliança. Ele aponta-nos o caminho do amor radical, da vida totalmente entregue a Deus e ao próximo. Este caminho pode-nos situar no inverso dos valores que o mundo aponta e aprecia. Porém, Jesus afirma-nos que só ganha a vida plena quem a souber perder, no esquecimento de si próprio, no serviço simples e humilde aos irmãos e irmãs, sobretudo aos pequenos e pobres, na capacidade de se solidarizar com os que sofrem, na coragem com que enfrenta tudo aquilo que gera sofrimento e morte. Estou disposto/a a seguir a proposta de Jesus dirigindo-me por este caminho de “perda”?

A segunda leitura apresenta-nos Jesus Cristo, o sumo-sacerdote da nova Aliança, que se solidariza connosco e nos aponta o caminho da salvação. Este caminho passa por viver no diálogo com Deus, na descoberta dos seus desafios, na obediência total aos seus projectos. O texto recorda-nos a solidariedade de Jesus para connosco, que o levou a assumir a nossa humanidade e a partilhar as nossas fragilidades, dores, medos e incertezas. Assim, Ele tornou-se capaz de se compadecer da nossa miséria e de nos ajudar a superar as nossas situações de fraqueza. Cristo entende-nos, caminha à nossa frente, nesta via em ordem à vida plena e definitiva. Pela oração, Jesus encontrou forças para obedecer e para concretizar os planos do Pai, sobretudo nos momentos mais dramáticos da sua existência terrena. Crio espaço, na minha vida, para dialogar com o Pai, para perceber os seus projectos e para escutar os desafios que Deus me faz? Vivo a minha vida numa procura sincera e empenhada da vontade de Deus?

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Leituras do 5º Domingo da Quaresma – Ano B:

Jr 31,31-34; Sl 51 (50); Heb 5,7-9; Jo 12,20-33.

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4º Domingo da Quaresma – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

A salvação só nos pode vir de Deus

A liturgia deste domingo garante-nos que a salvação só nos pode vir de Deus, por Jesus Cristo, e não do nosso esforço pessoal. Afirma-nos que é tão grande e fiel o seu amor para connosco, que O leva a ser capaz de nos construir de novo, a partir dos nossos destroços humanos. Deus é igual a si próprio, é coerente no amor e na paciência misericordiosa, que dedica a cada pessoa. A fidelidade de Deus é a sua grande força e a garantia de que nele podemos confiar incondicionalmente.

A primeira leitura relata-nos, sucintamente, as infidelidades do povo escolhido. Os filhos de Israel procediam como o povo pagão. Por isso, eles próprios se colocaram nas mãos dos caldeus, que destruíram o templo e os seus palácios, os despojaram dos objectos preciosos e os levaram, como escravos, para Babilónia. É, precisamente, a partir deste povo arruinado, reduzido a um “pequeno resto”, mas purificado pelo sofrimento do Exílio, que Deus, fiel à Aliança, o faz regressar à sua terra, através de Ciro, rei pagão, que também lhes mandou construir o templo e reorganizar a sua vida religiosa e social. Os caminhos de Deus são insondáveis! É na nossa descida à miséria e quando, humildemente, estendemos a mão, que Deus nos socorre. Acredito neste Deus criador e grito por Ele em cada dia da minha vida? Procuro ser-lhe fiel?

O evangelho fala-nos de um homem importante entre os judeus, Nicodemos, pertencente ao Sinédrio (tribunal dos judeus). Veio ter com Jesus pela calada da noite, para não ser criticado, pois não se quer declarar discípulo do Senhor. Quer saber quem é Ele, afinal. Jesus não se mostra grande e invencível; fala-lhe da sua fragilidade na cruz, fonte de vida nova, e ajuda-o a compreender que é preciso que ele desça da sua importância, deixe a sua duplicidade, pois quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. Do meio das trevas em que se encontrava, Nicodemos recebeu a luz da fé e, da duplicidade em que vivia, tornou-se discípulo do Senhor, através de uma longa caminhada, que terminou no alto do calvário, quando “nasceu de novo”. Sou e declaro-me, desassombradamente, discípulo do Senhor, ou escondo esta realidade quando o ambiente não me é favorável?

Na segunda leitura, Paulo afirma-nos que Deus é rico em misericórdia. Somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus que, morrendo e ressuscitando, nos restituiu a vida. Não são as nossas obras, por mais importantes que sejam, nem qualquer outra pessoa que nos podem salvar. A salvação é um dom de Deus e a manifestação da sua bondade, exclama Paulo. No meu relacionamento com Deus, a que atribuo maior importância: à sua misericórdia ou às minhas boas obras? Acredito que Deus é capaz de me refazer após eu me ter atolado no pecado? Cultivo a confiança e a humildade diante de Deus?

 

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Leituras do 4º Domingo da Quaresma – Ano B:

2 Cr 36,14-16.19-23; Sl 137 (136); Ef 2,4-10; Jo 3,12-21

 
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3º Domingo da Quaresma – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Recordar a aliança selada entre Deus

A liturgia deste domingo convida-nos a recordar a aliança selada entre Deus e o seu Povo, na entrega dos mandamentos da Lei de Deus, que se cumprem totalmente em Jesus Cristo, no qual se estabelece a nova a definitiva Aliança.

A primeira leitura adverte-nos, seriamente, contra as idolatrias que nos levam a “adorar” falsos deuses, construídos por nós e pela sociedade, tal como a riqueza, a fama, o prestígio, o domínio. O texto afirma que só Deus é o Senhor, a quem obedecendo, seremos felizes, porque as suas leis são libertadoras e sinal de predilecção para connosco. Os mandamentos de Deus recordam-nos as maravilhas que Ele realizou e continua a realizar a favor de cada um de nós. Cumprir amorosamente as suas ordens é manifestar a nossa gratidão a Deus e construirmo-nos como pessoas amadurecidas na liberdade responsável. Nas minhas opções de vida, dou prioridade à Lei do Senhor? Vivo-a com alegria e deixo-me iluminar por ela?

No evangelho, vemos Jesus a inaugurar os novos tempos. Doravante o templo é o seu corpo, onde Deus habita, porque Ele é verdadeiro Homem-Deus e verdadeiro Deus-Homem, pelo mistério da sua encarnação. O templo do seu corpo é acessível a todos: santos e pecadores, homens e mulheres, cristãos e gentios, sãos e doentes. Foi para isso que Jesus deu a sua vida na cruz. Jesus expulsou os vendedores, deitou por terra o dinheiro dos cambistas, derrubou-lhes as mesas e proibiu a entrada no templo com os animais para os sacrifícios e com o dinheiro para as ofertas ao Senhor, porque no interior do templo só podiam entrar os “puros”, isto é, os homens e adolescentes judeus, sem doença, sem pobreza, sem pecado público. As mulheres judias, os gentios e todos os que eram pobres ou pecadores públicos ou padeciam de qualquer doença estavam proibidos de entrar no local dos sacrifícios. De facto, Jesus foi muito ousado e atrevido. Como poderia Ele acabar, de uma só vez, com um templo que levou tanto tempo a edificar? Com a sua autoridade Jesus quis inaugurar um novo templo e um novo culto, acessível a todos os que a Ele aderirem. Que lugar ocupa Jesus no culto que presto a Deus? Vivo eu a centralidade do seu mistério pascal ou consinto em rituais com “sabores” supersticiosos?

Na segunda leitura, Paulo é peremptório ao afirmar que a verdadeira sabedoria é Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo e, para os gentios, é loucura. Porém para os são chamados à fé cristã e ao discipulado, Cristo crucificado é a manifestação do poder e do amor misericordioso de Deus para connosco. Para os que são chamados ao conhecimento íntimo de Jesus Cristo, Ele é poder e sabedoria de Deus. Ele é o único caminho de salvação. Nele o ser humano é mais homem e mais mulher e, por isso, mais configurado com a imagem e semelhança de Deus, de que Jesus Cristo é o protótipo. Como reajo eu quando suporto na minha carne a “paixão” de Cristo? Sinto-me identificado com Ele e a completar o mistério da sua cruz, para a salvação do mundo?

 

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Leituras do 3º Domingo da Quaresma – Ano B:

Êx 20,1-17; Sl 19 (18); 1 Cor 1,22-25; Jo 2,13-25.

 

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2º Domingo da Quaresma – Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro

Antecipação da Páscoa, abre à nossa contemplação 

A liturgia deste domingo, como que numa antecipação da Páscoa, abre à nossa contemplação o mistério da glorificação do Senhor, após a sua entrega à morte na cruz.

A primeira leitura narra-nos a história de Abraão e o sacrifício de seu filho Isaac. O patriarca Abraão sentiu-se de tal modo em aliança com Deus, que percebeu, como uma exigência interior, a obrigação de lhe oferecer o seu filho único em sacrifício. Habituado a obedecer a Deus e à sua consciência, onde percebia a voz do Senhor, Abraão não hesita em sacrificar o que de melhor possuía, o seu filho Isaac. Contudo, o Deus de Israel, ao contrário dos deuses pagãos, nunca aceitou sacrifícios humanos e, por isso, não deixou que Abraão consumasse a imolação de seu filho. Abraão obedeceu a Deus. A sua obediência valeu-lhe conservar vivo o filho e uma maior bênção de Deus em numerosa descendência; nele todas as nações da terra foram abençoadas., Abraão tornou-se, assim, o nosso pai na fé. Sou sensível à voz de Deus e, nas minhas opções quotidianas, procuro obedecer-lhe e oferecer-lhe a minha vida?

A segunda leitura mostra-nos como Jesus realiza, até ao fim, a figura de Isaac e como o amor de Abraão é imagem do amor misericordioso do Pai por nós. Não aceitou o sacrifício de Isaac, mas entregou o seu próprio filho Jesus à morte, para nos libertar de todos os nossos pecados e nos garantir a salvação definitiva. Uma vez salvos pela morte e ressurreição de Jesus, nós, eleitos de Deus pelo baptismo, não poderemos ser condenados por ninguém no que se refere ao julgamento decisivo. Ainda mais, Cristo ressuscitado intercede, constantemente, por nós junto de Deus, o que nos enche de uma total confiança. Habitualmente manifesto a Deus a minha gratidão pela salvação que me oferece em Jesus Cristo? Procuro fazer de Jesus o meu maior Amigo?

O evangelho narra-nos o episódio da Transfiguração de Jesus no alto do monte Tabor. Esta cena, apenas observada pelos mais íntimos de Jesus, tem a pretensão de os fortalecer na certeza da sua divindade, a fim de que eles se tornem testemunhas fiéis, após o “escândalo” da cruz. Foram muito breves os momentos de contemplação de Jesus transfigurado com o rosto e as vestes resplandecentes. Porém a experiência espiritual dos discípulos foi tão intensa e inefável, que só desejariam ficar ali, extasiados. Mas a voz do Pai fez-se ouvir: “Este é o meu Filho muito amado, escutai-O”. Os discípulos e nós com eles somos chamados a ouvir a voz do Pai, que nos fala em Jesus, e nos convida a subir o monte da Agonia e da Crucifixão de Jesus para com Ele escalarmos, também, o monte da Transfiguração. Costumo viver as horas de sofrimento como caminho de glorificação? Como testemunho aos não crentes a fé que herdei de Abraão e dos primeiros cristãos?

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Leituras do 2º Domingo da Quaresma – Ano B:

Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Sl 116 (115); Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10. 

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1º Domingo da Quaresma
– Ano B

Ir. Doutora Deolinda Serralheiro


Celebração do Mistério Pascal

Iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma, que nos vai conduzir à celebração do mistério pascal de Jesus, acontecimento fundador da vida cristã, e à vivência do tempo pascal. A liturgia da Palavra deste primeiro domingo abre-nos à nossa comum vocação cristã, nascida do baptismo, no qual o ser velho do pecado é destruído e Deus nos oferece a vida nova, que permanece para sempre, numa felicidade sem fim.

A primeira leitura, toda ela baptismal, evoca o dilúvio, do qual se salvaram apenas algumas pessoas. Na simbologia deste dilúvio, que purificou a raça humana dos seus vícios e inaugurou um novo tempo de obediência a Deus, encontramos uma figura do sentido sacramental do baptismo cristão. O dilúvio termina com uma aliança estabelecida entre Deus e o povo, a qual se vai cumprir definitivamente na morte e na ressurreição de Jesus. A presença continuada desta aliança, simbolizada no arco-íris, vai lembrando a todas as pessoas que Deus nos abraça e nos abençoa, mesmo quando continuamos a trilhar caminhos de pecado e de infidelidade, porque no baptismo nos fez suas filhas e filhos muito queridos. Nesta Quaresma somos convidados a intensificar a nossa pessoal experiência deste amor materno e paterno, que está em Deus e que Ele nos comunica em Jesus.

Na segunda leitura, Pedro, fazendo um comentário ao dilúvio, recorda-nos a importância do nosso baptismo. Radicado em Cristo, que morreu pelos injustos e voltou à vida pelo Espírito, o baptismo que recebemos salva-nos, purificando-nos interiormente da nossa imundície, e compromete-nos com Deus. Somos herdeiros da aliança por várias vezes estabelecida entre Deus e os nossos antepassados na fé e, finalmente, selada com o precioso sangue de Jesus Cristo. É em Jesus que colocamos a esperança da nossa libertação e salvação?

O evangelho apresenta-nos o episódio das tentações de Jesus, que nos recordam as opções com que Ele foi confrontado enquanto percorria os nossos caminhos. Dispondo-se a cumprir inteiramente o projecto de salvação do Pai, Jesus começou a construir um mundo novo, ao qual nos chama pelo baptismo. O baptismo e a tentação aproximam-se. Jesus foi conduzido ao deserto para ser tentado, exactamente, após ter sido investido para a missão no seu baptismo, a fim de “aprender” a realizar o projecto salvador do Pai, que o iria conduzir à morte de cruz, prova máxima do seu amor por nós. Esta é também a prova pela qual o baptizado há-de passar para realizar na sua vida o projecto de Deus, que é a construção do seu “Reino” de paz e justiça, desde aqui e agora. Todos os baptizados são chamados a ser discípulos de Jesus neste caminho de amor e de dom da vida, de forma radical e incondicional. Acreditar em Jesus, convertermo-nos e recentrar a nossa vida em Deus é o convite que hoje nos é feito. Estamos dispostos a percorrer este caminho de discipulado?

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Leituras do 1º Domingo da Quaresma – Ano B:

Gn 9,8-15; Sl 25 (24); 1 Pe 3,18-22; Mc 1,12-15.

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