5º
Domingo da Quaresma – Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Salvação
que Deus nos oferece
A liturgia
deste domingo insiste em nos afirmar que a salvação que
Deus nos oferece, em Jesus Cristo, se torna possível pela perda
de algo que consideramos importante, mas que, afinal, é apenas
transitório, pois o definitivo, o que permanece, é o
amor, a vida perdida pela causa do Reino. Esta salvação
passa pela nossa vida, quando ela é gasta na escuta atenta dos
projectos de Deus e na doação total aos irmãos e
irmãs.
A primeira
leitura revela-nos a preocupação de Deus para com a
realização plena do ser humano. O próprio Deus se
dispõe a intervir para mudar o nosso coração,
gravando nele a sua lei e tornando-o capaz de fazer as escolhas que
estão mais de acordo com essa lei. A nós é-nos
pedido que nos deixemos transformar por Deus, que aceitemos o seu
desafio para integrar a comunidade da nova Aliança, o que
implica renunciar a caminhos de auto-suficiência, de recusa, de
indiferença, face aos desafios que nos são propostos por
Deus. O projecto da nova Aliança entre Deus e o seu Povo
concretiza-se plenamente em Jesus: Ele veio ao mundo para renovar os
nossos corações, oferecendo-nos a vida de Deus. Estou
disposto/a a acolher o dom de Deus e a deixar-me transformar por Ele?
O evangelho
informa-nos sobre o modo como chegar a ter um coração
novo, a ser uma nova pessoa transformada à imagem de Jesus:
fixando nele o nosso olhar, seguindo-o no caminho do amor, acolhendo
essa vida que Ele nos propõe. Jesus há-de ser a
referência para quem quer aceitar o desafio de Deus e viver na
comunidade da nova Aliança. Ele aponta-nos o caminho do amor
radical, da vida totalmente entregue a Deus e ao próximo. Este
caminho pode-nos situar no inverso dos valores que o mundo aponta e
aprecia. Porém, Jesus afirma-nos que só ganha a vida
plena quem a souber perder, no esquecimento de si próprio, no
serviço simples e humilde aos irmãos e irmãs,
sobretudo aos pequenos e pobres, na capacidade de se solidarizar com os
que sofrem, na coragem com que enfrenta tudo aquilo que gera sofrimento
e morte. Estou disposto/a a seguir a proposta de Jesus dirigindo-me por
este caminho de “perda”?
A segunda
leitura apresenta-nos Jesus Cristo, o sumo-sacerdote da nova
Aliança, que se solidariza connosco e nos aponta o caminho da
salvação. Este caminho passa por viver no diálogo
com Deus, na descoberta dos seus desafios, na obediência total
aos seus projectos. O texto recorda-nos a solidariedade de Jesus para
connosco, que o levou a assumir a nossa humanidade e a partilhar as
nossas fragilidades, dores, medos e incertezas. Assim, Ele tornou-se
capaz de se compadecer da nossa miséria e de nos ajudar a
superar as nossas situações de fraqueza. Cristo
entende-nos, caminha à nossa frente, nesta via em ordem à
vida plena e definitiva. Pela oração, Jesus encontrou
forças para obedecer e para concretizar os planos do Pai,
sobretudo nos momentos mais dramáticos da sua existência
terrena. Crio espaço, na minha vida, para dialogar com o Pai,
para perceber os seus projectos e para escutar os desafios que Deus me
faz? Vivo a minha vida numa procura sincera e empenhada da vontade de
Deus?
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Leituras
do 5º Domingo da Quaresma – Ano B:
Jr 31,31-34; Sl
51 (50); Heb 5,7-9; Jo 12,20-33.
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4º
Domingo da Quaresma – Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
A salvação só nos pode vir de Deus
A liturgia
deste domingo garante-nos que a salvação só nos
pode vir de Deus, por Jesus Cristo, e não do nosso
esforço pessoal. Afirma-nos que é tão grande e
fiel o seu amor para connosco, que O leva a ser capaz de nos construir
de novo, a partir dos nossos destroços humanos. Deus é
igual a si próprio, é coerente no amor e na
paciência misericordiosa, que dedica a cada pessoa. A fidelidade
de Deus é a sua grande força e a garantia de que nele
podemos confiar incondicionalmente.
A primeira
leitura relata-nos, sucintamente, as infidelidades do povo escolhido.
Os filhos de Israel procediam como o povo pagão. Por isso, eles
próprios se colocaram nas mãos dos caldeus, que
destruíram o templo e os seus palácios, os despojaram dos
objectos preciosos e os levaram, como escravos, para Babilónia.
É, precisamente, a partir deste povo arruinado, reduzido a um
“pequeno resto”, mas purificado pelo sofrimento do Exílio, que
Deus, fiel à Aliança, o faz regressar à sua terra,
através de Ciro, rei pagão, que também lhes mandou
construir o templo e reorganizar a sua vida religiosa e social. Os
caminhos de Deus são insondáveis! É na nossa
descida à miséria e quando, humildemente, estendemos a
mão, que Deus nos socorre. Acredito neste Deus criador e grito
por Ele em cada dia da minha vida? Procuro ser-lhe fiel?
O evangelho
fala-nos de um homem importante entre os judeus, Nicodemos, pertencente
ao Sinédrio (tribunal dos judeus). Veio ter com Jesus pela
calada da noite, para não ser criticado, pois não se quer
declarar discípulo do Senhor. Quer saber quem é Ele,
afinal. Jesus não se mostra grande e invencível; fala-lhe
da sua fragilidade na cruz, fonte de vida nova, e ajuda-o a compreender
que é preciso que ele desça da sua importância,
deixe a sua duplicidade, pois quem pratica a verdade aproxima-se da
luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em
Deus. Do meio das trevas em que se encontrava, Nicodemos recebeu a luz
da fé e, da duplicidade em que vivia, tornou-se discípulo
do Senhor, através de uma longa caminhada, que terminou no alto
do calvário, quando “nasceu de novo”. Sou e
declaro-me, desassombradamente, discípulo do Senhor, ou escondo
esta realidade quando o ambiente não me é
favorável?
Na segunda
leitura, Paulo afirma-nos que Deus é rico em
misericórdia. Somos salvos pela graça, por meio da
fé em Cristo Jesus que, morrendo e ressuscitando, nos restituiu
a vida. Não são as nossas obras, por mais importantes que
sejam, nem qualquer outra pessoa que nos podem salvar. A
salvação é um dom de Deus e a
manifestação da sua bondade, exclama Paulo. No meu
relacionamento com Deus, a que atribuo maior importância:
à sua misericórdia ou às minhas boas obras?
Acredito que Deus é capaz de me refazer após eu me ter
atolado no pecado? Cultivo a confiança e a humildade diante de
Deus?
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Leituras do
4º Domingo da Quaresma – Ano B:
2 Cr
36,14-16.19-23; Sl 137 (136); Ef 2,4-10; Jo 3,12-21
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3º
Domingo da Quaresma – Ano B
Ir. Doutora Deolinda Serralheiro
Recordar a aliança selada entre Deus
A liturgia
deste domingo convida-nos a recordar a aliança selada entre Deus
e o seu Povo, na entrega dos mandamentos da Lei de Deus, que se cumprem
totalmente em Jesus Cristo, no qual se estabelece a nova a definitiva
Aliança.
A primeira
leitura adverte-nos, seriamente, contra as idolatrias que nos levam a
“adorar” falsos deuses, construídos por nós e pela
sociedade, tal como a riqueza, a fama, o prestígio, o
domínio. O texto afirma que só Deus é o Senhor, a
quem obedecendo, seremos felizes, porque as suas leis são
libertadoras e sinal de predilecção para connosco. Os
mandamentos de Deus recordam-nos as maravilhas que Ele realizou e
continua a realizar a favor de cada um de nós. Cumprir
amorosamente as suas ordens é manifestar a nossa gratidão
a Deus e construirmo-nos como pessoas amadurecidas na liberdade
responsável. Nas minhas opções de vida, dou
prioridade à Lei do Senhor? Vivo-a com alegria e deixo-me
iluminar por ela?
No evangelho,
vemos Jesus a inaugurar os novos tempos. Doravante o templo é o
seu corpo, onde Deus habita, porque Ele é verdadeiro Homem-Deus
e verdadeiro Deus-Homem, pelo mistério da sua
encarnação. O templo do seu corpo é
acessível a todos: santos e pecadores, homens e mulheres,
cristãos e gentios, sãos e doentes. Foi para isso que
Jesus deu a sua vida na cruz. Jesus expulsou os vendedores, deitou por
terra o dinheiro dos cambistas, derrubou-lhes as mesas e proibiu a
entrada no templo com os animais para os sacrifícios e com o
dinheiro para as ofertas ao Senhor, porque no interior do templo
só podiam entrar os “puros”, isto é, os homens e
adolescentes judeus, sem doença, sem pobreza, sem pecado
público. As mulheres judias, os gentios e todos os que eram
pobres ou pecadores públicos ou padeciam de qualquer
doença estavam proibidos de entrar no local dos
sacrifícios. De facto, Jesus foi muito ousado e atrevido. Como
poderia Ele acabar, de uma só vez, com um templo que levou tanto
tempo a edificar? Com a sua autoridade Jesus quis inaugurar um novo
templo e um novo culto, acessível a todos os que a Ele aderirem.
Que lugar ocupa Jesus no culto que presto a Deus? Vivo eu a
centralidade do seu mistério pascal ou consinto em rituais com
“sabores” supersticiosos?
Na segunda
leitura, Paulo é peremptório ao afirmar que a verdadeira
sabedoria é Cristo crucificado, que para os judeus é
escândalo e, para os gentios, é loucura. Porém para
os são chamados à fé cristã e ao
discipulado, Cristo crucificado é a manifestação
do poder e do amor misericordioso de Deus para connosco. Para os que
são chamados ao conhecimento íntimo de Jesus Cristo, Ele
é poder e sabedoria de Deus. Ele é o único caminho
de salvação. Nele o ser humano é mais homem e mais
mulher e, por isso, mais configurado com a imagem e semelhança
de Deus, de que Jesus Cristo é o protótipo. Como reajo eu
quando suporto na minha carne a “paixão” de Cristo? Sinto-me
identificado com Ele e a completar o mistério da sua cruz, para
a salvação do mundo?
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Leituras do
3º Domingo da Quaresma – Ano B:
Êx
20,1-17; Sl 19 (18); 1 Cor 1,22-25; Jo 2,13-25.
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