"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: III Edição: Mensal  N°:  XXV           Mês: Novembro de  2005.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

II Domingo do Advento – Ano B

Deolinda Serralheiro

A liturgia deste domingo lança-nos um enérgico apelo à conversão, à preparação do nosso coração para acolher Deus que vem, em Jesus. Afirma-nos que Deus está sempre pronto, e até desejoso, de nos oferecer um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz. Porém, esse mundo só se tornará uma realidade quando cada pessoa aceitar reedificar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.

A primeira leitura constitui uma mensagem de consolação e de esperança, veiculada através de palavras cheias da ternura do nosso Deus. O profeta assegura aos exilados de Israel que Iavé é fiel e que quer trazer de volta o seu Povo, em direcção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus. Também nós nos sentimos apavorados diante da violência e do terrorismo, que parecem imperar, marcando a sangue a vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs, das doenças que a medicina não sabe curar, do desprezo a que são votados os mais pequenos e fracos, enfim, de uma sociedade que teima em se construir à margem de Deus e contra Ele. Porém, a mensagem do profeta garante-nos que Deus não está alheado da nossa história, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-se para nos conduzir com amor e solicitude até à verdadeira vida e liberdade.

No evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos, e também a nós, a acolher o Messias libertador, cuja missão consiste em oferecer a todas as pessoas o Espírito de Deus, que gera vida nova e nos permite viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, uma transformação completa, por um estilo vital inteiramente novo, colocando Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. O “estilo de vida” de João constitui uma interpelação tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos, e à volta dos quais construímos a nossa existência. Quais são os valores fundamentais que marcam as minhas decisões e opções? Como me situo frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?

A segunda leitura aponta para a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância, isto é, a vivermos de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada pessoa e que esse projecto está a realizar-se, continuamente, em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro, já nesta terra, com fé e amor, mas sobretudo a um futuro a esperar, como dom de Deus, «os novos céus e a nova terra» onde habitam a justiça e a paz.

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Leituras do II Domingo do Advento – Ano B: Is 40,1-5.9-11; Sl 85 (84); 2 Pd 3,8-14; Mc 1,1-8

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I Domingo do Advento – Ano B

Deolinda Serralheiro

As ruas das nossas cidades começam a ficar ornamentadas com abundante iluminação e, tanto os pequenos como os grandes espaços comerciais, regurgitam de prendas, de enfeites e de gente. Algo se anuncia, como tendo um grande impacto sobre as pessoas, as famílias e as comunidades. Todos percebemos que vem aí o Natal. É por isso que a Igreja nos propõe uma preparação de quatro semanas, à qual chamamos ADVENTO, o qual abre o novo ano litúrgico. Começa com este domingo. A liturgia da Palavra fala-nos da esperança cristã, que é preciso activar, para que recebamos a salvação/libertação de Deus, que nos vem pelo nascimento de Jesus Cristo. Ajuda-nos a tomar consciência da nossa impotência em conseguirmos, só por nós, esta salvação/libertação dos males que nos oprimem, e convida-nos à vigilância, porque o Deus fiel pode chegar até nós a cada momento. Podemos falar de uma tríplice vinda do Senhor. Na primeira, o Jesus apareceu na terra e conviveu com as pessoas; na última, todo o ser humano verá a salvação do nosso Deus e contemplará Aquele que trespassaram; a intermédia é oculta e só os eleitos a vêem em si mesmos, e por ela salvam as suas vidas.

O evangelista do novo ano é Marcos, que nos dá um «empurrão», exortando-nos à vigilância, porque não sabemos quando chegará o Senhor. O Senhor Jesus já veio há dois mil anos, na humildade de uma criança, virá para cada um de nós no termo da nossa vida, com todo o esplendor da sua glória, e vem, espiritualmente, pelo poder da sua graça, a cada pessoa que esteja desperta e com atenção à vida. É preciso que estejamos «acordados», sabendo descobrir a presença activa do amor de Deus, que se manifesta nos acontecimentos e nas pessoas e colaborar com Ele na transformação das sociedades e das culturas, de modo a que reproduzam mais a beleza, a bondade e a verdade divinas.

Na segunda leitura, Paulo exulta pelas maravilhas que a graça de Deus operou na comunidade de Corinto e assegura-nos que Deus é fiel às suas promessas e, por isso, também nos há-de enriquecer a nós, que esperamos em Jesus Cristo, até chegarmos à plena comunhão com Ele. A esperança é essa certeza de que os dons de Deus actuam em nós à maneira de fermento, fazendo-nos crescer em santidade no dia a dia da nossa vida.   

Na primeira leitura, o profeta Isaías, certo de que o povo de Israel era impotente para, por si só, se libertar da servidão do êxodo, pede ao Senhor que «rasgue os céus e desça» para o salvar. Esta foi a expectativa dos que nos precederam na fé. Jesus Cristo é, na verdade, o futuro pessoal de cada um de nós, como o é da história e dos povos. Foi o futuro do povo de Israel e continua a ser, hoje, o futuro da Igreja e de toda a humanidade. Ele é futuro, não apenas porque vem do futuro, mas porque é portador do nosso futuro, com a sua vinda. Acreditamos que o futuro de Deus é melhor que o nosso presente? Já percebemos o alcance e a importância do Mistério da Encarnação? Já nos demos conta de que o presente da humanidade se está a destruir, porque não se abre e não acolhe o futuro, que é Jesus Cristo?

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Leituras do I Domingo do Advento – Ano B

Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 80 (79); 1 Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

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XXXIII Domingo do Tempo Comum
A

Deolinda Serralheiro

A liturgia da Palavra deste domingo torna-se mais veemente no anúncio do fim dos tempos, simbolizado, desde sempre, pelo fim de cada ano litúrgico. As três leituras têm um tom escatológico e sublinham a precariedade da vida terrena, pois é efémera e passageira. Contudo, é nela e por ela, que temos acesso à vida eterna, em Cristo Jesus. Os textos sublinham a necessidade que cada pessoa tem de viver a sua própria vida com sabedoria, sabendo discernir os tempos e os momentos, fazendo boas opções e tomando as melhores decisões, de acordo com a lei de Deus, inscrita no seu coração.

A primeira leitura apresenta uma mulher como exemplo de vigilância e de dinamismo em fazer render os dons recebidos. Ela é elogiada publicamente, isto é, “às portas da cidade”, porque é capaz de pensar e de agir, assumindo inteira responsabilidade dos seus actos; não se poupa a esforços para governar a sua casa e para se dedicar com amor aos seus familiares. Embora apenas lhe sejam imputadas tarefas caseiras (eram essas que na circunstância histórica eram confiadas à mulher), o importante é perceber o exemplo da mulher que vive na lei do Senhor e põe a render os seus talentos, qualquer que seja a sua missão. É curiosa a actualidade deste texto, escrito por volta do ano 800 a.C., numa Igreja e numa sociedade, onde a mulher procura ainda o lugar que o Criador lhe confiou, porque continua a ser excluída de tarefas para as quais está vocacionada. 

No evangelho, Jesus coloca-nos diante da nossa própria situação existencial. A cada um de nós é confiada uma missão na terra, que devemos realizar com sentido de criatividade e de responsabilidade, fazendo render os dons específicos com que o Senhor nos dotou. A parábola interpela-nos no sentido de nos interrogarmos sobre o que estamos a fazer para potenciar os dons que recebemos, a nosso favor e a favor dos outros, do mundo, da sociedade, da comunidade cristã, da família. É cada pessoa, individualmente, que há-de responder diante de Deus pela gestão dos seus recursos pessoais. Tanto nos preocupamos em gerir os bens materiais, em alcançar rendimentos e lucros, e, por vezes, somos tão perdulários no que concerne aos bens espirituais! No evangelho, Jesus avisa-nos de que no nosso dia, o Pai nos pede contas da nossa administração. E, a partir dela, podemos entrar imediatamente na alegria do Senhor, ou ficar em estado de maior ou menor espera dessa mesma alegria.

Na segunda leitura, a mesma advertência é feita por Paulo, Não andemos a dormir “como os outros, mas permaneçamos vigilantes e sóbrios”, como filhos da luz que somos, esperando a vinda do Senhor. Se, quanto às coisas materiais, procuramos ser vigilantes, de modo a usufruir os melhores rendimentos que nos são oferecidos pela banca ou pelas seguradoras, porque não prestamos igual ou maior atenção à insistente Palavra de Deus, quando nos apela a fazer render os bens espirituais, que recebemos no baptismo e ao longo da nossa vida?

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Leituras do XXXIII Domingo Comum

Prov 31,10-13.19-20.30-31; Sl 128 (127); 1 Tes 5,1-6; Mt 25,14-30

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XXXII Domingo do Tempo Comum
A

Deolinda Serralheiro 

A liturgia deste domingo fala-nos de “sabedoria” e, nesse contexto convida-nos à vigilância. Interpela-nos no sentido de criarmos em nós um espaço interior, feito de silêncio e de escuta, para percebermos os apelos de Deus, em ordem às opções quotidianas sobre a nossa vida. As “desgraças”, de que somos vítimas, são muitas vezes a consequência de uma vida irreflectida, jogada ao acaso, vivida sem sabedoria.
          A primeira leitura faz um elogio da própria sabedoria e sublinha a sua origem, a sua natureza, as suas qualidades, os seus dons e a sua acção cósmica. Nesta leitura, a sabedoria é descrita como uma pessoa que se põe em movimento, tendo como referência o movimento das pessoas que vêm na sua direcção. É a sabedoria que toma a iniciativa, se adianta à acção da própria pessoa, procurando elevá-la. O autor sagrado afirma que a sabedoria é mais do que um corpo de doutrina Ele identifica-a com Deus, que solicita o ser humano e se lhe quer dar a conhecer. A sabedoria, sendo um dom gratuito e incondicional de Deus, é um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a nossa felicidade e põe à disposição dos seus filhos e filhas a fonte de onde jorra a vida definitiva. A nós resta-nos estar atentos, vigilantes e disponíveis para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus nos oferece.
          No evangelho, Mateus apresenta-nos mais uma parábola de Jesus, que ilustra dois tipos de pessoas: as que se deixam conduzir pela sabedoria e as que se subtraem à sua influência. As primeiras são prudentes e tomam as melhores opções; as segundas vivem ao sabor da corrente da vida, são insensatas e recolhem desilusões sobre desilusões. Assim como as virgens prudentes não puderam repartir com as outras do “seu azeite”, também uma pessoa sábia, não pode transmitir a sabedoria a outra pessoa, que não a procure atempadamente. O texto lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver no dia-a-dia a fidelidade aos ensinamentos de Jesus e o compromisso com os valores do Evangelho, pois só estes nos asseguram a participação no banquete do Reino.
          Na segunda leitura, Paulo aviva a nossa compreensão sobre as coisas do fim dos tempos, garantindo aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo, para que eles não vivam contristados como os outros, que não têm fé nem esperança.Todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre. Temos, ainda, vivo o memorial dos defuntos, daqueles que nos precederam e estão já na glória de Deus, ou ainda vivem em estado de purificação. Nesta crença, todos partilhámos os mesmos sentimentos e realizámos os mesmos rituais, elevando, simultaneamente, preces e súplicas a Deus, para que eles repousem em paz e possam contemplar o mais breve possível a glória divina. Todos aspiramos a que o epílogo da nossa vida seja feliz, bem sucedido, por isso é indispensável aprender a viver na sabedoria e na vigilância.
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Leituras do XXXII Domingo Comum

Sb 6,12-16; Sl 63 (62), 2-8; 1 Tes 4,13-18; Mt 25,1-13

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