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XXXI Domingo do Tempo Comum – A
Deolinda Serralheiro
A liturgia
deste domingo convida-nos a uma reflexão séria sobre a
seriedade e a coerência do nosso compromisso com Deus e com o
Reino. Interpela, de modo particular, os animadores das comunidades
cristãs acerca da verdade do seu testemunho, da pureza dos seus
motivos, do seu real empenho na construção de comunidades
comprometidas com os valores do Evangelho. É o momento oportuno
para “lermos” a nossa maneira de proceder, as nossas
convicções, sentimentos e atitudes, face à nossa
missão pastoral, segundo o modelo de Jesus Cristo, Mestre do seu
povo.
Na
primeira leitura, o profeta Malaquias interpela com firmeza os
sacerdotes de Israel. Estes eram chamados por Deus para serem “mensageiros do Senhor do
universo”, para ensinar a Lei e para conduzir o Povo para Deus.
Porém, após terem regressado do exílio da
Babilónia, os sacerdotes esqueceram a Aliança e a Lei de
Moisés, começando a agir arbitrariamente: deixaram-se
dominar pelos seus interesses pessoais e faziam acepção
de pessoas. Dominados pelo seu
egoísmo, descuraram os seus deveres e desprestigiaram a Lei. E
tornaram-se responsáveis pelo afastamento de Deus por parte do
povo. O Senhor anuncia que não suporta mais este comportamento
dos sacerdotes e que os vai desautorizar e tornar desprezíveis
aos olhos do povo.
No
evangelho, Jesus censura, impiedosamente, os escribas e os fariseus,
homens responsáveis pelo ensino da Escritura e da Lei, porque
eram hipócritas. Arrogavam-se em “mestres” tal como
Moisés, para impor medidas pesadas aos outros, que eles nunca
cumpriam. Mas fingiam serem bons cumpridores da Lei e, para tal, metiam
algumas palavras essenciais dessa Lei em pequenos estojos, que
colocavam no braço esquerdo ou na fronte, as chamadas
“filactérias”, e alargavam as pontas dos mantos, que punham nos
ombros para fazerem oração, com borlas muito compridas,
por motivos de vaidade. Jesus critica,
violentamente, a sua pretensão à posse exclusiva da
verdade, a sua incoerência, o seu exibicionismo, a sua
insensibilidade ao amor e à misericórdia. Este texto
é um convite a todos os crentes, para que não deixem que
atitudes semelhantes se introduzam na família cristã e
destruam a fraternidade, fundamento da comunidade.
Na
segunda leitura, Paulo,
dirigindo-se aos cristãos de Tessalónica, enumera os
trabalhos e canseiras por que passou até que os cristãos
desta comunidade acolhessem a sua palavra, como palavra de Deus, que
neles permanece viva e activa. O Apóstolo apresenta-se, assim,
como uma testemunha de Deus, que actua com entranhas maternas como Deus
actuou em Jesus Cristo. Torna-se, deste modo, um modelo de
evangelizador e de pastor, segundo o coração de Cristo.
Nisto, opõe-se às atitudes dos sacerdotes após o
Exílio, reprovadas por Deus, na primeira leitura, e à
arrogância, vaidade e supremacia dos escribas e fariseus, que
Jesus contesta veementemente no evangelho.
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Leituras do
XXXI Domingo Comum
Ml 1,14b-2,2b.8-10; Sl 131
(130),1.2.3; 1 Tes 2,7b-9.13; Mt 23,1-12
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XXX Domingo do Tempo Comum – A
Deolinda Serralheiro
A liturgia deste domingo convida-nos a amar os
outros como Deus nos ama, isto é, a viver no amor, que é o cerne da nossa experiência
cristã. O que Deus pede a cada crente,
é que permita que Deus inunde o seu próprio
coração do amor, que nos vem de Deus e que de nós
brota para o irmão e a irmã. Isto exige uma constante
passagem do amor egoísta ao amor altruísta e oblativo.
O
evangelho diz-nos, de forma inequívoca, que toda a
revelação de Deus se resume no amor, amor a Deus e amor
aos irmãos e irmãs. Os dois mandamentos não podem
separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer
com os irmãos e as irmãs relações de amor,
de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom
total da vida. O resto é explicação,
desenvolvimento, aplicação à vida prática
dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã. O Mestre
sabe que nós temos necessidade de ler, como quem escuta e
medita, este duplo mandamento da Lei de Deus, porque tanto um como
outro se nos tornam difíceis de praticar. Criados por Deus e
para Deus, e dele dependentes em tudo, como o centro vital de onde nos
vem todo o ser, existir e agir, estamos contaminados com profundas
raízes malignas, que invertem esta ordem, que poderia ser
natural, fazendo-nos rodopiar em volta de nós mesmos, quais
narcisistas, que se comprazem na contemplação de si
mesmos e da obra das suas mãos. Amar a Deus e
ao próximo é um dom e uma tarefa nunca acabada, porque o limite do amor é amar sem limites, em
fidelidade criativa.
Na primeira
leitura, o Senhor adverte-nos de que, apesar do amor devido ao
próximo ser universal e incondicional, há no entanto, uma
certa categoria de pessoas que, à partida, devemos amar. Se o
não fizermos, irritaremos o Senhor. Estas pessoas são o
estrangeiro, o pobre, a viúva, aqueles que Deus
mais protege, porque normalmente são menos amados por
nós. Deus não aceita
a perpetuação de situações
intoleráveis de injustiça, de arbitrariedade, de
opressão, de desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos
mais pobres e dos mais débeis. Qualquer injustiça ou
arbitrariedade praticada contra um irmão ou uma irmã mais
pobre ou mais débil é um crime grave contra Deus, que nos
afasta da comunhão com Ele e nos coloca fora do âmbito da
Aliança.
Na segunda
leitura, Paulo elogia a comunidade de Tessalónica,
por ter crescido na comunhão com o Pai, em Jesus Cristo,
cumprindo o mandamento do amor pelo acolhimento a Deus e aos
irmãos e irmãs. É uma comunidade cristã
modelo, que,
apesar da hostilidade e da perseguição, aprendeu a
percorrer, com Cristo e com Paulo, o caminho do amor e do dom da vida,
tornando-se semente de fé e de amor, que deu frutos em outras
comunidades cristãs do mundo grego. Este percurso interpela-nos
a nós, hoje, que também integramos comunidades paroquiais
e que formamos comunidades de trabalho. Que testemunho cristão
damos nós aí? Que acolhimento fazemos às pessoas?
Como lhes revelamos o amor com que Deus as ama?
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Leituras do
XXX Domingo Comum:
Ex 22,20-26; Sl
18,2-3.7.47.51 (17); 1 Tes 1,5c-10; Mt 22,34-40.
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XXIX Domingo do Tempo Comum – A
Deolinda Serralheiro
A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir sobre a forma como
havemos de equacionar a relação entre as realidades de
Deus e as realidades do mundo. Diz-nos que Deus é a nossa
prioridade e que é a Ele que havemos de submeter toda a nossa
existência. Adverte-nos, porém, que Deus nos convoca a um
compromisso efectivo com a construção do mundo.
A primeira
leitura sugere que Deus é o verdadeiro Senhor da história
e que é Ele quem conduz a caminhada do seu Povo. As pessoas
são apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar
os seus projectos de salvação. Por isso, Isaías
apresenta Ciro, rei dos persas e medos a ser chamado pelo Deus de
Israel como o “seu ungido”, isto é, o “seu consagrado” ou Christós. Embora só os reis de Israel
fossem ungidos, Ciro recebe também o título de ungido
(messias), porque ele foi o agente de Deus na libertação
do povo de Israel, quando este se encontrava exilado na
Babilónia, reconduzindo-o a Israel, sua pátria, e
facilitando a reconstrução do templo, que havia sido
destruído. Deste modo, a Palavra esclarece-nos sobre o papel que
o poder civil, mesmo que seja laico, pode e deve ter na
construção da obra de Deus, tornando a vida das pessoas e
dos povos mais livre e feliz.
O evangelho
ensina-nos que o ser humano, sem deixar
de cumprir os seus deveres para com a comunidade em que está
inserido, pertence a Deus e há-de entregar-lhe toda a sua
existência. Mas, muitas
pessoas, no nosso tempo, constroem as suas vidas à margem de
Deus, instalando-se no seu orgulho
e auto-suficiência. O evangelho convida-nos a redescobrir a
centralidade de Deus na nossa existência, porque fomos criados
para a comunhão com Ele e só nos sentiremos felizes e
realizados quando nos entregarmos confiadamente nas suas mãos.
Para o cristão e a cristã, Deus é a
referência fundamental e está sempre em primeiro lugar.
Porém, o cristão e a cristã sabem que é no
coração do mundo que vivem e testemunham a sua fé,
pelo cumprimento exemplar das suas responsabilidades cívicas e
pelo compromisso sério e coerente na construção da
sociedade humana.
A segunda
leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã, que
colocou Deus no centro da sua existência e que, apesar das
dificuldades, se comprometeu corajosamente com os valores e os
projectos de Deus, e incita-nos a activar a nossa fé, a reforçar a nossa caridade
e a tornar firme a nossa esperança. O exemplo desta
comunidade interpela-nos, pois apesar de ser principiante na vida
cristã e de viver num ambiente adverso, abraçou com
entusiasmo o Evangelho e concretizou a proposta de Jesus. Esta
comunidade convoca-nos a deixar o pessimismo, que nos ensombra, e a
comprometer-nos com entusiasmo renovado e coerente, na
transformação da nossa vida, família, comunidade e
do mundo em que vivemos.
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Leituras do XXIX Domingo Comum: Is
45,1.4-6; Sl 96,1-5.7-10 (95); 1 Tes 1,1-5b; Mt 22,15-21
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XXVIII Domingo do Tempo Comum – A
Deolinda Serralheiro
A
liturgia deste domingo utiliza a imagem do “banquete” para descrever
esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim, que Deus quer
oferecer a todos os seus filhos e filhas. Na nossa
vida corrente, quando queremos homenagear alguém ou celebrar um
grande acontecimento, fazemos um banquete. Porque o comer e o beber
juntos, em ambiente fraterno, é fonte de muita alegria e
felicidade, é que o povo bíblico deu ao banquete um valor
sagrado. Ele é símbolo da Aliança e entra nos
grandes acontecimentos dos povos e da relação de Israel
com Deus. A própria eucaristia foi instituída no interior
de um banquete. À eucaristia chamamos “sagrado banquete”.
Na
primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus,
na sua própria casa, vai oferecer a todos os povos. Isto
significa que Deus tem, para nós, um projecto de vida, de amor e
de festa, porque somos pessoas amadas por Ele, com um amor eterno e
incondicional. É importante que tomemos consciência desta
realidade, para que ela projecte luz, serenidade e confiança na
nossa vida quotidiana. A nós, basta-nos aceitar o convite de
Deus para participar neste “banquete”, isto é, basta-nos aceitar
viver em comunhão com Ele, para que, na nossa vida, saibamos dar
prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, aqui e
agora, um mundo novo, onde brote a justiça, a solidariedade, o
amor e a partilha, a todos os níveis.
O evangelho
utiliza também a imagem do
“banquete” como exemplo, para designar a felicidade
escatológica, isto é, aquele felicidade eterna, a que
somos chamados no fim da nossa vida sobre a terra, e que começa
desde agora e aqui. Esta felicidade advém-nos da
participação no “banquete” celeste oferecido a todos,
mulheres e homens, pobres e ricos, cristãos e pagãos,
pecadores e fiéis. É um banquete universal! Não
há nenhuma condição humana, que nos possa impedir
de ter acesso a este “banquete”, se nós quisermos “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as
conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de
Deus. A opção pela participação no
“banquete”, que fizemos no dia do nosso baptismo, é um
compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
Na segunda
leitura, Paulo apresenta-nos o exemplo de uma comunidade que aceitou o
convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino. É uma
comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na
vivência do amor e no testemunho do evangelho diante de todos,
pela partilha dos seus bens com os mais necessitados. Por outro lado, S. Paulo
convida-nos ao desprendimento e à alegria, tanto na pobreza como
na abundância, porque não são as coisas materiais
que nos aproximam ou afastam de Deus. O essencial é a nada nos
apegarmos, porque só o Senhor é a nossa segurança;
só Ele é verdadeiramente rico e magnânimo para
fazer face a todas as nossas necessidades. E, quantas vezes, estas
são, sobretudo, de natureza espiritual e afectiva!
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Leituras do
XXVIII Domingo Comum
Is 25,6-10a; Sl 23 (22); Fl
4,12-14.19-20; Mt 22,1-14
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