"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XXIV           Mês: Outubro de  2005.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

Na Web Neste Site 


Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.


XXXI Domingo do Tempo ComumA

Deolinda Serralheiro

A liturgia deste domingo convida-nos a uma reflexão séria sobre a seriedade e a coerência do nosso compromisso com Deus e com o Reino. Interpela, de modo particular, os animadores das comunidades cristãs acerca da verdade do seu testemunho, da pureza dos seus motivos, do seu real empenho na construção de comunidades comprometidas com os valores do Evangelho. É o momento oportuno para “lermos” a nossa maneira de proceder, as nossas convicções, sentimentos e atitudes, face à nossa missão pastoral, segundo o modelo de Jesus Cristo, Mestre do seu povo.
          Na primeira leitura, o profeta Malaquias interpela com firmeza os sacerdotes de Israel. Estes eram chamados por Deus para serem “mensageiros do Senhor do universo”, para ensinar a Lei e para conduzir o Povo para Deus. Porém, após terem regressado do exílio da Babilónia, os sacerdotes esqueceram a Aliança e a Lei de Moisés, começando a agir arbitrariamente: deixaram-se dominar pelos seus interesses pessoais e faziam acepção de pessoas. Dominados pelo seu egoísmo, descuraram os seus deveres e desprestigiaram a Lei. E tornaram-se responsáveis pelo afastamento de Deus por parte do povo. O Senhor anuncia que não suporta mais este comportamento dos sacerdotes e que os vai desautorizar e tornar desprezíveis aos olhos do povo.
          No evangelho, Jesus censura, impiedosamente, os escribas e os fariseus, homens responsáveis pelo ensino da Escritura e da Lei, porque eram hipócritas. Arrogavam-se em “mestres” tal como Moisés, para impor medidas pesadas aos outros, que eles nunca cumpriam. Mas fingiam serem bons cumpridores da Lei e, para tal, metiam algumas palavras essenciais dessa Lei em pequenos estojos, que colocavam no braço esquerdo ou na fronte, as chamadas “filactérias”, e alargavam as pontas dos mantos, que punham nos ombros para fazerem oração, com borlas muito compridas, por motivos de vaidade. Jesus critica, violentamente, a sua pretensão à posse exclusiva da verdade, a sua incoerência, o seu exibicionismo, a sua insensibilidade ao amor e à misericórdia. Este texto é um convite a todos os crentes, para que não deixem que atitudes semelhantes se introduzam na família cristã e destruam a fraternidade, fundamento da comunidade.
          Na segunda leitura, Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Tessalónica, enumera os trabalhos e canseiras por que passou até que os cristãos desta comunidade acolhessem a sua palavra, como palavra de Deus, que neles permanece viva e activa. O Apóstolo apresenta-se, assim, como uma testemunha de Deus, que actua com entranhas maternas como Deus actuou em Jesus Cristo. Torna-se, deste modo, um modelo de evangelizador e de pastor, segundo o coração de Cristo. Nisto, opõe-se às atitudes dos sacerdotes após o Exílio, reprovadas por Deus, na primeira leitura, e à arrogância, vaidade e supremacia dos escribas e fariseus, que Jesus contesta veementemente no evangelho.

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Leituras do XXXI Domingo Comum

Ml 1,14b-2,2b.8-10; Sl 131 (130),1.2.3; 1 Tes 2,7b-9.13; Mt 23,1-12

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XXX Domingo do Tempo ComumA

Deolinda Serralheiro

          A liturgia deste domingo convida-nos a amar os outros como Deus nos ama, isto é, a viver no amor, que é o cerne da nossa experiência cristã. O que Deus pede a cada crente, é que permita que Deus inunde o seu próprio coração do amor, que nos vem de Deus e que de nós brota para o irmão e a irmã. Isto exige uma constante passagem do amor egoísta ao amor altruísta e oblativo.
          O evangelho diz-nos, de forma inequívoca, que toda a revelação de Deus se resume no amor, amor a Deus e amor aos irmãos e irmãs. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos e as irmãs relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. O resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.
O Mestre sabe que nós temos necessidade de ler, como quem escuta e medita, este duplo mandamento da Lei de Deus, porque tanto um como outro se nos tornam difíceis de praticar. Criados por Deus e para Deus, e dele dependentes em tudo, como o centro vital de onde nos vem todo o ser, existir e agir, estamos contaminados com profundas raízes malignas, que invertem esta ordem, que poderia ser natural, fazendo-nos rodopiar em volta de nós mesmos, quais narcisistas, que se comprazem na contemplação de si mesmos e da obra das suas mãos. Amar a Deus e ao próximo é um dom e uma tarefa nunca acabada, porque o limite do amor é amar sem limites, em fidelidade criativa.
          Na primeira leitura, o Senhor adverte-nos de que, apesar do amor devido ao próximo ser universal e incondicional, há no entanto, uma certa categoria de pessoas que, à partida, devemos amar. Se o não fizermos, irritaremos o Senhor. Estas pessoas são
o estrangeiro, o pobre, a viúva, aqueles que Deus mais protege, porque normalmente são menos amados por nós. Deus não aceita a perpetuação de situações intoleráveis de injustiça, de arbitrariedade, de opressão, de desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres e dos mais débeis. Qualquer injustiça ou arbitrariedade praticada contra um irmão ou uma irmã mais pobre ou mais débil é um crime grave contra Deus, que nos afasta da comunhão com Ele e nos coloca fora do âmbito da Aliança.
          Na segunda leitura, Paulo elogia a comunidade de Tessalónica, por ter crescido na comunhão com o Pai, em Jesus Cristo, cumprindo o mandamento do amor pelo acolhimento a Deus e aos irmãos e irmãs. É uma comunidade cristã modelo,
que, apesar da hostilidade e da perseguição, aprendeu a percorrer, com Cristo e com Paulo, o caminho do amor e do dom da vida, tornando-se semente de fé e de amor, que deu frutos em outras comunidades cristãs do mundo grego. Este percurso interpela-nos a nós, hoje, que também integramos comunidades paroquiais e que formamos comunidades de trabalho. Que testemunho cristão damos nós aí? Que acolhimento fazemos às pessoas? Como lhes revelamos o amor com que Deus as ama?

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 Leituras do XXX Domingo Comum:

Ex 22,20-26; Sl 18,2-3.7.47.51 (17); 1 Tes 1,5c-10; Mt 22,34-40.

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XXIX Domingo do Tempo ComumA

Deolinda Serralheiro

        A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir sobre a forma como havemos de equacionar a relação entre as realidades de Deus e as realidades do mundo. Diz-nos que Deus é a nossa prioridade e que é a Ele que havemos de submeter toda a nossa existência. Adverte-nos, porém, que Deus nos convoca a um compromisso efectivo com a construção do mundo.
          A primeira leitura sugere que Deus é o verdadeiro Senhor da história e que é Ele quem conduz a caminhada do seu Povo. As pessoas são apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar os seus projectos de salvação. Por isso, Isaías apresenta Ciro, rei dos persas e medos a ser chamado pelo Deus de Israel como o “seu ungido”, isto é, o “seu consagrado” ou Christós. Embora só os reis de Israel fossem ungidos, Ciro recebe também o título de ungido (messias), porque ele foi o agente de Deus na libertação do povo de Israel, quando este se encontrava exilado na Babilónia, reconduzindo-o a Israel, sua pátria, e facilitando a reconstrução do templo, que havia sido destruído. Deste modo, a Palavra esclarece-nos sobre o papel que o poder civil, mesmo que seja laico, pode e deve ter na construção da obra de Deus, tornando a vida das pessoas e dos povos mais livre e feliz.
          O evangelho ensina-nos que o
ser humano, sem deixar de cumprir os seus deveres para com a comunidade em que está inserido, pertence a Deus e há-de entregar-lhe toda a sua existência. Mas, muitas pessoas, no nosso tempo, constroem as suas vidas à margem de Deus, instalando-se no seu orgulho e auto-suficiência. O evangelho convida-nos a redescobrir a centralidade de Deus na nossa existência, porque fomos criados para a comunhão com Ele e só nos sentiremos felizes e realizados quando nos entregarmos confiadamente nas suas mãos. Para o cristão e a cristã, Deus é a referência fundamental e está sempre em primeiro lugar. Porém, o cristão e a cristã sabem que é no coração do mundo que vivem e testemunham a sua fé, pelo cumprimento exemplar das suas responsabilidades cívicas e pelo compromisso sério e coerente na construção da sociedade humana.
          A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã, que colocou Deus no centro da sua existência e que, apesar das dificuldades, se comprometeu corajosamente com os valores e os projectos de Deus, e incita-nos a activar a nossa fé, a reforçar a nossa caridade e a tornar firme a nossa esperança. O exemplo desta comunidade interpela-nos, pois apesar de ser principiante na vida cristã e de viver num ambiente adverso, abraçou com entusiasmo o Evangelho e concretizou a proposta de Jesus. Esta comunidade convoca-nos a deixar o pessimismo, que nos ensombra, e a comprometer-nos com entusiasmo renovado e coerente, na transformação da nossa vida, família, comunidade e do mundo em que vivemos.

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Leituras do XXIX Domingo Comum: Is 45,1.4-6; Sl 96,1-5.7-10 (95); 1 Tes 1,1-5b; Mt 22,15-21

 

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XXVIII Domingo do Tempo ComumA

Deolinda Serralheiro

 A liturgia deste domingo utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim, que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas. Na nossa vida corrente, quando queremos homenagear alguém ou celebrar um grande acontecimento, fazemos um banquete. Porque o comer e o beber juntos, em ambiente fraterno, é fonte de muita alegria e felicidade, é que o povo bíblico deu ao banquete um valor sagrado. Ele é símbolo da Aliança e entra nos grandes acontecimentos dos povos e da relação de Israel com Deus. A própria eucaristia foi instituída no interior de um banquete. À eucaristia chamamos “sagrado banquete”.
          Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os povos. Isto significa que Deus tem, para nós, um projecto de vida, de amor e de festa, porque somos pessoas amadas por Ele, com um amor eterno e incondicional. É importante que tomemos consciência desta realidade, para que ela projecte luz, serenidade e confiança na nossa vida quotidiana. A nós, basta-nos aceitar o convite de Deus para participar neste “banquete”, isto é, basta-nos aceitar viver em comunhão com Ele, para que, na nossa vida, saibamos dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, aqui e agora, um mundo novo, onde brote a justiça, a solidariedade, o amor e a partilha, a todos os níveis.
          O evangelho utiliza também a
imagem do “banquete” como exemplo, para designar a felicidade escatológica, isto é, aquele felicidade eterna, a que somos chamados no fim da nossa vida sobre a terra, e que começa desde agora e aqui. Esta felicidade advém-nos da participação no “banquete” celeste oferecido a todos, mulheres e homens, pobres e ricos, cristãos e pagãos, pecadores e fiéis. É um banquete universal! Não há nenhuma condição humana, que nos possa impedir de ter acesso a este “banquete”, se nós quisermos “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção pela participação no “banquete”, que fizemos no dia do nosso baptismo, é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
          Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos o exemplo de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e no testemunho do evangelho diante de todos, pela partilha dos seus bens com os mais necessitados. Por outro lado,
S. Paulo convida-nos ao desprendimento e à alegria, tanto na pobreza como na abundância, porque não são as coisas materiais que nos aproximam ou afastam de Deus. O essencial é a nada nos apegarmos, porque só o Senhor é a nossa segurança; só Ele é verdadeiramente rico e magnânimo para fazer face a todas as nossas necessidades. E, quantas vezes, estas são, sobretudo, de natureza espiritual e afectiva!

 
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Leituras do XXVIII Domingo Comum

Is 25,6-10a; Sl 23 (22); Fl 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14

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