"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XXIII           Mês: Setembro de  2005.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro















XXVII Domingo do Tempo Comum - A

Deolinda Serralheiro

A liturgia da Palavra deste domingo “canta” o amor de Deus pelo seu povo e revela-nos todos os cuidados de que Ele o cerca para que seja um povo feliz e frutuoso. Neste tempo de colheitas e, entre elas, as famosas vindimas, melhor podemos entender o tema da vinha, hoje utilizado como alegoria, e que é um lugar privilegiado da revelação bíblica sobre o amor e os cuidados de Deus para connosco.
Na primeira leitura, o profeta Isaías diz-nos que o Senhor
cantou um cântico de amor à sua vinha, o qual exprime o sonho de Deus sobre Israel, seu povo. O Senhor sonhou que esta vinha, assim cuidada, produzisse uvas doces e gradas, mas o seu sonho desfez-se, porque esta vinha só produziu agraço. Então o Senhor, ao ver que a vinha não correspondera ao seu amor, pensou em devastá-la, tirar-lhe a vedação, demolir o muro e deixar que fosse espezinhada. Tornar-se-ia num lugar deserto, onde cresceriam silvas, e as nuvens não seriam mais autorizadas a deixar cair sobre ela as suas chuvas fecundas. O profeta conclui: os habitantes de Israel são esta vinha escolhida de onde o Senhor esperava rectidão e justiça. Porém, só há sangue derramado e gritos de horror.
Na sequência deste sonho, o evangelho narrado por Mateus, conta-nos mais uma parábola de Jesus sobre o Reino. A vinha plantada com tanto amor, cercada com uma sebe, com um lagar e uma torre foi alugada a uns vinhateiros. Quando chegou o tempo da colheita, o senhor da vinha enviou os seus servos para receberem os frutos devidos ao arrendamento. Porém, os vinhateiros espancaram e mataram os servos que, sucessivamente, o senhor ia enviando. Por fim, o dono da vinha enviou o seu próprio filho, pensando que este fosse bem tratado e respeitado. Mas mataram-no também. Então o senhor tirou a vinha aos rendeiros e entregou-a a outros, que lhe entregaram os frutos no devido tempo. Jesus conclui a parábola, afirmando que o Reino de Deus oferecido, em primeiro lugar, ao povo de Israel lhe vai ser tirado e irá ser dado a um povo que produza os seus frutos. A vinha da 1ª e da 3ª leitura é o povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento, os servos mortos são todos os que o Senhor envia ao seu povo, mas que não são escutados e, finalmente, o filho é o próprio Jesus, que também foi espancado e morto, e, por isso, se tornou
a pedra de alicerce, a pedra fundamental da construção da nova vinha, isto é, do novo povo de Deus, nascida das águas do baptismo, em Jesus Cristo.
A segunda leitura avisa-nos de que para integrar e permanecer na vinha do Senhor não basta ser baptizado. É necessário ter no coração e na acção “
tudo o que é nobre, justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor”. Só assim o Deus da paz estará connosco. Porque a vinha do Senhor é feita de cristãos e de cristãs vivos e activos, de pessoas que se empenham, com Cristo, no embelezamento da comunidade e da sociedade, produzindo frutos de santidade.

 
Leituras do XXVII Domingo Comum: Is 5,1-7; Sl 80 (79); Fl 4,6-9; Mt 21,33-43

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XXVI Domingo do Tempo Comum - A

Deolinda Serralheiro

A liturgia da Palavra realça o facto de que Deus chama todos os homens e mulheres a envolver-se na construção do mundo novo, feito de justiça, de paz e de pão para todos. Diante desta chamada de Deus, cada pessoa pode dizer “sim” e colaborar com Ele, ou dizer “não” e escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus, o qual há-de ser traduzido em acções concretas a favor da construção de um mundo melhor, onde a paz, a justiça e a fraternidade sejam pão para todos.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus. A nós, esta leitura exorta-nos a tomar consciência de que o compromisso assumido no dia do nosso baptismo nos envolve, pessoalmente. Actualmente, há dificuldade em assumir compromissos e em ser coerente com eles. Tudo se relativiza, até as promessas mais sagradas, como o matrimónio e a consagração a Deus. Assumir os nossos compromissos pessoais na construção da comunidade e do mundo significa sentir-se solidário no bem e no mal e não aligeirar a carga quando as coisas correm mal, atirando as culpas para as estruturas ou para as pessoas mais responsáveis.
O evangelho conta a parábola dos dois filhos: um que disse “não”, mas obedeceu, e outro, que disse “sim”, mas desobedeceu. Jesus tinha diante de si os gentios, simbolizados no primeiro filho, e os judeus, simbolizados no segundo. Os segundos, cumpridores da lei de Deus, rejeitaram o Messias, que lhes foi enviado pelo Pai, ficando seus adversários; os primeiros, publicanos e mulheres de má vida, desconhecedores da lei de Deus e pecadores, aceitaram Jesus e a sua mensagem de amor, tornando-se seus discípulos. O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas, mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores e com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais, mas é aquele que cumpre, na realidade da vida, a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos, actual Macedónia, e a nós também, o exemplo de Cristo. Desta leitura, que coroa a Palavra deste domingo, podemos reter na memória do coração o hino cristológico, que ela contém, para que cultivemos entre nós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele que tem o próprio ser de Deus, esvaziou-se (sem perder a condição divina), fazendo-se homem e servo de todos, e rebaixou-se pela sua paixão e morte. Por isso, foi exaltado e constituído Senhor de todos os seres visíveis e invisíveis. Esta é a lógica de Deus: Só pelo caminho da humildade e do amor fraterno nos tornamos grandes aos seus olhos. Os cristãos e as cristãs são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos, por amor.

Leituras do XXVI Domingo Comum: Ez 18,25-28; Sl 25 (24), 4-9; Fl 2,1-11; Mt 21,28-32

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XXV Domingo do Tempo Comum - A

Deolinda Serralheiro

A Palavra deste domingo esclarece-nos sobre o amor incondicional do Senhor para com todos os seres humanos. Ele está sempre a passar nas nossas vidas, nos nossos caminhos, nas pessoas que se cruzam connosco e nos acontecimentos que tecem a nossa existência, para nos dizer: «Amo-te! Queres estabelecer uma aliança de amor comigo? Não importa o que foste; é agora o momento de te voltares para mim, porque te procuro e te amo com ternura!».
A primeira leitura pede aos crentes que procurem o Senhor. Procurar Deus, é um movimento que exige uma transformação radical, uma conversão, para que os nossos pensamentos e acções sejam modelados sobre o modo de pensar e de agir do próprio Deus. O texto pede-nos que vivamos de olhos postos no céu e que contemplemos os horizontes de Deus. A conversão cristã exige que sejamos contracorrente à cultura pós-moderna, que prescindiu de Deus e afirma que a liberdade e felicidade se constroem à margem dele. O texto interpela-nos sobre a imagem que temos de Deus, pois a conversão implica, também, uma mudança na forma de ver Deus. Isto exige uma pessoal relação com Ele e a capacidade de prescindir da nossa auto-suficiência para confiar na bondade dos seus caminhos, através dos quais Ele conduz a história da nossa salvação.
O evangelho diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens e mulheres, sem considerar a sua antiguidade na fé, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma mudança de mentalidade, para que a nossa relação com Ele não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e gratuidade.
O crente não age por conveniência, para ter sorte na vida, ser livre da doença ou adivinhar o totoloto, mas porque sabe que é esse o caminho que Deus lhe propõe. A parábola mostra-nos que Deus, prefigurado no proprietário da vinha, está sempre a passar por nós, a vir ao nosso encontro, para nos oferecer, gratuitamente, a sua amizade. Mas é necessário que Ele nos encontre vigilantes para nos decidirmos a ir trabalhar para a sua vinha. Na comunidade cristã, é a decisão pessoal de ir trabalhar para a vinha do Senhor que marca a diferença, porque, de resto, todos somos filhos e filhas de Deus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Paulo, que abraçou, de forma exemplar, o método de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto. Para mim, viver é Cristo”, afirma o apóstolo. Esta frase diz-nos que isto é o essencial e o único necessário para ser discípulo ou discípula do Senhor Jesus. Após a sua conversão, Paulo descobriu que só uma coisa basta: Viver Cristo! Centrar a Vida em Cristo! Há muitos cristãos e cristãs, que assim se confessam, mas que não praticam o «Viver Cristo». O mesmo é dizer que não O conhecem tal como o evangelho no-lo apresenta e, por isso, não podem ser seus imitadores, nem conhecer o Pai, pois conhecer Jesus é conhecer o Pai, pela acção do Espírito Santo.

Leituras do XXV Domingo Comum: Is 55,6-9; Sl 145 (144); Fl 1,20c-24.27a; Mt 20,1-16a

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XXIV Domingo do Tempo Comum - A

Deolinda Serralheiro

A liturgia deste domingo fala-nos da exigência de perdoar, como condição de salvação. Afirma-nos que Deus ama sem cômputos e sem balizas, e interpela-nos, decididamente, a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos e irmãs que fazem caminho connosco.
No evangelho, Jesus, motivado pela pergunta de Pedro sobre a contabilidade do perdão, conta-nos uma parábola sobre o modo de Deus proceder face aos nossos comportamentos. Trata-se de um rei que perdoou ao seu servo uma dívida de dez mil talentos, depois deste lhe implorar, humildemente, um lapso de tempo para que lhe pudesse pagar a dívida. Diante desta atitude, o Senhor encheu-se de misericórdia e perdoou-lhe tudo, enviando-o em liberdade. À saída, este servo encontrou um companheiro que lhe devia apenas cem denários. Esquecido do perdão que recebera, atira-se ao pescoço do seu devedor e exige-lhe o pagamento imediato da sua dívida. O companheiro, de joelhos, também lhe implora um prazo para saldar a dívida. Porém, mandou-o prender e não lhe perdoa os cem denários, quando afinal já tinha sido beneficiado com dez mil talentos. Jesus conclui, dizendo que o rei, ao saber deste facto, ficou indignado pelo servo não ter aprendido a lição do seu senhor, e entregou-o aos carrascos até que lhe pagasse toda a dívida. E conclui: “Assim procederá convosco o Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração”. No tempo de Jesus, como hoje, vivemos numa sociedade altamente marcada pela violência, pela vingança, pelo mal querer e mal dizer, pelas divisões e rixas. E tudo isto, porque não somos tolerantes, não temos grandeza de coração e misericórdia para perdoar as ofensas dos outros. Enfatizamos o mal que nos fazem e retribuímos com dupla ou tripla maldade.
Na primeira leitura, o autor considera que o rancor e a ira são sentimentos detestáveis, que não se ajustam à felicidade e à realização do ser humano. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão e irmã, e avisa-nos que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento. Quem se vinga do seu próximo, não poderá obter o perdão de Deus, mesmo que lho peça insistentemente. Estamos condicionados no perdão, como nos ensina Jesus no Pai-nosso.
Na segunda leitura, Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos e irmãs, que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus hão-de ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor.
A Palavra é muito incisiva na questão do perdão das ofensas ao próximo. Perdoar é condição para que também sejamos perdoados pelo Senhor. É urgente educar o coração para uma cultura de amor e de perdão, a começar na mais tenra idade. Infelizmente, na maioria dos modelos familiares e sociais predominam os sentimentos detestáveis do rancor, da ira e da vingança. “Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas”.

 

Leituras do XXIV Domingo Sir 27,33-28,9; Sl 103 (102); Rm 14,7-9; Mt 18,21-35

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XXIII Domingo do Tempo Comum - A

Deolinda Serralheiro


A liturgia deste domingo desafia-nos ao amor com todas as suas implicações. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e irmã e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos humanos. Está atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo e apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade das pessoas e alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam. O profeta/sentinela é um sinal vivo do amor de Deus pelo seu Povo. É Ele que o chama, o envia em missão e lhe dá a coragem de testemunhar, que o apoia nos momentos de decepção e de solidão… O profeta/sentinela é a prova de que, cada dia, Deus continua a oferecer ao seu Povo caminhos de salvação e de vida. Demonstra que Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Pelo baptismo, todos fomos constituídos profetas. Recebemos de Deus a missão de dizer aos nossos irmãos e irmãs que alguns valores que a sociedade actual cultiva e endeusa são responsáveis por muitos dos dramas que a afligem. Temos consciência da nossa missão profética, a qual nos compromete à denúncia do que está errado no mundo e na vida dos seres humanos?
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma, e também a nós, a colocar no centro da sua existência o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” de amor que temos para com todos os nossos irmãos e irmãs, e que nunca está totalmente paga. As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, hão-de ser comunidades fraternas de amor. Os que estão de fora hão-de olhar para nós e dizer: “eles são diferentes, são uma mais valia para o mundo, porque amam mais do que os outros”. É isso que acontece? Quem contempla as nossas comunidades, descobre as marcas do amor? Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os débeis, os marginalizados são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?
O evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão e irmã a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que brota do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão e irmã que a nossa intervenção é o resultado do nosso amor. Jesus convida-nos a respeitar o nosso irmão e irmã, mas a não pactuar com as atitudes erradas que possam assumir. Amar alguém é não ficar indiferente, quando ele está a fazer mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes, repreender, contestar, discordar, interpelar… É preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de não concordar com ele, de lhe fazer observações que o vão magoar… Acima de tudo, é preciso que a nossa correcção fraterna não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a sua conversão; e essa lógica há-de estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irmãos e irmãs que falharam.


Domingo XXIII do Tempo Comum: EZ 33,7-9; Sl 95 (94); Rm 13,8-10; Mt 18,15-20

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