"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XX           Mês: Junho de   2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro














Guia Homilético:

XIV Tempo Comum – Ano A

Deolinda Serralheiro

A liturgia deste domingo indica-nos que, para nos encontrarmos com Deus, necessitamos de cultivar a simplicidade, a humildade, a pobreza e a pequenez, porque Ele nunca se revela aos auto-suficientes, soberbos e prepotentes.

Ao lermos a primeira leitura, extraída do profeta Zacarias, temos a sensação de que foi escrita, exactamente, para o tempo em que vivemos. Jerusalém encontrava-se inundada de armas de guerra e os seus habitantes respiravam ódio e violência uns face aos outros. O profeta, porém, tem a chave para acabar com esta situação. O Rei de Israel vai chegar, simples e humilde. Ele vem destruir todo o arsenal de guerra e restabelecer a paz. Hoje, ao contrário, o Rei de Israel - Jesus Cristo - já chegou há mais de dois mil anos. Veio anunciar a paz e ensinar às pessoas o caminho para a construir. Contudo, uns não acolherem esta mensagem, outros já a esqueceram. E as pessoas continuam a proceder como nos tempos primitivos, matando-se umas às outras, sem respeito algum pela dignidade humana.

No evangelho, Jesus faz uma exultante oração de louvar ao Pai, porque Ele se apraz em conceder a sua sabedoria aos humildes e pequenos, que, em linguagem bíblica, significa a mesma realidade. O próprio Jesus viveu em permanente atitude de humildade: «é manso e humilde de coração» e, por isso, tem autoridade para proclamar esta virtude como indispensável para qualquer tipo de crescimento humano ou espiritual. Ele identifica-se com o rei justo e salvador, anunciado na primeira leitura, que vem ao nosso encontro, humildemente montado numa jumentinha, para anunciar a paz até aos confins da terra. A humildade é um sentimento proveniente do conhecimento da própria fraqueza. Na medida em que cada ser humano procura ter em justa medida as suas qualidades e deficiências, é humilde, e está em condições de poder crescer naquilo em que é menos bom ou até mau, com a ajuda de Deus e dos outros. A pessoa auto-suficiente, cega sobre as suas próprias fraquezas, é orgulhosa, e nunca pode crescer, porque não aceita nenhuma iluminação, conselho ou correcção dos outros. Nem Deus a pode enriquecer com a sua sabedoria!

Na segunda leitura, Paulo convida os crentes – comprometidos com Jesus desde o dia do seu baptismo – a viverem «segundo o Espírito» e não «segundo a carne». A vida «segundo a carne» é a vida daqueles que se instalam no egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida «segundo o Espírito» é a vida daqueles que aceitam acolher as propostas de Deus e as põem em prática. Só a vida «segundo o Espírito» produz paz, concórdia, harmonia, bom entendimento, perdão, fraternidade. Só a acção do Espírito potencia a criação da civilização do amor contra a do ódio e da violência que continua a devastar o nosso planeta e a nossa sociedade. Quem nos poderá dar a paz? Quem poderá aliviar a tensão das nossas vidas? Quem nos poderá descomprimir da ansiedade que nos habita? Quem poderá dar às pessoas a serenidade de que carecem e a certeza de que para serem felizes basta ter um coração manso e humilde?

                         Domingo do XIV do Tempo Comum

Zac 9, 9-10; Sl 145 (144); Rm 8, 9.11-13; Mt 10, 25-30

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XII Tempo Comum – Ano A

 Deolinda Serralheiro

Não temais! É este o tema central da liturgia deste domingo. No mundo plural, onde habitamos, e onde nos cercam mil e uma ideologia e crenças, tudo parece igualmente aceitável e verdadeiro. Contudo, há caminhos que levam à salvação e outros que conduzem à destruição pessoal e social. É importante saber discernir e ousar percorrer os caminhos apontados por Jesus. Destemida e confiadamente, porque o Pai cuida de nós. É urgente o testemunho cristão, mesmo entre os que se dizem cristãos, mas vivem como se não fossem. É importante que toda a gente perceba de que lado estamos nós, sem medo, nem cobardia. Porque se formos a favor de Cristo, Ele será também a nosso favor junto do Pai.

Mateus dirige-se à sua comunidade em tempo de perseguição por causa do Evangelho. Há muitas vozes que se levantam contra os discípulos de Jesus, e é preciso ter coragem para dar um testemunho convincente da fé cristã. É preciso proclamar bem alto, por palavras e com a vida, o que o Senhor viveu e ensinou, dizê-lo às claras, dizê-lo “à luz do dia”. Mas há muita gente que não suporta a verdade, sobretudo quando esta incomoda e obriga a mudar o modo de pensar e de viver. Jesus, porém, insiste em que não devemos temer aqueles que apenas nos podem matar o corpo, real ou simbolicamente. É mais importante temer a falta de coerência e a cobardia, quando as coisas se tornam difíceis para o testemunho evangélico. “Não temais”, adverte Jesus, quando vos perseguirem e vos rejeitarem por causa de mim, porque o Pai vos protege sempre. Ele até sabe quantos cabelos tendes na vossa cabeça, isto é, Ele conhece bem todo o vosso íntimo, sabe tudo sobre vós. Porque temer?

Na primeira leitura, o profeta Jeremias queixa-se da perseguição que sofre por parte dos seus conterrâneos. O povo de Israel multiplicou as infidelidades a Deus e, por isso, vai ser abandonado a si mesmo e sofrer os terrores do cativeiro. Jeremias denuncia esta situação e convida o povo à mudança de vida. Torna-se incómodo. Perseguem-no e acabam por matá-lo, acusado de traição à pátria. O profeta, porém, não se intimida face à dificuldade da sua missão, porque sabe que o Senhor está consigo, “como herói poderoso” e que os seus perseguidores acabarão por ser vencidos. O Senhor “sonda o justo e perscruta os rins e o coração”, isto é, conhece o que há de mais íntimo em cada um de nós, como afirmava Jesus pela boca de Mateus.

Na segunda leitura, Paulo dá-nos a chave para percebermos porque nada temos a temer, mesmo face à perseguição e à morte. Esta leitura põe em paralelo a nossa dupla condição: somos seres pecadores, nascidos de “Adão” e seres libertos e salvos, nascidos de Jesus Cristo. Porém, é muito mais forte a herança recebida de Cristo. É que Jesus venceu o pecado e a própria morte e, por Ele, a graça de Deus foi concedida em abundância a todas as pessoas. Porque temer, então?

Domingo do XII do Tempo Comum: Jr 20,10-13; Sl 69 (68); Rm 5,12-15; Mt 10,26-33.

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X Tempo Comum – Ano A

 Deolinda Serralheiro

A Palavra deste domingo está repassada do tema “misericórdia”. A misericórdia é um dos maiores atributos do nosso Deus. A Palavra repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação.

Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir à aliança, com um coração sincero e verdadeiro. Os actos externos de culto, ainda que faustosos e imponentes, não significam nada, se não houver o amor na sua dupla vertente: a Deus e ao próximo. Deus quer que sejamos misericordiosos uns para com os outros. Isto agrada-lhe mais do que o culto que lhe prestamos com um amor frágil e passageiro “como o orvalho da madrugada que logo se evapora”.

O evangelho apresenta-nos uma catequese sobre o modo de responder ao chamamento a seguir Jesus. A narrativa transmite-nos a experiência pessoal de Mateus, um homem saído do grupo dos “impuros”, pois era cobrador de impostos, quando o Mestre o chama para o seguir. O evangelista relata-nos, em primeira pessoa, este antagonismo de concepções relativamente ao mesmo Deus, por parte de Jesus e por parte dos seus adversários. Jesus veio dar a conhecer o coração misericordioso do Pai: o que Ele faz é o que o Pai faz. Jesus insiste em que é preciso conhecer Deus e, por isso, exorta os fariseus com estas palavras: “Ide aprender o que significa: «Prefiro a misericórdia ao sacrifício». Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Recorda-lhes também a sua missão: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”. Na verdade, Jesus veio chamar os que são e se reconhecem pecadores e não os que se auto-designam justos.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos, tanto aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, como aos que vêm do paganismo, a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos, não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional, plena, a Deus e aos seus projectos. Diante da miséria dos homens e das mulheres, que Ele criou com tanto amor, Deus decide refazer a sua criação, chamando um homem e uma mulher sem vigor e com fraca vitalidade, Abraão e Sara, para darem início a um novo povo. E este casal acreditou na misericórdia de Deus, o que os fortaleceu na fé. É a misericórdia de Deus que actua, sempre que é necessário consertar o mal, mudando-o em graça e perdão. Quanto farisaísmo há, ainda, dentro de cada um de nós! E como é urgente conhecermos o nosso Deus e deixarmo-nos impregnar pela sua misericórdia!

X Domingo do Tempo Comum: Os 6,3-6; Sl 50 (49); Rm 4,18-25; Mt 9,9-13.

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