|
Guia
Homilético:
XIV Tempo Comum – Ano A
Deolinda
Serralheiro
A
liturgia deste domingo indica-nos que, para nos encontrarmos com Deus,
necessitamos de cultivar a simplicidade, a humildade, a pobreza e a
pequenez, porque Ele nunca se revela aos auto-suficientes, soberbos e
prepotentes.
Ao lermos a
primeira leitura, extraída do profeta Zacarias, temos a
sensação de que foi escrita, exactamente, para o tempo em
que vivemos. Jerusalém encontrava-se inundada de armas de guerra
e os seus habitantes respiravam ódio e violência uns face
aos outros. O profeta, porém, tem a chave para acabar com esta
situação. O Rei de Israel vai chegar, simples e humilde.
Ele vem destruir todo o arsenal de guerra e restabelecer a paz. Hoje,
ao contrário, o Rei de Israel -
Jesus Cristo - já chegou há mais de dois mil anos. Veio
anunciar a paz e ensinar às pessoas o caminho para a construir.
Contudo, uns não acolherem esta mensagem, outros já a
esqueceram. E as pessoas continuam a proceder como nos tempos
primitivos, matando-se umas às outras, sem respeito algum pela
dignidade humana.
No evangelho,
Jesus faz uma exultante oração de louvar ao Pai, porque
Ele se apraz em conceder a sua sabedoria aos humildes e pequenos, que,
em linguagem bíblica, significa a mesma realidade. O
próprio Jesus viveu em permanente atitude de humildade:
«é manso e humilde de coração» e, por
isso, tem autoridade para proclamar esta virtude como
indispensável para qualquer tipo de crescimento humano ou
espiritual. Ele identifica-se com o rei justo e salvador, anunciado na
primeira leitura, que vem ao nosso encontro, humildemente montado numa
jumentinha, para anunciar a paz até aos confins da terra. A
humildade é um sentimento proveniente do conhecimento da
própria fraqueza. Na medida em que cada ser humano procura ter
em justa medida as suas qualidades e deficiências, é
humilde, e está em condições de poder crescer
naquilo em que é menos bom ou até mau, com a ajuda de
Deus e dos outros. A pessoa auto-suficiente, cega sobre as suas
próprias fraquezas, é orgulhosa, e nunca pode crescer,
porque não aceita nenhuma iluminação, conselho ou
correcção dos outros. Nem Deus a pode enriquecer com a
sua sabedoria!
Na segunda
leitura, Paulo convida os crentes – comprometidos com Jesus desde o dia
do seu baptismo – a viverem «segundo o Espírito» e
não «segundo a carne». A vida «segundo a
carne» é a vida daqueles que se instalam no
egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida «segundo
o Espírito» é a vida daqueles que aceitam acolher
as propostas de Deus e as põem em prática. Só a
vida «segundo o Espírito» produz paz,
concórdia, harmonia, bom entendimento, perdão,
fraternidade. Só a acção do Espírito
potencia a criação da civilização do amor
contra a do ódio e da violência que continua a devastar o
nosso planeta e a nossa sociedade. Quem nos poderá dar a paz?
Quem poderá aliviar a tensão das nossas vidas? Quem nos
poderá descomprimir da ansiedade que nos habita? Quem
poderá dar às pessoas a serenidade de que carecem e a
certeza de que para serem felizes basta ter um coração
manso e humilde?
Domingo do XIV do Tempo
Comum
Zac 9, 9-10; Sl 145 (144); Rm 8,
9.11-13; Mt 10, 25-30
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
XII Tempo Comum – Ano A
Deolinda
Serralheiro
Não
temais! É este o tema central da liturgia deste domingo. No
mundo plural, onde habitamos, e onde nos cercam mil e uma ideologia e
crenças, tudo parece igualmente aceitável e verdadeiro.
Contudo, há caminhos que levam à salvação e
outros que conduzem à destruição pessoal e social.
É importante saber discernir e ousar percorrer os caminhos
apontados por Jesus. Destemida e confiadamente, porque o Pai cuida de
nós. É urgente o testemunho cristão, mesmo entre
os que se dizem cristãos, mas vivem como se não fossem.
É importante que toda a gente perceba de que lado estamos
nós, sem medo, nem cobardia. Porque se formos a favor de Cristo,
Ele será também a nosso favor junto do Pai.
Mateus
dirige-se à sua comunidade em tempo de perseguição
por causa do Evangelho. Há muitas vozes que se levantam contra
os discípulos de Jesus, e é preciso ter coragem para dar
um testemunho convincente da fé cristã. É preciso
proclamar bem alto, por palavras e com a vida, o que o Senhor viveu e
ensinou, dizê-lo às claras, dizê-lo “à luz
do dia”. Mas há muita gente que não suporta a
verdade, sobretudo quando esta incomoda e obriga a mudar o modo de
pensar e de viver. Jesus, porém, insiste em que não
devemos temer aqueles que apenas nos podem matar o corpo, real ou
simbolicamente. É mais importante temer a falta de
coerência e a cobardia, quando as coisas se tornam
difíceis para o testemunho evangélico. “Não
temais”, adverte Jesus, quando vos perseguirem e vos rejeitarem por
causa de mim, porque o Pai vos protege sempre. Ele até sabe
quantos cabelos tendes na vossa cabeça, isto é, Ele
conhece bem todo o vosso íntimo, sabe tudo sobre vós.
Porque temer?
Na primeira
leitura, o profeta Jeremias queixa-se da perseguição que
sofre por parte dos seus conterrâneos. O povo de Israel
multiplicou as infidelidades a Deus e, por isso, vai ser abandonado a
si mesmo e sofrer os terrores do cativeiro. Jeremias denuncia esta
situação e convida o povo à mudança de
vida. Torna-se incómodo. Perseguem-no e acabam por
matá-lo, acusado de traição à
pátria. O profeta, porém, não se intimida face
à dificuldade da sua missão, porque sabe que o Senhor
está consigo, “como herói poderoso” e que os seus
perseguidores acabarão por ser vencidos. O Senhor “sonda o
justo e perscruta os rins e o coração”, isto
é, conhece o que há de mais íntimo em cada um de
nós, como afirmava Jesus pela boca de Mateus.
Na segunda
leitura, Paulo dá-nos a chave para percebermos porque nada temos
a temer, mesmo face à perseguição e à
morte. Esta leitura põe em paralelo a nossa
dupla condição: somos seres pecadores, nascidos de
“Adão” e seres libertos e salvos, nascidos de Jesus Cristo.
Porém, é muito mais forte a herança recebida de
Cristo. É que Jesus venceu o pecado e a própria
morte e, por Ele, a graça de Deus foi concedida em
abundância a todas as pessoas. Porque temer,
então?
Domingo do XII do Tempo Comum: Jr
20,10-13; Sl 69 (68); Rm 5,12-15; Mt 10,26-33.
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
X Tempo Comum – Ano A
Deolinda
Serralheiro
A Palavra
deste domingo está repassada do tema “misericórdia”.
A misericórdia é um dos maiores atributos do nosso Deus. A Palavra repete, com alguma insistência,
que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A
expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o
essencial não são os actos externos de culto ou as
declarações de boas intenções, mas sim uma
atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento,
à sua proposta de salvação.
Na
primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de
uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não
está verdadeiramente interessada em aderir à
aliança, com um coração sincero e verdadeiro. Os
actos externos de culto, ainda que faustosos e imponentes, não
significam nada, se não houver o amor na sua
dupla vertente: a Deus e ao próximo. Deus quer que sejamos
misericordiosos uns para com os outros. Isto agrada-lhe mais do que o
culto que lhe prestamos com um amor frágil e passageiro “como o
orvalho da madrugada que logo se evapora”.
O
evangelho apresenta-nos uma catequese sobre o modo de responder ao
chamamento a seguir Jesus. A narrativa transmite-nos a
experiência pessoal de Mateus, um homem
saído do grupo dos “impuros”, pois era cobrador de impostos,
quando o Mestre o chama para o seguir. O evangelista relata-nos, em
primeira pessoa, este antagonismo de concepções
relativamente ao mesmo Deus, por parte de Jesus e por parte dos seus
adversários. Jesus veio dar a conhecer o coração
misericordioso do Pai: o que Ele faz é o que o Pai faz. Jesus
insiste em que é preciso conhecer Deus e, por isso, exorta os
fariseus com estas palavras: “Ide aprender o que significa:
«Prefiro a misericórdia ao sacrifício».
Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.
Recorda-lhes também a sua missão: “Não
são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes”. Na verdade, Jesus veio chamar os que
são e se reconhecem pecadores e não os que se
auto-designam justos.
Na
segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos, tanto aos que
vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito
cumprimento da Lei de Moisés, como aos que vêm do
paganismo, a única coisa essencial: a fé.
A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um
modelo para todos, não foram as obras que fez, mas a sua
adesão total, incondicional, plena, a Deus e aos seus projectos. Diante da
miséria dos homens e das mulheres, que Ele criou com tanto amor,
Deus decide refazer a sua criação, chamando um homem e
uma mulher sem vigor e com fraca vitalidade, Abraão e Sara, para
darem início a um novo povo. E este casal acreditou na
misericórdia de Deus, o que os fortaleceu na fé. É
a misericórdia de Deus que actua, sempre que é
necessário consertar o mal, mudando-o em graça e
perdão. Quanto farisaísmo há, ainda, dentro de
cada um de nós! E como é urgente conhecermos o nosso Deus
e deixarmo-nos impregnar pela sua misericórdia!
X Domingo do Tempo Comum: Os 6,3-6; Sl
50 (49); Rm 4,18-25; Mt 9,9-13.
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
|
|