"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XIX           Mês: Maio de   2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro














Guia Homilético:

Santíssima Trindade – Ano A

 Deolinda Serralheiro

A festa que hoje celebramos abre, na Liturgia Cristã, o Tempo Comum, como que a lembrar-nos que toda a nossa vida dimana de Deus Trindade e para Ele se encaminha. Ele é a origem e o fim de todo o nosso ser e existir. Recordando os ensinamentos do bispo S. Atanásio (séc. IV), acreditamos que toda a Trindade é criadora e eficaz. Nela há uma só natureza, e uma só é a sua eficiência e acção. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo, afirmando-se, deste modo, a unidade da Santíssima Trindade.

Para vincar esta unidade, a Tradição da Igreja elaborou o termo “pessoa”, distinguindo-o de “natureza”. Assim, a Trindade define-se por ser três pessoas iguais e distintas numa só natureza. Cada uma das pessoas é constituída pela relação específica que a une às outras. Mas as pessoas inscrevem-se na unidade da mesma natureza divina e não a multiplicam.

Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, determinado em estabelecer laços familiares com o ser humano, apresenta-se a si mesmo: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. Em razão do seu amor e da sua ternura, ninguém tem receio de se aproximar deste Deus, porque acima de tudo, Ele tem um coração paternal e maternal, estando sempre disposto a amar e a perdoar. Nós, seres humanos, somos chamados a participar no mistério trinitário de Deus, que se revela desde todos os tempos e, de forma total, em Jesus, ao mesmo tempo como o Deus mais próximo e o mais transcendente, relativamente à pessoa humana.

Na segunda leitura, Paulo expressa, através da fórmula litúrgica: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, a realidade de um Deus que é comunhão, que é família, e que pretende atrair todos os homens e mulheres para essa dinâmica de amor. No início de cada celebração litúrgica somos saudados com esta fórmula de Paulo dirigida aos Coríntios. De facto, é a presença da Trindade que constitui a comunidade cristã. Ela é a fonte da comunhão e a origem do amor mútuo, da paz e da alegria fraterna.

No evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor por nós é tão grande e tão maravilhoso, que o levou a enviar ao mundo o seu Filho único, a fim de que ninguém se perca, mas todos se salvem. E Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de nos oferecer a vida definitiva, começada aqui e plenificada no além, na parusia. Nesta assombrosa história de amor plasma-se a grandeza do coração do nosso Deus!

Deus quer comunicar connosco, isto é, dar-se a nós e fazer-se conhecer, porque, em si mesmo, Ele é comunhão e dom: é amor. O seu projecto é introduzir-nos na sua própria vida de comunhão, porque é só pelo amor que nos realizamos totalmente como pessoas humanas. É nisto que consiste a salvação. O Pai gera o Filho, no qual nos tornamos, também, filhos e filhas de Deus, e envia o Espírito de amor, para nos ajudar a viver da sua própria vida. É da unidade do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, que cada um de nós e a Igreja inteira tira a sua unidade.

          

Santíssima Trindade: Ex 34, 4b-6.8-9; Dn 3,52-56; 2 Cor 13,11-13; Jo 13,16-18

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Ascensão do Senhor    – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

A liturgia deste domingo orienta-nos para a Ascensão do Senhor, momento em que Jesus proclama o poder que o Pai lhe deu na terra e no céu. Por esta proclamação, Jesus confirma, diante dos seus discípulos, que é, doravante, a autoridade máxima do novo povo, que está a nascer da sua Páscoa.

No evangelho, Jesus abre-nos à compreensão de que a sua Ascensão não significa uma ausência, mas uma plenitude. Ele continua presente e activo a animar o seu povo. “Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir o que vos mandei” é o mandato que nos deixa. Este mandato orienta-se a todo o discípulo e discípula do Senhor, porque a tarefa primordial face à recepção de qualquer sacramento, é a de ensinar todas as pessoas a cumprir os mandamentos do Senhor. A tarefa de evangelizar, levar ao aprofundamento da fé e iniciar na oração, incumbe a todo o cristão e cristã, sem distinção, pelo direito que lhe é dado por Jesus, que tem todo o poder no céu e na terra. Esta tarefa é sempre exercida em comunhão eclesial, uma vez que é ao bispo diocesano que está confiada a missão de fazer a unidade e de ordenar os carismas do povo de Deus.

A segunda leitura garante-nos que, apesar de não poder ser visto senão pelos olhos do coração, Jesus continua a ter poder sobre o seu povo e sobre cada discípulo e discípula, porque Deus Pai “tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos”. É a Ele que devemos a obediência máxima. É dele que devemos escutar o mandato “ide”.

A primeira leitura narra o acontecimento da Ascensão e, particularmente, apela à tarefa de evangelizar o mundo. O cristão e a cristã não são pessoas alienadas das realidades do mundo, absortas numa estéril contemplação. São homens e mulheres, cujo coração está em Deus e cujas mãos estão metidas na massa para a transformar, segundo o projecto de Deus. Por isso, toda a Igreja se deve por à escuta do seu Senhor e, em comunhão, discernir os caminhos mais adequados para a missão, traçar objectivos, elaborar projectos e distribuir tarefas, de acordo com as competências específicas e os carismas próprios.

Jesus, ao partir, deixou-nos o Espírito Santo, para nos recordar o que Ele disse e fez e, sobretudo, o modo como conviveu com os seus discípulos e discípulas, distribuindo tarefas e sendo o elo de comunhão entre todos, como quem serve e não como dono, apesar de o Pai lhe ter dado todo o poder.

 

Leituras da Ascensão do Senhor: Act 1,1-11; Sl 47 (46); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20

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À Luz da Palavra
Domingo de Pentecostes    – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

Celebramos hoje a grande festa do Espírito Santo, exactamente 50 dias após a Páscoa e, por isso, se chama também festa do “Pentecostes”. Esta festa fazia já parte do calendário judaico, e era celebrada como festa da ceifa do trigo, tornando-se mais tarde a festa da Lei. É por ser uma grande festa que, em Jerusalém, se encontravam “judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu”, como relata o autor dos Actos, na perícopa que hoje lemos na 1ª. leitura. Nesse dia, os discípulos do Senhor, em número de cerca de 120 pessoas, homens e mulheres, estavam reunidos no mesmo lugar. “Subitamente, fez-se ouvir, vindo do céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas”. Esta manifestação de Deus, ou teofania, através do vento e das línguas de fogo, evoca o poder de Deus, comunicando aos discípulos do Senhor o dom de falar uma linguagem nova, que todos serão capazes de entender, e prefigura a universalidade da mensagem cristã. E, por esta razão, a festa cristã do Pentecostes proclama a nova lei do Espírito, a do Amor, no novo Povo de Deus.

            De facto, a linguagem do amor, aquela que provém do Espírito Santo, seja ela falada, escrita ou gestual, é uma linguagem entendida por todos, qualquer que seja a sua língua e cultura. É a linguagem que une as pessoas, diferentes em dons e carismas,  na unidade de um só Corpo, o de Cristo, porque é o mesmo Espírito que distribui os seus multiformes dons, em ordem ao bem comum. “Na verdade, afirma Paulo aos Coríntios, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos  baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo”. Porém, cada um de nós, que gosta de ser original, tem dificuldade em aceitar o outro ou a outra na sua diferença, ainda que esta seja uma mais valia para a comunidade humana ou cristã. Como os cristãos da primeira comunidade, temos necessidade de perseverar mais na oração e na escuta da Palavra, para que o Espírito Santo se manifeste em nós como dom da aceitação mútua e do amor fraterno, refazendo em nós a unidade no meio da diversidade.

            No evangelho, João apresenta-nos Jesus ressuscitado no meio dos seus discípulos a desejar-lhes a paz: “A paz esteja convosco” e, logo de seguida, comunica-lhes o Espírito Santo, dizendo: “Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”. É pelo perdão dado e recebido que alcançamos a paz. O Senhor Jesus deixa no meio do seu Povo mais um sinal do seu amor: o dom da reconciliação, que é também um fruto do Espírito Santo. Só pela perdão e reconciliação a nova criação, inaugurada com a ressurreição do Senhor, pode ser projectada até à última vinda de Cristo, sem se destruir nem anular. E como precisamos de saber perdoar e aceitar o perdão! O mundo em que vivemos é um vulcão de ódio e de antagonismo. A nível de conflitos entre povos, nações e religiões, e também entre grupos sociais e familiares. “A paz esteja convosco”, repete-nos Jesus! Mas é preciso que nos disponhamos a recebê-la e a partilhá-la! Como Jesus nos ensinou!

            Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso AMOR. Ámen!

Domingo de Pentecostes: Act 2,1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23.    

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