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| Ano: II Edição: Mensal N°: XIX Mês: Maio de 2005. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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Guia
Homilético: Santíssima Trindade – Ano
A A festa que hoje celebramos abre, na Liturgia Cristã,
o Tempo Comum, como que a lembrar-nos que toda a nossa vida dimana de
Deus Trindade e para Ele se encaminha. Ele é a origem e o fim de
todo o nosso ser e existir. Recordando os ensinamentos do bispo S.
Atanásio (séc. IV), acreditamos que toda a Trindade
é criadora e eficaz. Nela há uma só natureza, e
uma só é a sua eficiência e acção. O
Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo,
afirmando-se, deste modo, a unidade da Santíssima Trindade.
Para vincar esta unidade, a Tradição da Igreja
elaborou o termo “pessoa”, distinguindo-o de “natureza”.
Assim, a Trindade define-se por ser três pessoas iguais e
distintas numa só natureza. Cada uma das pessoas é
constituída pela relação específica que a
une às outras. Mas as pessoas inscrevem-se na unidade da mesma
natureza divina e não a multiplicam.
Na
primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança,
determinado em estabelecer laços familiares com o ser humano,
apresenta-se a si mesmo: Ele é clemente e compassivo, lento para
a ira e rico de misericórdia. Em
razão do seu amor e da sua ternura, ninguém tem receio de
se aproximar deste Deus, porque acima de tudo, Ele tem um
coração paternal e maternal, estando sempre disposto a
amar e a perdoar. Nós, seres humanos, somos chamados a
participar no mistério trinitário de Deus, que se revela
desde todos os tempos e, de forma total, em Jesus, ao mesmo tempo como
o Deus mais próximo e o mais transcendente, relativamente
à pessoa humana. Na
segunda leitura, Paulo expressa, através da fórmula
litúrgica: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai
e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, a
realidade de um Deus que é comunhão, que é
família, e que pretende atrair todos os homens e mulheres para
essa dinâmica de amor. No
início de cada celebração litúrgica somos
saudados com esta fórmula de Paulo dirigida aos
Coríntios. De facto, é a presença da Trindade que
constitui a comunidade cristã. Ela é a fonte da
comunhão e a origem do amor mútuo, da paz e da alegria
fraterna. No
evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor por
nós é tão grande e tão maravilhoso, que o
levou a enviar ao mundo o seu Filho único, a fim de que
ninguém se perca, mas todos se salvem. E Jesus, o Filho,
cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até
à morte na cruz, a fim de nos oferecer a vida definitiva,
começada aqui e plenificada no além, na parusia. Nesta
assombrosa história de amor plasma-se a grandeza do
coração do nosso Deus! Deus quer
comunicar connosco, isto é, dar-se a nós e fazer-se
conhecer, porque, em si mesmo, Ele é comunhão e dom:
é amor. O seu projecto é introduzir-nos na sua
própria vida de comunhão, porque é só pelo
amor que nos realizamos totalmente como pessoas humanas. É nisto
que consiste a salvação. O Pai gera o Filho, no qual nos
tornamos, também, filhos e filhas de Deus, e envia o
Espírito de amor, para nos ajudar a viver da sua própria
vida. É da unidade do Pai, e do Filho e do Espírito
Santo, que cada um de nós e a Igreja inteira tira a sua unidade.
Santíssima Trindade: Ex 34,
4b-6.8-9; Dn 3,52-56; 2 Cor 13,11-13; Jo 13,16-18 ''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' Ascensão do Senhor – Ano A
A liturgia deste domingo
orienta-nos para a Ascensão do Senhor, momento em que Jesus
proclama o poder que o Pai lhe deu na terra e no céu. Por esta
proclamação, Jesus confirma, diante dos seus
discípulos, que é, doravante, a autoridade máxima
do novo povo, que está a nascer da sua Páscoa. No evangelho, Jesus abre-nos
à compreensão de que a sua Ascensão não
significa uma ausência, mas uma plenitude. Ele continua presente
e activo a animar o seu povo. “Ide e ensinai todas as
nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo, ensinando-as a cumprir o que vos mandei”
é o mandato que nos deixa. Este mandato orienta-se a todo o
discípulo e discípula do Senhor, porque a tarefa
primordial face à recepção de qualquer sacramento,
é a de ensinar todas as pessoas a cumprir os mandamentos do
Senhor. A tarefa de evangelizar, levar ao aprofundamento da fé e
iniciar na oração, incumbe a todo o cristão e
cristã, sem distinção, pelo direito que lhe
é dado por Jesus, que tem todo o poder no
céu e na terra. Esta tarefa é sempre exercida em
comunhão eclesial, uma vez que é ao bispo diocesano que
está confiada a missão de fazer a unidade e de ordenar os
carismas do povo de Deus. A segunda leitura garante-nos
que, apesar de não poder ser visto senão pelos olhos do
coração, Jesus continua a ter poder sobre o seu povo e
sobre cada discípulo e discípula, porque Deus Pai “tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de
todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu
Corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos”. É
a Ele que devemos a obediência máxima. É dele que
devemos escutar o mandato “ide”. A primeira leitura narra o
acontecimento da Ascensão e, particularmente, apela à
tarefa de evangelizar o mundo. O cristão e a cristã
não são pessoas alienadas das realidades do mundo,
absortas numa estéril contemplação. São
homens e mulheres, cujo coração está em Deus e
cujas mãos estão metidas na massa para a transformar,
segundo o projecto de Deus. Por isso, toda a Igreja se deve por
à escuta do seu Senhor e, em comunhão, discernir os
caminhos mais adequados para a missão, traçar objectivos,
elaborar projectos e distribuir tarefas, de acordo com as
competências específicas e os carismas próprios. Jesus, ao partir, deixou-nos o
Espírito Santo, para nos recordar o que Ele disse e fez e,
sobretudo, o modo como conviveu com os seus discípulos e
discípulas, distribuindo tarefas e sendo o elo de
comunhão entre todos, como quem serve e não como
dono, apesar de o Pai lhe ter dado todo o poder. Leituras da Ascensão do Senhor: Act 1,1-11; Sl 47 (46); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20 ''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' À Luz da Palavra
Celebramos hoje
a grande festa do Espírito Santo, exactamente 50 dias
após a Páscoa e, por isso, se chama também festa
do “Pentecostes”. Esta festa fazia já parte do calendário
judaico, e era celebrada como festa da ceifa do trigo, tornando-se mais
tarde a festa da Lei. É por ser uma grande festa que, em
Jerusalém, se encontravam “judeus piedosos, procedentes de
todas as nações que há debaixo do céu”,
como relata o autor dos Actos, na perícopa que hoje lemos na
1ª. leitura. Nesse dia, os discípulos do Senhor, em
número de cerca de 120 pessoas, homens e mulheres, estavam
reunidos no mesmo lugar. “Subitamente, fez-se ouvir, vindo do
céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento. Viram
então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que
se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram
cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras
línguas”. Esta manifestação de Deus, ou
teofania, através do vento e das línguas de
fogo, evoca o poder de Deus, comunicando aos discípulos do
Senhor o dom de falar uma linguagem nova, que todos serão
capazes de entender, e prefigura a universalidade da mensagem
cristã. E, por esta razão, a festa cristã do
Pentecostes proclama a nova lei do Espírito, a do Amor, no novo
Povo de Deus.
De facto, a linguagem do amor, aquela que provém do
Espírito Santo, seja ela falada, escrita ou gestual, é
uma linguagem entendida por todos, qualquer que seja a sua
língua e cultura. É a linguagem que une as pessoas,
diferentes em dons e carismas, na unidade
de um só Corpo, o de Cristo, porque é o mesmo
Espírito que distribui os seus multiformes dons, em ordem ao bem
comum. “Na verdade, afirma Paulo aos Coríntios, todos
nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para
constituirmos um só Corpo”. Porém, cada um de
nós, que gosta de ser original, tem dificuldade em aceitar o
outro ou a outra na sua diferença, ainda que esta seja uma mais
valia para a comunidade humana ou cristã. Como os
cristãos da primeira comunidade, temos necessidade de perseverar
mais na oração e na escuta da Palavra, para que o
Espírito Santo se manifeste em nós como dom da
aceitação mútua e do amor fraterno, refazendo em
nós a unidade no meio da diversidade.
No evangelho, João apresenta-nos Jesus ressuscitado
no meio dos seus discípulos a desejar-lhes a paz: “A paz
esteja convosco” e, logo de seguida, comunica-lhes o
Espírito Santo, dizendo: “Àqueles a quem perdoardes os
pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os
retiverdes serão retidos”. É pelo perdão dado
e recebido que alcançamos a paz. O Senhor Jesus deixa no meio do
seu Povo mais um sinal do seu amor: o dom da
reconciliação, que é também um fruto do
Espírito Santo. Só pela perdão e
reconciliação a nova criação, inaugurada
com a ressurreição do Senhor, pode ser projectada
até à última vinda de Cristo, sem se destruir nem
anular. E como precisamos de saber perdoar e aceitar o perdão! O
mundo em que vivemos é um vulcão de ódio e de
antagonismo. A nível de conflitos entre povos,
nações e religiões, e também entre grupos
sociais e familiares. “A paz esteja convosco”, repete-nos Jesus!
Mas é preciso que nos disponhamos a recebê-la e a
partilhá-la! Como Jesus nos ensinou!
Vinde, Espírito Santo, enchei os
corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso
AMOR. Ámen!
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