"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XVIII           Mês: Abril de   2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro














Guia Homilético:

2° Domingo de Páscoa   – Ano  A  

                                                                                      Doutora Deolinda Serralheiro
 

            “Felizes os que acreditam sem terem visto”. Ter fé e acreditar em Jesus e no seu mistério de morte e ressurreição, sem ter visto com os olhos do corpo, é uma bem-aventurança, segundo o evangelho de João. Por vezes, as pessoas justificam a sua falta de fé cristã, por nunca terem visto. Mas a fé é, exactamente, este apelo de Deus, que reclama uma resposta humana, a acreditar no que Ele nos revelou e que nós não podemos ver por agora. É confiar tanto nele, que não duvidemos de uma única coisa que Ele nos ensina. A narrativa do evangelho conta-nos a aparição de Jesus ressuscitado aos seus discípulos, realçando o facto de Tomé não ter estado presente e manifestar a opinião de que só acreditaria na ressurreição quando visse e tocasse em Jesus. Isto aconteceu, de facto, na segunda aparição: “Tomé, põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado”, disse-lhe Jesus. Este evento é, para nós, hoje, que temos fé cristã, um sinal evidente de que Jesus ressuscitou, autenticamente, com todo o seu ser humano, corpóreo e espiritual, prefigurando, deste modo, a nossa própria ressurreição. Ele é o primeiro morto a ressuscitar!

            Porque vivem da fé, os cristãos são alegres e felizes. Acreditam que, por causa da ressurreição de Jesus Cristo, renascem para uma esperança viva e recebem uma herança, que não apodrece com o tempo, nem se gasta, e que está guardada para nós. Esta herança consiste na ressurreição integral do nosso ser, corpo e espírito, no fim da nossa vida terrena. É este facto que dá sentido a toda a nossa existência, até nos sofrimentos por que passamos. Diz Pedro na 2º leitura que, mesmo que não vejamos Jesus Cristo, nós amamo-lo e acreditamos nele pelo dom da fé. E isto é para nós “fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguimos o fim da nossa fé, a salvação”.

            Os primeiros cristãos, constituídos em comunidade, viviam este ideal. Reuniam-se para escutar a palavra de Deus, para rezar, para celebrar a Eucaristia e para conviver. Eram sensíveis e atentos às necessidades de cada um e, por isso, partilhavam os seus dons e os seus bens, para que a ninguém faltasse o necessário. Davam testemunho de alegria e união, porque sabiam que Jesus ressuscitado estava sempre entre eles. Por esta razão, gozavam de simpatia entre os não cristãos, e o Senhor ia aumentando o número dos que a eles se juntavam neste Caminho de Salvação (1ª leitura).

            Senhor Jesus Ressuscitado, que nos dás como fruto da fé que alimentamos em ti, a bem-aventurança da alegria, como sinal de que o teu Espírito está nos nossos corações, dá-nos também a coragem de testemunhar sempre esta alegria esfuziante, que contagia e dá ânimo aos que nos cercam, no decurso das nossas horas mais curtas ou nas mais longas, quando são tecidas de gozo, ou quando a dor nos tortura. Porque tu estás vivo e nos dás a graça de partilhar dessa tua vida.

Leituras do Domingo de Páscoa: Act 2,42-47; Sl 117 (118); 1 Pe 1,3-9; Jo 20,19-31.

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3° Domingo de Páscoa   – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

O tema da ressurreição do Senhor continua a ser o assunto principal deste domingo. A Páscoa continua-se no tempo pascal, o qual se vai prolongar até ao Pentecostes. Nele, vamos compreendendo as distintas formas que o Rei Vitorioso utiliza para se manifestar aos seus discípulos, para que acreditem nele. Como sabemos, não foram muitas as pessoas que aderiram à Boa Nova de Jesus de Nazaré. E, entre essas, algumas abandonaram-no após a sua morte, como se mais nada de especial se passasse. Consideraram-no como um grande profeta, contudo, um homem mortal, como tantos outros que tinham vivido em Israel.

            As narrativas das aparições do Senhor ressuscitado dão-nos conta desta incredulidade. O evangelho de Lucas, que lemos neste domingo, coloca-nos diante de dois discípulos, naturais de Emaús, que abandonaram o grupo do Senhor, decepcionados com tudo o que se passara por ocasião da morte de Jesus. Para eles tudo tinha acabado. “É verdade que algumas mulheres do nosso grupo ... vieram dizer que lhes tinham aparecido uns anjos a anunciar que Ele estava vivo. Mas a Ele não o viram”, confessam ao companheiro, que deles se aproximou e fez caminhada com eles. Esse companheiro era o próprio Jesus ressuscitado, que eles não reconheceram, senão no fim da jornada, quando entrou com eles em casa e, sentando-se à mesa, “tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho”. Nesse preciso momento os seus olhos abriram-se e recordaram quanto lhe dissera pelo caminho, e como os seus corações estavam incandescentes e arrebatados. O companheiro de viagem era Ele mesmo, o próprio Jesus vivo e glorioso!

            Ao terminar o Tríduo Pascal, nós, cristãos, que participámos nas celebrações destes dias, ficamos perplexos diante da ausência de tantos cristãos, que conhecemos e até sabemos que prestam bons serviços na comunidade cristã. E, olhando para o número de baptizados existentes no território paroquial, mais confusos ficamos. “É verdade que alguns do nosso grupo vieram dizer que Ele estava vivo. Mas a Ele não o viram”. É a mesma incredulidade dos discípulos de Emaús que perpassa nos cristãos dos nossos dias. Para muitos, acreditar supõe ver, apalpar, sentir. Mas a fé exige que se confie nas testemunhas da ressurreição, na Tradição cristã que vai passando de geração em geração. É necessário que cada geração crente mantenha viva a sua fé para dela dar autêntico testemunho às gerações vindouras. É necessário que deixemos abrasar os nossos corações na palavra da Escritura, seja ela narrada por Jesus, por Pedro, pelo bispo, pelo padre ou pelo catequista, de hoje. É a mesma Palavra e tem a mesma força. Merece a mesma credibilidade. Mas é preciso que os que narram sejam também testemunhas, isto é, vivam o que proclamam, para que a mensagem passe aos outros com o mesmo poder criador e renovador que tem. Jesus continua a fazer caminho contigo e chama-te para seres Ele mesmo no caminho dos teus irmãos e irmãs. Para que todos creiam e tenham vida em abundância. 

            Senhor Jesus, abre-me as Escrituras, fala-me e inflama o meu coração, para que eu seja testemunha da tua ressurreição. Que, a partir da minha vida e da minha palavra, as pessoas incrédulas te descubram, adiram à tua adorável pessoa, saibam que foram resgatadas pelo teu sangue precioso e se convertam a ti, meu Deus e meu Senhor.

Leituras do 3º Domingo de Páscoa: Act 2,14-33; Sl 15 (16); 1 Pe 1,17-21; Lc 24,13-35.

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  4° Domingo de Páscoa   – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

            “O Senhor é meu pastor: nada me falta”. O tema do pastor e das ovelhas é muito utilizado na Sagrada Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento, para significar o cuidado de Deus para com o seu povo e para cada membro deste mesmo povo. Jesus, ao retomar este tema, usando a analogia do pastor e do rebanho para exprimir a sua própria missão, faz referências claras aos escritos de várias profetas, nomeadamente a Ezequiel 34. O Salmo que hoje cantamos é igualmente dedicado a Deus na qualidade de bom pastor.

            Jesus é o pastor segundo o coração de Deus, anunciado pelos profetas. Mas é também a porta e o aprisco das ovelhas. Ele não é como os outros pastores de Israel, que exploravam as ovelhas em vez de se entregarem por elas e que abandonavam o rebanho quando este corria perigo. Jesus é um pastor único e excepcional: conhece cada ovelha pelo seu nome, ele próprio é o seu alimento e o lugar do seu refúgio. Jesus é, ainda, a porta por onde as ovelhas entram no redil. Todas as ovelhas conhecem a sua voz. Ele é, de facto, o Bom Pastor! Hoje, muitos de nós não temos muita facilidade em entrar na profunda identidade de Jesus que se apresenta como Pastor, pela falta de conhecimento da vida pastoril. Contudo, fica-nos a imagem suscitada pela alegoria. O “pastor” pode ser um bispo, um pároco, um(a) catequista, um(a) agente de pastoral, um(a) professora, o pai e a mãe, isto é, aquela pessoa que se entrega com total dedicação a “cuidar” de um grupo de pessoas, que lhe foram confiadas, continuando na terra a missão de Jesus. Este “pastor” ou esta “pastora” prestam ao seu “rebanho” os cuidados que Jesus prodigalizou ao povo de Israel e quer continuar a dispensar-nos, hoje: ensinam-nos a boa nova do Senhor, guiam-nos pelos caminhos rectos da doutrina e da moral cristã, educam-nos para os bons costumes e orientam-nos sempre para Cristo, pois só Ele é o verdadeiro alimento e só Ele entregou a sua vida por nós, até à morte e morte de cruz. Jesus, o Bom Pastor é o nosso único Salvador, como afirma Pedro na 2ª leitura. Ele suportou os nossos pecados no seu corpo: pelas suas chagas fomos curados. Éramos como ovelhas dispersas, mas voltámos para o nosso pastor.

Entre os “pastores” e “pastoras” de que falámos, devemos destacar a importância dos que o são a tempo inteiro. Por isso, neste domingo, o papa convida-nos a olhar para o povo que continua a peregrinar sobre a terra como “ovelhas” sem “pastor”, ou seja, como gente que anda à deriva, porque lhe falta uma condução. Na verdade, “se todas as vocações na Igreja estão ao serviço da santidade, estão sobretudo algumas, como a vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada” sublinha João Paulo II, na sua mensagem para este dia, que tem como tema central “A vocação da santidade e o papel da família”. E acrescenta: “A santidade do amor esponsal, a harmonia da vida familiar, o espírito de fé com que se enfrentam os problemas, a abertura aos outros, sobretudo aos mais pobres, a participação na vida da comunidade cristã são factores decisivos na construção de um ambiente adequado para  a escuta da chamada divina e para uma generosa resposta por parte dos filhos ”.

Deus, nosso Bom Pastor, olhai com bondade para o vosso rebanho e conduzi às pastagens do alimento da vida eterna as ovelhas que remistes com o sangue precioso do vosso Filho Jesus, através dos “pastores” e das “pastoras” que hão-de surgir da nossa comunidade cristã. Ámen!

Leituras do 4º Domingo de Páscoa: Act 2,14.36-41; Sl 22(23); 1 Pe 2,20-25; Jo 10,1-10.

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5° Domingo de Páscoa   – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

Vós sois geração eleita, sacerdócio real”. Esta afirmação feita por Pedro na sua primeira carta, cujo extracto hoje lemos, convida-nos a reflectir na nossa condição de novo povo de Deus, saído das águas do baptismo, adquirido pela mediação de Jesus Cristo. Apesar desta carta ser quase tão antiga como a existência do cristianismo e de o concílio Vaticano II ter “restituído” ao povo de Deus, maioritariamente constituído por cristãos leigos, a sua dignidade de “sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo”, o certo é que nós, cristãos não ordenados, temos dificuldade em nos compreendermos e chamarmos sacerdotes e em tomarmos consciência de que podemos e devemos oferecer a Deus o culto espiritual da nossa existência, porque em Jesus foi inaugurado o sacerdócio existencial. A maior parte das vezes relegamos para os presbíteros, a quem chamamos indistintamente “sacerdotes”, a dignidade e os atributos que são pertença de todo o povo santo de Deus e que nos foram alcançados por Jesus Cristo.

Cada baptizado une-se tão estreitamente a Cristo, que participa da sua condição de sacerdote, profeta, santificador e pastor. E, por isso, todos somos constituímos um sacerdócio santo, ou um sacerdócio comum real e não apenas “espiritual”, que nos habilita para aceder imediatamente a Deus, anunciar a sua Palavra, oferecer sacrifícios espirituais, participar activa, consciente e responsavelmente na liturgia e participar nas tribulações de Cristo. A propósito desta última prerrogativa, Orígenes afirma: “Os que foram ungidos pelo santo crisma convertem-se em sacerdotes. Cada um leva em si mesmo o próprio holocausto e o fogo do altar para que se vá constantemente consumindo”. As “tribulações de Cristo” são, em última análise, as dores de parto que anunciam uma vida nova e, portanto são fonte de esperança.

Só Jesus sacerdote é o caminho, a verdade e a vida (3ª leitura). É por Ele que todos temos acesso ao Pai. Não temos que ficar detidos «às portas do templo», como se fôssemos impuros, para implorar a graça através dos que receberam o sacramento da ordem, à maneira do Antigo Testamento, porque todo o cristão e cristã está numa situação de imediatez radical face a Deus. A mediação do sacerdócio ministerial, sendo legítima, deve ser compreendida a partir da situação cristã. Também é no sacerdócio comum que se enraíza a nossa capacidade de participar activamente na liturgia e de anunciar a Palavra de Deus.

Gostaria de te convidar, amigo leitor e leitora, a aprofundar os teus conhecimentos sobre a tua realidade sacerdotal, como baptizado(a) que és e a interiorizá-los, de modo a viveres segundo a tua condição cristã, com tudo o que isso implica de dignidade e de responsabilidade. Nas primeiras comunidades cristãs, os mais responsáveis sentiram a necessidade de repartir tarefas, para que todos os serviços se desenvolvessem e a comunidade crescesse (1ª leitura). Hoje, todos nós, presbíteros, diáconos, cristãos e cristãs, somos chamados a repensar a pastoral das nossas comunidades, a descobrir o verdadeiro lugar de cada um e cada uma e a compartilhar os diversos serviços e ministérios, de acordo com a nossa vocação específica. Todos formamos um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus. Todos somos responsáveis pelo seu crescimento em qualidade e quantidade. Em Jerusalém, segundo os Actos (1ª leitura), o número dos discípulos aumentava consideravelmente, por causa do bom testemunho da comunidade cristã. E entre nós?

Senhor, precisamos de arautos corajosos do Evangelho. Suscita na tua Igreja presbíteros santos, consagrados e consagradas que mostrem a tua santidade e cristãos e cristãs que tomem a sério a sua vocação sacerdotal e te ofereçam o culto espiritual da sua existência como tarefa santificadora do mundo onde estão mergulhados. Ámen!

Leituras do 5º Domingo de Páscoa: Act 6,1-7; Sl 32(33); 1 Pe 2,4-9; Jo 14,1-12.

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5° Domingo de Páscoa   – Ano  A                                                                                         Doutora Deolinda Serralheiro

Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada”. Ao fazer esta afirmação, Jesus quer abrir os espíritos dos seus ouvintes e os nossos, hoje, à condição de que para ser seu discípulo/a, é necessário conhecer e interiorizar tudo quanto Ele nos ensina e pô-lo em prática, efectivamente, no quotidiano. Na continuação, Ele garante-nos uma grande recompensa: seremos habitados por Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – como amigos protectores, que nos inspiram e fortalecem no Bem. No evangelho deste domingo, João apresenta-nos Jesus a preparar os seus discípulos para a sua partida definitiva deste mundo, ou seja, para o fim da sua carreira terrestre, da sua proexistência. Ele vai para o seio do Pai como nosso intercessor (Ascensão). Vai pedir-lhe que nos envie outro Defensor e Consolador – o Espírito Santo, a terceira pessoa da SS.ma Trindade, designada pelo Amor personalizado que une o Pai e o Filho. O Espírito Santo é o grande agente da evangelização, isto é, dinamiza toda a actividade dos discípulos de Jesus, de modo a que ela frutifique e que realmente cresça o número daqueles e daquelas que aderem ao Senhor. A vinda do Espírito Santo, que a comunidade cristã celebra daqui a duas semanas no Pentecostes é tão importante que é o próprio Jesus quem a prepara junto dos seus amigos.

E, para quê esta vinda? A 1ª leitura, extraída dos Actos, narra-nos um evento das primitivas comunidades cristãs. O diácono Filipe estava a evangelizar na Samaria e, por seu intermédio, o Senhor realizava muitos conversões e prodígios nos que o escutavam, de tal modo que isto chegou aos ouvidos da comunidade de Jerusalém. Então, porque a Igreja é una, e existe uma profunda relação entre a comunidade local, significada pela da Samaria e a universal, simbolizada pela de Jerusalém, Pedro e João deslocam-se lá, a fim de comunicarem o Espírito Santo aqueles novos cristãos, pela oração e imposição das mãos. Este modo de proceder lembra-nos a prática pastoral dos nossos dias: os catequistas preparam as pessoas e o bispo passa pelas paróquias a rezar e a impor-lhes as mãos, ministrando a Confirmação, para que recebam a plenitude do Espírito Santo. Estas e outras práticas da Igreja são queridas por Jesus, como forma normal de participação na vida de Deus, que nos quer habitar. São acções de fé, que exigem a fé tanto dos que as praticam como dos que as recebam, não são ritos sem sentido, nem magias. A recepção do Espírito Santo no Baptismo, na Confirmação e nos outros Sacramentos da Igreja, supõe e exige uma longa e séria caminhada de catequese, feita a crianças, jovens e adultos, por catequistas que conhecem e guardam a Palavra de Jesus e são habitados por Deus e, assim, se tornam suas testemunhas.

São estes os discípulos/as do Senhor que, como afirma Pedro na 2ª leitura, estão prontos/as para responder sobre a razão da sua esperança “com brandura e respeito” naquilo mesmo em que forem caluniados/as, de modo a que sejam confundidos os que dizem mal do seu bom procedimento em Cristo. Para nós, cristãos convictos, já não há lugar para atitudes cobardes e dúbias: É urgente que cada cristão e cristã, precisamente no local do seu trabalho, família e diversão, dê um testemunho claro da sua fé e saiba responder adequadamente sobre as razões da sua esperança cristã. Para isso, é necessário aprofundar os conteúdos da fé, estudando e rezando, para que sejam credíveis as razões que apresenta.

Senhor, quantas vezes as minhas preocupações de “sucesso” humano abafam as raízes da minha fé e da minha esperança! Convenço-me que não tenho tempo para aprofundar, no estudo e na oração, as razões que me levam a crer, de modo a tornar mais sólido e credível o dom da fé que me deste. Hoje quero deixar-me iluminar e fortalecer pelo teu Espírito, esse Consolador que nos dás; quero tomar decisões sérias e duradouras relativamente ao meu ser cristão e cristã na Igreja e no mundo. Ámen! 

Leituras do 6º Domingo de Páscoa: Act 8,5-8.14-17; Sl 65(66); 1 Pe 3, 15-18; Jo 14,15-21.

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