"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)
"O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: II Edição: Mensal  N°:  XVII           Mês: Março de   2005.


Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia


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Guia Homilético por Doutora Ir. Deolinda Serralheiro














Guia Homilético:

Domingo de Páscoa  – Ano  A  

Deolinda Serralheiro

 

Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria! Aleluia!

A maior notícia deste 1º dia da semana, após a morte de Jesus no alto do monte Calvário, é que o túmulo onde fora depositado o seu corpo, está vazio. Maria Madalena, discípula fiel do Senhor, mal acabara o repouso sabático, “ainda escuro”, corre pressurosa ao sepulcro e “viu a pedra retirada”. Sim, a grande pedra que fora colocada à boca do túmulo, para que ninguém roubasse o corpo do Senhor Jesus, estava posta de lado. Assustada, Maria corre a avisar Pedro e João de que tinham roubado o Senhor e que não sabia onde o tinham colocado. Estes dois discípulos, acompanhados pela mulher fiel, correm, por sua vez, até ao sepulcro e, ao entrarem, vêm o sepulcro vazio. As ligaduras com que tinham envolvido o corpo do Senhor estão estendidas no chão e o sudário, enrolado à parte. Ao verem o sepulcro vazio, os discípulos acreditam e entendem a Escritura, “segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”.

Porém, de pouco valia a confirmação de que o túmulo estava vazio, se não fossem as aparições de Jesus Ressuscitado. Na continuação do evangelho, João conta que Maria Madalena ficou por ali, a chorar, quando o próprio Jesus lhe aparece vivo e lhe pergunta: “Mulher, porque choras? Quem procuras?” e, ao chamá-la pelo seu nome próprio, Maria exclama: “Rabbuni!, que quer dizer: «Mestre»”. Jesus, então, confere-lhe a missão de ir anunciar aos seus discípulos que Ele está vivo e que vai subir para o Pai. Foram muitos os que viram e experimentaram o Senhor ressuscitado. Mais de 500 irmãos, de uma só vez! Relata-nos o texto da Escritura.

É este facto que faz notícia. Aquele que foi suspenso na cruz, Deus ressuscitou-o ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se a nós e a todo o povo, constituindo-nos suas testemunhas, afirma Pedro na 1ª leitura, em casa de Cornélio, depois de ter percebido que Jesus de Nazaré é o Salvador de todos, judeus e pagãos. E Paulo, que só mais tarde se tornou, igualmente, testemunha de Jesus ressuscitado, quando Ele lhe apareceu no caminho de Damasco, confirma-nos na fé deste acontecimento fundamental do Cristianismo. Incita-nos a viver como pessoas ressuscitadas, em Cristo, deixando de lado o pecado e a vida mesquinha, para nos afeiçoarmos às coisas espirituais, às que nos vêm de Deus, por Jesus Cristo, de modo que a nossa vida dê, também, testemunho de que a vitória alcançada por Ele sobre o pecado e a morte é concretizada no nosso modo de ser e de agir em particular e em público.

Ser fiel a Cristo vivo, nos caminhos da tua existência, é a principal tarefa cristã que te cabe. Se Cristo não tivesse ressuscitado, a tua fé não teria sentido, afirma Paulo. Mas, uma vez que Ele está vivo, vive tu também como Ele, sendo testemunha de uma vida nova, de uma vida conduzida pela acção do Espírito, que ressuscitou Jesus, e que te ressuscita a ti conjuntamente, desde aqui e agora. Vive na alegria e na paz de quem sente e sabe que está salvo em Cristo vivo. Aleluia!


Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A

«Morreu de Amor»

Deolinda Serralheiro

 

Este é o último domingo da Quaresma que dá entrada na Semana Santa. É a celebração dominical da Paixão do Senhor e, ao mesmo tempo, comemoração da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, cidade santa, que se torna o cenário dos factos culminantes da sua vida e significa a visita definitiva de Deus ao seu povo. Por isso se chama Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. A liturgia convida-nos a contemplar este Deus de amor que, em Jesus, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se nosso servo e deixou-se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou os seus projectos. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Jahwéh” a figura de Jesus. Este texto serviu-lhes para interpretar o mistério de Jesus: Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação/libertação à humanidade. A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega a favor de todos. E a sua glorificação mostra-nos que uma vida vivida deste modo não termina no fracasso, mas gera vida nova.

A segunda leitura é constituída por um hino, em que o exemplo de Cristo Jesus é nomeado do princípio ao fim. Este hino define o “aniquilamento” de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-se homem, assumindo com humildade a condição humana, para nos revelar totalmente o ser e o amor do Pai. Este “aniquilamento” conduziu Jesus a aceitar uma morte infame, para nos ensinar a máxima lição do amor radical. É esta lição que a Palavra de Deus nos propõe. O cristão e a cristã devem ter como exemplo este Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos, para uma vida plena.

O evangelho convida-nos a contemplar Jesus na sua paixão e a morte. A morte de Jesus é a consequência lógica das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo. Por isso, da cruz surge o Novo Ser Humano, o modelo da pessoa que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Novo Ser Humano vai assumir como missão a luta contra o pecado, isto é, contra todas as causas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Celebrar a paixão e a morte de Jesus é mergulhar na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil. Contemplar a cruz significa assumir a atitude de Jesus e solidarizar-se com todos os que são “crucificados” neste mundo. Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão e a cristã sabem que amar como Jesus amou é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer, porque o amor gera sempre vida nova e introduz no nosso ser os dinamismos da ressurreição.


Leituras do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor
– Ano A

Is 50,4-7; Sl 22 (21); Fil 2,6-11; Mt 26,14 – 27,66

 

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5º Domingo da Quaresma – Ano A

«Senhor, tu és a “Vida”»

Deolinda Serralheiro

 

A liturgia deste domingo centra-se sobre a vida definitiva que supera a própria morte, vida que nos é oferecida por Cristo ressuscitado pela força do Espírito Santo.

Na primeira leitura, Deus oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem futuro, uma vida nova que vem pelo Espírito. Deus irá recriar o coração do Povo e inseri-lo numa dinâmica de obediência a Deus e de amor ao próximo. O mais significativo é que, mesmo quando tudo parece perdido e sem saída, Deus lá está, transformando o desespero em esperança e a morte em vida. O Deus da vida encontra sempre formas de transmitir vida ao seu Povo. Na nossa existência pessoal passamos, muitas vezes, por situações de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A Palavra de Deus assegura-nos que Deus caminha ao nosso lado, oferecendo-nos o seu Espírito transformador e renovador, tirando vida da morte, dando-nos coragem para “sair do túmulo” e avançar ao encontro da vida plena.

O evangelho atesta que Jesus veio realizar o desígnio de Deus e dar-nos a vida definitiva. A ressurreição de Lázaro fala da vida que é o próprio Cristo no mistério pascal. O Espírito que ressuscitou Jesus é o mesmo que pôs de pé o povo de Israel, sepultado na sua desgraça. A questão essencial da leitura é a afirmação de que não há morte para os “amigos” de Jesus, isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos e irmãs. Marta manifesta ser “amiga” de Jesus e confessa a sua fé no Senhor que dá a vida. No dia do nosso baptismo, também escolhemos ser “amigos” de Jesus e entrar na vida plena e definitiva. Se vivermos deste modo, havemos de experimentar a morte física, mas não morremos: viveremos para sempre em Deus.

A segunda leitura recorda-nos que, no dia do nosso baptismo, nos decidimos por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. O texto convida-nos à coerência: a fazermos as obras de Deus e a vivermos “segundo o Espírito”, pois é Ele que confere a vida. “Viver segundo o Espírito” significa viver no amplexo de Deus; ao passo que “viver segundo a carne” significa viver à margem de Deus. No dia do nosso baptismo optámos pela vida do Espírito. A partir daí, escolhemos identificar-nos com Cristo, vivendo na obediência ao Pai e no dom da vida aos irmãos e irmãs. O exemplo de Cristo garante-nos que uma vida gasta deste modo não termina no fracasso, mas na vida definitiva, na felicidade total, na ressurreição. Crês nisto?


Leituras do 5º domingo da Quaresma – Ano A

Ez 37,12-14; Sl 130 (129); Rm 8,8-11; Jo 11,1-45

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4º Domingo da Quaresma – Ano A

«Senhor, tu és a “Luz”»

Deolinda Serralheiro

Começando no passado domingo, a liturgia da Palavra orienta-se para a inserção dos catecúmenos na Igreja, propondo símbolos baptismais. No passado domingo, foi o da água e, neste, é o símbolo da luz, que cura a cegueira da humanidade, cegueira de nascimento. Por isso, o baptismo foi chamado “sacramento da iluminação”. A experiência cristã define-se como um “viver na luz”.

No evangelho, Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”. O “cego” desta narrativa é símbolo de todos os que vivem na escuridão, privados da “luz”, prisioneiros das cadeias que os impedem de chegar à plenitude da vida. A missão de Jesus, como luz, é libertar-nos das trevas do egoísmo, do orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus é enveredar por um caminho de liberdade e de realização, que conduz à vida plena. Esta Palavra convida-nos a um processo de renovação interior, que nos leve a deixar tudo o que impede que brilhe em nós a “luz” de Deus. Receber a “luz” que Cristo oferece é tornar-se um Novo Ser, elevado às suas máximas potencialidades pela comunicação do Espírito, e é, também, acender a “luz” da esperança no mundo.

Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus e que escolham a “luz”. Viver nas “trevas” é recusar as propostas de Deus, viver prisioneiro das paixões e dos falsos valores. Ao contrário, viver na “luz” é acolher o dom da salvação, que Deus oferece, aceitar a vida nova que Ele propõe, escolher a liberdade, tornar-se “filho e filha de Deus”. Os cristãos são aqueles e aquelas que escolheram viver na “luz” e, mais ainda, franquear as “trevas” e denunciar as obras do egoísmo, da mentira, da escravidão e do pecado.

A primeira leitura não se refere directamente ao tema da “luz”. No entanto, narra a escolha de David para rei de Israel e a sua unção. Neste sentido, sugere uma simbologia baptismal: a unção, que recebemos no dia do nosso baptismo e que nos constituiu testemunhas da “luz” de Deus no mundo. Este texto mostra-nos que Deus tem critérios diferentes dos nossos: “Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração”, e convida-nos a entrar na lógica de Deus e a aprender a ver com o coração.


Leituras do 4º domingo da Quaresma Ano A

1 Sam 16,1b-6-7.10-13a; Sl 23 (22); Ef 5,8-14; Jo 9,1-41









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