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| Ano: II Edição: Mensal N°: XVII Mês: Março de 2005. | ||||||||||||||||
| Informativo
Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia |
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Guia
Homilético: Domingo de Páscoa
– Ano A “Este
é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria!
Aleluia!” A maior notícia deste
1º dia da semana, após a morte de Jesus no alto do monte
Calvário, é que o túmulo onde fora depositado o
seu corpo, está vazio. Maria Madalena, discípula
fiel do Senhor, mal acabara o repouso sabático, “ainda escuro”,
corre pressurosa ao sepulcro e “viu a pedra retirada”. Sim, a
grande pedra que fora colocada à boca do túmulo, para que
ninguém roubasse o corpo do Senhor Jesus, estava posta de lado.
Assustada, Maria corre a avisar Pedro e João de que tinham
roubado o Senhor e que não sabia onde o tinham colocado. Estes
dois discípulos, acompanhados pela mulher fiel, correm, por sua
vez, até ao sepulcro e, ao entrarem, vêm o sepulcro vazio.
As ligaduras com que tinham envolvido o corpo do Senhor estão
estendidas no chão e o sudário, enrolado à parte.
Ao verem o sepulcro vazio, os discípulos acreditam e
entendem a Escritura, “segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos
mortos”. Porém, de pouco valia a
confirmação de que o túmulo estava vazio, se
não fossem as aparições de Jesus Ressuscitado. Na
continuação do evangelho, João conta que Maria
Madalena ficou por ali, a chorar, quando o próprio Jesus lhe
aparece vivo e lhe pergunta: “Mulher, porque choras? Quem procuras?”
e, ao chamá-la pelo seu nome próprio, Maria exclama: “Rabbuni!,
que quer dizer: «Mestre»”. Jesus, então,
confere-lhe a missão de ir anunciar aos seus
discípulos que Ele está vivo e que vai subir para o Pai.
Foram muitos os que viram e experimentaram o Senhor ressuscitado. Mais
de 500 irmãos, de uma só vez! Relata-nos o texto da
Escritura. É este facto que faz
notícia. Aquele que foi suspenso na cruz, Deus ressuscitou-o
ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se a nós e a todo
o povo, constituindo-nos suas testemunhas, afirma Pedro na 1ª
leitura, em casa de Cornélio, depois de ter percebido que Jesus
de Nazaré é o Salvador de todos, judeus e pagãos.
E Paulo, que só mais tarde se tornou, igualmente, testemunha de
Jesus ressuscitado, quando Ele lhe apareceu no caminho de Damasco,
confirma-nos na fé deste acontecimento fundamental do
Cristianismo. Incita-nos a viver como pessoas ressuscitadas, em Cristo,
deixando de lado o pecado e a vida mesquinha, para nos
afeiçoarmos às coisas espirituais, às que nos
vêm de Deus, por Jesus Cristo, de modo que a nossa vida dê,
também, testemunho de que a vitória alcançada por
Ele sobre o pecado e a morte é concretizada no nosso modo de ser
e de agir em particular e em público. Ser fiel a Cristo vivo, nos
caminhos da tua existência, é a principal tarefa
cristã que te cabe. Se Cristo não tivesse ressuscitado, a
tua fé não teria sentido, afirma Paulo. Mas, uma vez que
Ele está vivo, vive tu também como Ele, sendo testemunha
de uma vida nova, de uma vida conduzida pela acção do
Espírito, que ressuscitou Jesus, e que te ressuscita a ti
conjuntamente, desde aqui e agora. Vive na alegria e na paz de quem
sente e sabe que está salvo em Cristo vivo. Aleluia!
Domingo de
Ramos na Paixão do Senhor – Ano A «Morreu
de Amor» Este é
o último domingo da Quaresma que dá entrada na Semana
Santa. É a celebração dominical da Paixão
do Senhor e, ao mesmo tempo, comemoração da entrada
triunfal de Jesus em Jerusalém, cidade santa, que se torna o
cenário dos factos culminantes da sua vida e significa a visita
definitiva de Deus ao seu povo. Por isso se chama Domingo de Ramos na
Paixão do Senhor. A liturgia
convida-nos a contemplar este Deus de amor que, em Jesus, desceu ao
nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se nosso servo e
deixou-se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A
primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por
Deus a testemunhar a palavra da salvação. Apesar do
sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e
concretizou os seus projectos. Os primeiros cristãos viram neste
“servo de Jahwéh” a figura de Jesus. Este texto serviu-lhes para
interpretar o mistério de Jesus: Ele é a Palavra de Deus
feita carne, que oferece a sua vida para trazer a
salvação/libertação à humanidade. A
vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega a
favor de todos. E a sua glorificação mostra-nos que uma
vida vivida deste modo não termina no fracasso, mas gera vida
nova. A
segunda leitura é constituída por um hino, em que o
exemplo de Cristo Jesus é nomeado do princípio ao fim.
Este hino define o “aniquilamento” de Cristo: Ele não afirmou
com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas
aceitou fazer-se homem, assumindo com humildade a
condição humana, para nos revelar totalmente o ser e o
amor do Pai. Este “aniquilamento” conduziu Jesus a aceitar uma morte
infame, para nos ensinar a máxima lição do amor
radical. É esta lição que a Palavra de Deus nos
propõe. O cristão e a cristã devem ter como
exemplo este Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um
dom a todos, para uma vida plena. O
evangelho convida-nos a contemplar Jesus na sua paixão e a
morte. A morte de Jesus é a consequência lógica das
tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou
entre os que dominavam o mundo. Por isso, da cruz surge o Novo Ser
Humano, o modelo da pessoa que faz da sua vida um dom para todos.
Porque ama, este Novo Ser Humano vai assumir como missão a luta
contra o pecado, isto é, contra todas as causas que geram medo,
injustiça, sofrimento, exploração e morte.
Celebrar a paixão e a morte de Jesus é mergulhar na
contemplação de um Deus a quem o amor tornou
frágil. Contemplar a cruz significa assumir a atitude de Jesus e
solidarizar-se com todos os que são “crucificados” neste mundo.
Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão e
a cristã sabem que amar como Jesus amou é viver a partir
de uma dinâmica que a morte não pode vencer, porque o amor
gera sempre vida nova e introduz no nosso ser os dinamismos da
ressurreição.
Is
50,4-7; Sl 22 (21); Fil 2,6-11; Mt 26,14 – 27,66 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
5º Domingo da Quaresma –
Ano A «Senhor,
tu és a “Vida”» A liturgia
deste domingo centra-se sobre a vida definitiva que supera a
própria morte, vida que nos é oferecida por Cristo
ressuscitado pela força do Espírito Santo. Na
primeira leitura, Deus oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem
futuro, uma vida nova que vem pelo Espírito. Deus irá
recriar o coração do Povo e inseri-lo numa dinâmica
de obediência a Deus e de amor ao próximo. O mais
significativo é que, mesmo quando tudo parece perdido e sem
saída, Deus lá está, transformando o desespero em
esperança e a morte em vida. O Deus da vida encontra sempre
formas de transmitir vida ao seu Povo. Na nossa existência
pessoal passamos, muitas vezes, por situações de
desespero, em que tudo parece perder o sentido. A Palavra de Deus
assegura-nos que Deus caminha ao nosso lado, oferecendo-nos o seu
Espírito transformador e renovador, tirando vida da morte,
dando-nos coragem para “sair do túmulo” e avançar ao
encontro da vida plena. O
evangelho atesta que Jesus veio realizar o desígnio de Deus e
dar-nos a vida definitiva. A
ressurreição de Lázaro fala da vida que é o
próprio Cristo no mistério pascal. O Espírito que
ressuscitou Jesus é o mesmo que pôs de pé o povo de
Israel, sepultado na sua desgraça. A
questão essencial da leitura é a afirmação
de que não há morte para os “amigos” de Jesus, isto
é, para aqueles que acolhem a sua proposta e aceitam fazer da
sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos e irmãs.
Marta manifesta ser “amiga” de Jesus e confessa a sua fé no
Senhor que dá a vida. No dia do nosso baptismo, também
escolhemos ser “amigos” de Jesus e entrar na vida plena e definitiva.
Se vivermos deste modo, havemos de experimentar a morte física,
mas não morremos: viveremos para sempre em Deus. A
segunda leitura recorda-nos que, no dia do nosso baptismo, nos
decidimos por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. O texto
convida-nos à coerência: a fazermos as obras de Deus e a
vivermos “segundo o Espírito”, pois é Ele que confere a
vida. “Viver segundo o Espírito” significa viver no amplexo de
Deus; ao passo que “viver segundo a carne” significa viver à
margem de Deus. No dia do nosso baptismo optámos pela vida do
Espírito. A partir daí, escolhemos identificar-nos com
Cristo, vivendo na obediência ao Pai e no dom da vida aos
irmãos e irmãs. O exemplo de Cristo garante-nos que uma
vida gasta deste modo não termina no fracasso, mas na vida
definitiva, na felicidade total, na ressurreição.
Crês nisto?
Ez
37,12-14; Sl 130 (129); Rm 8,8-11; Jo 11,1-45 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 4º Domingo da Quaresma –
Ano A «Senhor,
tu és a “Luz”» Começando
no passado domingo, a liturgia da Palavra orienta-se para a
inserção dos catecúmenos na Igreja, propondo
símbolos baptismais. No passado domingo, foi o da água e,
neste, é o símbolo da luz, que cura a cegueira da
humanidade, cegueira de nascimento. Por isso, o baptismo foi chamado
“sacramento da iluminação”. A experiência
cristã define-se como um “viver na luz”. No
evangelho, Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”. O “cego” desta
narrativa é símbolo de todos os que vivem na
escuridão, privados da “luz”, prisioneiros das cadeias que os
impedem de chegar à plenitude da vida. A missão de Jesus,
como luz, é libertar-nos das trevas do egoísmo, do
orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus
é enveredar por um caminho de liberdade e de
realização, que conduz à vida plena. Esta Palavra
convida-nos a um processo de renovação interior, que nos
leve a deixar tudo o que impede que brilhe em nós a “luz” de
Deus. Receber a “luz” que Cristo oferece é tornar-se um Novo
Ser, elevado às suas máximas potencialidades pela
comunicação do Espírito, e é,
também, acender a “luz” da esperança no mundo. Na
segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de
Éfeso que recusem viver à margem de Deus e que escolham a
“luz”. Viver nas “trevas” é recusar as propostas de Deus, viver
prisioneiro das paixões e dos falsos valores. Ao
contrário, viver na “luz” é acolher o dom da
salvação, que Deus oferece, aceitar a vida nova que Ele
propõe, escolher a liberdade, tornar-se “filho e filha de Deus”.
Os cristãos são aqueles e aquelas que escolheram viver na
“luz” e, mais ainda, franquear as “trevas” e denunciar as obras do
egoísmo, da mentira, da escravidão e do pecado. A
primeira leitura não se refere directamente ao tema da “luz”. No
entanto, narra a escolha de David para rei de Israel e a sua
unção. Neste sentido, sugere uma simbologia baptismal: a
unção, que recebemos no dia do nosso baptismo e que nos
constituiu testemunhas da “luz” de Deus no mundo. Este texto mostra-nos
que Deus tem critérios diferentes dos nossos: “Deus não
vê como o homem; o homem olha às aparências, o
Senhor vê o coração”, e convida-nos a entrar na
lógica de Deus e a aprender a ver com o coração.
1
Sam 16,1b-6-7.10-13a; Sl 23 (22); Ef 5,8-14; Jo 9,1-41 |
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