Conversando com
o povo de Deus(265) O
que você acha do novo Papa?
Quantas vezes, as pessoas já me perguntaram: “O que
você me diz do novo Papa?” Alguns o acham muito tradicional,
conservador. Por isso, alguns se consolam com a sua idade
avançada.“Não vai durar muito’. A mídia brasileira
quase não fala dele. Mas o Papa existe e está agindo.
Já esteve na Alemanha, na Jornada Mundial da Juventude e a
juventude o aplaudiu. Os judeus e os ortodoxos estão animados
com ele. Está dando um forte acento no ecumenismo, assim como na
paz entre os povos e na luta contra a pobreza. Dizem que D.
Cláudio está muito contente com ele. Foi ele que
pessoalmente determinou que a Vª conferência do Episcopado
da América Latina seja em Aparecida do Norte e ele vai estar
presente em 2007. A Alemanha está mais católica que
nunca. Apesar de ser um homem saído da Cúria Romana
está conseguindo se distanciar dela e dialogar com mundo. Neste
mês de janeiro deve sair a sua primeira Encíclica, escrita
em alemão, durante as suas férias. Bota férias
nisso. Acabo de receber das Paulinas um livrinho de 24 páginas
com o título de “Encontro de catequese e oração do
Santo Padre Bento XVI com as crianças da 1ª
comunhão”, acontecido na Praça S. Pedro, dia 15/10/2005.
É saboroso. Que simplicidade. Um Papa falar assim. Um
teólogo. Um poliglota. Fiquei comovido. Por isso, passo a
transcrever alguns trechos.
“Andréa: ‘Caro Papa, que recordação
tens do dia da tua 1ª comunhão?” O Papa responde: “Antes de
tudo, gostaria de dizer obrigado por esta festa de fé que me
ofereceis, pela vossa presença e alegria. Agradeço e
saúdo o abraço que tive de um vós, um
abraço que simbolicamente vale para vós todos. Quanto
à pergunta, recordo-me bem do dia da minha 1ª
comunhão. Era um lindo domingo de março de 1936,
há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a
música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro.
Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da
nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no
centro das minhas recordações alegres e bonitas
está o pensamento, o mesmo já foi dito pelo vosso
porta-voz que compreendi, Jesus tinha entrado no meu
coração, tinha feito visita justamente a mim. E com
Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que
realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; assim
estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo
até mim. E entendi que então começava uma nova
etapa da minha vida, eu tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a
esta comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: ‘Gostaria de
estar sempre contigo” e pedi-lhe;’ Mas sobretudo permanece comigo’. E
assim fui em frente na vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me
sempre pela mão, guiou-me também nas
situações difíceis. E dessa forma, a alegria da
1ª comunhão foi o início de um caminho realizado
juntos. Espero que, também para todos vós, a 1ª
comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o
início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início
de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se
torna boa”. Assim o Papa, um teólogo, um poliglota, um escritor
responde a sete perguntas das crianças. E ele se despede
dizendo: “Obrigado por esta festa de fé. Obrigado por este
encontro entre nós e com Jesus. Bom domingo, boa noite e
até à próxima com o Senhor. Muito obrigado”. Enquanto eu lia com indizível prazer
estas palavras me imaginava a cena de Jesus com as criancinhas.
Conversando com as crianças, brincando com elas, as
abençoando. Como se pode pensar em aborto?