Artigos do Bispo:
Colunista:
Revmo. Sr. Dom Irineu Sílvio
Wilges
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Conversando com
o povo de Deus(177)
A paixão
de Cristo. Já cerca de 3 milhões de brasileiros
assistiram o filme de Mel Gibson. Em Santa Cruz do Sul mais de 5 mil.
Quantos assistiram à leitura da Paixão de Cristo no
Domingo de Ramos ou na Sexta-Feira Santa? Certamente muito menos.
Está todo mundo falando do filme, alguns falam das diversas
encenações da paixão acontecidas na cidade ou pelo
país afora, mas não ouvi ninguém falar das
leituras. Por que? Por que a mídia faz a cabeça das
pessoas, dizendo que é um filme anti-semita? Um filme
sádico, porque gosta de mostrar o sofrimento? Por que o visual
forte impacta mais que uma encenação e a simples leitura?
Certamente.
Quero partilhar com o leitor diversas reações havidas
diante do filme pelo mundo afora. A primeira que me veio, via Internet,
conta o caso de um ladrão norte-americano de Meza, Arizona, que
depois de ter visto o filme, juntamente com a sua mãe, sentiu-se
motivado a se entregar à polícia. Em Santa Cruz um grupo
de 15 pessoas após o filme reuniu-se no estacionamento para
rezar. Um amigo me contou que viu o filme em Porto Alegre. Quando
chegou na sala viu que estava cheio de adolescentes e pensou consigo: “
Escolhi mal o horário. Certamente vão bagunçar”.
Qual não foi o seu espanto quando começou o filme todo
mundo ficou quieto, em silêncio. No fim do filme todos aplaudiram
com uma salva de palmas.Vi na TV Canção Nova, durante a
semana santa, um senhor dizendo que viu o filme. Depois disse ao filho
engenheiro: “Você deve ir ver o filme a Paixão de Cristo”.
“Pai, já fui”. “E daí?”. “Pai, depois do filme tive
vontade de ir a igreja”. Vi também pela REDE TV uma entrevista
com diversas pessoas, entre os quais estavam um padre jovem, o conhecido Pe. Quevedo, um radialista e uma senhora, e o
testemunho que eles deram do filme foi muito positivo. “Há cenas
de violência? Há. Mas não se pode ocultar os fatos
verdadeiros. Por ocaso, a TV não nos mostra diariamente cenas de
violência? E ninguém se escandaliza. E alguém se
converte? Não. Diante da Paixão de Cristo, sim. O filme
está faturando? Sim, e daí? Muitos filmes
medíocres não faturaram? O filme nos mostra que diante do
sofrimento de Jesus ninguém pode ficar indiferente”. Como pode
ter notado, ninguém falou em anti-semitismo. Ninguém
falou em sadismo. Por que? Porque o filme transmite nobreza, amor, e
perdão. O Cristo ensina: “Amai-vos uns aos outros com o eu vos
amei”. Ele curou a orelha de Malco. Ele perdoa a seus inimigos. Ao
ladrão arrependido promete o céu. Entrega a mãe
aos cuidados de João,que durante todo o filme não diz uma
palavra, mas está presente desde o início até o
fim. Nicodemos e José de Arimatéia protestam contra o
julgamento ilegal às 3h da madrugada. O Cireneu ajuda a Jesus a
carregar a cruz. Quem não se comove diante da cena Jesus e
Cireneu carregando juntos a cruz com as mãos que se tocam.? Quem
não se comove diante da figura extraordinária de Maria, a
sua mãe, fiel ao seu filho até o fim e do gesto de
Verônica que enxuga a face de Jesus? Por isso, o filme não
deprime mas enleva, converte. Eu também vi o filme e pretendo
vê-lo novamente. E você?