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| Ano: II Edição: Mensal N°: XXIV Mês: Outubro de 2005. | |||||||||
| Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia | |||||||||
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Por
Dr. Rafael Vitola Brodbeck. ____________________________________________________________________
A veneração aos Bispos. Evidentemente, a
Deus, sumo bem, é prestado um culto supremo, de latria, de
adoração, distinguindo-se dos demais, meras
expressões subordinadas, sejam civis ou religiosas, de honra aos
superiores e aos que a merecem por seus feitos, valores e virtudes. Daí que ao
católico seja natural não só a estima de seu
Bispo, como a obediência (quando suas ordens são
legítimas, i.e., não conflitam com a lei natural, com a
Lei de Deus, ou com a autoridade do Papa), a fé em seu ensino
(se o faz em consonância com o supremo Magistério da
Igreja), e o culto a sua pessoa. De fato, em razão de sua
sagração, o Bispo insere-se na chamada Sucessão
Apostólica: foi ordenado por outro Bispo, que, por sua vez,
recebeu a ordenação de um outro, e, assim, até um
dos Doze. O Bispo é, pois, Sucessor dos Apóstolos. Tem
poderes de governo dos quais os demais sacerdotes não usufruem.
Tem poderes, outrossim, espirituais que lhe são próprios,
típicos da plenitude do sacerdócio: só ele pode
conferir o sacramento da Ordem, e sem sua autorização,
salvo em casos excepcionais, não há ao padre faculdade de
absolver. Fora da
comunhão com o Bispo não existe Igreja Católica.
Santo Inácio de Antioquia já atacava quem se recusasse a
obedecer aos seus Bispos: “Sem o Bispo, ninguém faça
nada que diga respeito à Igreja. (...) Quem respeita o Bispo
é respeitado por Deus; quem faz algo ocultamente a ele, serve ao
diabo.” (Ad Smyrn., 8-9; cf. Ad Eph., 3-6; Ad Magn., 3-7; Ad Trall.,
2-5; Ad Phil., 7) Junto do primado do Romano Pontífice, o
episcopado também é de instituição divina. Não se trata
de mero título burocrático para a melhor
organização da Igreja. Longe disso, o Bispo e seus
fiéis, na sua circunscrição, são “a”
Igreja. É ele quem garante a comunhão com toda a
comunidade universal dos católicos. E o apostolado dos padres,
dos consagrados e dos leigos, que a ele não se reporta, segundo
as diretrizes canônicas vigentes, vive quase um estado de cisma
prático, eis que, como diz Santo Tomás de Aquino, “pertence
aos constituídos em dignidade governar os seus súditos
(...). E em razão do exercício do governo, lhe é
devido o culto.” (S. Th., II-II, q.
102, a. 2) A luta pela Tradição e pela disciplina da Igreja deve ser travada em submissão e veneração ao Bispo. Neste ano de 2005, em que recordamos os 40 anos do Decreto Christus Dominus, do Vaticano II, sobre o múnus dos Bispos, deve ser afervorada a consciência de que eles, os pastores da grei de Jesus Cristo, são nossos “pais na alma” (São Jerônimo. Ep. 2 ad Nepot., 1,24), nossos suseranos, e nós seus vassalos. Com isso, temos direito à sua proteção e orientação, porém o dever correspondente de amá-los, respeitá-los, obedecê-los e defender seu sagrado ministério. ____________________________________________________________________ E os direitos da
Igreja? Chega
a ser curioso o pensamento de alguns partidários de
idéias moralmente liberais, como o aborto, a eutanásia –
em voga com o caso de Jeson, o pai que quer a morte de seu filho,
Jhéck –, o casamento homossexual etc. Sustentam suas
posições, reverberam argumentações,
organizam movimentos para defendê-las, procuram captar adeptos,
chamam a atenção da mídia para seus projetos,
montam passeatas, pressionam aqui e ali, enfim, tornam público o
que pensam e ninguém lhes nega o direito de fazê-lo. Agora,
esses mesmos pró-aborto, pró-eutanásia,
pró-gay, e pró um monte de outras coisas, reclamam dos
que se entrincheiram do lado oposto, mas de um modo tão radical
que parecem negar a estes últimos a liberdade de expressarem o
que entendem ser correto. Caso
emblemático é o do jornalista André Petry,
conhecido escrevinhador que não cansa de dirigir sua coluna
semanal em Veja atacando a doutrina católica. O grau do
ódio que Petry destila contra a Igreja beira à
obsessão. Só ela explica um sujeito dedicar-se quase
religiosamente a combater uma idéia que não a sua com a
virulência com que faz, sem ao menos respeitar o
adversário. Que Petry não compartilhe dos dogmas
cristãos, compreende-se; o que me intriga é a hostilidade
de seus comentários não à doutrina, senão
às pessoas. O alvo do colunista não é a
idéia, mas seres humanos que a professam. E mais: descontente
com somente desmerecer a Igreja, parte para a apologia de uma tese
absurdamente descabida, a de que o catolicismo, simplesmente porque
é um conjunto doutrinário que não o seu, deve ser
sumariamente proibido de manifestar-se sobre questões
relevantes. Em
recente artigo, intitulado “Deixem Jeson em paz”, André Petry
tacha a prática da Igreja de “espécie de fascismo
divinizado”. Diz que a Igreja Católica tem a tendência
de “sempre pressionar” para defender o que o pensa. Ora,
quem é favorável ao aborto pode afirmar isso sem nenhum
receio. Muitos irão discordar, alguns dos que discordarem
poderão reproduzir suas razões até com certa dose
de veemência – entre os quais me incluo, evidentemente –, mas
creio que, em geral, por mais que se odeie o aborto e procure-se
combater sua prática, respeitar-se-á a pessoa em si que
defenda tal crime – salvo razões especiais que justifiquem uma
crítica mais acirrada ao próprio indivíduo. Do
mesmo modo, quem é favorável à eutanásia,
ao “casamento” de homossexuais, à adoção de
crianças por pares sodomitas, ao suicídio assistido,
goza, a partir da admissão das chamadas liberdades modernas, no
mínimo, da tolerância social à sua cartilha. O
mesmo direito de expressão, entretanto, é negado pelo
senhor Petry – e, com ele, por outros laicistas – à Igreja. O
movimento pró-eutanásia pode dar sua opinião,
armar seu circo midiático, introduzir poderosos lobbies
internacionais no Parlamento, movimentar deputados simpáticos a
seus postulados, escrever artigos jornalísticos sobre o tema,
promover simpósios e seminários para convencer os demais
da legitimidade da interrupção da vida por motivos
“humanitários” etc. Só a Igreja, na estreita visão
de Petry, não pode dizer o que pensa. Só a Igreja
não pode trabalhar para convencer os demais das suas
idéias. Apenas os pró-eutanásia têm esse
direito. A Igreja não. Os católicos não fazem
parte da nação brasileira? Por que, então, eles
não podem expressar suas opiniões sobre tais assuntos? Não quer a Igreja obrigar os de fora de seu grêmio à aceitação de seu catecismo pela força, nem que todos sejam contrários à eutanásia. O que ela deseja, e isso amparada até pelo constitucional direito de expressão, é tornar público o que pensa, e, mediante essa ação, defender a vida dos pacientes terminais, católicos e não-católicos. Advogado e pensador católico____________________________________________________________________ Já tenho meu blog...
Chama-se
CIVILIZAÇÃO E CULTURA CATÓLICA e está em: http://culturacatolica.blogspot.com/
Aguardo visitas e
comentários.
____________________________________________________________________Dr. Rafael Vitola Brodbeck
advogado - OAB/RS 57.887 fone: (53) 2284193, 91528252 Pelotas/RS -----------------
Stat crux, dum volvitur orbis! (A cruz permanece firme, o mundo dá voltas! - lema da Ordem dos Cartuxos) PER REGNUM CHRISTI AD GLORIAM DEI! www.regnumchristi.org www.hsjonline.com www.veritatis.com.br |
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