"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal  N°:  LIII           Mês: Março de  2008.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Doutrina Católica:
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

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Colunista             
Dom Elias do Espírito Santo osc

CAPÍTULO SEGUNDO

Creio em Jesus Cristo, Filho Único de Deus

 

“JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO”

 

112. Qual a importância do Mistério pascal de Jesus?
O Mistério pascal de Jesus, que compreende a sua paixão, morte, ressurreição e glorificação, está no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo.

 

113. Com que acusações Jesus foi condenado?
Alguns chefes de Israel acusaram Jesus de agir contra a Lei, contra o templo de Jerusalém e em particular contra a fé no Deus único, porque Ele se proclamava Filho de Deus. Por isso O entregaram a Pilatos, para que o condenasse à morte.

 

114. Como se comportou Jesus em relação à Lei de Israel?
Jesus não aboliu a Lei dada por Deus a Moisés no Sinai, mas deu-lhe cumprimento ao lhe dar a interpretação definitiva. É o Legislador divino que executa integralmente essa Lei. Além disso, Ele, o Servo fiel, oferece com a sua morte expiadora o único sacrifício capaz de redimir todas “as transgressões cometidas no decorrer da primeira Aliança” (Hb 9,15).

 

115. Qual foi a atitude de Jesus em relação ao templo de Jerusalém?
Jesus foi acusado de hostilidade em relação ao Templo. Todavia, respeitou-o como “casa do seu Pai” (Jo 2,16) e ali proferiu uma parte importante do seu ensinamento. Mas também predisse a destruição dele, numa relação com a própria morte, e se apresentou ele mesmo como a casa definitiva de Deus em meio aos homens.

 

116. Jesus contradisse a fé de Israel no Deus único e salvador?
Jesus jamais contradisse a fé num Deus único, nem mesmo quando realizava a obra divina por excelência que cumpria as promessas messiânicas e o revelava igual a Deus: o perdão dos pecados. O pedido de Jesus de crer nele e de se converter permite entender a trágica incompreensão do Sinédrio que considerou Jesus digno de morte porque blasfemador.

 

117. Quem é responsável pela morte de Jesus?
A paixão e a morte de Jesus não podem ser imputadas indistintamente nem a todos os judeus então vivos nem aos outros judeus vindos depois, no tempo e no espaço. Cada um dos pecadores, ou seja, todo homem, é realmente causa e instrumento dos sofrimentos do Redentor e mais gravemente culpados são aqueles, sobretudo se cristãos, que mais vezes caem de novo no pecado ou se deleitam nos vícios.

 

118. Por que a morte de Cristo faz parte do desígnio de Deus?
Para reconciliar consigo todos os homens destinados à morte por causa do pecado, Deus tomou a iniciativa amorosa de enviar seu Filho para que se entregasse à morte pelos pecadores. Anunciada no Antigo Testamento, em particular como sacrifício do Servo sofredor, a morte de Jesus aconteceu “segundo as Escrituras”.

 

119. De que modo Cristo se ofereceu ao Pai?
Toda a vida de Cristo é livre oferta ao Pai para cumprir o seu desígnio de salvação. Ele dá “a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45) e desse modo reconcilia com Deus toda a humanidade. O seu sofrimento e a sua morte manifestam que a sua humanidade é o instrumento livre e perfeito do Amor divino que quer a salvação de todos os homens.

 

120. Como se exprime na última Ceia a oferta de Jesus?
Na última Ceia com os Apóstolos, na vigília da paixão, Jesus antecipa, isto é, significa e realiza de modo antecipado a oferta voluntária de si mesmo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós” (Lc 22,19), “este é o meu sangue, que é derramado...” (Mt 26,28). Ele institui assim ao mesmo tempo a Eucaristia como “memorial” (1Cor 11,25) do seu sacrifício e os seus Apóstolos como sacerdotes da nova Aliança.

 

121. O que acontece na agonia do horto do Getsêmani?
Apesar do horror que causa a morte na humanidade toda santa daquele que é o “Autor da Vida” (At 3,15), a vontade humana do Filho de Deus adere à vontade do Pai: para nos salvar, Jesus aceita carregar os nossos pecados no seu corpo, “fazendo-se obediente até a morte” (Fl 2,8).

 

122. Quais são os efeitos do sacrifício de Cristo na cruz?
Jesus ofereceu livremente a sua vida em sacrifício expiatório, ou seja, reparou as nossas culpas com a obediência plena do seu amor até a morte. Esse “amor até o fim” (Jo 13,1) do Filho de Deus reconcilia com o Pai toda a humanidade. O sacrifício pascal de Cristo resgata, pois, os homens de modo único, perfeito e definitivo, e lhes abre a comunhão com Deus.

 

123. Por que Jesus chama os seus discípulos a tomar a cruz deles?
Chamando os seus discípulos a tomar a própria cruz e segui-Lo, Jesus quer associar a seu sacrifício redentor aqueles que são seus primeiros beneficiários.

124. Em que condições estava o corpo de Cristo enquanto se encontrava no túmulo?
Cristo conheceu uma verdadeira morte e uma verdadeira sepultura. Mas o poder divino preservou o seu corpo da corrupção.

 

Fonte: “Compêndio do Catecismo da Igreja Católica”, promulgado por Sua Santidade o Papa Bento XVI, mediante o “Motu Proprio” de 28 de Junho de 2005.

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Comentário Catequético

O que nos diz o tema da epígrafe “Jesus Cristo padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”?

A Quaresma é um tempo de penitência, jejuns, e a conversão dos pecadores com o objetivo de preparar dignamente a Celebração anual da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Neste período litúrgico a Igreja nos faz um apelo à conversão com uma mais intensa oração, pela prática da penitência e da mortificação corporal e espiritual, obras de misericórdia e com leituras bíblicas e patrísticas comovedoras, das quais oferecem um riquíssimo mosaico tanto o Breviário como o Missal quaresmais. Hoje a principal preocupação da Igreja durante a Quaresma é o cumprimento pascal e a recristianização da sociedade cristã, tendente a paganizar-se. A culminância da Quaresma e o ápice da vida cristã é o Tríduo Pascal em que contemplamos o Mistério da Redenção e a Ressurreição de Jesus Cristo. Eis o tempo de conversão e de nos aproximarmos do Reino do Messias implorando o perdão dos pecados e a misericórdia divina pelo Sacramento da Penitência ou Reconciliação, assim como o publicano que “batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!” (Lc 18,13).

Por causa do pecado original, todos os seres humanos deviam sofrer o castigo da morte e permanecer para sempre longe de Deus. Pela desobediência de Adão veio a morte. Pela obediência de um só Homem, Jesus Cristo, o Novo Adão, veio a vida ao mundo: o “Autor da Vida” (At 3,15) obedeceu plenamente à vontade do Pai “até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8). No Mistério da Redenção manifesta-se a obra de amor de Deus pela humanidade pecadora, enviando seu Único Filho para morrer na cruz como sacrifício expiatório em reparação das nossas culpas. Esse “amor até o fim” (Jo 13,1) do Filho de Deus reconcilia com o Pai todos os seres humanos. Jesus nos salvou porque, por nosso amor, Ele quis sofrer e morrer na cruz, vencer a morte pela Ressurreição e assim nos abrir o céu. Como afirma o Apóstolo Paulo: “eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. (Rm 5,8)

Dessa forma, o Mistério Pascal está no centro da fé cristã, porque manifesta o desígnio salvífico de Deus uma vez por todas pelo holocausto de Seu Filho em “resgate por muitos” (Mc 10,45). Muito bem nos coloca a Seqüência de Páscoa, “Víctimae Pascháli laudes”: “a morte e a vida travaram um imponente duelo: o Autor da Vida, ainda que morreu, agora reina vivo” (“Mors et vita, duéllo conflixére mirando: dux vítae mórtuus, regnat vívus”). Jesus Cristo, efetivamente, é “nossa Páscoa” (1Cor 5,7), quer dizer, nosso “trânsito”; já que, por sua imolação,  fez passar a humanidade do Antigo e Novo Testamento, da velha à nova levedura, inaugurando um reino de amor e inocência. Assim como Cristo ressuscitou, todos nós, que cremos Nele e praticamos os Seus ensinamentos, também ressuscitaremos.

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