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Meditação
e oração mental
A
meditação é, na prática, uma
oração, visto que orar é elevar o espírito
a Deus com a finalidade de escutar-lhe quando nos fala, mormente se
estamos em silêncio, traduzidos, também, como
disponibilidade total, que se pode chamar de silêncio, o qual
deve ser ausência de ruído e conversas, mas também,
pode ser entre prosas de outros e barulhos de rua, pássaros ou
até uma música suave, pois para muitos ouvindo sons de
música sacra se elevam aos pináculos da
meditação orante. Toda a meditação deve ser
organizada de tal forma que haja uma disponibilidade física,
corpórea e psicológica para isso. No passado as
Congregações Religiosas e seminários faziam
reflexões pela manhã, logo ao levantar. Alguns Mosteiros
de hoje ainda persistem nesse método, o qual, com todo o
respeito, mas nunca deu certo. Religiosos há que dormem durante
essas meditações e dormindo, nessa
situação, não acontece encontro com Deus.
Não são as altas madrugadas para demoradas
vigílias que farão o milagre do encontro com Deus. Para
meditar melhor, escolha-se um horário durante o dia, não
depois de sestas e períodos de dormida nem depois de
refeições. A oração mental não deve
ser feita com sono ou muito cansado após uma hora de horta e
lavoura ou jardim, seja lá o trabalho que for. O louvor perene
ao Senhor, em si, não tem hora fixa, pois para Deus não
existe o tempo e Deus é a própria lâmpada que
ilumina o céu e seus habitantes. Jesus é a luz eterna que
não conhece ocaso, portanto nunca se põe o brilho de sua
luz, por conseguinte não existe a noite e a pior de todas as
noites é aquele de nossas vidas, são as noites escuras de
nossa existência longe da luz que é Deus. Essa luz
nós encontramos procurando conhecer nosso eu interior para, no
fundo de nós mesmos acharmos a
pérola escondida que é o mesmo Deus. Deixe tudo lá
fora, compre o campo onde se encontra essa pérola enterrada.
Para meditar e orar condignamente faz mister que o Religioso esteja
descansado fisicamente e bem acomodado numa cadeira ou no chão
ao modo oriental com as pernas cruzadas. Nada impede que medite
deitado. A luz deve ser tênue; havendo sol pela janela esta deve
ser fechada com cortinas de tal forma que faça uma
espécie de penumbra. Se for de noite, um luzeiro fulgurante com
lâmpadas fortes, seria altamente prejudicial. Por outro lado,
é possível meditar comodamente à sombra de uma
árvore, num bosque ou numa montanha; desde que seja
opção do meditante. Outra possibilidade é meditar
contemplando uma bela cachoeira. Foi dito que para realizar esse tipo
de oração é preciso silêncio, e é
muito interessante anotar que o ruído de uma cachoeira ou queda
de água, não perturba a meditação
contemplativa e orante.
A oração cristã não oferece
circunstâncias propícias para realizar uma
meditação de forma mais simples e com frutos, tal como
é oferecido na forma de orar dos asiáticos em geral.
Os iogues são peritos em oração mental. São
deles alguns conselhos úteis que conseguimos aproveitar e
adaptá-los ao cristianismo, sem demérito da fé nem
deformação dos métodos.
Aprenda-se a respirar corretamente, em primeiro lugar. A
respiração é o princípio da vida. O homem
vive pelo sopro de Deus. A Escritura diz claramente que Deus soprando
na estátua de barro do homem, deu-lhe a vida. (Cf.Gen.2,7)
Agora aprendamos alguns métodos de respirar:
Existem três tipos de respiração. Intercostal,
diafragmática e clavicular.
Começamos pela respiração diafragmática:
Respire fundo, absorvendo toda a força do ar e sentindo que o
pulmão enche e invade pelo véu diafragmático
colocando as vísceras sob pressão para baixo. Nesse tipo
de respiração parece que o
abdome cresce. Faça várias vezes. No começo umas
10 vezes para não dar tontura. Depois repita e quando encher
começa a soltar vagarosamente o ar, primeiro 10 segundos, depois
15, e por fim 30 segundos.
A respiração intercostal (entre as costelas) ao fazê-la
parece alargar as costelas para os lados, intumesce o peito.
Uma vez treinado isso, faça baixar o diafragma, como a primeira
e mais o peito na segunda. Lentamente vá soltando o ar
até 30 ou 40 segundos.
Quando fez isso bem feito você aprendeu a respirar. Então
se sente à vontade ou deite-se numa cama ou no chão e
começa a respirar sem ficar cansado e imaginar um ponto X no
espaço, ou imaginar uma praia deserta ou um campo. Veja-se
sozinho. Diga um Mantra, ou seja, uma melodia curta, por exemplo, Ave,
Ave, Ave Maria com a música do Ave de Fátima. Faça
sons suaves, cante baixinho e bem no crânio, quase um falsete.
Repita isso muitas vezes. Pode cantar dó ré mi ou: Vem
Senhor Jesus com as cinco primeiras notas da escala moderna.
Para meditar e orar bem, seria bom que respirássemos bem, para
arejar a cabeça e essa concentração não
criar problemas cerebrais. (ficar pirado da
cabeça)
Bom
é repetir muitas vezes a chamada Oração de Jesus
que no Mosteiro será ensinada, já que a
tradição diz que essa oração é
exclusiva de Monges e foi cultivada pelos Apóstolos. Ela
é um grande mantra.
De todas as formas e, ao que tudo indica Jesus não gostava de
orações com muitas palavras. Ele devia apreciar a
oração silenciosa e meditativa. Nas idas e vindas
procurava lugares ermos que ele dizia: "para descansar" e no fundo era
para meditar e orar. Seu desconforto com as longas
orações e palavras encontramos em Mateus: "Nas vossas
orações não multipliqueis as palavras, como fazem
os pagãos que julgam que serão ouvidos à
força das palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário,
antes que vós lho peçais."(Mt 6,7-8) É ousado
dizer que muitas de nossas rezas, olhando bem, são contra a
advertência explícita de Jesus. Ignorando o sentido
orante, contemplativo e meditativo da Liturgia, encheu-se a Missa de
respostas e interferências da assembléia, quando a velha
Missa sempre legou esse maravilhoso patrimônio de
contemplação aos fiéis. A música do
órgão, o canto do coral e os gestos do sacerdote sempre
foi uma linguagem eloqüente de elevação do
espírito e da mente a Deus. A Escritura diz: "Falava no seu
coração. Os seus lábios moviam-se, mas não
se percebia sua voz. E Deus escutou-a" (I Re. 1,13) O valor da
oração mental, da meditação intuída
dos mistérios divinos é inquestionável sob todos
os aspectos. Depois da ascensão do Senhor os Apóstolos: "Perseveravam
todos unanimemente na oração, com as mulheres e com
Maria, Mãe de Jesus e com os seus irmãos" (At.1,14) Não
estariam, eles, bradando e rezando em altas vozes o dia inteiro. Somos
concordes que oravam meditando, intuindo e contemplando o Senhor.
É possível que houvesse silêncio entre eles e
absortos no pensamento elevado pouco tempo sobraria para conversas que
não fossem manifestações espontâneas das
maravilhas que cada um encontrava nesse quase êxtase enquanto
aguardavam o Paráclito. Deus fala pelo profeta Jeremias:
“Encontrar-me-eis, se me procurardes com todo o
coração” (Jr. 24,13) Com todo o
coração significa, a erradicação dos
pensamentos, projetos e façanhas do mundo, nem visão nem
audição, apenas contemplar, pela meditação
profunda de um único ideal que é o próprio Deus.
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