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  Contemplação VII
Sobre a  Meditação  e oração mental.
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Meditação e oração mental

A meditação é, na prática, uma oração, visto que orar é elevar o espírito a Deus com a finalidade de escutar-lhe quando nos fala, mormente se estamos em silêncio, traduzidos, também, como disponibilidade total, que se pode chamar de silêncio, o qual deve ser ausência de ruído e conversas, mas também, pode ser entre prosas de outros e barulhos de rua, pássaros ou até uma música suave, pois para muitos ouvindo sons de música sacra se elevam aos pináculos da meditação orante. Toda a meditação deve ser organizada de tal forma que haja uma disponibilidade física, corpórea e psicológica para isso. No passado as Congregações Religiosas e seminários faziam reflexões pela manhã, logo ao levantar. Alguns Mosteiros de hoje ainda persistem nesse método, o qual, com todo o respeito, mas nunca deu certo. Religiosos há que dormem durante essas meditações e dormindo, nessa situação, não acontece encontro com Deus. Não são as altas madrugadas para demoradas vigílias que farão o milagre do encontro com Deus. Para meditar melhor, escolha-se um horário durante o dia, não depois de sestas e períodos de dormida nem depois de refeições. A oração mental não deve ser feita com sono ou muito cansado após uma hora de horta e lavoura ou jardim, seja lá o trabalho que for. O louvor perene ao Senhor, em si, não tem hora fixa, pois para Deus não existe o tempo e Deus é a própria lâmpada que ilumina o céu e seus habitantes. Jesus é a luz eterna que não conhece ocaso, portanto nunca se põe o brilho de sua luz, por conseguinte não existe a noite e a pior de todas as noites é aquele de nossas vidas, são as noites escuras de nossa existência longe da luz que é Deus. Essa luz nós encontramos procurando conhecer nosso eu interior para, no fundo de nós mesmos  acharmos a pérola escondida que é o mesmo Deus. Deixe tudo lá fora, compre o campo onde se encontra essa pérola enterrada.
Para meditar e orar condignamente faz mister que o Religioso esteja descansado fisicamente e bem acomodado numa cadeira ou no chão ao modo oriental com as pernas cruzadas. Nada impede que medite deitado. A luz deve ser tênue; havendo sol pela janela esta deve ser fechada com cortinas de tal forma que faça uma espécie de penumbra. Se for de noite, um luzeiro fulgurante com lâmpadas fortes, seria altamente prejudicial. Por outro lado, é possível meditar comodamente à sombra de uma árvore, num bosque ou numa montanha; desde que seja opção do meditante. Outra possibilidade é meditar contemplando uma bela cachoeira. Foi dito que para realizar esse tipo de oração é preciso silêncio, e é muito interessante anotar que o ruído de uma cachoeira ou queda de água, não perturba a meditação contemplativa e orante.
A oração cristã não oferece circunstâncias propícias para realizar uma meditação de forma mais simples e com frutos, tal como é oferecido na forma de orar dos asiáticos em geral.
Os iogues são peritos em oração mental. São deles alguns conselhos úteis que conseguimos aproveitar e adaptá-los ao cristianismo, sem demérito da fé nem deformação dos métodos.
Aprenda-se a respirar corretamente, em primeiro lugar. A respiração é o princípio da vida. O homem vive pelo sopro de Deus. A Escritura diz claramente que Deus soprando na estátua de barro do homem, deu-lhe a vida. (Cf.Gen.2,7)
Agora aprendamos alguns métodos de respirar:
Existem três tipos de respiração. Intercostal, diafragmática e clavicular.
Começamos pela respiração diafragmática: Respire fundo, absorvendo toda a força do ar e sentindo que o pulmão enche e invade pelo véu diafragmático colocando as vísceras sob pressão para baixo. Nesse tipo de respiração parece que  o abdome cresce. Faça várias vezes. No começo umas 10 vezes para não dar tontura. Depois repita e quando encher começa a soltar vagarosamente o ar, primeiro 10 segundos, depois 15, e por fim 30 segundos.
A respiração intercostal
(entre as costelas) ao fazê-la parece alargar as costelas para os lados, intumesce o peito.
Uma vez treinado isso, faça baixar o diafragma, como a primeira e mais o peito na segunda. Lentamente vá soltando o ar até 30 ou 40 segundos.
Quando fez isso bem feito você aprendeu a respirar. Então se sente à vontade ou deite-se numa cama ou no chão e começa a respirar sem ficar cansado e imaginar um ponto X no espaço, ou imaginar uma praia deserta ou um campo. Veja-se sozinho. Diga um Mantra, ou seja, uma melodia curta, por exemplo, Ave, Ave, Ave Maria com a música do Ave de Fátima. Faça sons suaves, cante baixinho e bem no crânio, quase um falsete. Repita isso muitas vezes. Pode cantar dó ré mi ou: Vem Senhor Jesus com as cinco primeiras notas da escala moderna.
Para meditar e orar bem, seria bom que respirássemos bem, para arejar a cabeça e essa concentração não criar problemas cerebrais.
(ficar pirado da cabeça)
Bom é repetir muitas vezes a chamada Oração de Jesus que no Mosteiro será ensinada, já que a tradição diz que essa oração é exclusiva de Monges e foi cultivada pelos Apóstolos. Ela é um grande mantra.
De todas as formas e, ao que tudo indica Jesus não gostava de orações com muitas palavras. Ele devia apreciar a oração silenciosa e meditativa. Nas idas e vindas procurava lugares ermos que ele dizia: "para descansar" e no fundo era para meditar e orar. Seu desconforto com as longas orações e palavras encontramos em Mateus: "Nas vossas orações não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força das palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai  sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais."(Mt 6,7-8) É ousado dizer que muitas de nossas rezas, olhando bem, são contra a advertência explícita de Jesus. Ignorando o sentido orante, contemplativo e meditativo da Liturgia, encheu-se a Missa de respostas e interferências da assembléia, quando a velha Missa sempre legou esse maravilhoso patrimônio de contemplação aos fiéis. A música do órgão, o canto do coral e os gestos do sacerdote sempre foi uma linguagem eloqüente de elevação do espírito e da mente a Deus. A Escritura diz: "Falava no seu coração. Os seus lábios moviam-se, mas não se percebia sua voz. E Deus escutou-a" (I Re. 1,13) O valor da oração mental, da meditação intuída dos mistérios divinos é inquestionável sob todos os aspectos. Depois da ascensão do Senhor os Apóstolos: "Perseveravam todos unanimemente na oração, com as mulheres e com Maria, Mãe de Jesus e com os seus irmãos" (At.1,14) Não estariam, eles, bradando e rezando em altas vozes o dia inteiro. Somos concordes que oravam meditando, intuindo e contemplando o Senhor. É possível que houvesse silêncio entre eles e absortos no pensamento elevado pouco tempo sobraria para conversas que não fossem manifestações espontâneas das maravilhas que cada um encontrava nesse quase êxtase enquanto aguardavam o Paráclito. Deus fala  pelo  profeta  Jeremias: “Encontrar-me-eis, se me procurardes com todo o coração” (Jr. 24,13) Com todo o coração significa, a erradicação dos pensamentos, projetos e façanhas do mundo, nem visão nem audição, apenas contemplar, pela meditação profunda de um único ideal que é o próprio Deus.


Fim do Manual do Vocacionado Ceciliano.

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