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  Contemplação IV
Sacrosanctum Concilium, e Perfectae Caritatis.
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Contemplação IV

A contemplação de Deus no mundo propugnada pela Ordem Ceciliana, tem sua origem na Constituição "Sacrosanctum Concilium," e "Perfectae Caritatis" enquanto a vida Monástica e de anacoreta remonta aos primórdios do cristianismo, no sentido estrito de fuga do mundo e busca pessoal de Deus.
O documento SC diz: "Caracteriza-se a Igreja de ser, a um tempo, humana e divina, operosa na ação e devotada a contemplação, presente no mundo e no entanto peregrina. E isso de modo que nela o humano se ordene ao divino e a ele se subordine, o invisível ao visível, a ação a contemplação e o presente à cidade"futura, que buscamos." (cf.Heb.13,14).(SCn°2) Enquanto a Perfectae Caritatis considera que a vida contemplativa é "parte eminente no Corpo Místico de Cristo, embora seja urgente a necessidade do apostolado ativo."
O aprofundamento contínuo da doutrina, a leitura assídua, meditada e saboreada da Escritura, chamada de Lectio Divina, acrescido o esforço  diário de renúncia dos prazeres, do ego e das próprias qualidades pessoais, se for preciso, por amor do Senhor e  "coração ao alto" como aplica a Liturgia da Santa Missa e o pensamento para as coisas espirituais, de forma que possa responder, com absoluta precisão da verdade: "já os temos no Senhor" buscando cada dia "a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor" (Hb.12,14) lentamente vai conduzindo o iniciante Monástico pelas vielas da espiritualidade e compenetração dos objetivos e fins.Trata-se de buscar a contemplação de Deus, com singeleza, simplicidade e esforço sem desgaste, isto é, que aconteça ao longo de uma caminhada. Os santos se fizeram, caminhando muito, porque a santidade é experiência, tombar e soerguer-se na expectativa de atingir o objetivo a que nos propomos.
O estado contemplativo, que é a meta do homem, como afirma São Tomás de Aquino, é buscado no silêncio pessoal e fuga do mundo, mesmo estando nele não seguindo seus ditames. “...não sois do mundo, mas do mundo por mim escolhidos, por isso o mundo vos odeia" (Jo.15,19). Não é demais dizer que o ruído do mundo moderno, os avanços da tecnologia eletrônica, os meios de comunicações visuais e os atrativos do consumismo, são severos adversários do silêncio contemplativo, tornam-se poluição da alma. O assédio e a maneira de vestir sensual das mulheres e dos homens modernos são a melhor advertência de que o pecado está presente no mundo. A prática e o exercício conveniente da contemplação fazem do Monge um orante continuo e contagiante. É possível estar no ônibus, ou no automóvel e, até mesmo, nas ruas movimentadas de nossas cidades, com o pensamento voltado para Deus, dialogando mentalmente e escutando-O. O costume de andar em presença do Senhor, na expressão da Escritura em Gn.17,1citados na Contemplação III, levará ou, pelo menos, direcionará o Monge para que atinja os estágios mais elevados da contemplação pessoal, para depois levar de forma interpessoal aos membros da comunidade humana. Observamos que o Evangelho é literalmente um apelo à contemplação ao mesmo tempo em que para a conversão e difusão do Reino. Realiza-la, estando no mundo, é questão de tempo, prática e domínio de si, amadurecido na estufa protetora do ensinamento de Jesus. O Monge Yogue chega a esse estágio pelos meios físicos dos exercícios fundamentais do relax e da mentalização fixada em pontos imaginários do infinito ou do fenômeno transcendente da reencarnação e transmutação. O Monge cristão atinge esse estágio usando ferramentas muito parecidas quanto ao abandono dos prazeres e do mundo e colocando frente do pensamento os acontecimentos sagrados que a Escritura narra, ora com reservas, ora com detalhes. Une seu pensamento em um pequeno mantra, no qual medita. Ele elimina de si as divagações e devaneios mundanos por haver descoberto que são contrários e antídotos da presença constante de Deus. A luz dessa idéia Leit Motiv, o Monge direciona o pensamento para a Parusía, tal como foi ensinada pelo próprio Senhor Jesus, ampla e claramente pregada pelos Apóstolos. O fim não justifica os meios, contrariando a teoria insidiosa de Maquiavel, mas o objetivo deve ser alcançado, quando colocamos nossa força de vontade ao serviço da convicção sincera de realizar as perfeições evangélicas, mesmo que estejamos muito distantes, seja pelo caráter seja pela consciência.
Levar ao mundo a contemplação supõe-se que esteja exercitado a tal ponto de não se deixar contaminar pelas coisas do mundo ao seu redor, já que para ele deve estar morto, conforme expressa o Apóstolo: “Afeiçoai-vos as coisas lá de cima e não as da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Col.3,2-3). Essa morte para o mundo não se faz de um dia para outro, ela supõe um morrer cada dia para tudo o que é do mundo, menos para o amor ao próximo que sofre no mundo.
Doar-se pelos irmãos é uma maneira de morrer para si e para o mundo; pois exige desprendimento e vitória sobre o egoísmo.
Na verdade o mundo não aprenderá a contemplar a Deus no sentido literal da palavra. Essa contemplação do mundo pode ser atingida satisfatoriamente se conseguirmos fazer com que as pessoas andem na presença de Deus, mais que na presença das idéias fúteis da vida, tais como: ânsia de adquirir bens, de estar na moda, de subir mais para competir com o outro, ter mais dinheiro para ser mais importante. Elas deverão aprender que se realizar e realizar a família, sua comunidade viva e concreta, numa palavra o próximo, ou aquele que é  inferior ou, até mesmo, superior a nós, é o mais importante programa para dizer-se cristão de verdade. Será que isso não é uma utopia? Provavelmente que sim! Entretanto, para Monges deve ser o objetivo e sua realização.
O ruído moral e psíquico é um entrave na ascensão da espiritualidade Monástica, tanto quanto o ruído físico. Se o ruído físico é apelo a destruição da alma, o ruído psíquico e espiritual é a  implosão total.
A espiritualidade Litúrgica abre um vasto leque para levar as pessoas a contemplação. O Concilio Vaticano II aponta, com rara propriedade, a dinâmica da liturgia terrena dizendo que, por meio dela, "antegozando, participamos da Liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos." (SC 8)
As manifestações do belo, mormente da música, podem comover e enternecer, oportunizando ocasião favorável para penetrar, com sutil e discreto apelo, a contemplação de Deus. Que saibam ouvir meditando é algo positivo. Que escutem a palavra de Deus com o coração desarmado, com a ternura de uma peça tocada ou cantada, é sumamente digno de crédito e quase certeza de que esta ou estas pessoas começam a sua iniciação no aprofundamento daquilo que professam com fé a partir do batismo. Essa fé, para muitos, é mais ideológica do que verdadeira, para outros, apenas uma tradição, para outros encontros de irmãos numa sociedade que deve ser igual e sem diferenças. Para os verdadeiros seguidores de Jesus tudo isso pode estar certo, mas sem a escuta silenciosa, cabalmente contemplativa e a vivência pessoal de Deus, tudo é vão, construções na areia.

"Orai sem cessar" (I.Tess.5,17) é o apelo do Apóstolo  traduzido como oração mental, mas ao mesmo tempo, contemplativa, fruto da reflexão ininterrupta do mistério de Deus, vivido por aquele que está acostumado  a  entrar em seu aposento e orar em segredo ao Pai (Cf. Mt. 6,6).
A contemplação de Deus no mundo, concretamente, é levar uma vida de oração constante, meditando, refletindo, direcionando o pensamento aos Mistérios que envolvem encarnação, paixão e morte e Ressurreição do Senhor até a Parusía. Tornar vivo em nós o Mistério do Filho de Deus encarnado e seus ensinamentos, com isso cumprir aquilo que Apóstolo coloca como tarefa para ser executada: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Estando ainda vivos somos a toda a hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal" (II Cor. 4, 10-11).
Destarte o homem cria raízes no divino e o divino nele. Não deixemos que ervas parasitas suguem a seiva maravilhosa da redenção que corre na árvore de nossa existência. O mundo e suas vaidades, propostas e apelos é uma erva parasita que, lentamente, vai absorvendo nossa vida até que nos tornamos árvore má para ser queimada, pois “toda a árvore que não der bons frutos, será cortada e lançada ao fogo." (Mt.7,19).
Ser contemplativo no mundo e, para fazer disso um ato de evangelização, supõe levar outras pessoas a entrarem nessa sintonia. O direcionamento da contemplação no mundo acode aos apelos da Igreja da modernidade para anunciar o Evangelho do Senhor Jesus em nível de profunda intimidade com o Pai, conforme expressa a Sua oração sacerdotal: "Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade( Jo. 17, 22-23).
Intimidade espiritual que é contemplação de Deus torna-se meta de perfeição, a qual realizada progressivamente pelo Monge, vai tornando-o mais perfeito e essa medida de perfeição contagia o mundo carente do Amor de Deus, transviado da verdade pura, baseada na justiça e no amor. Saiba o Monge Ceciliano, e quem se candidata a sê-lo, que nem todos encontrarão luz para corresponder suficientemente aos apelos de Deus em busca da perfeição cristã porque "estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram" (Mt. 7,14). Caro Monge, ou candidato a Monge, serás um desses raros que encontrarão o caminho da perfeição contemplativa? Chamado a levar a contemplação no mundo e para o mundo é mister que vivas tu primeiro para que o mundo siga tuas pegadas. Tens coragem para tanto?

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Contemplação - V Começa na admiração e exatação da Obra de Deus.
Contemplação - VI - Retirar-te ao secreto de teu coração.
Contemplação - VII - Sobre a Meditação e oração mental.
Fim do Manual do Vocacionado Ceciliano.

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