Kronika em Sol maior:
As estradas gaúchas
Ao andar pelas estradas do Rio
Grande do Sul deparamos com um belo cartão de visitas para
turista nenhum “botar defeito”. São os caminhões
vaqueiros repletos de animais amontoados e judiados dentro de uma
carroceria imunda de fezes e urina que vai pingando nos carros que lhes
ficam atrás, obrigados pela escassez de estrada para realizar a
ultrapassagem.
É uma vergonha e um
relaxamento de quarto mundo ter de viajar cheirando urinas e fezes de
animais. O pior é que entram dentro das cidades passando pelas
ruas principais, Caçapava do Sul é uma delas, percebi
quando de uma visita que ali fiz. Aqui os caminhões vaqueiros
atravessam qualquer rua, sem nenhuma disciplina imposta pelas
autoridades. Neste lugar fedor de fezes e de urina é
lança perfume.
A BR 290 é a maior
estrada que leva para a Argentina e Chile, entretanto tem só
duas pistas e ainda pobremente sinalizadas. Assim que andar longos
quilômetros sentindo o cheiro do “lança perfume”
gaúcho é muito comum. Engraçado que falam em
turismo num tom de voz que convence qualquer incauto. Falam grosso como
se fosse tudo verdade.
Compreendam senhores, que
não é assim que se faz turismo! Turismo é lazer de
pessoas bem de vida que têm dinheiro sobrando e querem aproveitar
para ver beleza, novidade ou extravagâncias desde que não
seja sentir cheiro de fezes e urina.
Estas cidades
fronteiriças povoadas por vaqueiros encontrarão sempre
muitos problemas para levarem avante um programa turístico
sério. Precisarão erradicar o relaxamento e dar lugar ao
cultivo de coisas relacionadas com o embelezamento. Por exemplo: cortar
as capoeiras das margens da estrada que chega a tapar as placas de
aviso de velocidade e localidades.
Por aqui ninguém
costuma dizer nada para não ofender o fulano que é sogro
da fulana, tio do sicrano, parente da beltrana vizinho e amigo do SEU
fulano de tal que era neto do General tal etc. etc. Lei de boa
vizinhança muito estranha, por sinal. Uma lei que é
mais ignorância do que de sociabilidade.
Nós esperamos dias
melhores. E quanto aos caminhões de vaqueiros derramando
“água de cheiro” nas estradas, o Ministério da
Saúde deve tomar providências e a Polícia
Rodoviária deve redobrar suas mensagens para educar os bruta
montes que assim procedem.
Por: Alphonsus de la Croce
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